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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RECORDANDO MOÇAMBIQUE


Já lá vão dez anos, – como o tempo passa – que escrevi umas “larachas” acerca da Associação dos Empregados do B.N.U., em Lourenço Marques, ainda o boletim da A.A.E.B.N.U. era uma simples folha de couve fotocopiada a preto-e-branco.

Há dias, mexendo em papelada antiga, fui desencantar estas relíquias que me suscitaram o acrescento de mais estas lembranças.
Como reza a história, o B.N.U. chegou a terras dos Mpfumos (rebaptizada pelos portugueses Lourenço Marques) corria o ano de 1877.É curioso referir que 22 anos depois ainda continuava sendo o único banco português, actuando em concorrência com o The Bank of Africa Limited, o Standard Bank,e o African Bank Corporation Ltd.

Festa de Natal
O tempo continuou rolando e, no ano do seu centenário (1964), o B.N.U inaugurava a sua nova Filial na cidade de Lourenço Marques, reservando no novo edifício um espaço destinado exclusivamente à criação de um centro lúdico para uso do seu pessoal.
Com o apoio da Direcção do banco em Moçambique nasce, nesse ano, a Associação dos Empregados do Banco Nacional Ultramarino que, com invulgar dinamismo se desdobrou por inúmeras actividades não só culturais como, também, desportivas. Dotada de biblioteca e discoteca próprias, desenvolveu acções culturais que iam da projecção de filmes em 16mm à divulgação da música de jaz. Com um agrupamento coral e um conjunto de música ligeira, ensaiou passos no teatro, mormente infantil que chegou a actuar numa das festas de Natal. Maior projecção sem dúvida se alcançou no campo desportivo, com a organização de competições desportivas interbancárias. Para remate e porque os últimos serão sempre os primeiros, organizou Ralis Internacionais a que o nosso Banco deu especial apoio dada a projecção que tais eventos desportivos vieram a alcançar. Ficará inesquecível esta nossa Associação (mais conhecida por Centro Lúdico) assim como serão sempre recordados os ´muitos colegas que, desinteressadamente, deram à Associação o melhor do seu dinamismo que, por motivos óbvios não são nomeados nesta curta invocação para se evitarem indesculpáveis esquecimentos
Troféu dos jogos interbancários
              Rio de Mouro, Maio de 2013   
MAIA PEREIRA   


 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

BANCO NACIONAL ULTRAMARINO e BPN

Na revista EXAME deste mês de Novembro, sobre o título "Banco Nacional Ultramarino, o BPN de Salazar" saiu o artigo, de Filipe S. Fernandes, cujo texto transcrevemos abaixo.

Como poderá verificar-se o BNU na década de 30 viu-se forçado a reduzir despesas, deixando de pagar subsídios aos empregados e fechando inúmeras agências!... Todavia, passadas pouco mais de três décadas, a sua recuperação foi tal que abriu dezenas de agências e delegações entre as quais  destaco a Matola em 1967 e a Machava em 1972, em Moçambique. Nas suas aberturas esteve o signatário, na primeira como Imediato e na segunda Encarregado da Delegação da qual apresento algumas fotos, sem qualquer outra intenção que não seja o facto histórico da evolução daquele que veio a ser considerado o maior Banco Português e no qual viemos a participar com o maior entusiasmo e dedicação.

A delegação da Machava foi inuaugurada em 29 de Março de 1972, tendo sido o seu 1º encarregado António Matos de Carvalho e tendo estado presentes as seguintes individualidades:
Director do BNU em Moçambique: Jorge Anastácio
Inspector do B.N.U. em Moçambique: Dr. Mário Pinto
Manuel Martins Mascarenhas: Gerente Geral - Filial B.N.U – Lourenço Marques
Inspector do Conselho de Câmbios: Dr. Moura Santos
Presidente da Cometal-Mometal: Engº. Santos Ferreira    (a)
Administrador do Concelho  da Matola 
Bertoldo Duarte Camacho – Professor
João Figueiredo – Industrial de Móveis
Anastácio Fernandes – Técnico de contas
etc.
