sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dr. José Augusto de Sousa


Quando entrei para o Contencioso, no edifício chamado "Caracol", na Rua do comércio, o dr. Sousa era dos advogados mais antigos, juntamente com o dr. Lino Paiva, o Dr. Aresta Branco, o dr. Carlos Olavo, Drª Lemos Viana, e outros. Era director o dr. Belo de Morais, que tinha substituido o dr. Vaz Monteiro, que havia transitado do contencioso para a administração.
O dr. Sousa era contra os divórcios. Nunca tratava de nenhum divórcio que lhe viessem pedir para tratar. Há quantos anos estão casados? - há três anos. - Então estão na crise dos três anos, que passa em dois meses.
Era sempre a crise que passava em dois meses. Era adepto de reconciliação e de fechar os olhos para alguma falta, mesmo que fosse infidelidade.
Ele próprio era um romântico.
Gostava de recitar às senhoras a seguinte poesia que ouviu a um amigo meu no Algarve:
Ando a lembrar-me de ti
do teu nome todo o dia.
Foi por isso que escrevi
em toda a parte escrevia,
nas negras pedras do chão
nos muros arruinados,
o teu nome em letras belas,
tão belas como não há.
Falta-me escrever no céu,
e no Sol... e nas estrelas:
meus braços não chegam lá.

Contava uma história de um cliente, que eu penso que tinha acontecido com ele, mas enfim. Então o seu cliente andaria a dar assistência a uma senhora que tinha um namorado casado que passava todos os fins de semana fora de Lisboa, com a família. Este namorado casado, era ciumento e nos fins de semana ia telefonando para controlar a namorada, mas, é claro, os telefonemas serviam também para a namorada controlar o ciumento, porque ela ia sabendo onde ele estava.
Um dia o namorado regressou de fim de semana, sem avisar e quando meteu a chave à porta, estava trancada por dentro. Tocou à campaínha:
-O que é que se passa? Enquanto responde e não responde, o cliente do Sousa, esconde-se entre um armário e a parede do quarto. Só que, com a pressa e porque nem tudo lembra e o criminoso deixa sempre uma pista, o entalado deixou à entrada do quarto a sua pasta, que foi o que logo viu o namorado quando entrou. Foi entrando, foi entrando até que deu, claro, com o entalado entre o armário e a parede, cada vez mais encolhido.
- Ó senhor, saia daí, que eu não lhe faço mal.
O entalado lá se convenceu a sair e começou a chorar e a jurar que não tinha feito nada e que só tinha estado ali a falar um pouco, porque estava muito em baixo e não sei quê. E lá foi agarrando a pasta e saindo e descendo a escada e fugindo pela rua fora.
Eu dizia-lhe ao Sousa que ele qualquer dia lhe acontecia como ao entalado e que podia sair mal a coisa.
Actualmente, reside no Norte e eu já uns tempos que não o vejo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Câmbios e contrabando

Entrei para o BNU no dia 28 de Maio de 1974, para o serviço de câmbios, no balcão em frente à entrada da Rua Augusta.
Eram tempos do banco tradicional, como diria o meu amigo Lobão, em que se privilegiava o contacto com o público. Quem estava ao balcão a fazer as operações de venda de moeda estrangeira era o Sr. Novais. Era um homem, como é que hei-de dizer... um bocado rabugento. Tive muita pena dele quando me contou que tinha vendido um pinhal que tinha na zona saloia, por 30 contos e que perdeu o dinheiro não sabia como. Pensava que ao sentar-se no seu Morris Mini tinha deixado cair as notas do bolso porque quando chegou a casa já não tinha o dinheiro. Eu saí dos câmbios em 1977 e ele reformou-se passado pouco tempo e sei que não gozou muito tempo a reforma, morrendo de cancro.
Não saber porquê e viver
Criar um Deus, luz dalguma esperança
duma qualquer vida onde o morrer
conduz a um mundo de bem-aventurança
Tenho passaporte com operações de venda de francos franceses, feita pelo sr. Novais:


