quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MACAU - 110 ANOS

Já aqui fizemos a história do Banco Nacional Ultramarino em Macau, com base no livro do Dr. Herlander Machado.
Por ocasião do 110º aniversário da inauguração da agência de Macau, reproduzimos algumas imagens tiradas do site do Gabinete do Património Histórico da CGD, num artigo feito pelo Dr. Miguel Costa, sobre a história desta agência.

Prédio da Rua da Praia Grande, nº 9, que pertencia a D. Anna Theresa Ferreira, antiga Condensa de Senna Fernandes e onde começou a funcionar a 1ª agênci do BNU em 20 de Setembro de 1902

Palácio do Governo de Macau.
Em Junho de 1906, o Ministério da Marinha enviou ordem ao Governo de Macau para entregar ao BNU
a Caixa do Estado e autorização para ceder ao Banco parte do edifício do Governo. Transferiu-se, em sequência,
a agência do BNU para o rés-do-chão deste edifício.

Em 1 de Março de 1926 foi inaugurada a nova sede da agência do BNU em Macau, onde se mantém até ao presente. 

1º livro de caixa do BNU Macau

1906 - BNU - Caixa do Tesouro


Primeira moedas metálicas portuguesas a circular em Macau
1952

Nota emitida pelo BNU em 1981


Pintura existente em coleção privada, reproduzindo a nota de dez patacas de 1981

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

MACAU

Dez patacas em pintura
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

BANCO DA BEIRA


A cidade da Beira, capital da província de Sofala, em Moçambique, celebra no dia 20 de agosto o seu aniversário de elevação ao estatuto de cidade. O seu desenvolvimento desde um pequeno posto militar até se tornar num dos principais portos marítimos da costa oriental africana no período colonial, deve-se muito à Companhia de Moçambique.
Joaquim Carlos Paiva de Andrada, oficial do exército português e adido militar em Paris, fundou, em conjunto com outras personalidades portuguesas, a Companhia Nacional de Moçambique, à qual, em 2 de Dezembro de 1888, foi concedido pelo estado português, o direito que se propunha a exploração colonial dos distritos de Sofala e da Zambézia (no litoral norte de Moçambique).
No entanto, os sucessos iniciais da Companhia entravam em conflito com os interesses britânicos na região e em particular com a empresa rival de Cecil Rhodes, a British South Africa Company (BSAC). Esta tinha pretensões em estender as suas terras no interior da África austral até ao litoral no canal de Moçambique. Tal desencadeou uma série de conflitos militares na região entre as duas empresas e conflitos diplomáticos entre os governos de Portugal e do Reino Unido. Como resultado final destas diligências, foi firmado entre os dois governos, a 11 de julho de 1891, um tratado que reconhecia as fronteiras coloniais de ambos os países. Outros termos do acordo determinavam que o governo português teria de facilitar as comunicações terrestres entre o litoral e as terras no interior sob jurisdição britânica.

Impossibilitado economicamente de avançar com tais obras, o Estado português delegou esses compromissos na reformulada Companhia de Moçambique, que passou a ser constituída por capitais portugueses, ingleses e franceses, e tinha funções de companhia majestática sobre os distritos de Manica e Sofala – área no centro de Moçambique, a sul do rio Zambeze e a norte do rio Save, sendo delimitada a oeste pelas terras da BSAC (atual Zimbabwe). Tinha sede em Lisboa e delegações em Londres e Paris. 


Locomotiva - 1925


Comboio de mercadorias - 1930
Em 1892, iniciou-se a construção da ligação ferroviária entre a Beira e a cidade fronteiriça, nas terras da BSAC, de Umtali (actual Mutare). Começou a funcionar em fevereiro de 1898 e um ano mais tarde foi continuada a sua ligação até à capital da colónia britânica, Salisbury (atual Harare). 
Ponte ferroviária sobre o Rio Zambeze
Esta foi de grande importância para as trocas comerciais entre as duas companhias majestáticas, servindo o porto da Beira como meio de escoar os produtos e matérias-primas produzidos no hinterland da colónia britânica. Outro componente da sua importância era o transporte de trabalhadores moçambicanos para as minas localizadas sob jurisdição da BSAC. Esta troca e comunicação entre as duas colónias foi uma realidade que se verificou durante todo o período de vigência do colonialismo na região.

Cidade da Beira - 1954
Os investimentos feitos pela Companhia, na produção mineira e agrícola,  atraíram muitas famílias de colonos portugueses para a região e a cidade da Beira evoluiu nas comunicações rodoviárias e elétricas.
A 20 de agosto de 1907, aquando da visita oficial do príncipe herdeiro, Luís Filipe, este trazia o decreto real que elevava Beira ao estatuto de cidade. Inclusive, foi através do cognome do príncipe (“Príncipe da Beira”) que a povoação foi renomeada – anteriormente denominava-se Chiveve.
Filial do BNU Beira - 1942 (antigas instalações da Companhia de Moçambique)
Dos privilégios concedidos à Companhia, esta teve o controlo dos correios locais e a publicação de selos, para além da emissão de notas. Para tal, e com vista a retirar de circulação as moedas depreciadas que então giravam nessa zona, começaram a tomar medidas no sentido de instituir uma sociedade bancária emissora no território. Uma vez que o Banco Nacional Ultramarino era a entidade que tinha o privilégio emissor para as colónias ultramarinas portuguesas, o Estado português e a Companhia de Moçambique tiveram de chegar a acordo com aquele de modo a poderem implementar uma agência no território. O BNU estabeleceu uma agência na cidade da Beira e que funcionou entre 1916 e 1919, altura em que, a 2 de junho desse ano, se fundou o BANCO DA BEIRA incorporando aquela agência como sede e com o BNU a contribuir com metade do capital inicial.

As emissões do Banco da Beira eram expressas em libras para as notas de ouro e foram colocadas a circular em 1919. 

Em 1924, foram lançadas em circulação cédulas de prata expressas em escudos.



 O recurso à libra esteve relacionado precisamente com as obrigações assumidas pela Companhia para com as possessões inglesas e ao volume de trocas comerciais com as mesmas. Inicialmente, o Banco da Beira adotou o ‘estalão esterlino’ inglês. Posteriormente, passou para o ‘estalão ouro’.
Todas as notas e cédulas foram produzidas pela Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd. e eram assinadas por dois administradores e pelo gerente da agência.
Entre 1925 e 1926, a concessão de créditos ilimitados associados à emissão de papel-moeda, cujo volume não estava em concordância com as reservas disponíveis, resultou na desvalorização das emissões do Banco da Beira em cerca de 70%. Considerando esta situação ruinosa, a assembleia geral de acionistas da Companhia de Moçambique, celebrada em 22 de outubro de 1929, deliberou a liquidação do Banco. Tal teve como consequência a transmissão do privilégio de emissão de papel-moeda para a própria Companhia de Moçambique.