António Matos de Carvalho

O BPN de Salazar
Em 1931, o Banco Nacional Ultramarino foi objeto de um resgate feito pelo Estado que chegou a irritar o então ministro das Finanças. Os acionistas privados perderam 75% do Capital.
Texto Filipe S. Fernandes, Infografia Carlos Paes
"Sou obrigado a declarar em nome do lugar, da minha inteligência e até da minha honestidade pessoal que isto não pode continuar assim", escrevia, em carta de 20 de agosto de 1931, o ministro das Finanças, António de Oliveira de Salazar, ao seu homólogo das Colónias, Armindo Monteiro, referindo-se à operação de resgate do Banco Nacional Ultramarino (BNU). Nesta carta calculava que os apoios atingiam os 134 mil contos, "despendidos pelo Tesouro no espaço de meses", além de 75 mil contos de redesconto do Banco de Portugal. A sua exasperação resultava do facto de a administração, que tomara posse a fevereiro de 1931 se dirigir ao Ministério das Finanças com "a simplicidade, a sem cerimônia com que afirma que não tem dinheiro e avisa o Tesouro e pede ao Tesouro que lhe dê".
A queda do BNU começara pouco depois de em 20 de junho de 1930 ter autorizado uma garantia de 66 mil libras por conta do Dresdner Bank para obras no Porto do Lobito. Logo a seguir comunicou ao Ministério das Finanças que não tinha capacidade para facilitar a prorrogação de créditos ou conceder outros empréstimos a taxas de juro baixas para as infraestruturas como do Porto do Lobito e o caminho de ferro do Zaire em que estava envolvido, apesar de ter deixado de ser banco emissor de Angola em 1926. Em outubro de 1930, o BNU teve de reagir a uma corrida aos bancos no Brasil, o que não se devia a qualquer desconfiança, mas ao "alarme originado pela revolução e necessidade de dinheiro provocado pela paralisação dos negócios", como revelava o telegrama da embaixada portuguesa no Rio de Janeiro. Pediam-se 200 mil libras e o banco do BNU em Londres respondeu com 90 mil libras. A 21 de outubro de 1930, precipitou-se a queda do Banco do Minho, em dificuldades desde 1927. Em reunião de 28 de outubro administração do BNU assinalou a "saída anormal de depósitos" nas agências do Norte do pais.
Os problemas que atormentavam o BNU foram ampliados pela crise económica e financeira iniciada em 1929, ano em que o banco ainda distribuiu 11 mil contos em dividendos, e que fustigou sobretudo uma organização com dimensão global. O BNU, que fora fundado em 16 de maio de 1864 por iniciativa e capitais de Francisco Chamiço, era o banco emissor para as colónias de Cabo Verde, Moçambique, Angola (até 1923), Índia, Timor e Guiné. Com a gestão de João Henrique Ulrich (1880-1956), escolhido para governador em 1918, a estratégia de crescimento dirigiu-se para a criação de uma rede de agências em Portugal continental e a implantação do BNU nas principais praças financeiras, como Paris, Londres e Nova Iorque, e no mercado da emigração, como o Brasil. Mas também havia uma grande exposição ao risco. Numa carta de 24 de novembro de 1930 de José Sousa da Costa ao ministro das Finanças, Oliveira Salazar, relacionava-se alguns empréstimos vultosos concedidos a empresas em dificuldades com relações pessoais a gestores do BNU. Elencava quatro empresas que se encontravam em grandes dificuldades financeiras e em que o risco assumido pelo banco atingia os 66 mil contos. Depois referia: "É do maior interesse público inclusivamente por decoro nacional que o nosso banco emissor das Colónias sofra uma sindicância séria aos seus atos gestivos e que a maioria da sua direção ou corpo de administração seja substituído, senão verá o senhor ministro o crack que se dará com o prejuízo e vergonha para o nosso nome português."
