
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O DIA A DIA NA SEDE DA ASSOCIAÇÃO

quarta-feira, 12 de outubro de 2011
DR. VIEIRA MACHADO

- Uma pequena correcção, não é o pai que é da Ribeira de Palheiros, mas sim a mãe que embora não tenha nascido na Ribeira de Palheiros, são de lá os seus pais.
- O pai do Dr Vieira Machado era de Lagos.
- Fiz uma ligação do vosso blog, ao meu, "Terras Campelo", onde já tinha alguma informação sobre o Dr. Vieira Machado.
- José Damas - comentário 6-03-2012

Em Macau há uma Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado.
FRANCISCO JOSÉ VIEIRA MACHADO
Legislaturas: I, II, III.
Data de nascimento:1898-02-08. Localidade: Lisboa.
Data da morte:1972-09-01.
Habilitações literárias: Licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa (1919); Curso de Ciências Económicas em Paris.
Profissão: Banqueiro; Político.
Carreira profissional:
Breve período como Advogado.
Ingressa nos quadros do Banco Nacional Ultramarino (1926);
Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino (1926-1929);
Administrador do Banco Nacional Ultramarino (1929-1934);
Director do Anglo Portuguese, Colonial and Overseas Bank, Ltd. e do Banque Franco-Portugais d’Outremer (1930-1965);
Recusa o convite para substituir Caeiro da Mata no Banco de Portugal (1932);
Vice-presidente da I Conferência Económica do Império Colonial (1933);
Presidente do Conselho Fiscal e Administrador da Companhia de Seguros “A Mundial” (1943-1968);
Governador do Banco Nacional Ultramarino (1951-1972);
Presidente da Direcção do Banco Ultramarino Brasileiro do Rio de Janeiro (1954-1961).
Perfil político-ideológico:
Foi o grande construtor do “Império Colonial Português”.
Carreira político-administrativa:
Subsecretário de Estado das Colónias (1934-01-20 a 1935-02-16);
Vogal do Conselho do Império Colonial Português (1932-1934);
Presidente do Conselho do Império Colonial Português (1934-1944);
Ministro as Colónias (1936-01-18 a 1944-09-06);
Vogal do Conselho Superior do Ultramar;
Vogal da Comissão Central da União Nacional (1956);
Procurador à Câmara Corporativa (IV a X Legislaturas).
Carreira parlamentar.
Legislaturas: I; II; III.
Intervenções parlamentares
I Legislatura (1935-1938):
1.ª Sessão Legislativa (1935), Discute a proposta de lei que cria e organiza o Conselho do Império; Discute o projecto de lei, do Sr. Álvaro de Freitas Morna, sobre a criação do Instituto de Hidrografia
2.ª Sessão Legislativa (1935-1936) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
II Legislatura (1938-1942) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
III Legislatura (1942-1945) - Mandato suspenso por integrar o Governo.


"O Senhor que aparece no meio dos dois astronautas
é o dr. Castro Fernandes e não o dr. Vieira Machado".
(Esclarecimento do colega Francisco Ivo)
terça-feira, 11 de outubro de 2011
MAGUSTO 2011
DATA: 12 de Novembro - Sábado - início: 10/10,30h
LOCAL: Quinta do Paúl - Ortigosa - Estrada Leiria/Monte Real
PREÇO: 22€ por pessoa (sócios e cônjuges); 32€ para outros acompanhantes.
TRANSPORTE: por autocarro (gratuito: paga a Associação)
Lisboa: 8,00h em frente à Culturgest - sede CGD
Porto: contatar José Manuel Roxo de Almeida: Tl. 226 101 264 Tlm 91 725 99 14
ou Ilda Marques: Tl. 225 360 804; Tlm 91 872 18 19
Covilhã: Rui Batista Trindade: Tl 275 334 207 - 91 955 78 08
Coimbra: João Paulo Picoa Pratas: tl. 231 422 816; 96 509 05 86
Portalegre: João António Cabrita Pargana Tl. 245 202 763; 91 847 62 48
Lagos: Manuel António Machado Simões: tle. 282 182 087; 96 576 29 82
A Associação agradece a inscrição até ao fim do presente mês de Outubro, enviando para a sede- Rua Marechal Saldanha, nº 5 - 3º - 1200-259 Lisboa, a identificação, o número de pessoas e o respetivo cheque e referindo se vai ou não de autocarro.
Por mim vou debaixo da asa do autocarro.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
RUA AUGUSTA - visita
Caro Sr. A. Rito Pereira,
Informo que será com o maior prazer que faremos uma visita guiada aos antigos empregados do BNU na data de 16 de Maio de 2012.
Pedia-lhe, por favor, que entrassem em contacto connosco em data mais próxima, com a informação do número de participantes.
Com os melhores cumprimentos,
Bárbara Coutinho
Directora
Câmara Municipal de Lisboa
MUDE. Museu do Design e da Moda. Colecção Francisco Capelo
Rua Augusta, 24
1100-053
PORTUGAL
Fica então combinada a visita à Rua Augusta para o dia 16 de Maio, onde seremos recebidos pela Srª Diretora do Museu.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
BNU - ANGOLA