A venda era registada no passaporte para controle e não podia ser vendido mais do que vinte contos por cada saida.
Claro que os contrabandistas arranjaram forma de fintar a lei. Os da minha terra pediam às pessoas os passaportes caducados. Não percebia para que lhes servia esse passaporte até que me explicaram que aproveitavam as folhas do passaporte caducado para substituir as do seu passaporte e assim podiam ir num só dia levantar no banco vários 20 contos em moeda estrangeira, que depois vendiam no mercado negro ganhando bom dinheiro.
Mas, como dizia a minha Mãe, o que pensa o guarda pensa o contrabandista e vice versa, e os passaportes começaram a trazer uma folha no final, onde eram anotados todos os movimentos de compra de divisa. Assim já era mais dificil o esquema de substituição de folha. Mas o contrabando de divisas só acabou verdadeiramente quando acabou a proibição ou limitação de importação ou exportação de moeda estrangeira.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Caravelas do BNU

Não sei quem que me chamou a atenção para as caravelas do logotipo do Banco Nacional Ultramarino.
Realmente nos primeiros logotipos, não aparece nenhuma chaminé na caravela. Depois aparecem as chaminés. Podemos observar esse promenor nas notas do Banco, nos cheques, nos impressos. Tenho títulos de acções com caravelas diferentes. Alguém me sabe explicar porquê?



No relevo da sede da Rua Augusta a caravela tem uma chaminé.


1938 - Título com barco com duas chaminés, sem velas


1964 - Título com veleiro com uma chaminé.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Anúncio do Banco Nacional Ultramarino

Alguém se lembra? (clicar na setinha para ver o vídeo)
video

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Onze mil ou doze mil virgens

O "BOLETIM DE CONTACTO", da Associação dos Antigos Empregados do BNU, noticia, entre outras, a visita a Alcácer do Sal que incluiu a visita à Capela das "Doze Mil virgens". Há dias também fui fazer essa vista com um grupo que estuda história de arte com o professor José Manuel Ferrão. O professor disse que eram onze as virgens. E contou que passaram a onze mil porque na pedra tumular que foi encontra tinha referência a onze M. V., ou seja, onze (M)ártires (V)irgens. Mas o que se costumava escrever era Virgem e Mártir e não ao contrário. Então alguém interpretou o M. como mil e passaram a ser onze mil virgens.
Pronto, se calhar a D. Olga, (que fez a notícia no "Contacto") enganou-se e não são doze mil mas só onze mil, ou seja onze. É caso para dizer, mais mil menos mil, ou seja, mais uma menos uma...
Há também quem diga que nem onze são e é só uma que se chamava Undecimilia (=onze mil).
Podemos imaginar as histórias que se inventaram do martirio das onze mil raparigas, todas em fila para serem mortas ou juntas numa casa, ou... sei lá. E o carrasco ou carrascos, quanto tempo levaram? Não se cansaram? E a cidade donde provinham, ainda ficou com raparigas? Pouparam as mais bonitas? Bom, é melhor passar à frente, senão isto ainda descamba...


Seja como fôr, vale a pena visitar(aconselho visita guiada com entendido na arte portuguesa) este extraordinário monumento. Não imaginamos as preciosidades artísticas que possuimos em Portugal!

A lenda das Onze Mil Virgens foi muito popular até ao início da Idade Moderna. Em sua homenagem, Cristóvão Colombo, em novembro de 1493, deu a um grupo de ilhas das Antilhas o nome de "Santa Úrsula e as Onze Mil Virgens". São hoje as Ilhas Virgens, divididas entre um território estadunidense e uma colónia britânica.
O navegador português José Álvares Fagundes também chamou "Onze Mil Virgens" a um grupo de ilhas perto da Terra Nova, mas o rei chamou-lhe Ilhas Verdes e os franceses, que as reivindicaram depois de 1535, deram-lhe o nome de ilhas Saint Pierre e Miquelon, que têm ainda hoje. Continuaram, porém, a aparecer com o nome original em mapas do século XVI.



