segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RECORDANDO MOÇAMBIQUE


Já lá vão dez anos, – como o tempo passa – que escrevi umas “larachas” acerca da Associação dos Empregados do B.N.U., em Lourenço Marques, ainda o boletim da A.A.E.B.N.U. era uma simples folha de couve fotocopiada a preto-e-branco.

Há dias, mexendo em papelada antiga, fui desencantar estas relíquias que me suscitaram o acrescento de mais estas lembranças.
Como reza a história, o B.N.U. chegou a terras dos Mpfumos (rebaptizada pelos portugueses Lourenço Marques) corria o ano de 1877.É curioso referir que 22 anos depois ainda continuava sendo o único banco português, actuando em concorrência com o The Bank of Africa Limited, o Standard Bank,e o African Bank Corporation Ltd.

Festa de Natal
O tempo continuou rolando e, no ano do seu centenário (1964), o B.N.U inaugurava a sua nova Filial na cidade de Lourenço Marques, reservando no novo edifício um espaço destinado exclusivamente à criação de um centro lúdico para uso do seu pessoal.
Com o apoio da Direcção do banco em Moçambique nasce, nesse ano, a Associação dos Empregados do Banco Nacional Ultramarino que, com invulgar dinamismo se desdobrou por inúmeras actividades não só culturais como, também, desportivas. Dotada de biblioteca e discoteca próprias, desenvolveu acções culturais que iam da projecção de filmes em 16mm à divulgação da música de jaz. Com um agrupamento coral e um conjunto de música ligeira, ensaiou passos no teatro, mormente infantil que chegou a actuar numa das festas de Natal. Maior projecção sem dúvida se alcançou no campo desportivo, com a organização de competições desportivas interbancárias. Para remate e porque os últimos serão sempre os primeiros, organizou Ralis Internacionais a que o nosso Banco deu especial apoio dada a projecção que tais eventos desportivos vieram a alcançar. Ficará inesquecível esta nossa Associação (mais conhecida por Centro Lúdico) assim como serão sempre recordados os ´muitos colegas que, desinteressadamente, deram à Associação o melhor do seu dinamismo que, por motivos óbvios não são nomeados nesta curta invocação para se evitarem indesculpáveis esquecimentos
Troféu dos jogos interbancários
              Rio de Mouro, Maio de 2013   
MAIA PEREIRA   


 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CARLOS DUARTE


Carlos Jorge da Cruz Duarte, nasceu no dia 13 de Maio de 1933, na freguesia de Tamengos, concelho de Anadia.
Entrou no Banco Nacional Ultramarino no dia 23 de Maio de 1955, na agência da Covilhã, onde esteve durante dois anos, decorridos os quais foi trabalhar para a secção de “Letras a Pagar” na  sede da Rua Augusta em Lisboa. Passados três anos, foi para a Secretaria Geral onde esteve cerca de 4 anos. Depois foi secretário do governador  durante cinco anos.
Em 1978 foi para a Departamento Operacional da Região Norte, que depois foi transformado em Departamento Operacional da Região Centro.
Em 1983 foi para Macau onde esteve durante 6 anos, como subdiretor geral, sendo diretor geral o Sr. Dr. Edmundo Rocha.
Voltou para Portugal, para o departamento Operacional da Região Centro, como diretor, sendo diretor coordenador o Sr. Dr. Moreira de Campos.

Em 1993, estando a trabalhar na Av. 5 de Outubro, reformou-se.

Gostou de trabalhar no BNU, que considera uma verdadeira escola, onde aprendeu muito. Acha que o nosso banco era excecional no retalho, “tinha muito bons empregados que sabiam tratar os clientes de uma maneira muito pessoal. Foi pena que o Banco tivesse deixado de existir”. Considera que o pessoal do BNU transmitiu à CGD conhecimentos que esta não tinha do comércio bancário do retalho. “O Banco nunca conseguiu recuperar da perda das colónias, donde vinha um terço dos seus lucros”. Confirmou quando era secretário do governador  que o Banco conseguiu não só trazer os lucros para Portugal como também as reservas de ouro, “que depois tivemos de devolver ao Banco de Moçambique. Foi o Agostinho dos Santos que foi levar as reservas de ouro ao aeroporto.”   
O BNU “era um banco rentável, era bem gerido, tinha bons gerentes e sabia acumular a juventude com os indivíduos mais velhos que lhes ensinavam a tratar os aspetos comerciais de uma forma muito profissional”. Considera que o BNU – Macau também beneficiou da experiência dos empregados do BNU que iam daqui.  
É casado com a Drª Zélia, professora de matemática, pessoa muito culta, simpática e sempre prestável para os eventos dos colegas.
O Sr. Carlos Duarte tem acompanhado a vida dos antigos colegas, não falta aos encontros e torneios do grupo do ténis do BNU e faz parte dos corpos sociais da Associação dos Antigos Empregados do Banco Nacional Ultramarino.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

ADMINISTRAÇÃO DE BENS - NATAL - 2013

Os colegas do Banco Nacional Ultramarino que trabalharam na Administração de Bens / Procuradoria, persistem nos seus almoços no Restaurante da Ti Lurdes, ao Campo Pequeno, às quintas-feiras.
Nesta Quinta-Feira, 19 de Dezembro, o almoço foi de NATAL, com champanhe e votos de boas festas.
Estão todos bem. É o que interessa. Falou-se das nossas vidas de reformados, dos filhos, dos netos e doutras coisas. Crise e futebol. Sporting à frente, no Natal...



bacalhau à Gomes de Sá

mão de vaca com grão

Os chefes - Sr. Patrício e Sr. Araújo

1º da esquerda - Sr. Castro- em representação do irmão Dr. Castro,
que não podia estar presente.

