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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

NUNO JOSÉ ESPINOSA GOMES DA SILVA

Nasceu na freguesia de S. Mamede em Lisboa, no dia 27.04.1933.
Filho de António Raimundo Gomes da Silva, nascido em 23.01.1893 e de Branca Florinda Groetz Espinosa, nascida a 18.08.1907.
Casou com Maria Fernanda Parreiral Pereira, nascida a 12.03.1935, de quem teve três filhos; José Nuno Pereira Gomes da Silva, Célia Manuela Pereira Gomes da Silva e João Afonso Pereira Gomes da Silva.
A D. Fernanda era filha do proprietário da famosa casa comercial da Rua Augusta, Adão Camiseiros.
Nos seus tempos de menino e moço, o Dr. Espinosa foi jogador de voleibol no Estrela da Amadora.
Licenciado em direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, foi assistente nessa  Faculdade,  do Professor Marcelo Caetano, na  cadeira de História do Direito Português e assistente do Professor Raul Ventura na cadeira de Direito Romano.
Doutorou-se e foi durante muitos anos professor titular da cadeira de História do Direito Português.
Foi chefe de gabinete do Professor Marcelo Caetano, então ministro da Presidência do governo de Salazar.
Foi nomeado vice-governador do BNU, por parte do Estado em Agosto de 1973, sendo Marcelo Caetano 1º ministro, sucedendo ao Dr. António Júlio de Castro Fernandes.
A 27 de Maio de 1974, foi exonerado do cargo do cargo de vice-governador assim como todos os administradores por parte do estado, nomeadamente o governador Dr.  João Dias Rosas.
Em 5 de Junho de 1974, foi nomeado governador do BNU pelo governo do Primeiro Ministro, Adelino da Palma Carlos.
Em 13.09.74, sendo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, pelo dec.-lei 451/74, foi nacionalizado o Banco Nacional Ultramarino, que já era maioritariamente estatal desde a intervenção de 1931 do Estado no seu saneamento. Este decreto-lei declarou que a nacionalização tinha efeitos  a partir de 15.09.1974, extinguiu o conselho geral e o cargo de comissário do governo, instituiu o Conselho de Administração, formado por um governador com atribuições de presidência, por um vice-governador e por cindo administradores. Nos dois primeiros cargos mantiveram-se os Dr.s Espinosa e Oliveira Marques.
No mandato de Governador do Dr. Espinosa, foi assinado entre o BNU e o Estado novo contrato para emissão de moeda no ultramar português.
Em 31 de Julho de 1975, sendo primeiro-ministro o Almirante Pinheiro de Azevedo, pouco satisfeito com as intromissões políticas na administração do BNU, o Dr. Espinosa renunciou ao cargo e saiu do BNU.
Além de professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, titular da cadeira de História do Direito Português, foi ainda consultor do Banco de Portugal e professor da Universidade Católica.

 
assinatura do Prof. Nuno Espinosa
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

JOÃO DIAS ROSAS


João Augusto Dias Rosas nasceu na figueira da Foz a 17 de Fevereiro de 1921.
Licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa. Advogado. É tio de Fernando Rosas, historiador e dirigente do Bloco de Esquerda .
Foi Deputado à Assembleia Nacional entre 1957 e 1961.
Entre 1950 e 1959 foi presidente da Comissão Reguladora do Comércio de Algodão em Rama e entre 1954 e 1959 membro da Comissão de Coordenação Económica, acumulando com os cargos de membro da Junta de Exportação do Algodão, do Conselho Superior da Indústria (1954) e membro do Conselho Administrativo do Fundo de Fomento de Exportação (1955);
Entre 1959 e 1961 foi  Subsecretário de Estado do Comércio;
Em 1962, foi nomeado comissário do Governo junto do Banco Nacional Ultramarino e Inspetor Superior do Ministério do Ultramar, em comissão de serviço fora do quadro;
Em 1966 sobe a Vice-governador do Banco de Portugal;
Em 1968 é nomeado Ministro das Finanças, no último governo de Salazar sendo reconduzido por Marcelo Caetano até 1969, data em que passa a Ministro das Finanças e da Economia, cargo em que mantém até 1972.
Sucede como governador do BNU a Francisco Vieira Machado, exonerado em 9.02.1972, cargo que ocupa até 1974.
Foi exonerado pela Junta de Salvação Nacional, no dia 27 de Maio de 1974.
A revolução do 25 de Abril, provoca a sua partida para o Brasil, onde permaneceu alguns anos. Após o regresso, foi reintegrado como Inspetor Superior do Banco Nacional Ultramarino, lugar em que se reformou.
Assinatura de Dias Rosas
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

FRANCISCO VIEIRA MACHADO


Francisco José Vieira Machado nasceu em Lisboa no dia 08 de Fevereiro de 1898 e licenciou-se em direito em 1919.
Filho do general Francisco José Machado, natural de Lagos e de Isabel Maria Vieira, natural de Ribeira de Palheiros, Lourinhã e sobrinho do General Joaquim José Machado (governador Geral de Moçambique). Casou com Maria do Carmo Contreiras de quem teve uma única filha, Maria do Carmo do Perpétuo Socorro Filomena Contreiras Machado, nascida em 19.12.1929 e falecida em 06.08.2009 e que casou com Francisco António Manuel Pedroso Belard Lebre de Vasconcelos Melo, do qual não teve qualquer filho.
Francisco Vieira Machado teve várias escolas com o seu nome, em vários sítios do império colonial português como o Colégio-liceu Dr. Vieira Machado em Dili – Timor, a escola de Regentes Agrícolas Francisco Vieira Machado, no Tchivinguiro, Huíla.
Em Macau há uma Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado.
O facto de ser sobrinho do General Joaquim José Machado não deve ter sido alheio ao seu ingresso nos quadros do Banco Nacional Ultramarino em 1926, com 28 anos, como vice governador, cargo que mantém até 1929. Com a morte do Presidente do Conselho Administrativo do BNU, Eng. António dos Santos Viegas, em 1-03-1949, é escolhido para Presidente o Dr. Vieira Machado. Após o fim da intervenção do Estado no BNU, este regressa à sua atividade normal, realizando-se, nesse âmbito, a primeira assembleia geral em 11.05.1951, que momeia o Dr. Vieira Machado, Governador do BNU, cargo que mantem até 9.02.1972, data em que é exonerado a seu pedido.
 