Já agora apresento umas fotos interessantes que tirei em Alcácer. Duas representam uma casa com um aviso interessante:
PROIBIDO
UTILIZAR
O TELHADO
DESTE PRÉDIO
COMO PASSAGEM


O telhado como passagem? será que os pombos de Alcácer sabem ler?
Bom, os medievais inventavam logo, sabe-se lá, a história de um gigante que assolava a povoação e que passava por cima dos telhados, mas que ficava completamente tolhido com proibições escritas nas paredes das casas por onde passava...

Outra foto que tirei na Igreja da Misericórdia de Alcácer: Um.. como é que lhe hei-de chamar?.. um nobre bem vestido, mostrando que pode servir de sustentáculo a um púlpito.

S. LOURENÇO
A história das onze mil virgens, faz-me lembrar outra, que me deixou muito desiludido. É a história de S. Lourenço. Diz o martirológio (relato das vidas dos mártires) que S. Lourenço, desgradou ao Imperador Romano, que o mandou grelhar e que o Santo enfrentou o suplício mortal com coragem de tal forma que depois de estar já bem queimado, ainda teve força para dizer aos carrascos para o virarem porque daquele lado já estava.
Eu considerava este santo o padroeiro dos veraneantes que, na praia, se vão virando até ficarem bem tostados pelo sol.

Mas não é que tudo isto afinal é inventado?


No museu de S. Roque (Vale a pena visitar Igreja e Museu, no Largo da Trindade em Lisboa), que também vem referido no último "Contacto", está lá a representação de S. Lourenço com a grelha na mão. E sempre tem sido representado tendo em conta esta forma de martírio. Em Roma, visitei umas catacumbas de S. Lourenço, que têm, à entrada, uma imagem do santo com a grelha na mão.
Então, a lenda e toda a história inventada posteriormente, vem do simples equívoco de ser referido em documento que o S. Lourenço "passus est", ou seja "foi morto". Mas, com o decurso do tempo, o "p" desapareceu ou tornou-se imperceptível e ficou "assus est", ou seja "foi assado".
Eu nem acredito que se tenha inventado toda esta história só porque desapareceu uma letra num documento...
Lá se vai o meu padroeiro dos banhos de sol...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Augusto e Francisco

Neste pequeno extracto de vídeo está o Augusto, durante largos anos porteiro na sede da Rua Augusta e depois do edifício Caracol, onde estava o contencioso do Banco Nacional Ultramarino e vemos também o Francisco, que foi durante muitos anos contínuo no contencioso tanto no Caracol, como depois na 5 de Outubro.





Sempre tive um carinho especial pelo Francisco. Eu chamava-lhe o Xico Fininho (por ser gordo, claro) e ele dizia que quando fosse presidente da República de S. Tomé me havia de chamar para ministro. Algumas vezes pensei que estava a falar a sério, tal a convicção com que o dizia. Contava-me os problemas familiares e ainda agora penso que a sua luta não terá sido fácil. Não sei o que será feito dele, porque desde que se reformou, nunca mais o vi nem tive notícias.