Maria Edite, Sardinha e Dr. José Marques

Edite e marido José João Inácio (Sr. Leitão Silva a filmar)
Edite (a mandar mensagem) João Diogo Sardinha Silva (em pose)
e Dr. José Marques (tentando comer uma garfada)

Sardinha e Dr. Marques, sérios de mais e D. Manuela satisfeita 

Carlos Alberto Bernardo e Matos de Carvalho

Américo Santos e Amílcar Leitão Silva (gerente de agência BNU)

Maria Alice e Manuela

Sr. Lima e Maria Alice

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

NATAL - Ténis


O grupo do ténis continua a aproveitar todas as ocasiões para um encontro.
Mais um Natal no restaurante da companhia das Lezírias, perto de Porto Alto, no ambiente dos cavalos lusitanos, com muito verde à nossa volta, muito espaço.
Outra vez a boa disposição e as recordações.
Estamos bem. Ninguém se lembrou dos cortes nas reformas.
A amizade e a lembrança das nossas vivência profissionais é que estiveram presentes.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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terça-feira, 26 de novembro de 2013

DRª ALICE PAIVA



No dia 21 de Novembro na Biblioteca Municipal de Lisboa/ Palácio Galveias ao Campo Pequeno, foi apresentado o livro de poesias da Drª Maria Alice Marques de Paiva.
UNIVERSO INTOCADO, com ilustrações do colega do Banco Nacional Ultramarino, Estanislau Martins.
Apresentou o livro o autor do Prefácio, Agostinho Fernandes Garcia.
O Dr. Lino Paiva, irmão da autora, recitou umas poesias do livro e outras inéditas da Maria Alice.
A sala encheu-se de amigos e colegas do Banco Nacional Ultramarino, que conhecem os dotes e a personalidade da Maria Alice.
As colegas Lídia Bragança e Dr. Maria José ressaltaram, em breves mas muito adequadas palavras, a personalidade e qualidades de amizade e cultura da autora.






 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

DR. LOPES RODRIGUES


Joaquim Lopes Rodrigues, nasceu no dia 28 de Setembro de 1944, na freguesia de  Vila Nova de Sande, concelho de Guimarães.
Entrou no BNU em 1971 na agência de Grândola, onde conheceu a sua esposa, D. Guadalupe, natural de Serpa. Licenciou-se em direito já como empregado no  Banco, tendo entrado no Contencioso, nos finais dos anos 1980, no edifício Caracol, Rua do Comércio em Lisboa.
Já tinha passado pelas agências de Lagos e Guimarães.
Reformou-se como advogado da Caixa Geral de Depósitos em 01.01.2008.
É tio do futebolista internacional francês Robert Pires.
O Dr. Lopes Rodrigues é sportinguista mas antes torce pelo Vitória de Guimarães. Aliás, no contencioso do BNU, sito no 12º andar da Av. 5 de Ourtubro, desde 1990 até 2001, todos os advogados eram sportinguistas, à exceção do Dr. Rodolfo Lavrador que é benfiquista. O Dr. Trindade Rodrigues, antes do Sporting, torce pelo Porto. Os diretores, Dr. João Labaredas e Sr. Alexandre Dias, são benfiquistas.
     