Para prosseguir com as funções de emissor, a Companhia de Moçambique criou a Caixa de Emissão da Companhia (CECM) a 26 de maio de 1930.
Esta teve de cumprir o prazo de 6 meses para retomar a circulação fiduciária, determinado pelo decreto-lei que extinguiu o Banco da Beira. Para tal, teve de reaproveitar notas e cédulas emitidas pelo Banco, aplicando-lhes sobrecargas para legitimar que estas pudessem continuar a girar.
As primeiras emissões da Companhia de Moçambique, exclusivas e com o seu letreiro gravado, começaram em novembro de 1930. Estas abandonaram o ‘estalão ouro’ e passaram a ser convertidas em ‘soberanos ingleses’ (moeda em ouro). Em termos do seu desenho, o papel-moeda era em tudo idêntico ao do Banco da Beira, sendo a única diferença no letreiro que identificava a entidade emissora.
Todas as notas e cédulas estão assinadas pelo gerente da CECM e de um administrador.
Em setembro de 1931, o Reino Unido abandonou o ‘estalão ouro’ da moeda que circulava no seu país e nas suas colónias de então. Tal medida fez com que o padrão-ouro, a sul do Equador, passasse a existir somente no território da Companhia de Moçambique, o que poderia originar a fuga do comércio e do tráfego marítimo do porto da Beira. De modo a evitar esta situação, o governo publicou por decreto de março de 1933, o abandono do padrão-ouro da moeda corrente no território. Assim, as emissões posteriores têm uma alteração na chapa de gravação onde não consta mais a indicação «Ouro». A convertibilidade da moeda passou a fazer-se na base de 110 escudos por cada libra.
A 18 de julho de 1942, prescreveram os poderes majestáticos da Companhia de Moçambique sobre os distritos de Manica e Sofala, sendo estes incorporado na administração do Estado português. Terminaram também nessa data os privilégios emissores da Companhia e, por via do contrato em vigor e celebrado entre o Estado e o BNU, passaram para este último, que passou a ter a função emissora doravante para todo o território moçambicano. As notas e cédulas da Companhia de Moçambique perderam a sua convertibilidade junto do Estado português a 30 de abril de 1943.
O BNU começou a operar na cidade da Beira a partir das antigas instalações da CECM e as suas emissões passaram também a ter curso legal em Manica e Sofala. 

Nova filial do BNU - Beira - 1954

atual

A 9 de setembro de 1954, foi inaugurado um novo edifício para a filial da Beira, contribuindo ainda mais para a modernização arquitetónica da cidade e tornando-se num novo foco económico.
A Companhia de Moçambique continuou a existir como empresa agroindustrial e comercial, desenvolvendo um grupo de empresa que, na década de 1960, se constituiu na Entreposto Comercial – Veículos e Máquinas, S.A..

Textotirado (resumido) do site de
Gabinete do Património Histórico da Caixa Geral de Depósitos
Nuno Fernandes Carvalho
Setembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

GALERIAS ROMANAS

Os colegas que trabalharam na Rua Augusta lembram-se bem das "termas" romanas da Rua da Conceição.
pois eu estive ali mais de 20 anos e nunca fui ver as tais termas que afinal não são termas, mas galerias que os romanos construíram no século I, para servirem de fundações à construção de casas e outras estruturas ao nível do solo. 
É interessante e vale a pena a visita. Aproveitar para matar saudades da Baixa Pombalina, agora sempre cheia de turistas. 
Os técnicos da Câmara de Lisboa que orientam a visita são impecáveis e bem competentes.
O que orientou o nosso grupo foi o sr. Carlos Dydlie (penso que está bem escrito) de origem francesa. Do melhor, na explicação da construção e história destas galerias.


domingo, 16 de setembro de 2012

CENTRO ELETRÓNICO


O Manuel Araújo tem esta foto dos antigos operadores do Centro Eletrónico do Banco Nacional Ultramarino, em convívio na antiga Cooperativa Militar ( anos 1980)


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ANTÓNIO DOS SANTOS VIEGAS


Nasceu em Coimbra no dia 5 de Maio de 1870 e morreu em Lisboa no dia 1 de Março de 1949.
Era filho de Maria Francisca de Vasconcelos Carreira e do grande covilhanense António dos Santos Viegas, catedrático da faculdade de filosofia de Coimbra, reitor da Universidade de Coimbra, par do reino, deputado às cortes pela Covilhã, ministro das finanças de Sidónio Pais e representante de Portugal no Tratado de Versalhes.
O nosso António dos Santos Viegas licenciou-se em filosofia e matemática pela Universidade de Coimbra e em engenharia civil pela escola do exército.
Começou a carreira profissional como docente no Instituto Comercial de Lisboa e no instituto Superior Técnico de Lisboa.
Em 1888 alista-se no exército, sendo promovido a Alferes em 1894, tenente em 1896, capitão em 1904, major graduado em 1915, tenente coronel graduado em 1918, coronel graduado em 1920, passando à situação de reserva por limite de idade em 1929 e à reforma em 1940.
Em 1895-1896 participa na expedição militar a Moçambique, participando na operação que levou ao aprisionamento de Gungunhana.
De 1900 a 1904 exerce as funções de Secretário da Comissão Militar dos Caminhos de ferro e em 1907 entra nos quadros do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, com as funções de inspetor superior das obras públicas e vogal do Conselho Superior de Obras Públicas.
Em 1914 é nomeado chefe da III brigada dos Caminhos de Ferro e chefe da Divisão de Exploração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, onde depois foi subdiretor até 1919.
Na sequência da crise de 1930, em fins de Janeiro de 1931, o governador do BNU, João Ulrich e os restantes administradores colocam o lugar à disposição do Ministério das Finanças, o que leva à sua intervenção imediata no Banco, nomeando em 11 de Fevereiro de 1931 um Conselho Administrativo, presidido pelo Comissário do Governo, António dos Santos Viegas e tendo como membros, Quirino Avelino de Jesus, Jaime da Fonseca Monteiro, Júlio Schmit, Artur Meneses de Correia e Sá, Francisco José Correia Machado, João Batista de Araujo, Carlos Soares Branco e José Gabriel Pinto Coelho.
António dos Santos Viegas manteve-se como presidente do Conselho Administrativo até à sua morte.

Assinatura de António dos Santos Viegas
enquanto presidente do C. A. do BNU

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JOÃO HENRIQUE ULRICH


Ulrich, Governador do BNU, com 38 anos 
Nasceu na freguesia de São José, em Lisboa no dia 2 de Março de 1880 e faleceu na freguesia de Santos o Velho, em Lisboa no dia 13 de Julho de 1956.
Era filho de João Henrique Ulrich Jr. e de Maria Cristina d’Orta Ennes. Casou no dia 15.10.1902 com Maria da Conceição do Patrocínio do Casal-Ribeiro, de quem teve cinco filhos.
É descendente de Hans Heinrich Ulrich, de Hamburgo, Alemanha, que, no século XVIII, se fixou em Lisboa, aqui exercendo actividades ligadas à banca. Dele foi sucessor João Henrique Ulrich, que lhe continuou a profissão e que teve um filho que transmitiu o seu apelido à descendência, usando sempre os membros da linha primogénita varonil os nomes próprios acoplados João Henrique. Tiveram o foro de fidalgos-cavaleiros da Casa Real e, nos derradeiros anos da monarquia, o de moços-fidalgos com exercício no Paço.
É tio do banqueiro Fernando Ulrich, atual presidente do BPI.
Ulrich no fim do mandato,
51 anos
Licenciado em direito e advogado, entrou ainda jovem para a direção do BNU e, após a morte do governador Luís Diogo da Silva, foi, na Assembleia Geral de 15.02.1918, escolhido para Governador do Banco.
Em 1930 teve de enfrentar a mais grave crise do BNU, sendo acusado de má gestão por empréstimos vultuosos concedidos a empresas com dificuldades com relações pessoais com gestores do Banco.
João Ulrich bem como o vice-governador, José da Cunha Rola Pereira e Francisco Pinto Fernandes, administrador, acabam por colocar os seus lugares à disposição e o ministro das Finanças, A. Oliveira Salazar, intervém e, por decreto nº 19.335 de 10.02.1931, torna o governo acionista do Banco e entrega a sua administração a pessoas de sua inteira confiança,  com a presidência do Eng. António dos Santos Viegas.