João Ulrich tenta salvar o BNU
A luta pela sobrevivência do BNU ainda estava no princípio. Uma diretiva da inspeção e Fiscalização do BNU, com o selo de "Confidencial", de 5 de dezembro de 1930, dava instruções aos gerentes das dependências: "Tendo-se notado que estão sendo reduzidas, dia a dia, as contas de captação, urge tomar as medidas necessárias para que as nossas caixas não sejam desfalcadas e, assim, à receção da presente, devem V. Ex.as orientar-se pela seguinte forma: 1º Não angariar novas operações de colocação, 2° Não consentir reformas de letras sem que, pelo menos, haja uma amortização de 20%: 3° Em todas as contas correntes autorizadas, à medida que se forem vencendo, exigir também uma amortização de 20%; 4° Reduzir ao mínimo os descontos que os senhores gerentes estavam autorizados a fazer até à quantia de 15 contos." Revelava preocupação com a publicidade destas medidas: "É evidente que todas estas instruções serão cumpridas com a maior prudência para não levantar alarmes injustificados."
Os boatos sobre a grave situação não paravam e criava-se um ambiente propício à corrida aos levantamentos. Por isso, a 10 de dezembro de 1930, Oliveira Salazar emitiu a nota oficiosa sobre "A Crise e os seus aspetos bancários": "Não esteve nunca o governo desatento, desinteressado ou inativo perante o desenrolar dos acontecimentos, não só porque envolviam um sector importante da vida nacional, mas por se referirem também a estabelecimentos intimamente ligados ao Estado por atribuições que neles delegou." A 12 de dezembro de 1930 foram oferecidos ao BNU obrigações da Caixa Nacional de Crédito para caução de um depósito de 20 mil contos feito pelo Tesouro.
Duas semanas depois, foi o próprio governador do BNU, João Henrique Ulrich, a dirigir-se aos seus funcionários com as instruções confidenciais de 18 de dezembro de 1930. O gestor começava por fazer uma análise do contexto em que o BNU estava a atuar. Os mercados de todo o mundo vêm atravessando uma crise como de outra igual não há memória: crise económica, crise financeira, crise comercial e crise social. Portugal não poderia fugir ao embate." Depois explicava a situação do próprio banco: "O BNU, espalhada a sua rede de dependências por todos os continentes, tem sofrido o choque das mais diferentes crises e tem-se visto forçado a apoiar e a amparar a sua clientela através das vicissitudes porque ela tem passado. Assim, enquanto no Brasil se desencadeava uma revolução que perturbava completamente a vida de todos os estabelecimentos bancários estrangeiros e nacionais, bem como a agricultura, o comércio e a indústria locais, nas nossas colónias agravavam-se as dificuldades gerais, por virtude de continuada baixa dos produtos coloniais e de dificuldades de crédito acumulados, e na metrópole aumentava o mal-estar, multiplicavam-se as falências, diminuía a confiança do público nos mais robustos estabelecimentos bancários e a Bolsa entrava num verdadeiro período de pânico, com uma depressão progressiva de todos os papéis de crédito, com exceção dos do Estado." Seguiam-se cinco páginas de instruções, oito das quais versavam sobre a redução de circulação e três para a melhoria da posição do banco no exterior.
Soam os alarmes de falência do BNU
As medidas não foram suficientes e, em fins de janeiro de 1931, João Uhich, governador, e os restantes administradores colocaram os lugares à disposição do Ministério das Finanças, o que levou à intervenção imediata do Estado no BNU. A 11 de fevereiro de 1931, nomeou-se o novo conselho administrativo para o BNU liderado por António dos Santos Viegas e com oito administradores. Rapidamente se deu conta dos inúmeros problemas, da falta de dinheiro e da urgência de soluções. A 19 de fevereiro de 1931, o administrador Quirino de Jesus escreveu a Salazar, de quem era próximo e a quem escrevia com regularidade, dizendo: "Recebeu-se esta tarde da filial de Bombaim o telegrama incluso, de que resulta que temos de cobrir o Banco de Londres com 90 mil libras, sendo 50 mil amanhã, 20 do corrente, por ordem telegráfica, e 40 mil em 28 do corrente. Para a primeira remessa não estamos habilitados [...). Por isso lhe venho pedir em nome do conselho que nos faça o favor de habilitação àquela transferência de 50 mil libras." O Banco de Londres, que era o Anglo Portuguese Colonial & Overseas Bank também conhecido por Ultramarino-Londres, só tinha 80 mil libras de disponibilidades. Todos os dias surgia mais um sinal do agravamento da crise do BNU. Desta vez com contornos internacionais. Um telegrama de 24 de fevereiro de 1931, da agência de Bombaim, dava o sinal: "11 de fevereiro abrimos crédito a favor da Garland Petroleum Cª San Francisco por intermédio de Ultramarino-Londres. Tomador recebeu comunicação telegráfica, beneficiário recusa fazer carregamentos enquanto não abrir um crédito por intermédio de outro banco visto que recebeu notícias falência BNU."