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

GUINÉ


Os navegadores portugueses estabeleceram contacto com a Guiné em 1446. Em 1588 fundam uma povoação, em Cacheu, que fica a sede dos capitães-mores, sob jurisdição de Cabo Verde. Em 1879 é criada a Província da Guiné Portuguesa, com capital em Bolama. Em 1942 a capital muda de Bolama para Bissau.
 A história do Banco Nacional Ultramarino, fundado em 1864, está também indiscutivelmente ligada ao último século da presença portuguesa nos antigos territórios ultramarinos portugueses. E foi assim que também na Guiné, o BNU marcou a sua presença.
De harmonia com o contrato de 30 de Novembro de 1901, celebrado entre o Estado e o Banco Nacional Ultramarino, este ficava obrigado, entre outras ações, a estabelecer no prazo máximo de seis meses agências na Ilha do Príncipe, Bolama, Cabinda, Inhambane, Quelimane e Macau.
O Banco teria ainda de exercer gratuitamente as funções de Tesoureiro do Estado no Ultramar, nas localidades onde tivesse instalado filiais ou agências.
Foi assim, como consequência deste contrato que o Banco abriu a primeira Agência em Bolama, em 1902, com apenas dois empregados e o gerente – o Sr. João Baltazar Moreira Júnior.
Todavia, acontecia que o crédito não era ainda, na sua maior parte, fornecido por esta agência do BNU, mas sim, apesar de em piores condições, por casas particulares.
A partir de 1909, a gerência, encarando este problema frontalmente, incentiva a ação do Banco, aumentando nos anos seguintes, de forma substancial, o movimento de caixa, depósitos, descontos, saques e letras à cobrança, etc.
 Desde 1910, que se nota, ao analisarmos as estatísticas referentes ao movimento comercial da província da Guiné, aumentos significativos, estando bem patente a ação do BNU.
Efetivamente, o movimento comercial, que em 1910 era de 2.460 contos, passou a cerca de 3.328 contos em 1913.
Sendo a função emissora, uma das mais importantes que o BNU assegurava em todas as colónias portuguesas de África e do Oriente, tal aconteceu, também na Guiné.
Por portaria de 24 de janeiro de 1903, determinava o governador da Guiné, Joaquim Júdice Biker, que fossem recebidas como moeda, as notas do Banco na província da Guiné.
Na realidade, antes do séc. XX, não consta ter sido cunhada qualquer moeda metálica especial para a Guiné.
Deste fato, encontramos uma referência significativa no relatório do Governador Correia Lança, que em 1889, afirmava: “ Na Guiné circula moeda de toda a espécie: portuguesa, francesa, inglesa, mexicana, da América do Norte, Brasil e Estados Unidos da América do Sul. Raro é o mês que não desembarca um caixote com pesos mexicanos, que os comerciantes compram por 600 Reis, introduzindo no mercado da Guiné a 920 reis”.
Para colmatar este problema da circulação de toda a espécie de moeda, o ministro Jacinto Cândido da Silva, em Novembro de 1896, publicou um decreto mandando cessar na Guiné o curso legal de moedas de prata estrangeiras ali existentes e remeteu para a colónia grande quantidade de moedas metropolitanas, que no prazo de 30 dias, deveriam substituir as moedas estrangeiras.
Ainda assim, esta intervenção isolada do Governo, no regime monetário da Guiné, não produziu qualquer resultado apreciável na resolução da crise económica e financeira que o governo de então pretendia debelar.
Aliás, verificou-se que em pouco tempo, a moeda portuguesa desapareceu do mercado, monopolizada pelos comerciantes e utilizada sobretudo na transferência de valores para Portugal.
A função emissora do BNU, tende a pôr fim ao caos existente provocado pelas diversas espécies de moedas em circulação a par com variada pré-moeda, como cauris, mabelas, cruzetas, etc.
A circulação fiduciária em cada uma das colónias era limitada por um “plafond”, o qual podia ser elevado, com autorização do Governo, de forma a adaptar-se o meio circulante às necessidades monetárias daqueles diferentes territórios Ultramarinos.
Para a Guiné, inicialmente o limite foi de 17.000 contos, mas o desenvolvimento que se foi verificando e a desvalorização das moedas resultantes da 2ª Guerra Mundial, forçaram a uma elevação deste limite, para 50.000 contos em 1951.
Neste território havia dois limites máximos anuais. No primeiro semestre, que coincide com a campanha da mancarra, o limite chega a 80.000 c., no segundo semestre vai até 50.000 c.
Em 1917,foi inaugurada a Agência de Bissau, que passando esta localidade a ser a capital de província se torna mais importante e com mais movimento do que a de Bolama.
A data de abertura desta nova agência, coincidiu com o período da 1ª Guerra Mundial, o que levou a proibir a exportação de moeda de prata para as colónias, por Decreto-Lei de 15-07-1916.
Conseguiu-se no entanto, manter o movimento de caixa em Bolama usando da máxima parcimónia na saída desta espécie e tendo sido dispensada alguma pela Caixa do Tesouro para fornecer á nova agência de Bissau. Foram-lhe também fornecidos 240 contos em notas.
Em 1920, o Banco Nacional Ultramarino ainda e sempre com o intuito de desenvolver a região, fundou na Guiné a Companhia de Fomento Nacional.
A aceitação do papel-moeda no mercado local, não foi fácil.
Segundo testemunho do gerente de então, lemos num dos seus relatórios:
“ O indígena mantém relutância em receber dinheiro em papel e tem em seu poder muita moeda de prata que não tem movimento, porque devido à situação criada pela Guerra a importação de fazendas é diminuta. O indígena não podendo escolher as fazendas a seu gosto passou sem elas e portanto não emprega o seu dinheiro. As notas de 1$00 são as mais procuradas e aquelas que o indígena aceita com menos relutância. A sua emissão está a cargo da agência de Bolama que as fornece a Bissau quando necessárias. As notas de 2$50 são as que menos se empregam e o indígena tem-lhes especial aversão por frequentemente ser iludido em pagamentos que indivíduos lhes fazem com elas como se fossem de maior valor”.
Além da sua função emissora o BNU manteve o seu papel de Banco Comercial.
Ainda assim, o movimento de letras a receber era pouco significativo e referia-se às faturas de encomendas enviadas de Lisboa, as quais iam à cobrança, por intermédio do Banco.
Porém, acontecia que, a maior parte dessas encomendas não eram reclamadas ou levantadas pelos destinatários, que confiando no preço de reclame e que ao terem de pagar as restantes despesas e a mercadoria por maior preço, desistiam de a receber.
O BNU teria então de promover a venda destas encomendas ou fazer a sua devolução, pelo que teria de encaixotar tudo de novo e despachá-las à procedência, funcionando o armazém do Banco exclusivamente para este serviço.
O Banco também procedia a venda de produtos, nas circunstâncias atrás referidas e em situação mais direta, como é o caso da venda de tabacos de origem holandesa e francesa. No entanto, estes tabacos tinham um consumo diminuto, pois ainda segundo testemunhos da gerência de então, “ o indígena está habituado ao tabaco americano em folha, para mascar, que é mais barato que o vendido pelo Banco”.
A Guiné, sem atividade industrial digna de referência, sem explorações mineiras e sem portos frequentados pela navegação internacional, viveu sempre numa estreita dependência da sua produção agrícola: arroz e óleo para a alimentação dos indígenas, amendoim e coconote para a exportação.
No entanto, em 1948, o ministério das Colónias autorizava o Governo da Guiné a celebrar contrato com o BNU para a abertura de um crédito em conta corrente, até ao limite de 40 mil contos, em moeda metropolitana, para pagamentos de encargos com obras de fomento.
Na Guiné, como já referido, a industria era praticamente inexistente, verificando-se na década de 50 do século XX a existência de apenas quatro instalações de descasque de arroz, uma fábrica de óleos e algumas unidades de corte e serração de madeiras, de gelo e refrigerantes.
Todo o comércio efetuado entre a Guiné e a parte restante do então espaço económico português se reduzia às transações com o continente e ilhas.
A Guiné importava praticamente todos os bens de consumo de que necessitava, inclusive géneros alimentícios e exportava os seus produtos de que se destacam mancarra, coconote, óleo de palma, arroz, borracha, cera e couros bovinos.
Na Guiné, a ação do banco em auxilio dado às principais atividades económicas, reveste-se de uma especial importância, pelo que representa de ajuda à agricultura e à pequena industria.
A atuação do Banco tomou a forma de auxilio às atividades produtoras, através de contas correntes e empréstimos diversos, em virtude da própria natureza do território, e do atraso económico.
Em 1953, o Banco concedeu um empréstimo de 1.000.000$00 à Junta de Bafatá para a compra de um grupo eletrogéneo, destinado à montagem da central e da rede elétrica local.