O Augusto soube agora que já faleceu. Foi um homem cheio de iniciativa e estava por dentro dos negócios que se faziam na Baixa. Os contrabandistas da minha terra (raia transcudana) conheciam-no todos, sobretudo os que negociavam com divisas estrangeiras. Em alturas de contenção na exportação de divisas, ele arranjava moeda estrangeira para os elementos do conselho de administração do Banco poderem deslocar-se ao estrangeiro sem os limites legais. A moeda estrangeira, adquirida nos bancos, para as deslocações ao estrangeiro, era registada no respectivo passaporte e não podia ultrapassar um limite pequeno. O Augusto era o socorro de todos os que queriam ultrapassar esse limite. Estava sempre pronto a ajudar os colegas ou amigos. Segundo diziam, ganhou bom dinheiro nesse negócio. O grande escritor da raia transcudana, Manuel Leal Freire, defende no seu livro «CONTRABANDO, DELITO MAS NÃO PECADO», estes homens lutadores pela vida. E eu penso que este contrabando não deve ser considerado grande pecado porque, na altura, todos recorremos a ele e nunca se ouviu dizer que algum destes contrabandistas tivesse sido processado.
Pois o Augusto, depois de o contencioso se ter mudado para a 5 de Outubro, ainda ficou algum tempo na Baixa, mas depois reformou-se e parece que estava bem de dinheiro. Mas talvez não tenha aguentado bem a mudança da reforma e não teve um fim muito feliz.
Não sei se foi ele que arranjou o whisky desta história que me contou um colega.
Num dos departamentos do Banco, os colegas compraram whisky, que na altura se chamava de Sacavém, ou seja de contrabando. Um dos colegas comprou uma garrafa de Martin's 20 anos, por um preço, claro, chorudo. Digo eu que se calhar o produto era o mesmo do das outras marcas, pois o vendedor (=engarrafador?) era o mesmo, mas enfim...
Então os colegas conseguiram, enquanto o comprador do Martin's foi almoçar, tirar com uma agulha e seringa, o whisky e meter-lhe na garrafa, chá em substituição.
Ele levou a garrafa para casa e os colegas todos os dias lhe perguntavam quando é que podiam ir a sua casa provar a pomada, desejosos de o confrontar com o chá que tinha comprado. Mas ele um dia acabou por dizer: olha pá, daquela pomada nenhum de vocês vai provar, porque já ofereci a garrafa ao médico da minha filha.
Choin...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Contencioso - na 5 de Outubro



Legendas possíveis para esta foto:

1 - Dois ilustres advogados (Dr. Domingos Barradas e Dr. Augusto Trindade) aproveitando as férias judiciais (6 de Agosto de 1991) para pôr a escrita em dia, no 12º andar da sede do BNU, na Av. 5 de Outubro.

2 - Dois advogados (um alentejano e outro transmontano), ambos com a mão esquerda à cintura, discutindo acaloradamente, a melhor forma de encostar à parede um devedor relapso do BNU.

3 - O que é que estarão a ventilar estes dois mânfios?



E a legenda para esta foto?
escolho esta:
Deve ter sido este que tirou a foto aos outros e vice-versa.

A foto do Dr. Trindade e do Dr. Barradas em que este não tira os olhos do processo, enquanto fala, faz-me lembrar um episódio com a Drª Lemos Viana, que Deus tenha.
A Drª não quis reformar-se antes dos 65 anos porque queria, como ela dizia, ver o fundo ao tacho. A direcção porém, na expectativa da reforma, já não lhe atribuía processos novos e ela aproveitava o tempo mais livre para praticar o seu gosto pelas exposições jurídicas e outras com os colegas.
Dizia ela que o seu Pai (ilustre advogado de Castelo Branco) lhe dizia: a menina quando tiver razão refile, mas quando não tiver, refile também.
Nesse aspecto, acho que a Drª nunca deixou ficar mal o seu Pai.
A Drª tinha um carinho especial pelo Dr. Barradas, a quem tratava de Paizinho (porque ele na conversa, usava uma bengala da linguagem, interpondo na conversa, a palavra "filha" - "Ó filha, está bem!") e vinha muitas vezes ao nosso (meu e do Dr. Barradas) gabinete a pôr a escrita em dia.
O Dr. barradas, sempre com uma paciência e compreensão infinita, ía acenando com a cabeça e dizendo que sim que sim, e ia vendo o processo e escrevendo. Até que a Drª lhe diz: Ó paizinho, não esteja para aí a dizer que sim, olhe pra mim, olhe pra mim.
Lá se foi o rendimento do dia do Dr. Barradas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Biblioteca do BNU


O meu amigo espanhol Angel, grande amigo de Portugal, militante do fim de todas as fronteiras entre Portugal e Espanha, e fotógrafo de alto gabarito (http://www.andaluciaimagen.com/fotografo/a--hernandez) tirou esta foto às antigas instalações da biblioteca do BNU e antigas instalações da agência do Rossio em Lisboa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Antiga sede do BNU - Museu da Moda e do Design






Aqui vão estas imagens que consegui tirar durante a visita ao Museu da Moda e do Design, bem ilucidativas do estado desgraçado a que chegou o belo interior do edifício.