Segundo consta, o Francisco Chamiço também tinha relações familiares com o General Joaquim José Machado (1847-1925), que é, além de tio do Dr. Vieira Machado, bisavô do escritor Lobo Antunes. Este general, maçónico, foi governador da Índia portuguesa e Governador-Geral de Moçambique, onde fez obra reconhecida por muitos portugueses e até pela África do Sul que, em sua memória deu o seu nome a uma localidade sul-africana (Machadorp).
É considerado um dos nomes mais emblemáticos da presença portuguesa em Moçambique.
Foi governador da Índia e Governador-Geral de Moçambique por três vezes: 1889-1891, 1900, 1914-1915. Chegou a Moçambique em 7 de Março de 1877. Organizou e instalou os Serviços de Obras Públicas. Foi a Joaquim José Machado e aos serviços que chefiou que se ficaram a dever algumas das obras mais espetaculares que ainda hoje se observam em Moçambique. As primeiras das quais serão os Caminhos de Ferro e o traçado da cidade de Lourenço Marques. Foi Joaquim José Machado quem elaborou o projeto de ligação ferroviária entre Lourenço Marques e Pretória e quem dirigiu a sua construção.
O Gen. Joaquim José Machado é pai de Álvaro Cardoso de Melo Machado, fundador do escotismo em Portugal e chefe do governo de Moçambique, quando o seu pai era governador da província, entre Abril de 1914 e Maio de 1915.
O Álvaro Cardoso de Melo Machado foi governador interino de Macau (onde tem uma rua com o seu nome) entre 17 de Dezembro de 1910 (com apenas 27 anos) até 14 de Julho de 1912. Foi também administrador-delegado, por parte do Estado, do caminho de ferro de Benguela.
Ligações a familiares de banqueiros, temos a do escritor António Lobo Antunes (bisneto do general Joaquim José Machado) que foi casado com Maria João Espírito Santo Bustorff Silva, bisneta do fundador do Banco Espírito Santos e ministra da cultura em 2004 no Governo de Santana Lopes.
 
Francisco Vieira Machado foi diretor do Anglo Portuguese, Colonial and Overseas Bank, Ltd. e do Banque Franco-Portugais d’Outremer (1930-1965) e Presidente da Direcção do Banco Ultramarino Brasileiro do Rio de Janeiro (1954-1961), todos bancos pertencentes ao BNU.
Foi Subsecretário de Estado das Colónias (1934-01-20 a 1935-02-16); Vogal do Conselho do Império Colonial Português (1932-1934); Presidente do Conselho do Império Colonial Português (1934-1944); Ministro das Colónias (1936-01-18 a 1944-09-06); Vogal do Conselho Superior do Ultramar; Vogal da Comissão Central da União Nacional (1956); Procurador à Câmara Corporativa (IV a X Legislaturas).
Faleceu em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1973.
 (Ver mais dados bibliográficos do Dr. Vieira Machado)
Assinatura de F. Vieira Machado

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

MANUEL CARLOS DE FREITAS ALZINA

Manuel Carlos de Freitas Alzina, nasceu em Lisboa em 1855.
Filho de Germano da Cruz Alzina e de Carolina Amélia de Freitas, casou com Maria Luísa de Oliveira de Sommer , filha de Henrich Franz Ludwig Freiherr von Sommer e de Rita Marcolina Fontes Garcêz de Oliveira.
 
Ana de Araújo de Sommer, filha deste Henrich Sommer, casou com Carlos Montez Champalimaud, de quem teve 4 filhos, um dos quais o banqueiro António de Sommer de Champalimaud, que casou com Maria Cristina da Silva José de Mello, filha do banqueiro Manuel Augusto José de Mello, por sua vez casado com uma filha (Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva) do fundador da CUF, Alfredo da Silva.
Carlos Montez Champalimaud, natural de Godim, Peso da Régua era filho de António Araujo Cabral Montez Champalimaud, natural de Cidadelhe, Pinhel e bisneto de Paul Joseph Champalimaud, Seigner de Nussane, natural de Limoges, França, que casou com uma portuguesa (Clara Maria de Sousa Lira e Castro, de S. Miguel de Fontoura, Valença do Minho) e veio residir para S. Miguel de Fontoura, Valença do Minho, onde faleceu em 1799.  

O "nosso" Manuel Alzina teve dois filhos:
Carolina de Sommer Alzina que casou com Artur de Menezes Correia de Sá, 2º visconde de Merceana, que foi vice-governador do BNU, em 1928-1929 e em 1957-1966 e um dos maiores acionistas do BNU.
e
Carlos Alberto de Sommer Alzina que casou com Janet Norton, de quem teve quatro filhos. Um deles, Maria Carolina Norton de Sommer Alzina (portanto prima direita do Champalimaud), casou com Fernando Eduardo Espírito Santo Silva Moniz Galvão, neto de José Maria do Espírito Santo Silva, fundador do Banco Espírito Santo.
Maria do Carmo Alzina Moniz Galvão, filha única da Maria Carolina e do Fernando Galvão(maior acionista individual do BES) casou com Manuel Ricardo Pinheiro do Espírito Santo Silva, bisneto do fundador do Banco Espírito Santo.
Maria do Carmo Moniz Galvão, em 2009, chegou ao quarto lugar no ranking das fortunas portuguesas, com 16% do BES e 100% da Santocar.
 
O “nosso” Manuel Alzina foi, juntamente com Alfredo da Silva, administrador da “Companhia Alliança Fabril”, que teve créditos malparados no Banco Lusitano. A empresa acabou por fundir-se com a Companhia União Fabril, que, sob a direção de Alfredo da Silva, se expandiu e tornou um grande potentado.
Em 1903, Manuel Alzina foi nomeado vice-governador do BNU e, após a morte do Governador Luís Diogo da Silva, em 26-11-1917, o conselho fiscal do BNU, nos termos dos estatutos, escolheu o vice-governador mais antigo, Manuel Carlos de Freitas Alzina, para interinamente ocupar o cargo até nova reunião da Assembleia-geral do Banco.
A reunião teve lugar em 15-02-1918, aonde foi substituído a seu pedido, pelo vice-governador João Ulrich.
O Manuel Alzina continuou com vice-governador do BNU e aparece como tal a presidir a uma Assembleia Geral do BNU em 12 de Agosto de 1929.
assinatura de Manuel Alzina
 
 
Com os agradecimentos ao
Sr. Dr. Rui Miguel Costa - Arquivo Histórico da CGD,
pelos dados relativos ao BNU 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

LUÍS DIOGO DA SILVA

Nasceu em 1831 em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco.