No ano de 1957, o Banco efetuou novos empréstimos à Guiné Bissau. Foram concedidos empréstimos às Câmaras Municipais de Bissau e Bafatá com o objetivo de incrementar a atividade económica.
Em 1967 um empréstimo de 15.000 contos foi concedido pelo BNU à província da Guiné.
Assim, o BNU assegurando esta função de financiador da atividade económica, como a de Caixa de Tesouro, permaneceu nesta ex-província portuguesa até 1975.
Poucos meses depois da instalação do novo Governo, resultado do processo de independência, em 20 de Fevereiro de 1975, foi criado o Banco Nacional da Guiné Bissau, o qual passou a tomar responsabilidade exclusiva do sistema monetário do País, simultaneamente como instituição emissora e único banco comercial.
Foi em 28 de Fevereiro de 1976 que o Banco Nacional da Guiné Bissau começou a exercer as suas funções ao transferir-se para ele, na data mencionada, todos os ativos e passivos do Banco Nacional Ultramarino, o único banco existente no país antes da independência.
No ano de 1981, deu-se a abertura de um escritório de representação do BNU na República da Guiné Bissau, possibilitando assim, novamente, a presença do único banco, que tinha exercido a sua atividade no território guineense, desde a data do seu estabelecimento em 1902, até à independência da Guiné Bissau em 1975.
Miguel Costa
Gabinete do Património Histórico da CGD

terça-feira, 15 de outubro de 2013

RELÓGIO - BNU ALENTEJO

Este relógio estava numa das agências do BNU no Alentejo.
Atualmente, como se vê na foto, está no armazém do museu da CGD - BNU.

Para melhor preservar a nossa memória, é essencial a identificação da agência do BNU no Alentejo, onde estava, antes de vir para este armazém.