  
Assinatura de João H. Ulrich como governador do BNU

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ANTÓNIO TEIXEIRA DE SOUSA


Nasceu  no dia 5 de Maio de 1857 na freguesia de Celeirós do Douro, concelho de Sabrosa.
Em 1874 entrou no liceu de Vila Real e em 1878 entrou na escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1883, com uma dissertação sobre Enervação do Coração. Recebeu o prémio Macedo Pinto criado para distinguir o médico considerado mais distinto formado naquela escola.
Foi médico municipal de Valpaços, diretor técnico das termas das Pedras Salgadas e cirurgião ajudante do exército. Exerceu clínica termal nas Pedras Salgadas e em Vidago, tendo publicado algumas obras sobre termalismo.
Foi acionista da Empresa das águas de Vidago e eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Vila Real, pelo concelho de Alijó.
Em 1889 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador, tendo fixado residência em Lisboa.
Em 1891 é nomeado Inspetor da Companhia de Tabacos de Portugal, cargo que exerce até 1900.
Nos governos de Hintze Ribeiro, exerce os cargos de Ministro da Marinha e Ultramar, de 25 de Junho de 1900 a 28 de Fevereiro de 1903, de Ministro dos Negócios da Fazenda, de 28.02.1903 a 20.10.1904 e novamente Ministro dos Negócios da Fazenda de 21 de Março a 19 de Maio de 1906.
De Maio a Outubro de 1904 exerce o cargo de Administrador Geral das Alfândegas, acumulando com o de Ministro dos Negócios da Fazenda.
Considerado defensor dos interesses do Banco Nacional Ultramarino, em Fevereiro de 1909 é eleito seu Governador.
Em 23 de Dezembro de 1909 é eleito presidente do Partido Regenerador e é convidado pelo Rei D. Manuel II para formar governo.
A sua nomeação como chefe do governo - Primeiro Ministro (último da monarquia), é feita em Junho de 1910 e, nessa data, apresenta a renúncia ao cargo de Governador do Banco Nacional Ultramarino.
O novo governador só é escolhido pelos acionistas em 15 de Fevereiro de 1911.
No dia 5 de Outubro de 1910 é deposto pela revolução republicana.
Faleceu no Porto em 5 de Junho de 1917.

Assinatura de A. Teixeira de Sousa enquanto governador do BNU

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

EDUARDO PINTO DA SILVA E CUNHA


Natural de Mesão Frio, onde nasceu em 12 de Novembro de 1832, era filho de João Félix Pinto da Fonseca e de Maria Amália da Silva e Cunha Leite Pereira, de ascendência Nobre.
Licenciou-se em Coimbra em Matemática e Física em 1855.
No dia 23 de Novembro de 1863, casou com Guilhermina Augusta de Sousa Couceiro, de quem teve um filho, José Eduardo Pinto Couceiro da Cunha que é o bisavô de Maria José Pinto da Cunha Avilez, casada com Jaime Alexandre Nogueira Pinto e de Maria João Rita Filomena Pinto da Cunha de Avilez, casada com Francisco Xavier Belo Van Zeller.

Eduardo de Mascarenhas Valdez Pinto da Cunha, filho do José Eduardo Pinto Couceiro da Cunha, casou com Teresa Josefa de Melo Breyner, irmã de Maria Amélia de Melo Breyner, avó do escritor e jornalista Miguel Andresen de Sousa Tavares, que casou com Mariana do Espírito Santo Bustorff Silva, bisneta do fundador do BES. A mãe do Miguel Sousa Tavares, a poetisa Sophia de Melo Breyner Andresen, é neta de Tomás de Melo Breyner, 4º Conde de Mafra e bisneta do dinamarquês Jan Hinrich Andresen.
 
Eduardo da Silva e Cunha fez parte do conselho de sua majestade e foi Secretário da Mesa da Assembleia Geral e Vogal do Concelho Fiscal do Banco Nacional Ultramarino.
Era considerado bem posicionado nos meios bancários e sociais, tendo sido deputado em várias legislaturas. Em 1894, na sequência da renúncia ao cargo do Conde de Ottolini, foi escolhido para Governador do BNU.
Na Assembleia Geral de 15 de Fevereiro de 1909, com 77 anos de idade, a seu pedido, foi substituído no cargo de Governador por António Teixeira de Sousa.

Assinaturas de Eduardo Pinto da Silva e Cunha como Governador do BNU
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

MARÇALO EM TIMOR

O nosso colega João Manuel Guerreiro Marçalo entrou no BNU em Vila Peri - Moçambique, no dia 5 de Setembro de 1974. Em 1 de Agosto de 2005,  a trabalhar na sede da CGD, Av. João XXI, reformou-se. Quem o conhece sabe que não pode haver melhor em dedicação ao trabalho, competência e em amizade com o parceiro.

Em 2000 fez uma incursão a Timor ao serviço do Banco.

Aqui nos deixa a descrição dessa aventura. Um texto extraordinário que vale a pena ler do princípio ao fim. 


O contacto

Recebi a notícia de que precisavam da minha ajuda em Timor no dia 10 de Fevereiro.
Foi o próprio Dr. Daniel Mendonça que me veio chamar à minha secretária, estava eu a fazer, em conjunto com o Adélio Ferreira, acetatos para uma acção de formação de crédito à habitação.
No dia seguinte avisei o Dr. Tubal que estava na disposição de ir, que em casa a Wanda e os meus filhos "me deixariam abalar….".

O acompanhamento médico

Sucedeu-se então o contacto com a clínica onde sou acompanhado -a minha médica estava para o Canadá- e depois de obter luz verde e de me serem receitados medicamentos que preventivamente me poderiam fazer falta -antibióticos, antidiarreicos, etc.-, fui apanhar as vacinas.

A partida

Com improviso daqui -que o tempo era curto- mais ajuste dali e, depois de duas datas de abalada adiadas, embarquei a 23 de Fevereiro com rumo a Timor, tendo por companhia o Comendador Rui Nabeiro, o genro o Cavaleiro Joaquim Bastinhas e mais quatro elementos do seu "staff" de apoio.

Logo no dia da partida tive um percalço. Felizmente que não passou disso.

Tínhamos combinado -eu, a Wanda e o Sérgio- passar pela faculdade do Renato, onde ele se encontrava a discutir uma nota, quando me faltaram os travões, ou melhor, o carro passou a travar muito em baixo. A condução até ao Banco, onde tinha um caixote de papelão para Timor, e depois até ao aeroporto teve que ser feita com o maior cuidado, para evitar acidentes.

Na praça do aeroporto chamei a desempanagem móvel do ACP que me disse não haver nada a fazer no local e que uma condução calma até Setúbal com certeza não iria trazer problemas à Wanda e aos rapazes.


A viagem



Em fim, lá abalei e fiz preocupado a viagem de duas horas e pouco até Londres, donde telefonei para casa e então me aliviaram, já que tudo tinha corrido bem.

A viagem até Timor, com passagem por Singapura e Darwin não teve história de maior.

A viagem de Londres a Singapura demora doze horas.

Ceia-se -janta-se entre Lisboa e Londres-, dorme-se, vê-se televisão, ouve-se música, toma-se o pequeno almoço, almoça-se e chega-se ao destino ao fim do dia seguinte já que viajamos contra o sol.

Vale a pena referir o tamanho do aeroporto de Singapura, a quantidade de raças diferentes -trajando de formas tão diversas-, a eficiência do pessoal do aeroporto, a boa sinalização interna, mas também o cuidado que é preciso ter com a bagagem de mão. Julgo que toda a gente tem presente o problema da droga….