Espero que após a reabilitação do Museu, os arquitectos responsáveis saibam preservar algumas das belezas que certamente ainda lá estão, como todo o espaço do 1º andar, mural de acesso às casas fortes, etc.

Um grande abraço

Joaquim Matos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

BNU em Angola

O Banco Nacional Ultramarino foi o grande factor de harmonização do sistema monetário nas colónias portuguesas. Em Angola, houve umas primeiras notas emitidas pelas Fazendas locais até que foi concedido ao BNU o exclusivo da emissão de moeda.
Com a abertura da sucursal de Luanda, em 1865, o BNU pôs em circulação a sua primeira emissão - "emissão tipo Succursal de Loanda". Estas notas eram expressas em "reis".
A partir de Março de 1909, o BNU uniformiza as emissões para as cinco colónias de África, com a efígie de Vasco da Gama, passando as notas a ter os mesmos valores, apenas com a diferença na indicação da província. Chamou-se a esta série " EMISSÃO VASCO DA GAMA".
A partir de 1910 as emissões do BNU são expressas em escudos. Em 1921, a emissão em escudos têm a efigie do fundador do BNU , Francisco Chamiço. É chamada a "emissão chamiço" e o povo chamou a essas notas "os chamiços". Em 1926, a Junta da Moeda, em Angola, passa a emitir os "Angolares", que continuam no papel moeda do Banco de Angola até à Lei Orgânica de 1953, que unifica a moeda e todos os valores passam a ser mencionados em escudos.


C H A M I Ç O



EDIFÍCIO DA SUCURSAL DE LUANDA

O angolano duo Ouro Negro canta a canção "por um chamiço" , referindo-se precisamente a essa nota de escudos do BNU.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Máquina de escrever





Quando entrei para o BNU (Maio de 1974 - Serviço de Câmbios - Rua Augusta - Sr. Aboim!) entregaram-me uma máquina de escrever que não encravava muito. Depois apareceram as electrónicas e a seguir os computadores, sem alavancas e que deixaram de ter o problema de encravar. Os computadores actualmente até já têm os teclados sem qualquer ligação por fio à máquina que escreve e à impressora. Os teclados mantiveram-se sempre os mesmos. Porquê?
Quando apareceram as primeiras máquinas de escrever, os engenheiros lutavam com uma dificuldade mecânica, pois as batidas rápidas faziam que as pequenas alavancas se encravassem facilmente. Até que em 1868, o inventor americano Christopher Sholes descobriu uma solução. Em vez de colocar umas ao lado das outras, colocou as letras que mais vezes surgem juntas na escrita do dia a dia, o mais longe possível umas das outras. Só assim, vindas de direcções diferentes, é que as alavancas não se encravavam no movimento em direcção ao papel. Sholes patenteou o seu "invento" e a fábrica de armamento Novaiorquina "Remington" passou a utilizá-la, tornando-se rapidamente no maior produtor de máquinas de escrever do mundo e impôs a sequência QWERTY em toda a parte. Na altura ninguém protestou contra a estranha lógica do teclado e quando posteriormente surgiram novas propostas já era demasiado tarde.
Os computadores de hoje já não têm nenhum dos problemas que levam ao QWERTY.
No entanto, o teclado proveniente dos primórdios das máquinas manteve-se e ninguém sabe porquê.
A conclusão é de que quem chega primeiro fica mais tempo no poleiro ou
candeia que vai à frente...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Avô Zé Manuel

O Zé Manuel Castanheira foi avô. Quem diria? Até parece um velhinho.
Sim é que ser avô...
É ser velhinho
É ser ternurento
É ser pai duas vezes
É amar duas vezes
É sorrir duas vezes
É chorar duas vezes
É percorrer outra vez os caminhos da vida.
É amor com seiva nova
É viver o suficiente para vê-los formados e bem casados.
É ser .... Zé Manuel!
Parabéns!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Modesta, caracol e Néné