Uma das primeiras decisões de nova gestão foi enviar administradores para avaliarem a situação do BNU no Brasil, França, Moçambique e Bombaim e depararam-se com sinais de catástrofe anunciada. A 7 de março de 1931, o conselho administrativo faz chegar ao governo um diagnóstico sabre a situação do BNU. Detetou 242 408 contos de prejuizos efetivos "alguns de longa data, que não foram amortizados nos exercidos em que se produziram ou verificaram, nem nos subsequente". Acrescentavam ainda 29 268 contos de créditos recuperáveis e 28 324 de cobrança difícil. Estes números equivaliam a um décimo do ativo total da barra comercial. Entre 10 de fevereiro e 7 de março de 1931, o Estado finananciou o banco com 70 mil contos, sob a forma de desconto de saques sobre o estrangeiro e de depósitos na caixa do banco". Adiantava o relatório que "as importâncias com que o Estado até hoje financiou o banco, vieram substituir depósitos de clientes e liquidar operações anteriores, ficando a atividade do banco paralisada, quase completamente, como que em liquidação. Em consequência de noticias alarmantes, anteriores e posteriores a 10 de fevereiro de 1931 e de inatividade do banco, o crédito no estrangeiro, na sede, provincia e ultramar, restringiu-se consideravelmente. Na sede e em todas as dependências do banco levantam os comerciantes, a quem se negam operações, os seus depósitos e levem-nos para os bancos com que vão trabalhar, e também levantam os depósitos os intimidados pelo contacto com aqueles comerciantes". O programa de refinanclamento previa 80 mil contos para operações de redesconto, um depósito do estado de 20 mil, "mínimo que se julga indispensável, copmjuntamente com a transferência para a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de operações dos caminhos de ferro do Vale do Vouga, Companhia Aguardentes de Madeira e Companhia das Águas, no total de 28 mil contos", o que somava cerca de 126 mil. Seguia-se um programa de ação em oito pontos, em que se incluíam cortes de despesas, encerramento de agências, operações de refinanciamento e recuperação de créditos.
Estado resgata o Crédito Predial Português
A crise bancária parecia alastrar-se. A 5 de março de 1931, o governador do Crédito Predial Português reuniu-se com o ministro das Finanças, Oliveira Salazar para pedir ajuda financeira. No dia seguinte, "muitos depositantes a levantarem o seu dinheiro, aflitos, assustados, apressados e exigentes. E, ás 11 horas, tinha de pedir a assistência ao senhor ministro que ma deu de imediato", como narrou Sousa Rodrigues na assembleia geral do banco, de 21 de março de 1931. As dificuldades do Crédito Predial iniciaram-se no segundo semestre de 1930 e já tivera de recorrer a empréstimo do Montepio e da CGD. O Tesouro injetou 20 mil contos num aumento de capital, passando a deter 69%. O grande problema do banco estava nos empréstimos à Companhia Industrial Portuguesa, a quem emprestara, entre 1925 e 1931, 35 350 mil contos e que estava em grandes dificuldades financeiras. Na reunião da administração do BNU de 20 de março de 1931, António Santos Viegas dizia que a "liquidação do passivo do banco continua, tendo-se mesmo agravado na semana de 11 e 17 de março, em que a média de excesso de saídas sobre as entradas diversas atingiu o seu ponto culminante, a partir de 22 de setembro de 1930". Referia que a média diária tinha sido de 974,2 contos durante 148 dias o que dava 144 184 contos. A 23 de março, o governo autorizava o BNU a fazer um aumento de capital de 25 mil contos subscrito pelo Tesouro em ações preferenciais e 75 mil de "assistência financeira autorizada". Mas nem este balão de oxigénio pacificou o ambiente. Esta constante tensão passou para a administração e a 26 de março de 1931, António dos Santos Viegas escreveu a Salazar comunicando-lhe o pedido de demissão devido a desinteligências com Quirino de Jesus, que tem "com V. Ex.a relações quasi constantes em assuntos de administração pública". Tudo se compôs e dos Santos Viegas liderou o BNU até 1948. A 15 de abril de 1931, o Banco de Portugal, que tinha admitido um limite de redesconto ao BNU de 75 mil contos, quis restringir para 30 mil, o que não aconteceu. A 21 de abril, António Santos Viegas dava conta à administração de que o ministro das Finanças autorizara a anulação de saques sobre Londres a vencer em 20 de maio e no total de 186 mil libras. Eram adquiridos pelo Tesouro e os escudos correspondentes (19 995 contos) eram Incluídos no programe de financiamento ao banco.