Já noite fechada segui de Singapura para Darwin -são mais quatro horas e pouco.

Jantei durante esta viagem mas não dormi até chegar a Darwin por volta das quatro horas de manhã do terceiro dia de viagem, isto é do dia 25 de Fevereiro.

De referir que de Darwin para Portugal são nove horas e meia mais cedo, o que quer dizer que quando telefonei para a Wanda -e em Portugal eram horas de jantar do dia 24- ela nem queria acreditar que eu já estava na Austrália.

A Austrália

A passagem por Darwin é complicada e estranha, comparativamente com a passagem por Londres e Singapura.

Enquanto que nestes dois aeroportos somos considerados em trânsito, no de Darwin isso não acontece.

Temos que forçosamente entrar na Austrália, o que quer dizer que temos que preencher formulários, passar na alfândega com a consequente vistoria de bagagens, farejadas por cães e "vasculhadas" por agentes e voltar a sair, onde não há vistoria de bagagens mas há, de novo, preenchimento de formulários.

Esta passagem pela Austrália, tendo presente o dia inteiro que lá demorei no regresso a Portugal deixou-me confuso e desapontado.

Deu-me a sensação de que os Australianos são tremendamente racistas, que cinicamente suportam os aborígenes a fazer o que lhes dá nas ganas.

Fiquei surpreendido com as restrições que são impostas aos viajantes no que respeita aos artigos proibidos de entrar no país, tais como: sementes, feijões, peixe, carne, conchas, plantas -mesmo secas-, artigos de palha, corais, especiarias, terra … eu sei lá que mais.

Como apontamento curioso vi, dois médicos portugueses que iam para Timor, aborrecidíssimos porque lhes tinham sido tirados uns chouriços que levavam de cá. Eu próprio, quando regressei, fiquei espantado quando um agente foi "catar" com uma pinça umas sementes encravadas na sola de uns sapatos de ténis que eu tinha usado em Timor. O exagerado cuidado vai ao ponto -pelo menos no turbo-hélice que me trouxe de regresso a Darwin- de pulverizar com "spray" o corredor do avião.

A viagem (cont.)

Bom, retomando o fio à meada e voltando à ida para Timor.

Abalei de Darwin por volta das dez horas da manhã, do dia 25 de Fevereiro.

O "grupo" do Comendador Nabeiro tinha ido mais cedo uns dez minutos.

No avião onde viajei tinha como companheiros do lado um casal de Timorenses, pessoas na casa dos sessenta anos. Ainda no ar e já à vista de Dili o homem desatou a chorar de alegria por estar de volta. Acabámos por conversar, já na pista. Era cerca do meio dia. O meu companheiro de viagem Timorense ajoelhou-se e beijou o chão e foi-me contando que de oito filhos lhe restavam apenas quatro. Os outros tinham sido mortos. Que ele tinha fugido em 1992 de Sipinang -onde estivera com o Presidente Xanana- para Portugal.

Chegada a Timor

No momento, por força do calor intenso que fazia, senti uma forte pressão no peito e julguei que ia desfalecer.

Como o edifício da alfândega estava a arder ficámos por momentos na pista, ao sol, mas de lá nos retiraram para a sombra de uma árvore e por fim pudemos entrar no edifício.

Ainda encontrei todos os elementos do Grupo do Comendador. Aliás as malas deles acabaram por ir quase todas no meu avião que levava menos de metade dos passageiros.

À nossa espera estavam o Dr. Tubal, o Vasco, o Brito e o Eng. João Carrascalão.

Carregámos as malas para os carros do Banco e dali foi um corre-corre para ir à Missão Portuguesa dar uma arrumadela na roupa -já que levei cabides, senão ficava tudo dentro das malas-, encarar com as casas de banho -que na opinião dos que já lá estavam agora eram bem melhores, sendo para mim as do parque do CCL em Melides ou, mesmo, qualquer uma das dos vários quartéis onde fiz tropa, comparativamente, de cinquenta e cinco estrelas.

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Os Timorenses

Os traços fisionómicos dos timorenses, daquilo que vi, podem dividir-se em três tipos distintos.

Um deles, compreende indivíduos que se assemelham aos indianos quer na cor da pele, quer no tipo de cabelo -que pode apresentar ondas largas-, quer no formato e cor dos olhos, embora de nariz mais largo.

Outro, é composto por indivíduos aparentados com malaios, mais claros na cor da pele, com os olhos amendoados -apresentando por vezes tonalidades de castanho mais claras- e de cabelo liso.

O último grupo apresenta traços que fazem lembrar os aborígenes australianos, porque são muito mais escuros do que qualquer um dos outros tipos, têm cabelo encaracolado, apresentam lábios mais grossos, nariz mais largo e maçãs do rosto e sobrolhos salientes.

Na estatura todos são parecidos. Pode-se dizer que se trata de um povo composto por gente magra e de estatura que ronda 1,60m.

São pessoas simpáticas, recebem-nos sempre a sorrir e usam nomes que nos são comuns.

Andam, normalmente, sempre calçados. Parece que são limpos, já que o povo não anda sujo, e ao Domingo vestem-se com a melhor roupa que têm.

São bastante religiosos -ao Domingo de manhã bem cedo movimenta-se uma multidão pelas ruas a caminho da missa; com alguma frequência encontramos, na berma das estradas, nichos com Santos ou imagens de Nossa Senhora; existem vários organismos religiosos.

A Missão Portuguesa

Vale a pena demorar um pouco sobre as condições de limpeza das casas de banho, da cozinha, das casernas da Missão Portuguesa, etc., considerando:

que julgo que todos nós portugueses estamos a contribuir com milhões para ajudar Timor;

que há tanta gente desempregada em Timor;

que os ordenados são tão baixos -para se comparar um empregado bancário ganha vinte cinco contos- e são tão más as condições encontradas na missão.

A caserna

Posso dizer que na caserna onde dormi -ou não consegui dormir- as melhores camas que lá estavam foram compradas pelo Banco, na Austrália. Os outros quatro companheiros de caserna tinham agora uma camas muito parecidas com as nossas representando isso uma melhoria considerável pois as camas anteriores eram velhas, desconjuntadas… aquilo a que se chama de ninho de cão.

Na caserna, a poeira nos parapeitos das janela era tão espessa que parecia feltro.

Havia teias de aranha de há meses com poeira acumulada, moscas e outros bichinhos, envolvidos em novelos para as futuras refeições das "inquilinas".

As cadeiras, que em conjunto com as malas de viagem eram os "roupeiros" do pessoal, tinham sarro agarrado resultado da mistura da poeira com a humidade. Tive que lavar as costas de uma destas cadeiras de forma a poder pendurar nela uma toalha de praia.

O chão nunca foi lavado, nem sequer varrido durante a quase semana que lá estive.

A caserna não era arejada.

Embora tivesse três janelas de dimensões enormes, em que dois terços eram persianas de vidro e o último terço janelas de rede, não eram arejadas. Ninguém abria as ditas persianas. Além disso duas das janelas, por razões que desconheço, estavam tapadas com uma tela plástica brilhante, que fazia lembrar alumínio.

Julgo que para compensar, se mantinham a funcionar três ventoinhas durante as vinte e quatro horas do dia.

No entanto, um cheiro característico, assim meio adocicado meio a corpo suado, predominava na caserna e era tão forte que a minha roupa não usada, mantida dentro da mala, teve toda que ser lavada quando cheguei a casa.