O Manuel Araujo (já nem falo no Leão) tirou estas fotos à Modesta. Não há empregado da sede do BNU que não se lembre. Lá está ainda, resistente ao ermamento da baixa pombalina. Somos assim os portugueses, temos tanto de aventureiros, partindo para os confins da terra, buscando anelantes o palácio encantado da ventura, como somos tradicionalistas, agarrados ao torrão que nos viu nascer e nos foi dando segurança pela vida fora.


E o caracol!!



E a Nené, que contribuiu para adoçar a boca a tantos de nós, muitas vezes fartos das agruras da vida

Lá estão todos ainda! Claro que falta o nosso movimento, o ir e vir, as corridas para apanhar o elevador a tempo de assinar o livro de ponto e evitar a habitual justificação: "atraso no transporte habitual". Uma vez o sr Mósca (Olá sr. Mósca, o que é feito de si?) disse-me para corrigir o papel da justificação porque eu tinha posto "atraso habitual no transporte".
Enfim, vidas...

Datas principais do Banco Nacional Ultramarino



1864 – Fundação do Banco
1865 - Dependências em Luanda (Angola) e na Praia (Cabo Verde).
1868 - Dependências em São Tomé e Príncipe, Goa (Margão) e Moçambique.
1902 - Dependências em Macau e Bolama (Guiné).
1912 - Dependência em Díli ( Timor) e Brasil.
1919 - Representação em Kinshasa e dependência em Paris.
1920 - Representação em Bombaim.
1929 - Subsidiária em Londres, o Anglo-Portuguese Colonial and Overseas Bank, e converte a sua dependência de Paris numa subsidiária, o Banque Franco-Portugaise d’Outre-Mer.
1952 – Fecho das dependências na Índia.
1965 – O BNU entra na criação do Bank of Lisbon and South Africa, hoje Mercantile Lisbon Bank.
1974 – Nacionalização do BNU.
1975 - Moçambique nacionaliza o BNU e muda-lhe o nome para Banco de Moçambique.
1988 - A Caixa Geral de Depósitos torna-se o principal accionista do Banco Nacional Ultramarino S.A. A República Portuguesa é o único outro accionista.
1991 - Dependência em Londres.
1993 - Dependência em Zhuhai, Região Económica Especial da China.
1995 - O governo chinês confirma que o BNU permanecerá como emissor de notas pelo menos até 2010.
1999 - O BNU abre representações em Bombaim e Panjim-Goa, e uma dependência em Díli, Timor-Leste.
2000 - O BNU assina um acordo com a Administração da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, pelo qual o banco se mantém como Agente do Tesouro.
2001 - O BNU e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fundem-se através da incorporação do Banco Nacional Ultramarino na CGD. Com efeito desde 1 de Julho de 2001, a dependência de Macau do Banco Nacional Ultramarino transforma-se num banco incorporado na RAEM, sob o nome de Banco Nacional Ultramarino S.A., mas na condição de subsidiário da Caixa Geral de Depósitos e cujo capital social pertence na sua totalidade à CGD. O Banco Nacional Ultramarino S.A. mantém as suas funções de emissão de moeda e de Agente do Tesouro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Neptuno