Investigação policial impedida
A 2 de julho de 1931, o diretor da Polícia de Investigação Criminal, José Alves Monteiro Júnior, acompanhado por peritos contabilistas, foi à sede do BNU para fazer um exame à escrita do banco e analisar os últimos seis anos das contas. A administração do BNU, temendo os efeitos nos mercados, resolveu pedir ao diretor da polícia "para suspender a devassa de escrita até ser ouvido o governo sobre o assunto". A nova administração foi cautelosa na procura de responsáveis pela situação financeira. Nas auditorias feitas pelos administradores apuraram-se falhas graves nas dependências do BNU no Brasil, Bombaim e Moçambique. Neste, só não houve lugar para aplicação de sanções porque a morte inesperada do responsável pelos danos "liquidou definitivamente e sem escândalo a situação", escreveu a administração. Esta admitiu que afastou um gerente e demitiu dois quadros superiores em Moçambique. Argumentava ainda que "nem sempre os prejuízos sofridos correspondem a fraude dos gerentes, que não são isentos de possibilidade de erro". Por outro lado, a justiça nem sempre aceitava os argumentos do banco.
Em 14 de julho de 1931, havia mais um apelo lancinante do BNU ao ministro das Colónias, Armindo Monteiro, em que se expunha "a perigosa situação de Caixa em que hoje se encontra" e "a urgência de uma intervenção do governo", pois às 12 horas desse dia as disponibilidades eram de 3827 contos. As remessas mensais que Lourenço Marques fazia para Londres passaram de 30 mil para 10 mil libras, pelo que "o recurso ao desconto de saques sobre Londres, para fazer caixa em Lisboa, está vedado". Dava-se conta também de que a redução de despesas atingia na metrópole os 1000 contos. A 15 de agosto de 1931, uma nova carta a Armindo Monteiro referia que o reforço de caixa de 10 mil contos feito há um mês se esgotara. Na resposta, o ministro das Colónias pedia explicações e, em nova carta de 18 de agosto, a administração do BNU explicava que estas dificuldades "não representavam propriamente uma crise de falta de confiança no Banco, mas, sim um reflexo das dificuldades gerais da época presente".
Foi nesta altura que António de Oliveira Salazar quase perdeu a paciência. Este e Armindo Monteiro recebiam os balancetes de caixa diária do BNU, que durou até pelo menos 1940. Estava a negociar-se o financiamento do Estado ao BNU feito pela CGD o que obrigava a vários contratos e em que o BNU dava como aval ao Estado o imobiliário, como a sede e as ações detidas peio BNU. Mas, a 24 de agosto, pelas 17 horas, o conselho de administração e o conselho fiscal reuniram e concluíram que as condições propostas seriam difíceis de cumprir. Em carta a Armindo Monteiro, de 28 de agosto, António de Oliveira Salazar escreveu. "O Ministério das Finanças tem feito o possível com sacrifício manifesto do Tesouro, por estabelecer condições favoráveis para o banco, em todos os contratos, sem poder prescindir em absoluto de garantias que o pais não perdoaria não fossem exigidos. Entende o conselho administrativo do BNU que são tão desfavoráveis essas condições que já prevê não poder cumpri-las e por isso ao assinarem livremente como contratante, mas apenas as aceita coagido, por essa ser a vontade do Governo? Se é esta a significação da frase citada, o Ministério das Finanças não assinará o contrato, que só existe como expressão da vontade das partes interessadas." Mas neste braço de ferro negocial o BNU conseguiu que, como os encargos de tinanciamento aumentavam, o Ministério das Finanças isentou o banco do pagamento de contribuição industrial.