“Ritas” contra “Chamiços”»
Os anos entre 1921 e 1926, em Angola, foram um período entre guerras de grandes dificuldades económicas e caos financeiro. Tal condicionou as alterações monetárias que levaram à perda da função emissora do Banco Nacional Ultramarino nesse território e à criação do Banco de Angola, como novo agente emissor e exclusivo para essa então colónia portuguesa.
O General José Norton de Mattos foi Alto Comissário de Angola entre 1921 e 1923. Durante o seu cargo, foi sua pretensão implementar moeda privativa para Angola e retirar o exclusivo da emissão de papel-moeda ao BNU. Para tal, recorreu a legislação outorgada pelo próprio, e publicada pelo Ministério das Colónias, que permitiu que, no primeiro ano do seu mandato, o Governo colonial pudesse emitir cédulas e determinou que as do BNU, que estavam em circulação, fossem retiradas até Dezembro de 1922.


Ao mesmo tempo, em 23 de Julho de 1922, o Alto Comissário renegociou o contrato celebrado com o BNU de modo a obrigar este último a substituir as notas em curso por uma nova emissão privativa para Angola.
Estas medidas foram tomadas porque, no entender do Governo colonial na altura, a carência de meios de troca sentida e que afectava o comércio local, devia-se ao insuficiente lançamento de papel-moeda por parte do BNU. No entanto, num relatório do Governador do BNU (João Henrique Ulrich), aos accionistas, em 1924, constata-se que o stock de notas tinha reservas, e por isso, não seria justificação para a escassez de numerário. Este dever-se-ía antes aos créditos, a que se recorria e que se concediam desregradamente. A problemática dos créditos, exercida pelo BNU no período 1922-24, decorria do facto de aqueles serem concedidos na forma de descontos e contas correntes para uma população e classe empresarial que, apesar de rica, ao nível das transacções comerciais, tinha falta de capitais próprios.
Por esse motivo, a concessão de créditos e o numerário circulante criaram a insegurança nos imensos gastos da população, assentes em créditos pouco sustentáveis. Por conseguinte, o BNU, à data do referido relatório, começou a refrear a autorização de créditos. No entanto, antes disso, durante a segunda metade de 1922, o BNU lançou a ‘Emissão Chamiço’, com o objectivo de aumentar a circulação fiduciária. Nesta emissão, que circulou também em outras ex-colónias africanas, a chapa de gravação estava desenhada de tal forma, que o campo relativo à filial, podia ser carimbado posteriormente à impressão com o nome da respectiva ex-colónia. Obteve o seu nome por ter nela representada a efígie de Francisco de Oliveira Chamiço, fundador e primeiro governador do BNU. Para além disso, apresentava pela primeira vez, o novo selo com o nome do banco e o lema “Colónias, Commercio, Agricultura” a envolver a imagem de um vapor. O desenho das notas era igual para todos os valores faciais (100, 50, 20, 10, 5, 2 Escudos e 50 Centavos e 1 Escudo), apenas com diferenças nas dimensões. Foram notas que tiveram uma boa aceitação por parte da população, sendo inclusive apelidadas de “chamiços”. O Alto Comissário de Angola, com base em relatórios de ausência de trocos em vários distritos, autorizou segunda emissão de cédulas de 50 Centavos no início de 1923 e simultânea recolha das que estavam em curso, por forma a custear o lançamento da nova emissão. Estas cédulas foram produzidas pela Waterlow & Sons Ltd.. Contrariamente, a ‘Emissão Chamiço’ foi gravada na concorrente inglesa da Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd. e na Thomas de la Rue & Co. Ltd. – esta última somente para os valores de 2 Escudos e 50 Centavos. A qualidade de impressão das ‘Cédulas do Alto Comissário de 1923’ e do seu desenho, apresentavam um resultado final mais definido, enquanto introduz no papel-moeda para Angola a temática do relacionamento inter-racial com a representação de autóctones (temática que foi mais tarde recuperada nas notas do Banco de Angola). Convencionou-se chamar “ritas” a estas cédulas uma vez que era voz corrente que a figura que representava a República, na Frente da cédula, era a filha do General Norton de Mattos, de seu nome precisamente Rita. Tal como na primeira emissão de cédulas, repetem-se aqui os motivos do Classicismo, com as colunas e a República sentada a segurar uma láurea, bem como as sugestões ao comércio marítimo através da representação de uma doca. O Verso apresenta uma pintura com o episódio da chegada de Diogo Cão a Angola, como referência à história da sua colonização. A entrada em circulação destas duas Emissões – “chamiços” e “ritas” – e o aumento dos seus volumes de circulação, inundaram o mercado de papel-moeda. Apesar disso, numa portaria de 1 de Agosto de 1923, os limites foram novamente aumentados.
Este cenário, em conjunto com o descontrolo ao nível dos créditos, conduziu ao aumento da inflação e, consequentemente, ao custo de vida em Angola, para condições insustentáveis nos finais de 1923. O volume de numerário em circulação era agravado com a predominância das cédulas “ritas”, o que implicava a morosidade nas trocas comerciais e aumentava os riscos de erros nas contagens. Para debilitar ainda mais a situação, os “chamiços” tornavam-se cada vez mais raros, sendo retidos pelos particulares, dando origem ao que, nessa altura, se apelidou de «uma luta entre notas» em que as “ritas”, em maior número, derrotaram os “chamiços” no «campo de batalha» (Pedro Muralha, in Terras de África: S. Tomé e Angola, 1924). Permaneciam assim, as primeiras, que eram consideradas por muitos habitantes e referidas nos jornais da época, como «uma praga de ritas». As cédulas “ritas” foram concebidas para facilitar os pequenos trocos, mas estavam a ser utilizadas para pagar a grande maioria das transacções. Foram inclusive, adaptadas num expediente pela população, que consistia em empilhá-las em blocos lacrados e rubricados com o seu valor total – chamavam a estes blocos de “tijolos”.
Esta descrição antropomórfica que Pedro Muralha faz dos dois meios de troca em Angola era paradigmática de uma posição do Governo colonial que, tentando resolver as dificuldades financeiras da ex-colónia, pretendia também retirar o valor das emissões do BNU, para substituir o seu privilégio por um banco emissor privativo em Angola. Com o agudizar das dificuldades económicas e monetárias, em 1926, o Alto Comissário tomou a decisão de aplicar a reforma monetária em Angola, criando a Junta da Moeda e o novo banco emissor independente, o Banco de Angola. Marcou-se com esta reforma o fim da presença do BNU em Angola, onde este emitiu papel-moeda, pela primeira vez, em 1865.
Agosto 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
MAGUSTO 2011
Vai ser ocasião para celebrar também o 21º aniversário da Associação.
A festa começará pelas 10/10,30 da manhã e terminará pelas 19/19,30 h.
Os residentes na zona de Lisboa poderão ir de autocarro, sendo o custo suportado pela Associação.
Os residentes fora da zona de Lisboa, poderão também organizar viagem de autocarro a suportar pela Associação, previamente combinado com o presidente, Sr. José Ribeiro Gonçalves (telm 962524947).