Filho de António José e de Maria das Dores da Silva. Casou em 1865 com Maria da Nazaré Cardoso e Silva e teve duas filhas, Laura Cardoso Diogo da Silva, que casou com Artur Porto de Melo e Faro, 1º conde de Monte Real e Palmira Diogo da Silva que casou com Henrique de Araújo Sommer, irmão de Ana de Araujo Sommer, mãe do banqueiro António Sommer de Champalimaud e ligada aos Alzinas

Veio para Lisboa aos 12 anos. Ocupou importantes cargos na vida social e política portuguesa. Tesoureiro da Comissão portuguesa da Exposição Universal de Paris, Director da Companhia dos Ascensores Mecânicos, Presidente da Assembleia Geral da Empresa Tauromáquica Lisbonense, Director da Associação Comercial de Lisboa, Presidente da Junta dos Repartidores, Presidente da Assembleia Geral da Companhia de Seguros Fidelidade e da Companhia do Congo Português, Vice-Presidente da Assembleia Geral da Sociedade de Agricultura Colonial e da Companhia das Minas de Ouro de Manica, Director da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas e da Companhia da Zambézia, Vogal do Conselho Fiscal da Companhia Agrícola do Cazengo e da Companhia de Seguros Bonança, Tesoureiro da Sociedade de Geografia e Provedor do Asilo de Mendicidade.

Em 1891 foi nomeado vice-governador do Banco Nacional Ultramarino, cargo que exerceu até 15.02.1911, data em que a Assembleia Geral do Banco o elegeu Governador, cargo que manteve até à sua morte, ocorrida em 26.11.1917.

Pela sua isenção e prestígio social, a sua nomeação para governador foi bem aceite pelo Governo Provisório, nascido da Revolução Republicana, de 5 de Outubro de 1910, e que se manteve em funções até 4 de Setembro de 1911.
Assinatura de Luis Diogo da Silva

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JOÃO HENRIQUE ULRICH


Ulrich, Governador do BNU, com 38 anos 
Nasceu na freguesia de São José, em Lisboa no dia 2 de Março de 1880 e faleceu na freguesia de Santos o Velho, em Lisboa no dia 13 de Julho de 1956.
Era filho de João Henrique Ulrich Jr. e de Maria Cristina d’Orta Ennes. Casou no dia 15.10.1902 com Maria da Conceição do Patrocínio do Casal-Ribeiro, de quem teve cinco filhos.
É descendente de Hans Heinrich Ulrich, de Hamburgo, Alemanha, que, no século XVIII, se fixou em Lisboa, aqui exercendo actividades ligadas à banca. Dele foi sucessor João Henrique Ulrich, que lhe continuou a profissão e que teve um filho que transmitiu o seu apelido à descendência, usando sempre os membros da linha primogénita varonil os nomes próprios acoplados João Henrique. Tiveram o foro de fidalgos-cavaleiros da Casa Real e, nos derradeiros anos da monarquia, o de moços-fidalgos com exercício no Paço.
É tio do banqueiro Fernando Ulrich, atual presidente do BPI.
Ulrich no fim do mandato,
51 anos
Licenciado em direito e advogado, entrou ainda jovem para a direção do BNU e, após a morte do governador Luís Diogo da Silva, foi, na Assembleia Geral de 15.02.1918, escolhido para Governador do Banco.
Em 1930 teve de enfrentar a mais grave crise do BNU, sendo acusado de má gestão por empréstimos vultuosos concedidos a empresas com dificuldades com relações pessoais com gestores do Banco.
João Ulrich bem como o vice-governador, José da Cunha Rola Pereira e Francisco Pinto Fernandes, administrador, acabam por colocar os seus lugares à disposição e o ministro das Finanças, A. Oliveira Salazar, intervém e, por decreto nº 19.335 de 10.02.1931, torna o governo acionista do Banco e entrega a sua administração a pessoas de sua inteira confiança,  com a presidência do Eng. António dos Santos Viegas.

  
Assinatura de João H. Ulrich como governador do BNU

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ANTÓNIO TEIXEIRA DE SOUSA


Nasceu  no dia 5 de Maio de 1857 na freguesia de Celeirós do Douro, concelho de Sabrosa.
Em 1874 entrou no liceu de Vila Real e em 1878 entrou na escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1883, com uma dissertação sobre Enervação do Coração. Recebeu o prémio Macedo Pinto criado para distinguir o médico considerado mais distinto formado naquela escola.
Foi médico municipal de Valpaços, diretor técnico das termas das Pedras Salgadas e cirurgião ajudante do exército. Exerceu clínica termal nas Pedras Salgadas e em Vidago, tendo publicado algumas obras sobre termalismo.
Foi acionista da Empresa das águas de Vidago e eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Vila Real, pelo concelho de Alijó.
Em 1889 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador, tendo fixado residência em Lisboa.
Em 1891 é nomeado Inspetor da Companhia de Tabacos de Portugal, cargo que exerce até 1900.
Nos governos de Hintze Ribeiro, exerce os cargos de Ministro da Marinha e Ultramar, de 25 de Junho de 1900 a 28 de Fevereiro de 1903, de Ministro dos Negócios da Fazenda, de 28.02.1903 a 20.10.1904 e novamente Ministro dos Negócios da Fazenda de 21 de Março a 19 de Maio de 1906.
De Maio a Outubro de 1904 exerce o cargo de Administrador Geral das Alfândegas, acumulando com o de Ministro dos Negócios da Fazenda.
Considerado defensor dos interesses do Banco Nacional Ultramarino, em Fevereiro de 1909 é eleito seu Governador.
Em 23 de Dezembro de 1909 é eleito presidente do Partido Regenerador e é convidado pelo Rei D. Manuel II para formar governo.
A sua nomeação como chefe do governo - Primeiro Ministro (último da monarquia), é feita em Junho de 1910 e, nessa data, apresenta a renúncia ao cargo de Governador do Banco Nacional Ultramarino.
O novo governador só é escolhido pelos acionistas em 15 de Fevereiro de 1911.
No dia 5 de Outubro de 1910 é deposto pela revolução republicana.
Faleceu no Porto em 5 de Junho de 1917.

