Neste pequeno extracto de vídeo está o Augusto, durante largos anos porteiro na sede da Rua Augusta e depois do edifício Caracol, onde estava o contencioso do Banco Nacional Ultramarino e vemos também o Francisco, que foi durante muitos anos contínuo no contencioso tanto no Caracol, como depois na 5 de Outubro.
Sempre tive um carinho especial pelo Francisco. Eu chamava-lhe o Xico Fininho (por ser gordo, claro) e ele dizia que quando fosse presidente da República de S. Tomé me havia de chamar para ministro. Algumas vezes pensei que estava a falar a sério, tal a convicção com que o dizia. Contava-me os problemas familiares e ainda agora penso que a sua luta não terá sido fácil. Não sei o que será feito dele, porque desde que se reformou, nunca mais o vi nem tive notícias.
O Augusto soube agora que já faleceu. Foi um homem cheio de iniciativa e estava por dentro dos negócios que se faziam na Baixa. Os contrabandistas da minha terra (raia transcudana) conheciam-no todos, sobretudo os que negociavam com divisas estrangeiras. Em alturas de contenção na exportação de divisas, ele arranjava moeda estrangeira para os elementos do conselho de administração do Banco poderem deslocar-se ao estrangeiro sem os limites legais. A moeda estrangeira, adquirida nos bancos, para as deslocações ao estrangeiro, era registada no respectivo passaporte e não podia ultrapassar um limite pequeno. O Augusto era o socorro de todos os que queriam ultrapassar esse limite. Estava sempre pronto a ajudar os colegas ou amigos. Segundo diziam, ganhou bom dinheiro nesse negócio. O grande escritor da raia transcudana, Manuel Leal Freire, defende no seu livro «CONTRABANDO, DELITO MAS NÃO PECADO», estes homens lutadores pela vida. E eu penso que este contrabando não deve ser considerado grande pecado porque, na altura, todos recorremos a ele e nunca se ouviu dizer que algum destes contrabandistas tivesse sido processado.
Pois o Augusto, depois de o contencioso se ter mudado para a 5 de Outubro, ainda ficou algum tempo na Baixa, mas depois reformou-se e parece que estava bem de dinheiro. Mas talvez não tenha aguentado bem a mudança da reforma e não teve um fim muito feliz.
Não sei se foi ele que arranjou o whisky desta história que me contou um colega.
Num dos departamentos do Banco, os colegas compraram whisky, que na altura se chamava de Sacavém, ou seja de contrabando. Um dos colegas comprou uma garrafa de Martin's 20 anos, por um preço, claro, chorudo. Digo eu que se calhar o produto era o mesmo do das outras marcas, pois o vendedor (=engarrafador?) era o mesmo, mas enfim...
Então os colegas conseguiram, enquanto o comprador do Martin's foi almoçar, tirar com uma agulha e seringa, o whisky e meter-lhe na garrafa, chá em substituição.
Ele levou a garrafa para casa e os colegas todos os dias lhe perguntavam quando é que podiam ir a sua casa provar a pomada, desejosos de o confrontar com o chá que tinha comprado. Mas ele um dia acabou por dizer: olha pá, daquela pomada nenhum de vocês vai provar, porque já ofereci a garrafa ao médico da minha filha.
Choin...
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Contencioso - na 5 de Outubro

Legendas possíveis para esta foto:
1 - Dois ilustres advogados (Dr. Domingos Barradas e Dr. Augusto Trindade) aproveitando as férias judiciais (6 de Agosto de 1991) para pôr a escrita em dia, no 12º andar da sede do BNU, na Av. 5 de Outubro.
2 - Dois advogados (um alentejano e outro transmontano), ambos com a mão esquerda à cintura, discutindo acaloradamente, a melhor forma de encostar à parede um devedor relapso do BNU.
3 - O que é que estarão a ventilar estes dois mânfios?

E a legenda para esta foto?
escolho esta:
Deve ter sido este que tirou a foto aos outros e vice-versa.
A foto do Dr. Trindade e do Dr. Barradas em que este não tira os olhos do processo, enquanto fala, faz-me lembrar um episódio com a Drª Lemos Viana, que Deus tenha.
A Drª não quis reformar-se antes dos 65 anos porque queria, como ela dizia, ver o fundo ao tacho. A direcção porém, na expectativa da reforma, já não lhe atribuía processos novos e ela aproveitava o tempo mais livre para praticar o seu gosto pelas exposições jurídicas e outras com os colegas.
Dizia ela que o seu Pai (ilustre advogado de Castelo Branco) lhe dizia: a menina quando tiver razão refile, mas quando não tiver, refile também.
Nesse aspecto, acho que a Drª nunca deixou ficar mal o seu Pai.
A Drª tinha um carinho especial pelo Dr. Barradas, a quem tratava de Paizinho (porque ele na conversa, usava uma bengala da linguagem, interpondo na conversa, a palavra "filha" - "Ó filha, está bem!") e vinha muitas vezes ao nosso (meu e do Dr. Barradas) gabinete a pôr a escrita em dia.
O Dr. barradas, sempre com uma paciência e compreensão infinita, ía acenando com a cabeça e dizendo que sim que sim, e ia vendo o processo e escrevendo. Até que a Drª lhe diz: Ó paizinho, não esteja para aí a dizer que sim, olhe pra mim, olhe pra mim.
Lá se foi o rendimento do dia do Dr. Barradas.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Biblioteca do BNU