Será que algum colega sabe dizer em que agência concreta do BNU (Alentejo) estava o relógio?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

JOSÉ BRANCO - POSTO MÉDICO do BNU

                                    UMA HISTÓRIA DE AMIZADE
Rolam os anos, ano após ano e, às duas por três, damos connosco invadidos pelos cabelos brancos trazidos, exactamente, pelos muitos anos que, entretanto, já rolaram. É, então, chegada a hora para se rebuscar na memória e trazer à luz do dia episódios da nossa vida que nos marcaram vincadamente a existência.
O – a meu ver – extraordinário narrador que é o escritor chileno Luís Sepúlveda, escreveu num dos seus contos: “os amigos não morrem simplesmente: morrem-nos, uma força atroz mutila-nos da sua companhia e continuamos a viver com esse vazio entre os ossos”. Não querendo eu meter a minha romba foice numa seara que não é minha, apetece-me acrescentar que à medida que vamos sobrevivendo à força demoníaca da morte que, de um modo inesperado, nos vai levando amigos e parentes, esses vazios entre os ossos de que fala Luís Sepúlveda vão sendo preenchidos pelas boas recordações que de todos eles nos ficaram indelevelmente gravadas na memória. E foi para melhor definir o sobreviver dessas lembranças que – acho eu – foi inventada a palavra saudade.
Foi ao pensar em tudo isto que me ocorreu contar esta história de amizade.
Ao longo dos muitos anos ao serviço do B.N.U., foi-me dado, a dado passo, conhecer no posto médico o enfermeiro José Branco. Era por todos reconhecida a sua mais que evidente simpatia, o seu trato lhano o seu jeito extrovertido e brincalhão com que acolhia aquele ror de queixumes que por ali aportava todos os dias. Lembro-me até de um certo dia me ter calhado a vez de lhe ir parar às mãos, mercê de uma queda aparatosa sem graves consequências que não fossem as palmas das mãos todas esfoladas em consequência da aterragem que fui forçado a fazer. Parece-me ainda estar a vê-lo a esfregar-me denodadamente aquela carne viva, achava eu que sem dó nem piedade, indiferente aos meus queixumes piegas, com os quais ele brincava, explicando-me que as feridas tinham que ficar bem limpas e desinfectadas sem o que podia resultar dali uma infecção dos diabos.
Para além dessas visitas “forçadas” ao posto médico, eu costumava encontrar também o José Branco durante as férias na Praia de Santa Cruz quando, ocasionalmente, os nossos caminhos se cruzavam, mas para além dos cumprimentos usuais de cortesia as nossas conversas limitavam-se a palavra de circunstância.
Já depois de reformado, a certa altura, decidi comprar um apartamento naquela praia e, numa das minhas idas iniciais ao prédio, quando vou a entrar dou de caras, inesperadamente, com o Branco e a esposa que vinham a sair. Ficámos, assim, todos a saber que, a partir daquele momento, éramos ali vizinhos.
Foi o início de uma agradável convivência que, embora circunscrita aos períodos que por ali simultaneamente permanecíamos, me permitiu conhecer melhor o Branco, inteirando-me da sua personalidade e apercebendo-me de uma sua outra faceta que eu desconhecia, que era a sua enorme paixão pelos livros e pela cultura em geral.
Os anos foram correndo – não muito é certo – e por razões de saúde o casal passou a espaçar mais a sua permanência naquele seu apartamento e eu, por razões diversas, acabei por vender também o meu.
Num dos últimos dias que ali permaneci e tendo-nos, ocasionalmente, reencontrado, aproveitei o ensejo para lhe entregar um envelope que antecipadamente lhe destinara, envelope que continha um bilhete com palavras simples de agradecimento pela sua amizade e uma pequena aguarela, pintada por mim, reproduzindo a praia de Santa Cruz com o seu característico rochedo. Esclarecia ainda, que aquela oferta, não obstante a sua simplicidade era, porque de minha autoria, um testemunho que me parecia adequado para assinalar o nosso tão muito agradável convívio.   
Num dos últimos dias que ali permaneci e tendo-nos, ocasionalmente, reencontrado, aproveitei o ensejo para lhe entregar um envelope que antecipadamente lhe destinara, envelope que continha um bilhete com palavras simples de agradecimento pela sua amizade e uma pequena aguarela, pintada por mim, reproduzindo a praia de Santa Cruz com o seu característico rochedo. Esclarecia, ainda, que aquela oferta, não obstante a sua simplicidade era, porque de minha autoria, um testemunho que me parecia adequado para assinalar o nosso tão muito agradável convívio.Alguns meses passados, já nas vésperas do Natal que, entretanto, se aproximara, alturas em que, habitualmente e pelo telefone trocávamos os tradicionais cumprimentos natalícios, o Branco surpreendeu-me ao dizer que se queria encontrar comigo para me dar pessoalmente um abraço.
Expectante, lá compareci no local e à hora que fora combinada onde, a dado momento ele surge sobraçando um bonito embrulho em papel alusivo à época e que me entregou sorrindo. Porque não esperava por aquela inusitada situação, fiquei sem palavras e limitei-me a dizer um tanto encabulado que não vinha prevenido para lhe retribuir. Com aquele seu ar brincalhão que tanto o caracterizava, ele retorquiu dizendo-me que eu não tinha nada que retribuir, ele é que me vinha retribuir a minha amizade e a oferta daquela minha “borrada”. Além disso, como lera e analisara os meus escritos, aquele era o seu contributo para que escrevesse coisa de jeito.
Aberto o embrulho, dou, surpreso, com um enorme cartapácio numa nova edição de 1937 de uma obra editada em 1719, cuja primeira página aqui se reproduz.
O José Branco, tal como muitos amigos que ao longo da vida fui perdendo, ocupa, agora, um dos muitos vazios que já tenho entre os ossos, mas aquela prenda de Natal, com o seu faceto simbolismo, ficou indelevelmente vincada no meu espírito.
De facto, os amigos não morrem simplesmente. Encontramo-los a cada passo, em cada esquina, a cada momento, sempre e quando a nossa memória no-los trás de volta.