Assinatura de A. Teixeira de Sousa enquanto governador do BNU

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

EDUARDO PINTO DA SILVA E CUNHA


Natural de Mesão Frio, onde nasceu em 12 de Novembro de 1832, era filho de João Félix Pinto da Fonseca e de Maria Amália da Silva e Cunha Leite Pereira, de ascendência Nobre.
Licenciou-se em Coimbra em Matemática e Física em 1855.
No dia 23 de Novembro de 1863, casou com Guilhermina Augusta de Sousa Couceiro, de quem teve um filho, José Eduardo Pinto Couceiro da Cunha que é o bisavô de Maria José Pinto da Cunha Avilez, casada com Jaime Alexandre Nogueira Pinto e de Maria João Rita Filomena Pinto da Cunha de Avilez, casada com Francisco Xavier Belo Van Zeller.

Eduardo de Mascarenhas Valdez Pinto da Cunha, filho do José Eduardo Pinto Couceiro da Cunha, casou com Teresa Josefa de Melo Breyner, irmã de Maria Amélia de Melo Breyner, avó do escritor e jornalista Miguel Andresen de Sousa Tavares, que casou com Mariana do Espírito Santo Bustorff Silva, bisneta do fundador do BES. A mãe do Miguel Sousa Tavares, a poetisa Sophia de Melo Breyner Andresen, é neta de Tomás de Melo Breyner, 4º Conde de Mafra e bisneta do dinamarquês Jan Hinrich Andresen.
 
Eduardo da Silva e Cunha fez parte do conselho de sua majestade e foi Secretário da Mesa da Assembleia Geral e Vogal do Concelho Fiscal do Banco Nacional Ultramarino.
Era considerado bem posicionado nos meios bancários e sociais, tendo sido deputado em várias legislaturas. Em 1894, na sequência da renúncia ao cargo do Conde de Ottolini, foi escolhido para Governador do BNU.
Na Assembleia Geral de 15 de Fevereiro de 1909, com 77 anos de idade, a seu pedido, foi substituído no cargo de Governador por António Teixeira de Sousa.

Assinaturas de Eduardo Pinto da Silva e Cunha como Governador do BNU
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

CONDE DE OTTOLINI


MANUEL SARMENTO OTTOLINI
- 2º GOVERNADOR DO BNU
Nasceu em Lisboa no dia 9 de Janeiro de 1840, filho de José Cupertino de Aguiar Ottolini e de Augusta Cesária Ferreira Sarmento. Casou no dia 3 de Março de 1862 com Maria Elisa Ulmann da Veiga, de família rica, de quem teve quatro filhos, José da Veiga Ottolini (2º Conde de Ottolini), Manuel de Veiga Ottolini (12.12.1868 – 29.12.1917, tesoureiro do Banco Nacional Ultramarino), Maria de Lourdes da Veiga Ottolini e Luis da Veiga Ottolini.
Faleceu em Lisboa, na freguesia de Benfica, no dia 11 de Maio de 1898.
Tirou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, cidade onde esteve alojado com o irmão, Francisco de Paula Sarmento Ottolini, na Rua da Esperança, nº 2.
A sua Mãe, Augusta Cesária, era filha de Manuel José Sarmento, fidalgo da Casa Real, do conselho de el-rei D. João VI, alcaide-mor de Alcácer do Sal, conselheiro honorário do Ultramar.  
O seu Pai, José Cupertino, nascido em 18 de Setembro de 1798 e falecido em 4 de Março de 1869, foi procurador geral da Coroa, Conselheiro de estado Efetivo, comendador das ordens da Conceição e de Cristo e juiz da Relação de Lisboa.
Dois dias depois da morte do Pai, ou seja, no dia 6 de Março de 1869, por decreto real, foi atribuído ao filho varão mais velho, Manuel Sarmento Ottolini, o titulo de visconde de Ottolini “pelos relevantes e assinalados serviços prestados por mais de vinte anos, por seu pai…”
O Visconde (vice-conde) é um título nobiliárquico superior ao de Barão e inferior ao de Conde, que, pelos vistos, podia ser atribuído pelo rei por serviços prestados pelo pai do agraciado.
Já com o título de visconde, Manuel Sarmento Ottolini, fez parte do conselho fiscal do BNU de 1879 a 1881, tendo, neste ano, sido nomeado vice governador do Banco.
Com a morte do 1º Governador do Banco, Francisco Chamiço, em 21.03.1888, passa o nosso Visconde a exercer o cargo de Governador.
Em 8 de Maio de 1890, o Rei D. Carlos assina do decreto de criação do título de Conde de Ottolini a favor de Manuel Sarmento Ottolini.
O nosso Conde de Ottolini, Governador do BNU, preside à Câmara Municipal de Lisboa de 1891 a 1893.
Em 1893, o Conde de Ottolini adoece e no princípio de 1894, por motivo da sua prolongada doença, renuncia ao cargo de governador do Banco e deixa igualmente a presidência da Câmara Municipal de Lisboa.
Morre, com 58 anos, em 1898.  

  Assinaturas do Governador
primeiro como visconde e depois como conde


OUTROS CARGOS E TÍTULOS

Além da atividade que exerceu no BNU e na Câmara de Lisboa, a que já nos referimos, foi também membro substituto do Conselho de Administração da Caixa Geral do Crédito Predial, sócio da Sociedade de Geografia. E além do título de Conde, foi-lhe também atribuída a Grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de cavaleiro de Leopoldo II da Bélgica.
LIGAÇÃO AO ULTRAMAR

Tal como Francisco Chamiço, o Conde de Ottolini está ligado à expansão ultramarina portuguesa do século XIX, não só como membro da Sociedade de Geografia, que tinha como objetivo principal essa expansão, como pelas ligações familiares, já que o avô materno do Conde, Manuel José Sarmento, tinha sido conselheiro do emigrante brasileiro D. João VI e conselheiro honorário do Ultramar.
Foi no Governo do Conde de Ottolino que o BNU teve de enfrentar o problema do ultimato inglês, instigado pelo colonialista inglês Cecil Rhodes, que foi o proclamador da, ainda agora considerada por muitos ingleses e anglófonos, ideia da sua superioridade: “I contend that the British race is the finest which history has yet produced”.   