quinta-feira, 8 de setembro de 2011
DR. EDMUNDO ROCHA

Foi-me solicitado que desse testemunho da minha vivência no BNU Macau.
Não sei quem foi a pessoa que se lembrou da minha passagem por Macau, mas aqui lhe agradeço o pedido, que atendo com muito gosto, porque penso que efectivamente a história das Instituições, tal como a dos países, se faz com o somatório de testemunhos de quem participou ou viveu os acontecimentos.
Neste caso trata-se de memórias que ainda interessam a muita gente, como se comprova pelo interesse e o entusiasmo da participação que o referido blog tem e da saudade que o Banco Nacional Ultramarino desperta em todos aqueles que o serviram e ajudaram a cumprir a sua Missão.
Também eu tenho saudades e confesso que nunca pensei ver o Banco desaparecer.
Fui para Macau em 1980 e de lá regressei em 1988.
Macau era nessa época um território de 15 km2 e 500 mil habitantes, onde as comunidades chinesa, luso-chinesa e portuguesa conviviam em ambiente fraterno. A autoridade portuguesa era simbólica e pouco mais fazia do que gerir os interesses da pouca presença portuguesa, com base num orçamento alimentado quase que exclusivamente por receitas do jogo. Havia um hospital e um liceu para os portugueses e pouco mais. A comunidade chinesa vivia um curioso sistema de autogestão orientado pelos seus líderes (Ho Hin, Maman Kei, Stanley Ho e outros) que detinham as grandes fortunas e os grandes negócios e, em contrapartida, davam satisfação às necessidades básicas da população, designadamente em matéria de saúde e ensino.
O BNU tinha uma actividade reduzida, comparativamente à dos bancos chineses e a pataca não exercia qualquer influência na economia do território, onde circulava principalmente o renminb e o dólar de Hong Kong.
Neste cenário foi curioso assistir ao aparecimento do chamado Instituto Emissor de Macau, primeiro passo para a criação do Banco Emissor de Macau, que retiraria essa e outras funções ao BNU, que ficaria limitado à sua pequena quota de acção comercial. Tratava-se de um projecto nascido em Lisboa, do desejo do Governo de Macau, mas que não podia agradar nem ao BNU nem a Pequim. Durante os anos em que tive a responsabilidade da direcção do Banco em Macau, o meu papel, bem como o dos meus colegas de direcção e de outros colaboradores próximos, foi o de resistir como pudemos a esse projecto, com o apoio da Administração em Lisboa, enquanto a ela presidiu o Dr. Mário Adegas. Tivemos também a compreensão tácita da influência chinesa.
Refira-se que felizmente o projecto, certamente por falta de mérito, não se concretizou e que o BNU, por decisão da Republica Popular da China, manteve todas as suas funções até 2049, quando terminará o período de 50 anos estabelecido por Pequim para a actual autonomia (à semelhança do que aconteceu em relação a Hong Kong).
Portugal baixou a sua bandeira em 19 de Dezembro de l999 mas o BNU continua em Macau sem ter perdido nenhuma das suas atribuições.
Lisboa, 6 de Agosto de 2011
Edmundo Rocha