O meu amigo espanhol Angel, grande amigo de Portugal, militante do fim de todas as fronteiras entre Portugal e Espanha, e fotógrafo de alto gabarito (http://www.andaluciaimagen.com/fotografo/a--hernandez) tirou esta foto às antigas instalações da biblioteca do BNU e antigas instalações da agência do Rossio em Lisboa.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Antiga sede do BNU - Museu da Moda e do Design
Aqui vão estas imagens que consegui tirar durante a visita ao Museu da Moda e do Design, bem ilucidativas do estado desgraçado a que chegou o belo interior do edifício.
Espero que após a reabilitação do Museu, os arquitectos responsáveis saibam preservar algumas das belezas que certamente ainda lá estão, como todo o espaço do 1º andar, mural de acesso às casas fortes, etc.
Um grande abraço
Joaquim Matos
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
BNU em Angola
O Banco Nacional Ultramarino foi o grande factor de harmonização do sistema monetário nas colónias portuguesas. Em Angola, houve umas primeiras notas emitidas pelas Fazendas locais até que foi concedido ao BNU o exclusivo da emissão de moeda.
Com a abertura da sucursal de Luanda, em 1865, o BNU pôs em circulação a sua primeira emissão - "emissão tipo Succursal de Loanda". Estas notas eram expressas em "reis".
A partir de Março de 1909, o BNU uniformiza as emissões para as cinco colónias de África, com a efígie de Vasco da Gama, passando as notas a ter os mesmos valores, apenas com a diferença na indicação da província. Chamou-se a esta série " EMISSÃO VASCO DA GAMA".
A partir de 1910 as emissões do BNU são expressas em escudos. Em 1921, a emissão em escudos têm a efigie do fundador do BNU , Francisco Chamiço. É chamada a "emissão chamiço" e o povo chamou a essas notas "os chamiços". Em 1926, a Junta da Moeda, em Angola, passa a emitir os "Angolares", que continuam no papel moeda do Banco de Angola até à Lei Orgânica de 1953, que unifica a moeda e todos os valores passam a ser mencionados em escudos.

C H A M I Ç O


EDIFÍCIO DA SUCURSAL DE LUANDA
O angolano duo Ouro Negro canta a canção "por um chamiço" , referindo-se precisamente a essa nota de escudos do BNU.
Com a abertura da sucursal de Luanda, em 1865, o BNU pôs em circulação a sua primeira emissão - "emissão tipo Succursal de Loanda". Estas notas eram expressas em "reis".
A partir de Março de 1909, o BNU uniformiza as emissões para as cinco colónias de África, com a efígie de Vasco da Gama, passando as notas a ter os mesmos valores, apenas com a diferença na indicação da província. Chamou-se a esta série " EMISSÃO VASCO DA GAMA".
A partir de 1910 as emissões do BNU são expressas em escudos. Em 1921, a emissão em escudos têm a efigie do fundador do BNU , Francisco Chamiço. É chamada a "emissão chamiço" e o povo chamou a essas notas "os chamiços". Em 1926, a Junta da Moeda, em Angola, passa a emitir os "Angolares", que continuam no papel moeda do Banco de Angola até à Lei Orgânica de 1953, que unifica a moeda e todos os valores passam a ser mencionados em escudos.