Rhodes fez grande campanha em Inglaterra contra Portugal e contra o mapa cor de rosa que Portugal tinha apresentado na Conferência Internacional de Berlim, na qual os países europeus aceitaram as terras confinadas por esse mapa, que unia Angola a Moçambique, como sendo colónia portuguesa. Rodes conseguiu que a Inglaterra fizesse um ultimato a Portugal para obrigar a abandonar o interior desses territórios e, na sequência da cedência portuguesa, as terras onde se movimentava e tinha interesses Rhodes (Rodésia), situadas entre Angola e Moçambique, ficaram na soberania dos ingleses.

LARGO CONDE DE OTTOLINI
Em Lisboa há um largo com o nome do nosso Conde. Fica na freguesia de São Domingos de Benfica, entre a estrada de Benfica e a linha do combóio de Sintra (Rua Conde de Almoster).
Anteriormente este largo era a Praceta entre as Ruas B e C à Estrada de Benfica.
Por edital municipal de 24 de Julho de 1957, passou a Praceta entre as Ruas B e C à Estrada de Benfica a denominar-se Largo Conde de Ottolini.
Penso que esta homenagem municipal ao Conde de Ottolini se deverá ao facto de ter presidido aos destinos da Câmara e não pelas suas ligações ao BNU, já que houve outros homens (mais) importantes/influentes nos destinos do BNU (por exemplo o seu fundador Chamiço) que não têm o nome ligado a qualquer referência toponimica.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

FRANCISCO de OLIVEIRA CHAMIÇO

FRANCISCO DE OLIVEIRA CHAMIÇO, nasceu no Porto em 1820.
Filho de Fortunato de Oliveira Chamiço e de Cândida Martins Pacheco.
Neto paterno de Brás de Oliveira Chamiço, capitão-de-mar-e-guerra, de ascendência alemã e Ana Luisa Chamiço e materno de António José Soares Pacheco e Custódia Claudina Pacheco, de ascendência britânica.
Aos 10 anos vai para Inglaterra estudar, aproveitando o facto de ter ali laços familiares.
Em 1940 regressou ao Porto e integrou-se na firma paterna “Chamisso & Companhia”.
Casou com Claudina Freitas Guimarães, irmã de Ana Freitas Guimarães que casou com Fortunato de Oliveira Chamiço Júnior, irmão do Francisco.
O casal Fortunato Chamiço Júnior e Ana Freitas Guimarães teve uma filha; Amélia, que casou com Frederico Biester, irmão de Rosa Biester Mendes Leal, esposa de José da Silva Mendes Leal, ministro da Marinha e do Ultramar.
Francisco Chamiço faleceu em Lisboa no dia 21 de Março de 1888, com 68 anos.
Para compreendermos melhor o percurso de vida deste “negociante” como é intitulado na escritura de compra do prédio da Rua Augusta, temos de ter em conta determinados factos da história de Portugal e de toda a envolvente da vida do fundador do BNU
Sabemos que recusou o cargo de Ministro da Fazenda e, pelo que sabemos dos anos que esteve como deputado, tinha formação de ciência económico-financeira, pois as suas intervenções de 14-02-1855 a 7.06.1862 foram as seguintes:
-Cunhagem de moeda – 3 intervenções.
-Empréstimo público para construção de estradas
- Orçamento do estado – 9 intervenções
-Acordo com credores estrangeiros e empréstimo para obras públicas – 8 intervenções
-Livre importação de cereais – 3 intervenções;
- Codificação do crédito predial
-Empréstimo para obras públicas – 2 intervenções
-Reforma das pautas – 2 intervenções
-Troca de moedas
Assinatura de F. Chamiço

VIDA FAMILIAR

Já vimos que esteve ligado por laços de família ao ministro José da Silva Mendes Leal. Este escritor, jornalista, político português, foi grão-mestre da maçonaria, relacionado com as personalidades mais influentes do nosso país. Foi várias vezes eleito deputado. Em 21.02.1862, sendo deputado pelo Partido Histórico, foi nomeado Ministro da Marinha e do Ultramar, cargo que manteria até 12 de Dezembro de 1864.
Francisco Chamiço, igualmente maçónico e deputado pelo partido Histórico, conseguiu que, em poucos dias, o ministro seu familiar, correligionário político e maçónico, lhe aprovasse a fundação do Banco Nacional Ultramarino, com o encargo de gerir a política financeira e monetária das colónias e com regalias que provocaram críticas generalizadas da imprensa e de muitos setores de opinião, sobretudo por ter sido criado por proposta do governo, sem ter havido qualquer concurso público.
O Ministro da Marinha e Ultramar expõe pessoalmente o projeto do Banco à Câmara de Deputados do Reino em 7 de Abril de 1864 e logo em 10 de Maio seguinte é aprovado o decreto que autoriza o novo banco.
Seis dias depois, 16 de Maio de 1864, o rei, D, Luís, assina a Carta de Lei que ratifica o decreto, nascendo assim, oficialmente, o Banco Nacional Ultramarino.
Os privilégios importantes que beneficiaria por um período de 15 anos, renováveis, eram:
  • O exclusivo de fundação e administração de instituições bancárias em todas as províncias ultramarinas, à exceção de Macau;
  • Subvenção estatal de 30 contos anuais;
  • Isenção de todas as contribuições e impostos;
  • Possibilidade de efetuar nas colónias todas as operações próprias de um banco de circulação assim como de crédito agrícola
Não é sem razão que os primeiros acionistas do BNU fazem a seguinte declaração:
em atenção aos serviços prestados à fundação do BNU, à obtenção dos privilégios, vantagens e isenções alcançadas por Francisco de Oliveira Chamiço, será ele considerado fundador deste estabelecimento e nessa qualidade, será durante a sua vida, membro nato do Conselho de Administração