                    MAIA PEREIRA


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sr. AGOSTINHO DOS SANTOS

António Agostinho dos Santos, nasceu em Torres Vedras em 1930. Começou a trabalhar aos 11 anos como empregado de balcão e aos 14 anos entrou para o curso comercial na escola noturna.
Entrou no Banco Nacional Ultramarino no dia 10 de Outubro de 1952, no Serviço de Pessoal, onde era chefe o Sr. Gualberto, pai de dois colegas nossos "Gualbertos".
Passados dez meses foio colocado no Serviço de Câmbios e até ao fim da sua vida no BNU manteve-se no Departamento de Operações com o Estrangeiro.
Esteve uma temporada em Londres, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos de inglês e de operações com o estrangeiro. A evolução do BNU, deu importância às línguas e sobretudo ao Inglês e o Sr. Agostinho dos Santos, acompanhando essa evolução com os seus conhecimentos profundos do inglês,  foi subindo na hierarquia do Departamento até chegar a diretor.
Reformou-se em 1988, como diretor do Departamento Estrangeiro, na Rua Augusta.
Quem passou pela Rua Augusta, nas décadas 60, 70 e 80 do século XX, não podia deixar de conhecer o Sr. Agostinho dos Santos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

DR. VICENTE

José da Silva Vicente, nasceu no dia 22 de Agosto de 1936 em Figueira de Castelo Rodrigo.
Viveu no Porto até aos 11 anos e, aos 12, instalou-se em Lisboa. Fez os estudos no Comercial e aos 13 anos foi trabalhar para um escritório, onde se manteve até ir para a tropa. Depois da tropa, entrou no Montepio e, em 7 de Julho de 1960, entrou no BNU.
Entrou nas Letras à Cobrança na Rua Augusta, sendo chefe o Sr. Hugo Pereira Coutinho. Depois mudou-se para o Centro Mecanográfico, sob a chefia do Dr. Pedro Cabral, Centro Eletrónico, sendo diretor o Dr. Aristides Pereira, Organização e Métodos, sob a direção do Dr. Rita, mais tarde dr. Acácio Monteiro e posteriormente Dr. Bagão. Acabou o curso no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), em 1973 quando estava no Centro Eletrónico, com as facilidades para estudo que o Diretor, Dr. Aristides Pereira, lhe concedeu. 
Nos 22 anos de colocação no Departamento de Organização e Métodos, ficou a conhecer profundamente o Banco e suas agências, onde frequentemente se deslocava para elaboração do respetivo estudo de organização.
Reformou-se no dia 1 de Outubro de 1993 sendo técnico, nível 14 da Organização e Métodos da sede da 5 de Outubro.
Tem 3 filhas e sete netos.  
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

INHAMBANE - Terra de boa gente?