A cozinha

A cozinha, onde tirando o jantar do primeiro dia, só tomei pequeno almoço -pão seco e café com leite- era toda ela um nojo.

As toalhas plásticas brancas sobre as mesas estavam continuamente ou húmidas ou engorduradas -se calhar estavam as duas coisas.

Não era possível, pelo menos para mim apoiar o pão que iria comer sobre a toalha. Por isso, ou apoiava sobre o copo de café com leite ou sobre um guardanapo de papel, que lá iam aparecendo. Os copos eram de plástico, não descartáveis e, para grande infelicidade minha, foscos e rugosos. Estavam sempre enfiados uns nos outros, húmidos e com o aspecto de estarem mal lavados. O certo é que eu antes de os usar gastava um dos ditos guardanapos de papel para os secar. Gastava nos guardanapos mas não gastava muito na comida: pão seco e galão.

Os que punham manteiga , queijo e carnes frias no pão faziam-no todos usando a mesma faca para a manteiga, o mesmo garfo -ou o próprio dedo- para tirar o queijo e as carnes frias, assim como a mesma colher para dissolverem o açúcar no "café" da manhã. É verdade! A mesma colher era usada por todos para mexer a bebida da manhã, quer fosse leite quer café com leite….usava-se acolher e colocava-se na borda do prato das carnes frias -ou do queijo- pronta para o parceiro seguinte se servir dela.

Para terminar, quando estive no hospital Dr. XXXXXXXXX, a Drª. Iva -uma das médicas que lá presta serviço e que tinha chegado a Timor dois dias antes- comentou comigo que não iria aguentar a falta de higiene na cozinha da Missão e que por ela tudo aquilo teria de mudar. Tomara que tenha conseguido.

As casas de banho

As nossas casas de banho, que agora já tinham lâmpadas e chuveiros e por isso motivo de regozijo dos que já lá estavam, não destoavam, em termos de limpeza do resto.

Existiam baldes para recolha de papel higiénico usado e piaçabas para a sanita, embora nenhum autoclismo funcionasse.

Do mal o menos, tínhamos uns baldes -por sinal todos velhos e sem pega- com os quais despejávamos água nas sanitas -quem despejava, porque como se sabe, à boa maneira portuguesa, "poupa-se" água nos urinóis públicos que funcionam bem… portanto podem calcular como seria lá, com o trabalho acrescido de ter de encher e vazar os baldes…

Só que uma desgraça nunca vem só. Não sei porque razão as sanitas ficavam sempre meias de água. Quando se despejava o dito balde de água, parecia que a sanita se esvaziava, mas depois havia um refluxo de líquido e a sanita ficava meia. Tinha até um "traço" de sarro marcando o nível habitual.

Peço antecipadamente desculpa, mas sem pretender baixar o nível da descrição, digo que quem alí cagava ía salpicando as pernas e as nádegas.

Por isso, habituado a determinadas rotinas matinais que funcionaram mesmo no avião durante a viagem, tive três dias para arranjar "coragem"… e se bem me "espremia" todas as manhãs.

Durante esta semana que saudades tive do cheiro a lixívia, para não falar dos vários detergentes que todos conhecemos e que estão à venda na Austrália.

Julgo, sinceramente, que os responsáveis da Missão poderiam, no capítulo da limpeza, serem mais aplicados.

Há produtos de limpeza na Austrália, não falta mão de obra em Timor, sendo certo que empregar gente também é missão humanitária e julgo que há verba para pagar!

Depois, tudo o mais que se pode encontrar, na parte de lavatórios, de um balneário mau ali se encontrava, tal como: uma tábua velha e suja a fazer de prateleira, uns pedaços de espelho -já sem espelhado- a fingirem sê-lo, muito bolor preto nas junções dos azulejos, sem que nos pudéssemos socorrer de um esfregão que nos aliviasse matinalmente dos restos de pasta de dentes e outros vestígios dos anteriores utentes.

Ouve um dia que já farto de tanta falta de limpeza fiz com papel higiénico uma luva e andei a apanhar todas as velhas e abandonadas giletes, escovas de dentes, embalagens de produtos de higiene tais como shampoos, pastas de barba e dos dentes…

Em Dili (a comida)

Voltando à narrativa, depois de arrumar a roupa e de tomar um duche, tudo a correr, abalei de cantil e chapéu numa mão e pente na outra, para não perder tempo, e durante a viagem de carro até ao Banco lá me penteei.

Nesse dia na Missão o almoço era feijoada. Segundo o Piedade as feijoadas da Missão não eram grande coisa. Por isso fomos almoçar ao Hotel flutuante onde o Banco tem um posto de câmbios. O almoço foi bom. Já não me recordo o que foi, mas foi bom.

O jantar desse dia foi na Missão. Arroz guisado com enchidos vários.

Daí que sendo boa a alimentação no Hotel -paga, entre 1.300$00 e 1.800$00, mas completa, saudável, variada e à discrição-, feijoadas e guisados na Missão, mas à "borla", nunca mais lá comi. Ou melhor, só tomava o pequeno almoço.

Em Dili (o trabalho)

Nesse dia de tarde, às cabeçadas de sono, fui ouvindo, conforme aguentei, o Dr. Tubal a fazer-nos -a mim e à minha "colega" de trabalho a Eduarda (para quem não sabe, a Mulher do Dr. Tubal)- uma primeira apresentação da linha de crédito com fundos provenientes da ajuda portuguesa a Timor que o Banco Mundial criou e na qual o BNU vai ter o papel de intermediador/ desintermediador, isto é, analisa, concede o crédito e recupera-o para uma conta do futuro governo de Timor.

Como missão o BNU tinha que criar uma proposta/contrato de crédito, fazer publicidade por vários canais -incluindo a igreja-, admitir gente com preparação, fazer o controlo do crédito na fase de investimento até à recuperação integral.

Só tive tempo para colaborar na proposta/contrato. Tudo o mais não tive oportunidade de auxiliar…

Nesse dia, depois do jantar, o Dr. Tubal foi-me buscar à Missão e estivemos em grupo a fazer um serãozito, com uma água tónica "anti-mosquito", tendo-me deitado um pouco tarde, a conselho, para acertar os sonos. Foi a noite mais bem dormida da minha curta estadia em Timor. No dia seguinte, Sábado, levantei-me por volta das seis da manhã, tomei o pequeno almoço às sete -já a suar e com a sensação de que o duche de há uma hora atrás tinha sido tomado no dia anterior- e fomos trabalhar.

O condutor fui eu para me ir habituando à condução pela esquerda.

O Banco, que funciona entre as 8 e as 12 e as 14 e as 18 horas (o posto de câmbios labora, toda a semana, das 18.30 às 20.30 horas) abre ao Sábado de manhã.

Mesmo que não abrisse o meu trabalho não se prendia com a actividade desenvolvida no Balcão. Como estávamos apertados de tempo trabalhámos toda a manhã.

Em Dili (a ida à praia)

Nesse Sábado, almoçámos no Hotel e à tarde fomos para a "Praia dos Portugueses", como lá lhe chamam.

Tive a oportunidade de experimentar uma água de mar quase à temperatura do ar.

Em Moçambique já tinha tomado banho em praias com água tão transparente -em Timor também é Oceano Índico- mas não tão quente.

Quando lá chegámos encontrámos o Brito e o Piedade que estavam num grupo composto por um nosso companheiro de quarto -caserna-, de nome Zé, da EDP, mais duas correspondentes -uma da Antena Um-, uma médica -por casualidade prima do Dr. Tubal- já em fim de destacamento em Timor, um repórter da SIC chamado Cancela e o seu operador de câmara e, ainda, um outro sujeito ligado a comunicação social.