NEGÓCIOS DA FAMÍLIA

De igual influência familiar e política se serviu para salvar o projeto do palácio de cristal no Porto de que foi um dos fundadores e principal dinamizador.
Em Julho 1861 Alfredo Allen, Francisco de Oliveira Chamiço e Francisco Pinto Bessa promoveram a fundação da Sociedade do Palácio Agrícola, Industrial e Artístico, depois denominada do Palácio de Cristal Portuense S.A.R.L., com o objetivo de construir um palácio destinado a exposições agrícolas, industriais e artísticas.
De início parecia que tudo se encaminhava bem mas, contra o esperado, a recusa da colónia portuguesa no Brasil em participar no capital da sociedade, trouxe dificuldades que pareciam inultrapassáveis, até que Francisco de Oliveira Chamiço, sendo deputado e sendo ministro o seu familiar Mendes Leal, em Julho de 1862, conseguiu um lei que isentava a sociedade de impostos e concedia importação livre de direitos de todos os materiais destinados à construção do Palácio.
Com esta ajuda e com a de outros beneméritos que ofereceram os seus haveres pessoais, como foi o caso do Dr. António Ferreira Braga, lá se concluiu o Palácio de Cristal do Porto, que, segundo parece, nunca teve uma exploração sem desequilíbrios financeiros e não permitiu reembolsar os seus credores, falecendo o referido Dr. Braga, distinto professor da escola médico-cirúrgica, em 1870, em penosa pobreza.

OUTROS FAMILIARES

Segundo consta, o Francisco Chamiço tinha relações familiares com o General Joaquim José Machado (1847-1925), bisavô do escritor Lobo Antunes. Este general, maçónico, foi governador da Índia portuguesa e Governador-Geral de Moçambique, onde fez obra reconhecida por muitos portugueses e até pela África do Sul que, em sua memória deu o seu nome a uma localidade sul-africana (Machadorp). Talvez o Francisco Chamiço tenha tido aqui alguma influência para puxar pelo familiar no sentido do Ultramar.

A ÉPOCA

Francisco Chamiço nasceu antes da independência do Brasil, que se deu em 1822.
Depois da independência do Brasil, muitos portugueses que enriqueceram com o comércio brasileiro, ficaram sem apoio seguro do comércio colonial, embora a independência daquele vasto território não trouxesse de imediato o corte radical com os negócios que ali mantinham os portugueses.
Na independência do Brasil não houve, como recentemente com Angola e Moçambique, uma ponte aérea para repatriamento dos nossos compatriotas. Mas as vantagens do regime colonial foram desaparecendo e os portugueses começaram a olhar para África, como nova oportunidade para o seu comércio.
As possessões portuguesas em África eram o arquipélago de Cabo Verde e o de S. Tomé e Príncipe. Na Guiné, a presença portuguesa reduzia-se a Bissau (não chegava a cem casas, a maioria palhotas), Cacheu e alguns entrepostos. Em Angola, o controle português restringia-se, no litoral, às áreas entre a foz do Rio Lifune e a boca do Cuanza e entre o Rio Quiteve e a cidade de Benguela e, a norte do Rio Zaire, o entreposto de Cabinda. Para o interior, o limite não estava determinado: avançava e recuava, conforme as circunstâncias, mas nunca iam além de 300 quilómetros. No índico, a ilha de Moçambique, Sofala, Quelimane, Inhambane, Lourenço Marques e mais algumas feitorias da costa, tinham de haver-se com sultões e xeques aguerridos.
Os únicos portugueses que possuíam algum conhecimento dos sertões angolanos, como eram chamadas as terras localizadas no interior, eram os pombeiros. Estes homens eram, em grande parte das vezes, degredados que eram deixados pelos navios portugueses nas terras africanas. Estabeleciam-se no local, faziam contatos com as populações locais e até casavam.
Este é o caso do pombeiro Silva Porto, que se encontrava nos sertões angolanos há cerca de quarenta anos, quando na década de oitenta começaram a ocorrer com frequência as expedições portuguesas.
Essa realidade impôs-se a Francisco Chamiço, que era um homem de agarrar as oportunidades que se lhe ofereciam.
A firma do Pai tinha relações com Inglaterra e o Francisco Chamiço tinha consciência de que para manter uma atividade próspera se tornava indispensável a exportação.
Em 1853, com 33 anos, foi dos fundadores da Companhia de Seguros Garantia, praticando seguros marítimos e terrestres e que rapidamente se expandiu pelo estrangeiro: Brasil, Inglaterra, Espanha.
Antes de se lançar na fundação e direção do Banco, havia feito nome nos vinhos do Porto, fundando a firma, juntamente com o irmão Fortunato e Carlos Silva, F. Chamiço Filho & Silva.
Também foi proprietário de minas de estanho da Mostardeira (Alentejo) e de Trás-os-Montes, que vieram a ser financiadas pelo BNU.
O ULTRAMAR

Vê-se que o Francisco Chamiço abraçou a fundação e gerência do Banco Nacional Ultramarino com toda a convicção. Falhado o Brasil como saída fácil da nossa produção, tínhamos de nos virar para África. Como ele dizia, “os consumidores existiam já na África: eram os indígenas e apenas se tornava necessário estabelecer relações com o interior, abrindo vias de comunicação”.
Adquirido o direito de operar como banco em exclusividade nas colónias portuguesas, havia que expandir e desenvolver esses territórios.
Perseguindo essa ideia, Francisco Chamiço foi dos fundadores e principais promotores da Sociedade de Geografia de Lisboa com a finalidade, entre outras de natureza cultural, da expansão ao máximo dos territórios portugueses em África. Foi através da Sociedade de Geografia, fundada em 31 de Dezembro de 1875, que foram efetuadas as viagens dos grandes exploradores/ocupadores de territórios africanos, como Joaquim José Machado, Paiva Couceiro, Serpa Pinto, Hemenegildo Capelo e Roberto Ivens. A expedição destes, desde Angola até Moçambique, deram origem ao mapa cor-de-rosa, que delimitava como portugueses os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique e que deu origem, já depois da morte de Francisco Chamiço, ao ultimato Inglês de 1989. O africanista Paiva Couceiro, com origem inglesa, perante o ultimato, renegou toda e qualquer ligação a Inglaterra. Não sabemos o que teria feito o nosso Chamiço se ainda fosse vivo, mas satisfeito não ficaria porque este mapa estava dentro de todas as aspirações da sua vida.