Era assim o vetusto edifício da agência
Sou ainda “caloiro” nesta arte da escrita electrónica, mas passeando por este “lugar”, perguntei a mim mesmo porque não entrar em vez de ficar só a olhar para a montra? Acontece, ainda, que tendo sido colaborador desde o primeiro número do boletim da A.A.E.B.N.U., há uns anos atrás – e ainda hoje não sei porquê - despediram-me. Como qualquer desempregado que procura recompor a vida conclui ser esta uma soberana oportunidade para esclarecer: - ainda escrevo, logo ainda existo! É que, há tempos, nos SAMS (na Fialho de Almeida) logo à entrada, levanta-se de um dos bancos um colega que eu já não via há muito tempo para, muito efusivamente me abraçar dizendo: - Eh pá, julgava que já tinhas morrido, pois há muito não vejo nada escrito por ti no Boletim. Tenho pena que o jornal da minha terra - O Novo Almourol – tenha uma circulação tão circunscrita pois, não fora assim e toda a gente saberia que ainda mexo, embora agora com contornos mais “provincianos”.
Este foi o intróito para justificar o meu aparecimento neste mundo de comunicação onde os ratos, porque comandam as operações, dão-me cabo da cabeça. Ao que chegámos: até os ratos põem e dispõem. Mas, vamos lá, porque bem pior são as ratazanas.
Seja lá como for a realidade é que vou aqui poder invocar uma terra à beira do Índico plantada, à qual me considero ligado por velhos laços de afeição, cidade que não vejo citada nesta página: INHAMBANE (terra da boa gente?). A interrogação é minha, já que não sei se aquela designação, que era a sua divisa no tempo colonial, ainda subsiste. Também, se já não for, não advém daí ao Mundo qualquer mal, já que, historicamente, há alguns estudiosos do assunto que opinam que Vasco da Gama nunca esteve ali.
Cruzei-me com a cidade de Inhambane ia eu ainda nos meus 21 anos. Como o tempo voa. Entrava, por essa altura, como aspirante para a Administração Civil e, pouco depois e pelo mesmo preço, passava a exercer funções de secretário em Homoíne e em Panda e de chefe de posto em Ressano Garcia.
E o pessoal, de fato, menos "usado"...
 Em 1956 volto a Inhambane, agora e para sempre ao serviço do Banco Nacional Ultramarino. A Agência, tal como acontecia com a cidade, já tinha uma provecta idade. Como a imagem sugere o edifício não destoaria num cenário de um filme de caws-boys, só faltando para tal os cavalos dos ditos, amarrados às grades da varanda. Como fotograficamente também se demonstra, o pessoal é que não era assim tão vetusto mas, mesmo assim, daquele conjunto já muito poucos restam. Não obstante a nítida diferença de idade e a idiossincrasia do guarda- livros, era um grupo mais ou menos coeso, mormente nas suas almoçaradas comemorativas a que o dito guarda-livros aderia sempre condicionalmente ao seu imutável preferido menu: pescada cozida com batatas e hortaliça. Chefe é chefe e pescada do Cabo, por aquele tempo, também não era petisco que se recusasse.
Nunca entendi aquela obsessiva preferência por aquele gadídeo, uma vez que a cidade de Inhambane era rica em peixe e mariscos de toda a qualidade e feitio. Adviera-lhe até fama pelos seus inigualáveis carapaus e pelas suas grandes e saborosas tangerinas.
Á parte esse aspecto gastronómico de Inhambane, há que dar particular relevância à grandiosidade e à beleza da sua baía. Ficou para sempre gravado na memória a visão dos “dhow”, com as suas grandes velas triangulares vogando pela imensidão daqueles azuis e verdes esmeralda que, quando o Sol baixava no horizonte cambiavam em matizes deslumbrantes. Também impossível esquecer a magnificência das praias ao seu redor, então ainda em pleno estado selvagem... Agora vejo-as na Internet povoadas por inúmeros e luxuosos resorts. O mundo deu e dará muitas voltas mas, para mim foi esse “primitivismo” da Mãe África, o fetiche que me amarrou aquele lugar, que eu sinto agora longínquo, mas sempre sedutor e inesquecível
 

MAIA PEREIRA

quarta-feira, 3 de julho de 2013

JOSÉ A. SOUSA


José Augusto de Sousa, nasceu no dia 4 de Julho de 1937, na freguesia de Crespos, concelho de Braga.
Foi professor primário durante 7 anos. Estudou direito em Coimbra e Lisboa, acabando o curso de Direito em Lisboa em Fevereiro de 1971.

Entrou para o BNU no dia 1 de Setembro de 1964 na Rua Augusta, para o Serviço de Pessoal e ao fim de dois meses foi colocado no Arquivo / Economato, onde esteve até 1972.
Em 1972, após terminado o curso de direito, foi falar com o Dr. Fezas Vital, Diretor do Pessoal e disse-lhe que queria enveredar pelo ramo de direito de trabalho e então foi colocado no Gabinete de Estudos Jurídicos do Serviço de Pessoal.
Em 1974, após o 25 de Abril, foi nomeado acessor do diretor de Pessoal, Sr. Santos Silva.

Em 1975, foi colocado no Contencioso, onde era diretor o Dr. Vaz Monteiro.
Em Fevereiro de 1988, foi fazer uma cooperação ao Ministro da Cooperação de Moçambique, Major General Jacinto Veloso, onde passou dois anos maravilhosos com hotel, carro e motorista às ordens.

Em Abril de 1990 voltou para o BNU, Dep de Pessoal.
Reformou-se Julho 1992, na sede Rua Augusta, onde, à data, funcionava o Departamento de Pessoal do BNU.

Voltou ao ensino como professor primário na escola de Buraca 3, Cova da Moura, onde esteve até 1998, reformando-se totalmente.
Vive atualmente em Braga.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

OS PRESIDENTES DO BNU

Busto de Chamiço, que esteve na sede
Rua Augusta desde o centenário e está
agora no Centro de Documentação da
CGD - a Sapadores, Lisboa
Na página deste site, GOVERNADORES E PRESIDENTES, podemos verificar que o Banco Nacional Ultramarino, desde a sua fundação, 16 de Maio de 1864, até à sua completa extinção, 23 de Julho de 2001, teve 17 presidentes, que, conforme o estatuto que o BNU foi tendo, foram apelidados de Governadores, Presidentes do Conselho de Gestão ou Presidentes da Administração.
Vale a pena ler atentamente os dados da vida destes presidentes e, entre esses dados, escolhermos os que nos parecem terem sido mais determinantes para a sua nomeação para a presidência.
 