O Piedade e o Brito, como tinham que vir abrir a casa forte porque o posto de câmbios abria às 18.30 horas, voltaram da praia mais cedo.

Os restantes, ficámos lá até à noitinha e gastámos o tempo entre o banho, o jogo do vólei e o "experimenta coração" do Cancela (o caso dos calções de banho).

Jantei no Hotel em companhia do Brito e do Piedade. O Dr. Tubal e a Mulher jantaram com o "grupo" Nabeiro. O serão foi idêntico ao do dia anterior e também como véspera deitei-me relativamente tarde e levantei-me cedo porque às sete e meia da manhã de Domingo abalávamos, da porta do Hotel, para Baucau. Esta noite também não foi bem dormida, pois as horas de sono eram sempre poucas. Não dormi, em qualquer das duas primeiras, noites sete horas. O pior foram as três noites seguintes que apenas dormi três ou quatro horas em cada.

E depois sua-se toda a noite… e todo o dia…

Os livros portugueses

Para irmos a Baucau não podíamos abalar sem garantirmos o almoço de Domingo pois poderia não haver comida em Baucau.

Por isso, no Sábado à noite fomos “desenrascar” umas rações de combate aos Bombeiros.

A seu convite, visitámos o local onde estavam alojados -que segundo me pareceu se tratava de uma construção dos tempos coloniais portugueses, inicialmente usado para uma escola ou organismo público- o qual já tinham melhorado com obras. Recordo-me que tinham quartos, sala de rádio e cozinha.

Fomos, então, buscar as rações de combate -das portuguesas porque as estrangeiras não satisfazem o paladar de um “portuga”- que estavam guardadas num armazém.

Nisto reparei que ali ao lado delas havia uma “carrada” -é verdade, era mesmo a carga de um carro de mercadorias- de livros portugueses.

Estavam a monte. Uns dentro de caixas de papelão, meio fechadas meio rasgadas, outros soltos, praticamente todos molhados porque naquela zona do dito armazém chovia do telhado de tal forma que fazia poça no chão.

Aparentava que algum organismo português, “para mostrar serviço”, os tinha despachado à pressa para Timor, sem se preocupar em organizá-los por assuntos, e que “alguém” os tinha “atirado” para ali, para aquele armazém dos bombeiros, como se os livros fossem um monte de problemas…

Ida a Baucau

No dia seguinte Domingo, dia 27 de Fevereiro, recorrendo a um desenho feito à pressa, na noite anterior pelo Brito e pelo Piedade, vim sozinho de carro da Missão para o Hotel.

Abalámos para Baucau em dois carros. Num ia o Sr. Rui Nabeiro, o Dr. Tubal, a Eduarda e eu. Na outra viatura o "staff" do Sr. Rui Nabeiro mais o Genro.

Parámos no caminho várias vezes a apreciar e a fotografar a paisagem.

O terreno é, basicamente, vermelho, barrento, muito montanhoso e ingreme logo a partir do mar, aparecendo, por vezes na linha da costa, zonas planas -como aquela em que se situa Dili. Estas zonas planas também surgem no interior e são normalmente cruzadas por rios -se é que se pode chamar rios, já que só correm na época das chuvas. A vegetação é basicamente composta por árvores de porte médio -é curioso que se vêm muitas árvores que parecem eucaliptos anões-, por arbustos e capim, também de média altura.

Vimos como os camponeses preparam a terra para a plantação do arroz -tem as plantas em alfobres e transplantam-nas para o local definitivo que previamente preparam, fazendo passar nesses terrenos manadas de búfalos, até que as áreas tenham o aspecto de "lavradas" pelos cascos dos animais; vimos manadas inteiras a descansar enfiadas no lodo, praticamente só com a cabeça de fora, protegendo-se, com a lama húmida, do calor e dos mosquitos.

Parámos também no caminho para Baucau, para a beber água de coco e para comer coco em leite apanhado por um Timorense que encontrámos numa pequena aldeola à beira da estrada. Como paga demos-lhe, em rupias o equivalente a quatrocentos escudos e o homem fez-nos uma vénia de chegar com a cabeça ao chão acompanhada de um largo sorriso.

Chegamos a Baucau à hora do almoço.

Fomos procurar por D. Basílio do Nascimento que não estava disponível.

Dei de caras com um grupo de professores de Setúbal, da E.S.E., com quem conversámos uns instantes, visitámos as futuras instalações do BNU e fomos almoçar ao único (?) restaurante da terra. Portanto, não foram necessárias as rações de combate.

Como nota, recordo-me que num alpendre havia uma teia de aranha -se calhar de estimação ou muito eficaz a apanhar mosquitos- com uma área inimaginável, tendo no centro uma aranha de dimensões bem consideráveis. Toda a gente do grupo ficou espantada pelo que foi filmada e fotografada.

Esperámos bastante pela confecção do almoço.

Enquanto esperávamos surge, no restaurante, outro Setubalense que eu conheço do meu bairro. Um elemento da equipa Médicos dos Mundo, fixada em Lospalos, que naquele Domingo tinha ido a Baucau. Grande inflação de Setubalenses….

Por fim, almoçámos -arroz fugado, arroz branco, uma massa tipo esparguete mais fino de origem indonésia, que acompanhavam uns pires de carne de vaca e de frango, velha e rija como sola. Voltámos a casa do Bispo de Baucau que entretanto estava a fazer a sesta e que só se levantaria 45 minutos mais tarde.

Entretanto tinha surgido um Timorense com uma "tosga" que dava para dez e que insistia em voltar connosco para Dili. Lá conseguimos correr com o bêbedo -ou ele distraiu-se- e fomos passar o tempo de espera a visitar a praia de Baucau que tem uma arreia basicamente composta por pedacinhos de corais, encontrando-se a amiúde grandes pedaços -do tamanho de duas mãos juntas, com os dedos abertos- mas que não passam em Darwin, no regresso a Portugal.

Voltámos a casa do Bispo, que já estava levantado, e que então nos recebeu.

É um homem de uma simplicidade de atitudes e palavras que nos comove até às lagrimas -pelo menos a mim- e que ficou muito sensibilizado com as duas prendas que o Sr. Rui Nabeiro lhe levou: a imagem de uma Santa natural de Campo Maior, e uma outra (?), de porcelana espanhola, tão linda que nos deixou a todos de boca aberta a admirá-la.

O Sr. Rui Nabeiro transmitiu ao Bispo a sua intenção de ajudar Timor e de comerciar com Timor.

O Bispo agradeceu e disponibilizou-se a apoiar estas iniciativas.

Dirigiu-se também ao Dr. Tubal manifestando interesse na abertura do nosso Balcão na terra. Voltámos para Dili já tarde e fizemos a viagem de regresso a correr para evitarmos viajar de noite, o que não conseguimos.

Nesta viagem passámos por Manatuto, que me pareceu bastante pequena, e da qual fiquei com a impressão de que foi totalmente destruída.

Fui tomar banho e mudar de roupa à Missão e jantei, como de costume, no Hotel.

Conheci o Leandro Isac -membro das Falintil e relacionado com o Presidente Xanana-, ficou combinado que no dia seguinte, segunda-feira, se abalava às sete e meia da porta do Hotel para Ermera, terra do café.

Nova noite em que pouco ou nada dormi -3 ou 4 horas, já que acordava antes do sol nascer a suar muito e com uma inexplicável espertina, sendo às 5 horas da manhã completamente de dia.