GRANDEZAS E FRAQUESAS DE FRANCISCO CHAMIÇO

Francisco de Oliveira Chamiço é uma personalidade de referência dos século XIX português e, na sua vida, assim foi considerado.
Em 1852, é nomeado pelo Ministro Rodrigo da Fonseca Magalhães, para a comissão de inquérito da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro
Em 1876 a rainha D. Maria Pia, por ocasião das inundações de inverno, organizou uma comissão para angariar donativos, da qual faziam parte as personalidades mais importantes da sociedade portuguesa, como o cardeal patriarca, e que incluiu o nosso Francisco de Oliveira Chamiço.
Fez parte da Administração da Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses.
Preside ao comité executivo da exposição colonial portuguesa na exposição universal de Antuérpia, de 1885.
Está na fundação da Sociedade de Arboricultura e Floricultura em Lourenço Marques em 1985, juntamente com os maçónicos J.M. de Mesquita Pimentel e general Joaquim José Machado, sociedade que, entre 1885 e 1887 criou, em Lourenço marques, o primeiro jardim botânico de toda a África.
Apoiou o Mesquita Pimentel na introdução, em Moçambique, da vinha, das romãzeiras e das figueiras.
Em 1865 publica juntamente com Henrique Sergant “Relatórios sobre Minas de Estanho de Montesinhos”.
Pertence à Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Em todas as vidas humanas há lutas e problemas que temos de enfrentar e Francisco Chamiço não fugiu a essa regra.
Na vida da família Barbosa e Silva de Viana do Castelo, feita por Maria Emília Sena de Vasconcelos, consta que o Francisco Chamiço visitava frequentemente a família e convenceu os Barbosa e Silva a investir confiadamente importantes somas no Banco Nacional Ultramarino e, “ao dar-se seguidamente o mais famoso descalabro daquele banco foi como se ocorresse um terremoto em Viana”, causando enorme prejuízo àquela família. Diz-se ainda nessa vida dos Barbosa e Silva, que o Francisco Chamiço veio a ser “inculpado” no processo.
No desenvolvimento da sua atividade nas colónias africanas, o BNU acabou por se envolver diretamente em atividades comerciais de importação e exportação e de exploração de atividades agrícolas, adquirindo várias propriedades agrícolas.
O problema que teve de enfrentar para a exploração dessa propriedades, foi a velha falta de mão de obra.
Segundo consta, após a libertação, o antigo escravo, aceita qualquer trabalho menos aquele que o faça ligar à antiga atividade escrava que era a agricultura.
Daí, uma das dificuldades em arranjar mão de obra indígena para a agricultura…
O Francisco Chamiço protesta contra a abolição da escravatura sem se ter indemnizado os proprietários dos escravos e sem se ter legislado a tornar obrigatório o trabalho indígena.
Em 1875 o BNU contrata diretamente da Libéria, 600 homens e mulheres para as suas propriedades de S. Tomé e até ao final de 1876 tinha já “importado” da Libéria, cerca de 3000 trabalhadores.
A importação de mão de obra da Libéria foi a solução que o F. Chamiço encontrou como ideal para evitar a caça aos navios de escravos que era feita pelos navios de guerra ingleses sobretudo nas costas de Angola.
Aliás, em 1877 o navio à vela “Ovarense” ao serviço do BNU, foi arrestado pelos ingleses e confiscada toda a sua carga, sob pretexto de que fazia comércio de escravos.
Em 1877 o jornal “O Progresso” de Lisboa refere que em Luanda se encontram 240 escravos comprados pelo BNU com destino a S. Tomé, estando mais 1000 escravos em Novo Redondo, prontos para partir para a “Água Izé”, propriedade do BNU em Timor.

CONCLUSÃO

Muito mais se poderia dizer sobre a vida deste homem que parece que passou por uma vida muito intensa no (não muito longo) período da sua vida.
Teve de enfrentar crises do Banco, desde o princípio e que constam da história do banco e, com elas, toda a espécie de adversidades que acionistas e colaboradores lhe causaram.
Já se viu que aproveitou as oportunidades que se lhe ofereceram na vida e que também lutou por causas que não eram as mais corretas, como a defesa da escravatura ou do trabalho forçado dos africanos.
Mas, quem não tiver defeitos, que atire a primeira pedra…
O BNU foi seguindo o seu caminho, fez obra em terras portuguesas, com homens como todos nós.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DR. VIEIRA MACHADO



A personalidade do Dr. Vieira Machado é das mais importantes da história do BNU.
Filho do General Francisco José Machado e de Isabel Maria Vieira.
O Pai é de Ribeira de Palheiros, Lourinhã e a primeira escola pública que existiu na Lourinhã teve o seu nome – Escola Preparatória Francisco José Machado, que iniciou o seu funcionamento em Novembro de 1971. Em 1976, por iniciativa do Ministério da Educação que preferia que as escolas preparatórias tivessem o nome do respetivo concelho, passou a denominar-se Escola Preparatória da Lourinhã.
  • Uma pequena correcção, não é o pai que é da Ribeira de Palheiros, mas sim a mãe que embora não tenha nascido na Ribeira de Palheiros, são de lá os seus pais.
  • O pai do Dr Vieira Machado era de Lagos.
  • Fiz uma ligação do vosso blog, ao meu, "Terras Campelo", onde já tinha alguma informação sobre o Dr. Vieira Machado.
  • José Damas - comentário 6-03-2012
Entretanto outras escolas se desenvolveram no concelho e o ministério da Educação deu a possibilidade de atribuir às escolas o nome de um patrono, pelo que a escola, em 1989, passou a denominar-se Escola Preparatória Dr. João das Regras.
A João das Regras, grande defensor da legitimidade de D. João I ao trono de Portugal, contra os pretendentes de Castela, foi-lhe concedido por aquele rei o título de senhor da jurisdição da Lourinhã e por essa razão talvez os lourinhanenses, na altura de escolher entre este “Senhor de Jurisdição” e o general Francisco José Machado, escolheram aquele… E assim se perdeu a memória, nos alunos liceais da Lourinhã, do Pai do Dr. Vieira Machado.
Mas o nosso administrador, Xico Vieira Machado, como lhe chamavam os empregado do BNU, também teve várias escolas com o seu nome, em vários sítios do império colonial português.
O Boletim Trimestral do BNU – 2º Trimestre de 1968 – nº 74, pág. 14, sobre Timor, refere:
“O ensino liceal foi criado na Província em 1938, ano em que abriu o Colégio-Liceu Dr. Vieira Machado (ficou, pois, sendo seu Patrono o actual Governador do B. N. U.), com carácter semioficial . Em 1960, foi transformado em liceu nacional, com a designação de Liceu Dr. Francisco Machado”.

