quarta-feira, 30 de março de 2016

HOTEL MONTE PALACE

Há tempos, fui procurado por um jornalista, que queria escrever um livro sobre o Dr. José Oliveira e Costa.
Estava no auge toda e qualquer informação sobre o homem considerado o maior malfeitor de Portugal que obrigou o país inteiro a resgatar (=ter de pagar) a maior aldrabice bancária do último século: O Banco Português de Negócios (BPN).
Atualmente, o assunto está morto e enterrado e o Dr. Oliveira e Costa, esquecido da curiosidade das televisões, gozará a sua reforma nalgum recanto do seu lar. Conhecendo os trâmites das operações bancárias e a generalidade da ignorância destas operações pelos agentes judiciários que povoam os nossos tribunais, não me admira que ele e todos os outros que enterraram o nosso sistema bancário, saiam deste imbróglio financeiro, absolvidos ou com uma pena que entretanto já foi cumprida. O que havia a pagar, pago está (por todos nós).
Voltando ao jornalista. Queria alguma informação sobre a atividade do Dr. Oliveira e Costa no BNU, com base no que leu neste blog, no post sobre a presidência do Dr. Oliveira Marques. Dei alguns elementos sobre o BNU ao jornalista, que ficou de me informar do dia da apresentação do seu livro, mas, até agora, nada recebi.
No dia a seguir ao encontro com o jornalista, cruzei-me na rua com um antigo diretor do BNU e contei-lhe o caso. Ele disse-me, então, que o primeiro grande (no prejuízo) negócio do Dr. Oliveira Costa,  foi a contratação da entrada do BNU no financiamento dos hotéis da I.A.T.H. (Indústria Açoreana Turístico Hoteleira) S. A.
O Dr. Oliveira e Costa foi nomeado por Sá Carneiro para vice-presidente do BNU em 16 de Julho de 1980 e saiu no final de 1982.
A I.A.T.H. foi fundada em 1977, promovendo a construção de dois hotéis de luxo na Ilha de S. Miguel, Açores, um à beira mar (Hotel Bahia Palace, atualmente em funcionamento como hotel de 4 estrelas) e outro no miradouro da lagoa das sete cidades (Hotel Monte Palace, antigo 5 estrelas, atualmente entregue aos ratos).
vista da lagoa das sete cidades desde o hotel Monte Palace

Para a construção dos hotéis foram contraídos empréstimos de milhões de contos na Banca Internacional que foram avalizados pelo BNU, por resolução do vice-presidente Dr. Oliveira e Costa. Dada a incapacidade da empresa, o BNU teve de ir pagando os encargos da dívida.
O Dr. Mário Adegas, presidente do BNU desde 1983 a 1987, passou o seu mandato a queixar-se das consequências daquele negócio e a tentar salvar o Banco da situação em que estava metido e que agravava os prejuízos todos os semestres.
O Hotel Monte Palace foi um projeto megalómano, que já foi objeto de várias reportagens, que ressaltam a insensatez do projeto que avançou com o apoio do BNU, que teve de arcar com os prejuízos.
Tinha uma suite presidencial, 4 grandes suites de luxo, 4 quartos duplos com saleta, 27 quartos duplos, 52 suites juniores, 2 restaurantes, um bar americano, uma discoteca, salas de jogos, 3 salas de conferência, um banco, cabeleireiro, tabacaria, boutiques e lojas.
Funcionou de Abril de 1989 até finais de 1990. Ficou fechado e guardado até 2011 e, por falta de pagamento aos guardas, foi então abandonado e atualmente está como documentam as fotos que tirei neste fim da ano.






O Sr. Jorge Anastácio foi encarregado pelo Dr. Mário Adegas de representar o Banco na IATH e todos nos lembramos (eu lembro) de ele andar com o dossier da I.A.T.H. nos corredores do Banco.
Na ata da reunião do Conselho de Gestão do BNU de 28.09.1988, a presidente Drª Manuela Morgado "deu conhecimento ao Conselho de uma informação elaborada pelo representante do BNU junto da IATH, Sr. Jorge Anastácio, datada de 28.9.88, sobre o encerramento das contas dos exercícios de  1984 a 1987 inclusive." O conselho deu acordo a que o Sr. Jorge Anastácio aprovasse as contas nas reuniões a realizar no subsequente fim de semana, com o prejuízo de 6 300 mil contos (31 500 mil euros). Atualizando os valores, esta quantia corresponde a vários milhões de pregos para o caixão que levou o BNU à sepultura.
Reunião da IATH, com o Sr. Jorge Anástacio

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