Ida a Ermera

Seguimos à hora combinada para Ermera. Esta viagem tinha uma grande comitiva já que se compunha de Timorenses do CNRT, do Eng. João Carrascalão e da Mulher, de todo o "grupo" Nabeiro e do Dr. Tubal mais eu -a Eduarda não nos acompanhou porque não tinha conseguido dormir durante toda a noite.

Nesta viagem passei por florestas de árvores com um tamanho impressionante de tão altas que eram. Vi, lado a lado, vários tipos de palmeiras diferentes, quer no formato do tronco, quer nas folhas, quer no porte. A floresta é muito mais densa que a da zona de Baucau, e os arbustos ocupam todo o terreno sem deixarem clareiras. As canas de bambu são usados, para além da construção de casas, como condutas de água.

Chegámos a Ermera com uma paragem pelo caminho onde visitámos uma escola em que se ensinava o português e onde o Sr. Rui Nabeiro contribuiu, no local, com um donativo e prometeu financiar o arranjo dessa mesma escola.

Devo dizer que nestes dois dias de andanças com o Sr. Rui Nabeiro -tirando os da viagem até Dili- verifiquei por várias vezes que é um bom homem. Considera a família como muito importante na vida, tendo falado da Sogra e do Genro, por razões e em circunstâncias distintas, com um carinho desusado. Mantém recordações muito fortes dos seus princípios que considera fundamentais alicerces da sua actual vida, porque os tomou como valores que pode transmitir como ensinamento aos mais jovens. Defende que a vida tem que ser vivida com o que se nos depara, a sacrificar-nos até, ao tentarmos fazer sempre o nosso melhor, mas se nos correr mal temos que entender que ganhámos com a experiência.

Chegámos a Ermera ao meio da manhã.

Não vi plantações de café, como esperava. Vi apenas plantas que crescem no meio do mato, espontaneamente, cuja produção é colhida pelas pessoas. Julgo até que, se naturalmente for um ano de boa produção e as famílias se empenharem a colher bem, a safra do ano será boa. Não há conhecimentos técnicos para minimizar maus resultados. Disseram-me que o descasque é feito pondo o café na estrada esperando que as rodas dos caros que passam partam as cascas.

Pouco nos demorámos, eu e o Dr. Tubal. Voltámos para Dili onde chegámos por volta das 13 horas.

Em Dili (o resto do dia)

Almoçámos com a Eduarda, que já se tinha levantado, e de tarde trabalhámos na proposta de crédito até às 20 horas.

Como o Dr. Tubal e a Eduarda tinham sido convidados para o jantar de despedida da prima dele -uma das médicas que estava na Missão- e como o Joaquim Bastinhas me tinha convidado para me juntar ao grupo dele ao jantar, fui num instante tomar banho e mudar de roupa e fui ao encontro deles ao restaurante.

Só que não os achei embora tivesse andado meia hora de carro nas imediações do restaurante e perguntado às pessoas que passavam. Isto porque um elemento do grupo, o assessor de imprensa, me indicou um caminho errado…

Entretanto eram 21 horas, nem o Brito nem o Piedade vinham recolher o dinheiro do posto de câmbios que fechou às 20.30 horas.

Julguei que estava toda a gente na festa de despedida das médicas. Mas afinal não houve festa. Nem o Dr. Tubal nem a Eduarda ainda tinham jantado.

Por acaso encontrei-os, na estrada, junto ao mercado de Dili.

Já no Balcão, perto das 22 horas, o Dr. Tubal ainda me desafiou para irmos ao restaurante do Hotel Resende ver o que se comia, mas eu desisti e jantei bananas e atas que tinha comprado.

Voltei a tomar banho e deitei-me.

Foi mais uma noite que não descansei.

O jantar na Casa Queimada

No dia seguinte, terça-feira, às 5 horas da manhã o Brito e o Piedade tinham que estar a pé, no Balcão, porque cinco dos nossos colegas iam para fora de Dili fazer câmbios.

Antes deles se levantarem já eu estava acordado, no escuro, com a tal, espertina a atormentar-me. Nessa manhã, na Missão, havia lágrimas em abundância.

As três médicas, uma das quais a prima do Dr. Tubal regressavam a Portugal.

Foi mais um dia de trabalho em que se deu duro até tarde.

Fomos todos, os do Banco mais os do "grupo" Nabeiro e o Leandro Isac jantar à Casa Queimada, a convite do BNU.

Este restaurante são as paredes queimadas de uma casa, como há várias em Dili, coberto com chapas de zinco queimadas, como é natural lá. Foi varrido e lavado, colocaram nova instalação eléctrica "tipo feito à pressa", tem uns archotes para acompanhar aquele estilo de tudo queimado, mesas e cadeiras, também escuras.

Os pratos do dia eram febras de porco e rissóis de atum de conserva. Não escolhi os rissóis, para não comer fritos, mas, qual não foi o meu espanto que as febras eram entremeadas fritas!!!. Maldito jantar!

Esperei quase até à 1 hora da manhã para fazer a digestão porque sem banho é que não me conseguia deitar. Tinha saído do Banco depois das 20 horas e sem tomar banho fui jantar. Não, estava decidido. Sem banho não me deitava.

Tive que esperar sozinho que o tempo passasse. Enquanto esperei tive a oportunidade de ouvir o "canto à desgarrada" de uns lagartos que vivem nas árvores que parece que dizem "TOU CÁ".

O dia em que me deu o "fanico"

Na quarta-feira levantei-me mal disposto, com uma sensação de enfartado que julgava ser do jantar na Casa Queimada e cansado fui trabalhar.

Neste dia, 1 de Março, iniciou a sua actividade um novo elemento do BNU de Dili, o João Corte Real, que o Dr. Tubal contratou para a análise do crédito. Pareceu-me ser um bom elemento e que o Dr. Tubal fez uma boa contratação.

Também para esse dia estava combinado que deixaríamos a Missão e íamos para uma das casas do Banco arranjada, entretanto, à pressa. Tínhamos a vantagem de deixarmos as casernas e de termos um espaço mais fresco e arejado, com casa de banho, só para quatro pessoas. Esperava-se que as condições de vida ficassem muito melhores.

À hora do almoço, comecei a sentir de repente uma forte dor no peito, com sensação de náusea. Fomos à Missão procurar as médicas e reparei que dentro do carro, com o ar condicionado ligado, a dor e a náusea abrandavam. Na rua, ao calor, acentuavam-se.

Esta quarta-feira estava particularmente quente. Foi o primeiro dia completamente sem nuvens.

Fui para o hospital onde me fizeram dois electrocardiogramas, com espaço de cerca de quatro horas entre eles e me tiraram sangue para análise de enzimas. Quer os electrocardiogramas quer as análises provavam que não tinha havido enfarte, situação que, atendendo aos sintomas que eu apresentava, tudo parecia indicar.

Entre os exames médicos, e após a segunda pastilha que me colocaram sob a língua, deixei-me dormir.

A médica era de opinião que eu ficasse nessa noite no hospital, que com poucas condições são melhores que as da Missão e que depois de três ou quatro dias de descanso deveria regressar a Portugal.

Quanto a ela o sistema periférico venoso dilatava com o calor forte e daí resultava um menor afluxo de sangue ao coração. Se não foi isso que ela tecnicamente disse, pelo menos foi o que eu entendi. O Dr. Tubal decidiu então que eu passaria a noite num quarto do hotel já que tem ar condicionado, com o que a médica concordou desde que eu tivesse companhia, e que no dia seguinte voltava a Portugal já que podia contar com a companhia do "grupo" Nabeiro que também regressava. A médica concordou com a ideia, só porque eu tinha companhia, já que na sua opinião eu devia descansar.