O Liceu de Dili conservou o seu nome durante a própria ocupação indonésia, de 1975 a 1999.
Em Angola o seu nome ficou ligado à Escola de Regentes Agrícolas Francisco Vieira Machado, no Tchivinguiro, Huíla, criada em 8 de Dezembro de 1938.


Em Macau há uma Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado.
Na Biblioteca do BNU, da CGD, estão registados 5000 títulos de obras de literatura, direito e política do fundo pertencente ao Governador Dr. Francisco Vieira Machado.
Informação sobre o Dr. Vieira Machado, retirada do site da Assembleia da Republica:

FRANCISCO JOSÉ VIEIRA MACHADO
Legislaturas: I, II, III.
Data de nascimento:1898-02-08. Localidade: Lisboa.
Data da morte:1972-09-01.
Habilitações literárias: Licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa (1919); Curso de Ciências Económicas em Paris.
Profissão: Banqueiro; Político.
Carreira profissional:
Breve período como Advogado.
Ingressa nos quadros do Banco Nacional Ultramarino (1926);
Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino (1926-1929);
Administrador do Banco Nacional Ultramarino (1929-1934);
Director do Anglo Portuguese, Colonial and Overseas Bank, Ltd. e do Banque Franco-Portugais d’Outremer (1930-1965);
Recusa o convite para substituir Caeiro da Mata no Banco de Portugal (1932);
Vice-presidente da I Conferência Económica do Império Colonial (1933);
Presidente do Conselho Fiscal e Administrador da Companhia de Seguros “A Mundial” (1943-1968);
Governador do Banco Nacional Ultramarino (1951-1972);
Presidente da Direcção do Banco Ultramarino Brasileiro do Rio de Janeiro (1954-1961).
Perfil político-ideológico:
Foi o grande construtor do “Império Colonial Português”.
Carreira político-administrativa:
Subsecretário de Estado das Colónias (1934-01-20 a 1935-02-16);
Vogal do Conselho do Império Colonial Português (1932-1934);
Presidente do Conselho do Império Colonial Português (1934-1944);
Ministro as Colónias (1936-01-18 a 1944-09-06);
Vogal do Conselho Superior do Ultramar;
Vogal da Comissão Central da União Nacional (1956);
Procurador à Câmara Corporativa (IV a X Legislaturas).
Carreira parlamentar.
Legislaturas: I; II; III.
Intervenções parlamentares
I Legislatura (1935-1938):
1.ª Sessão Legislativa (1935), Discute a proposta de lei que cria e organiza o Conselho do Império; Discute o projecto de lei, do Sr. Álvaro de Freitas Morna, sobre a criação do Instituto de Hidrografia
2.ª Sessão Legislativa (1935-1936) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
II Legislatura (1938-1942) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
III Legislatura (1942-1945) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
Segundo o professor Nuno Sotto Mayor Ferrão, Francisco Vieira Machado, “foi ministro no período crítico da história universal em que se iria desenrolar a Segunda Grande Guerra (1939-1945). Na sua concepção ideológica, o reforço das relações económicas no espaço imperial foi decisivo no concretizar daquilo a que ficou conhecido pelos historiadores como “Pacto Colonial”, isto é, a interdependência económica dos produtos metropolitanos e coloniais.
1939 - na viagem de Carmona a Moçambique

Pretendeu, no seu longo “consulado”, à frente da pasta das colónias que as matérias-primas das terras de "além-mar" fossem absorvidas pela metrópole e que os produtos manufacturados metropolitanos fossem consumidos nas colónias.
Em suma, procurar materializar o conceito de império na vertente económica da relação comercial entre a metrópole e as colónias. Deste modo, assume que as colónias estavam ao serviço dos interesses económicos metropolitanos. Foi neste sentido, que impôs limites ao crescimento industrial das colónias, que tornou obrigatórias algumas culturas agrícolas nas colónias, que reforçou o regime do trabalho forçado dos "indígenas", que procurou impulsionar a exploração dos produtos coloniais e garantir o mercado colonial como mercado privilegiado para o consumo dos produtos industriais metropolitanos através de um sistema aduaneiro filtrador do comércio externo.
Estas medidas técnicas tomadas por Francisco José Vieira Machado enquadram-se numa resposta à pressão sofrida por Portugal em Junho de 1937 na qual diversos autores estrangeiros contestam a nossa capacidade económica e legitimidade histórica de administrar as próprias colónias. Foi neste contexto histórico antecedente ao grande conflito mundial que a imprensa nacional e estrangeira invoca a possibilidade de algumas potências europeias pretenderem ceder territórios das colónias portuguesas à Alemanha e à Itália como forma de apaziguar os impulsos de expansionismo bélico de Adolfo Hitler e de Benito Mussolini.
A sua acção promotora da propaganda da ideologia colonial fomentou Congressos, Comemorações e Exposições Coloniais, das quais se destacou, nesta fase, a Exposição do Mundo Português de 1940, comemorativa do duplo centenário da nacionalidade (1140 e 1640) que permitiu a revalorização urbanística do sítio de Belém, à frente do Mosteiro dos Jerónimos, uma vez que essa zona estava ocupada por uma importante aglomeração industrial. Esta Exposição procurou patentear o mundo português, que se espraiava no tempo e no espaço, através dos diversos Pavilhões que rodeavam a Praça do Império, requalificando esteticamente essa área urbana de Lisboa.

1971 com os astronautas americanos
James Lovell e Stuart Roosa
"O Senhor que aparece no meio dos dois astronautas
 é o dr. Castro Fernandes e não o dr. Vieira Machado".
(Esclarecimento do colega Francisco Ivo)