Pela vida do fundador, Francisco Chamiço, verificamos que, perdido o Brasil, a fundação dum banco dedicado ao desenvolvimento da presença portuguesa nas colónias africanas e asiáticas era uma necessidade premente para a sobrevivência do poder político e económico português. O facto desse banco, com regalias e ajudas do Estado, sem qualquer concurso público, ter caído nas mãos de Francisco Chamiço, deveu-se ao seu familiar, José da Silva Mendes Leal, ao tempo Ministro da Marinha e do Ultramar, que, em menos de mês e meio, expõe pessoalmente o projeto na Câmara dos Deputados, faz aprovar o decreto que aprova o Banco e faz assinar a Carta de Lei pelo Rei D. Luís que ratifica o decreto.
 
Até 1931, os Governadores do BNU são nomeados pelos acionistas, que são todos privados. Mas verificamos que os governadores eleitos estão todos, de alguma forma, ligados ao poder político e, especificamente, ao poder político colonial. Este facto leva-nos a concluir que os acionistas queriam estar bem com o Estado protetor, essencial para manter as regalias estatais do BNU, concedidas desde a sua fundação.
Alguns estão também ligados a famílias de banqueiros conhecidos e que atualmente continuam ligadas ao poder financeiro.
Não foi encontrada descendência de Francisco Chamiço.
 
Em 10 de Fevereiro de 1931, o BNU é intervencionado pelo Estado e fica, a partir de então, na prática, nas mãos do Estado, de que não mais se liberta.
Em 11 de Maio de 1951 o Estado dá por concluída a intervenção direta no BNU, entregando-o aos acionistas privados. Mas na realidade, os privados não têm poder económico para comprar os créditos do Estado, transformados em ações e o Governo continua a mandar nas administrações do BNU e a ter uma palavra decisiva na nomeação do presidente.

Em 1931, para presidente do Conselho Administrativo e Comissário do Governo, Salazar nomeia o militar António dos Santos Viegas, filho dum professor Universitário de Coimbra, ao gosto do ditador.

Em 1951, é eleito Francisco Vieira Machado muito ligado ao Estado Novo, onde exerceu funções de Ministro (influente) do Ultramar.

Depois de Vieira Machado o percurso que conduz a presidente do BNU começa invariavelmente com algum cargo no governo, sobretudo no Ministério das Finanças, como se ao chegar ao poder, o interessado visse que o melhor arrimo para a vida era mandar num Banco e o BNU fosse o que estivesse mais à mão.
  
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

JORGE ARRAIS

Jorge Ascenção Mendonça Arrais, nasceu em 5 de Maio de 1932 em Luz de Tavira.
Fez o curso comercial e entrou aos 19 anos na CGD na Rua do Ouro. Em 1954 fez um concurso para entrar no Banco Nacional Ultramarino, à data um banco privado que pagava mais do que o Estado, a que pertencia a CGD. Ficou classificado no concurso em 18º e foi chamado ao departamento de Pessoal do BNU, onde lhe propuseram três hipóteses para entrar no BNU: Régua, Évora ou Mirandela. No mesmo dia chamaram também o classificado em 19º, o Bernardo Leite, que ele já conhecia do Benfica, onde era conhecido como o mãozinhas de ouro do Basquete. Ambos escolheram Évora. Em Évora, o Jorge Arrais e o Bernardo Leite marcaram a sua passagem pela introdução no BNU da utilização da camisa sem gravata que lhes foi permitida pelo gerente, Sr. Lourenço.
Passados três meses, os dirigentes do Grupo Desportivo do Banco, conseguiram que eles viessem para Lisboa para facilitar a sua participação nos campeonatos interbancários. O Jorge Arrais era já um consagrado praticante de atletismo do Benfica, para onde entrou com 19 anos e saiu com 29. 
No final de 1954 foi colocado no Departamento de Inspeção do BNU e pouco tempo depois passou para o Departamento Comercial, onde permaneceu até ao final da sua vida de BNU.
A sua participação nos campeonatos interbancários, ele no atletismo e o Bernardo Leite no Basquete, marcaram um período de domínio completo do BNU naquelas modalidades. Passados 4 anos da sua participação nesses campeonatos, foi proibida a participação nos mesmos de atletas federados e ambos deixaram de participar.
Reformou-se do BNU no dia em que fez o 65 anos, 5 de Maio de 1997, como diretor do Departamento Operacional do Sul e Ilhas, na sede da 5 de Outubro.
Como dirigente desportivo é sobejamente conhecido de todos os benfiquistas, onde tem lugar cativo desde 1972, data em foi eleito para os corpos diretivos no 2º mandato do presidente Dr. Borges Coutinho. Atualmente é 1º secretário da mesa da assembleia geral do Sport Lisboa e Benfica Club e é secretário de outras empresas do grupo Benfica, como Benfica Estádio e Benfica Multimédia.