Estive quase a ir dormir no quarto do Joaquim Bastinhas que foi simpático e franco ao ponto de disponibilizar logo a sua cama para eu descansar, caso o hotel estivesse cheio. Já antes tinha sido ele que se tinha deslocado do hospital onde eu fui socorrido, para um outro da ONU, com a minha amostra de sangue para ser analisada.

Por fim lá se conseguiu um quarto e a minha companhia foi o Piedade.

Essa noite dormi com a ajuda de um comprimido.

No dia seguinte às 7 horas da manhã já estava no hospital a repetir o electrocardiograma que, como os anteriores, indicava que tudo estava bem.

A médica autorizou que eu fosse à Missão buscar o resto da minha roupa.

Despedi-me dos Colegas do Banco, arrumei as malas, deixei medicamentos que levei para Timor ao hospital, pasta de dentes, pomada, água de colónia e quinino aos meus três colegas moradores na casa do Banco e uma t-shirt do BNU e um mini-rádio à colega Ana que me deu uma ajuda, na Missão, a arranjar lavadeira.

Regresso a Portugal (de Timor para Darwin)

Depois de almoço, a meio da tarde, abalei de Timor, com todo o apoio possível do Dr. Tubal e da Eduarda, com destino a Darwin.

Cheguei a Darwin debaixo de uma chuvada imensa, mais ou menos ao mesmo tempo que o "grupo" Nabeiro abalava de Darwin para Singapura.

Não regressei com eles. Vim só.

Passar a alfândega de Darwin é um aborrecimento, pelas razões indicadas no início desta narrativa. Por fim apanhei um táxi, para um hotel onde o Dr. Tubal previamente tinha reservado um quarto, guiado por um inglês que desde os cinco anos imigrara para a Austrália, acompanhando o pai que era militar.

Após tomar banho saí para jantar num restaurante de um grego, ao lado do hotel.

Deitei-me. Tomei novo comprimido para dormir.

No dia seguinte levantei-me, guardei as malas no hotel e saí para tomar o pequeno almoço e ir às compras. Tinha que trazer para os meus filhos polos de râguebi dos "wallabies". Foram, se calhar, mais caros do que se os comprasse em Portugal. Mas são pelo menos genuínos.

Depois das compras e ainda bastante cedo apanhei um táxi -desta vez o condutor era um dinamarquês que nos seus primeiros tempos de Austrália teve muitas dificuldades- para o aeroporto onde almocei e esperei pelo meu avião que só abalava ao fim do dia.

Devo ter estado uma cinco horas no aeroporto em Darwin.

Regresso a Portugal (de Darwin para Singapura)

A viagem até Singapura decorreu sem quaisquer problemas. Jantei e depois dormi a viagem toda.

Regresso a Portugal (de Singapura para Lisboa)

Cheguei bem disposto e aparentemente descansado a Singapura.

No aeroporto encontrei um português que tinha conhecido em Timor e que voltava também para Portugal.

Fui ao "transfer" tratar dos passes de embarque para as viagens Singapura/Londres e Londres/Lisboa onde fui muito bem atendido e onde me indicaram a sala de espera de "executivo". No caminho até lá fui vendo as lojas e os preços dos artigos -estive até com uma raquete de ténis na mão, mas pelo preço não valia a pena vir carregado- vi a actuação de quatro bailarinas e cheguei, então, a sala de espera.

Nisto, sem razão aparente, começo a sentir a dor no peito e a náusea. Tinha estado em Darwin às compras, toda a tarde sentado no aeroporto, tinha dormido pelo menos três horas durante a viagem até Singapura, estava completamente descansado e a dor a subir cada vez mais de intensidade.

Pedi socorro na recepção, foram buscar uma cadeira de rodas e levaram-me ao posto médico. Coloquei um comprimido debaixo da língua e logo depois um segundo.

Fiz um electrocardiograma. Como era semelhante aos anteriores e como a dor me estava a passar deixaram-me embarcar. Foram quarenta minutos de susto sobre susto. Estava a ver-me hospitalizado no meio de "chinocas" até que me deixassem abalar de lá.

No meio disto tudo tinha que estar com atenção ao passaporte à bagagem de mão e à bagagem de porão que chegou a ser retirada do avião e posteriormente embarcada.

Finalmente, de cadeira de rodas, embarquei.

O meu companheiro de lado fez o favor de arrumar o meu "trólei", comi uma salada, tomei um comprimido para dormir e fiz por dormir.

Até Londres, que são doze horas de viagem, não dormi sempre mas nem me levantei da cadeira. Nem me mexi.

Regresso a Portugal (de Londres para Lisboa)

Em Londres saí deste avião, no terminal 4 e fui até ao 1 sem quaisquer problemas. Fui para a sala de espera de "executivo" onde cheio de fome comi umas bolachinhas secas e bebi água, mas antes avisei a Wanda que estava de regresso.

Dei uma volta pelas lojas. Gastei as libras que tinha levado de Portugal e embarquei para Lisboa. Almocei, pouco, na viagem. E cá cheguei.

Tinha a Wanda, o Zé Manel e a Salomé à minha espera.

E mais esperaram por mim, porque do aeroporto segui para o hospital dos SAMS. Voltei a fazer electrocardiograma e análises ao sangue. Deram-me um valium a beber o que me provocou sair de lá praticamente a dormir, com a recomendação de que deveria consultar a minha cardiologista o mais depressa possível mantendo os comprimidos de colocar sob a língua sempre à mão.

No Domingo de manhã fui visto pela Drª. Quitéria, no Hospital de Setúbal. Examinou-me o coração -ecocardiograma-, marcou-me novos exames para o fim do mês, disse-me para ficar em casa a descansar e duplicou a dose do "Dilblok" -para eu estar "numa boa".

Tenho dormido,… e sexta-feira, dia 17 de Março volto ao trabalho.



Setúbal, 15 de Março de 2000



Curiosidades aprendidas com a Celice Sarmento



O diak ka lai   Þ        Como estás (usado para pessoas com quem não se faz cerimónia)

Ita diak ka lai  Þ        Como está (usado para pessoas com quem se faz cerimónia)



Favor ida1       Þ        Por favor (um1 favor)



Labele             Þ        Não pode



Han                 Þ        Eu

O                     Þ        Tu

Ita                    Þ        Você

Nia                  Þ        Ela /Ele

Ami                 Þ        Nós

Sira                 Þ        Eles

Imi                   Þ        Vocês



Tudik               Þ        Faca



Uma Suno      Þ        Casa queimada

Uma Lulik       Þ        Casa sagrada



Caladi             Þ        Saloio (palerma)



Nomes de “guerra” de elementos das Falintil



Taur1 Matan2 Ruak3  Þ        Dois3 olhos2 partidos1                        Chefe de Estado-Maior

Falur1 Rate2 Laek3     Þ        Pombo1 sem3 campa2           Comandante da Região 2

Eli1 Fohorai2 Boot3     Þ        Élio1 boa2 grande3                 Vice-comand. da Região 2

Kalohan                      Þ        Nuvem                                               Comand. Região ? (falecido combate)

Klamar                                   Þ        Alma                                       Comandante

Lere                            Þ        Destronca                              Comandante da Região 1

Ular                             Þ        Cobra                                     Comandante da Região 4

Sabika                        Þ        ?????                                     Comandante da Região 3

Xanana                       Þ        Guerreiro                                Comandante das Falintil

Leandro Isac                          Porta voz do CNRT               (é de origem Moçambicana)