O Araújo Leão (com a juba outra vez em baixo) tirou esta fotografia ao NEPTUNO feito pelo escultor Joaquim Machado Castro em 1771, que actualmente se encontra no Largo de D. Estefânia e que foi feito para ser colocado em frente da Basilica da Estrela, mas que veio a ser colocado no Chafariz dos Galegos, no Largo das Duas Igrejas, em frente ao Palácio do Loreto, primeira sede do BNU.
O grande escultor português foi também o autor do cavalo de D. José que está no Terreiro do Paço, desde 1775. Muita gente não sabe que o cavalo não está aprumado. Vou dizer aqui a razão, segundo me contou um grande engenheiro, meu amigo: A estátua equestre foi levada para o Terreiro do Paço para ser fixada sobre uma base de bronze fresco. Machado de Castro afastou-se a uma distância razoável que lhe permitisse confirmar o aprumo da estátua e ir dando indicações aos trabalhadores sobre o assentamento. Só que o povo, curioso, começou a juntar-se e a rodear o local. A polícia fez um círculo de segurança, não deixando as pessoas aproximar-se do local dos trabalhos. O escultor, que entretanto tinha ficado de fora do círculo para dar as suas instruções, lá foi rompendo para se aproximar da estátua. Mas quando chegou ao círculo polícial, não o deixaram passar: Ó chefe, este aqui quer passar e diz que é o autor da estátua! Mostra-lhe a cachaporra que logo lhe passa o talento de escultor. O homem bem insistiu mas não conseguiu passar e entretanto o bronze da base secou e a estátua ali está a testemunhar o desenrascanço português. A polícia não permitiu que ficasse perfeita, mas ela ainda não caiu.

Associação dos Antigos Empregados do BNU



Não podia esquecer a Associação, fundada em Outubro de 1990. Vai fazer agora 20 anos.
Está viva e com vigor. Sou sócio.
1 euros por mês de quota!
Na Rua Marechal Saldanha, nº 5 - 3º 1220-159 Lisboa
Tel. 213245095


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Primeira sede do Banco Nacional Ultramarino

Começa assim o contrato de arrendamento da primeira sede do BNU:
"Saibam quantos este publico instrumento de arrendamento, quitação e obrigação virem, que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos sessenta e quatro aos vinte dias do mez de Junho nesta cidade de Lisboa em meu escriptorio na rua Nova S Elloy nº 111 compareceram de uma parte o Exmº José Ferreira Pinto Basto, proprietario, morador na Calçada de Santo Amaro, nº 1, freguesia de S. Pedro em Alcantara e da outra o Illmº Francisco de Oliveira Chamiço, negociante, morador na Rua Nova da Trindade nº 36, freguesia do Sacramento, na qualidade de governador eleito do Banco Nacional Ultramarino, auctorizado por carta de lei de dezasseis de Maio de mil oitocentos sessenta e quatro, : ambos pessoas do meu conhecimento, que dou fé serem os proprios".
Seguem-se as cláusulas do arrendamento das “casas que possue no Largo das Duas Igrejas, nº 8 freguesia de N. S. dos Martires, com todos as suas pertenças, exceptuando as lojas que ficam para a rua do Outeiro.
O prazo do arrendamento é de nove anos com inicio no 1º de Junho do corrente ano.
A renda nos três primeiros anos foi de dois contos duzentos e cinquenta mil réis e nos seis anos seguintes três contos de réis”tudo em metal sonante e pagos adiantadamente aos semestres”
O prédio arrendado era conhecido como "palácio do Loreto". Em 7 de Setembro desse ano, reuniu, já na nova sede, a assembleia de accionistas, que sancionou o arrendamento.
O Largo das duas Igrejas (Igreja do Loreto e Igreja da Encarnação) é desde 1925 o Largo do Chiado e ali existia o famoso «CHAFARIZ DOS GALEGOS» ou «CHAFARIZ DE NEPTUNO DO LORETO», construído por Machado Castro em 1771, composto de uma escadaria desdobrada lateralmente, com a estátua de Neptuno no topo. Hoje a estátua encontra-se no Largo de D. Estefânia desde 1951 e anteriormente esteve na Praça do Chile.
Actualmente existe no local o monumento a António Ribeiro «CHIADO» - o poeta dos autos - obra escultural de Augusto da Costa Mota, que foi inaugurada no dia 18 de Dezembro de 1925.




(clicar na foto para ampliar)
Palácio do Loreto e Largo do Chiado actualmente, com o eléctrico para a Estrela





antigo Largo das Duas Igrejas com o eléctrico para a Estrela e o Palácio do Loreto.