C H A M I Ç O

EDIFÍCIO DA SUCURSAL DE LUANDAO angolano duo Ouro Negro canta a canção "por um chamiço" , referindo-se precisamente a essa nota de escudos do BNU.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Máquina de escrever
Quando entrei para o BNU (Maio de 1974 - Serviço de Câmbios - Rua Augusta - Sr. Aboim!) entregaram-me uma máquina de escrever que não encravava muito. Depois apareceram as electrónicas e a seguir os computadores, sem alavancas e que deixaram de ter o problema de encravar. Os computadores actualmente até já têm os teclados sem qualquer ligação por fio à máquina que escreve e à impressora. Os teclados mantiveram-se sempre os mesmos. Porquê?
Quando apareceram as primeiras máquinas de escrever, os engenheiros lutavam com uma dificuldade mecânica, pois as batidas rápidas faziam que as pequenas alavancas se encravassem facilmente. Até que em 1868, o inventor americano Christopher Sholes descobriu uma solução. Em vez de colocar umas ao lado das outras, colocou as letras que mais vezes surgem juntas na escrita do dia a dia, o mais longe possível umas das outras. Só assim, vindas de direcções diferentes, é que as alavancas não se encravavam no movimento em direcção ao papel. Sholes patenteou o seu "invento" e a fábrica de armamento Novaiorquina "Remington" passou a utilizá-la, tornando-se rapidamente no maior produtor de máquinas de escrever do mundo e impôs a sequência QWERTY em toda a parte. Na altura ninguém protestou contra a estranha lógica do teclado e quando posteriormente surgiram novas propostas já era demasiado tarde.
Os computadores de hoje já não têm nenhum dos problemas que levam ao QWERTY.
No entanto, o teclado proveniente dos primórdios das máquinas manteve-se e ninguém sabe porquê.
A conclusão é de que quem chega primeiro fica mais tempo no poleiro ou
candeia que vai à frente...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Avô Zé Manuel
O Zé Manuel Castanheira foi avô. Quem diria? Até parece um velhinho.
Sim é que ser avô...
É ser velhinho
É ser ternurento
É ser pai duas vezes
É amar duas vezes
É sorrir duas vezes
É chorar duas vezes
É percorrer outra vez os caminhos da vida.
É amor com seiva nova
É viver o suficiente para vê-los formados e bem casados.
É ser .... Zé Manuel!
Parabéns!
Sim é que ser avô...
É ser velhinho
É ser ternurento
É ser pai duas vezes
É amar duas vezes
É sorrir duas vezes
É chorar duas vezes
É percorrer outra vez os caminhos da vida.
É amor com seiva nova
É viver o suficiente para vê-los formados e bem casados.
É ser .... Zé Manuel!
Parabéns!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Modesta, caracol e Néné


O Manuel Araujo (já nem falo no Leão) tirou estas fotos à Modesta. Não há empregado da sede do BNU que não se lembre. Lá está ainda, resistente ao ermamento da baixa pombalina. Somos assim os portugueses, temos tanto de aventureiros, partindo para os confins da terra, buscando anelantes o palácio encantado da ventura, como somos tradicionalistas, agarrados ao torrão que nos viu nascer e nos foi dando segurança pela vida fora.
E o caracol!!
E a Nené, que contribuiu para adoçar a boca a tantos de nós, muitas vezes fartos das agruras da vida
Lá estão todos ainda! Claro que falta o nosso movimento, o ir e vir, as corridas para apanhar o elevador a tempo de assinar o livro de ponto e evitar a habitual justificação: "atraso no transporte habitual". Uma vez o sr Mósca (Olá sr. Mósca, o que é feito de si?) disse-me para corrigir o papel da justificação porque eu tinha posto "atraso habitual no transporte".
Enfim, vidas...
Datas principais do Banco Nacional Ultramarino
1864 – Fundação do Banco
1865 - Dependências em Luanda (Angola) e na Praia (Cabo Verde).
1868 - Dependências em São Tomé e Príncipe, Goa (Margão) e Moçambique.
1902 - Dependências em Macau e Bolama (Guiné).
1912 - Dependência em Díli ( Timor) e Brasil.
1919 - Representação em Kinshasa e dependência em Paris.
1920 - Representação em Bombaim.
1929 - Subsidiária em Londres, o Anglo-Portuguese Colonial and Overseas Bank, e converte a sua dependência de Paris numa subsidiária, o Banque Franco-Portugaise d’Outre-Mer.
1952 – Fecho das dependências na Índia.
1965 – O BNU entra na criação do Bank of Lisbon and South Africa, hoje Mercantile Lisbon Bank.
1974 – Nacionalização do BNU.
1975 - Moçambique nacionaliza o BNU e muda-lhe o nome para Banco de Moçambique.
1988 - A Caixa Geral de Depósitos torna-se o principal accionista do Banco Nacional Ultramarino S.A. A República Portuguesa é o único outro accionista.
1991 - Dependência em Londres.
1993 - Dependência em Zhuhai, Região Económica Especial da China.
1995 - O governo chinês confirma que o BNU permanecerá como emissor de notas pelo menos até 2010.
1999 - O BNU abre representações em Bombaim e Panjim-Goa, e uma dependência em Díli, Timor-Leste.
2000 - O BNU assina um acordo com a Administração da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, pelo qual o banco se mantém como Agente do Tesouro.
2001 - O BNU e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fundem-se através da incorporação do Banco Nacional Ultramarino na CGD. Com efeito desde 1 de Julho de 2001, a dependência de Macau do Banco Nacional Ultramarino transforma-se num banco incorporado na RAEM, sob o nome de Banco Nacional Ultramarino S.A., mas na condição de subsidiário da Caixa Geral de Depósitos e cujo capital social pertence na sua totalidade à CGD. O Banco Nacional Ultramarino S.A. mantém as suas funções de emissão de moeda e de Agente do Tesouro.
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