Sete anos para fazer o turnaround
A 15 de setembro de 1931, a administração avisava que "o crédito do BNU no estrangeiro não foi restabelecido completamente, continuando o Banco privado de facilidades de crédito que antes tinha no Comptoir National d'Escompte e no Barckays Bank, de Londres, com os quais trabalhava no UItramar. Apenas o Apcob tem conseguido manter a sua posição de crédito sem abalo maior por efeito de elevada categoria das pessoas que compõem a sua direção. Entre elas contem-se Sir Samuel Hoare que pertence atualmente ao governo nacional inglês, como secretário de Estado dos Negócios de Índia". Referia-se também à gestão de crise com o encerramento de agências Ibo e Bolama em Moçambique e Fundão em Portugal, a transformação de agências em correspondências (Chaves, Mirandela, Penafiel, Barcelos, Tomar e Setúbal), deixou de preencher vagas, cortou alguns vencimentos e gratificações e adaptou o princípio de dispensa de pessoal por faltas cometidas "por incapacidade ou desmerecimento de confiança, que eram punidas de maneira menos severa".
Por volta de 20 de setembro, Oliveira Salazar discriminava num papel os apoios dados ao BNU desde 13 dezembro entre depósitos do Tesouro, empréstimos, aumentos de capital, suprimentos para pagar saques, o que somava 144 895 contos, a que se acrescentavam 90 mil libras e a linha de crédito de 75 mil contos no Banco de Portugal. Finalmente foram assinados a 3 de novembro os contratos entre o Estado, a CGD e o BNU. Em 2 de janeiro de 1932, foi atribuído ao banco em Londres, Anglo Portuguese Colonial & Overseas Bank que mantivera as suas contes saudáveis, uma garantia de 500 mil libras sobre o BNU. António Oliveira Salazar numa carta manuscrita de 2 de Janeiro de 1932 em que se referia às condições: a) A garantia não poderá ser tomada efetiva; b) É limitada a um ano; c) Só poderá ser comunicada ao Banco de Inglaterra e aos banqueiros e aos bancos com quem o Anglo Portuguese Colonial & Overseas Bank trabalhe; d) A situação do BNU em Londres será comunicada quinzenalmente ao Ministério das Finanças.
A crise bancária em 1930-1931 teve efeitos sobre a atividade financeira. O desconto de letras caiu 20%, os créditos de longo prazo sofreram uma redução de 60% e cinco bancos entre os quais o Banco do Minho e o Banco Português e Brasileiro faliram e houve uma razia nas casas bancárias. Os primeiros lucros contabilísticos, cerca de 10 mil contos, apareceram nas contas do BNU de 1935, mas os primeiros lucros operacionais só no ano seguinte. Entre 1931 e 1936 os prejuízos foram de 127,3 mil contos, a redução de despesas gerais foi 36% a que se juntou uma retoma da atividade económica e do banco. No Brasil a crise do BNU também foi difícil de debelar porque a dada altura, em fevereiro de 1934, uma campanha de descrédito do banco feita por um ex-funcionário levou "a fartos levantamentos" como dizia o telegrama de filial do BNU no Rio de Janeiro. Estes imponderáveis podiam ter provocado a insuficiência de fendas na filial brasileira.
Sete anos depois, o governo considerava que se podiam definir "as bases essenciais de reorganização" do BNU. Este tinha reembolsado à CGD o empréstimo de 75 mil contos, estavam extintas as responsabilidades do banco por redesconto, que tinham atingido as dezenas de milhares de contos, tinha largos recursos em moedas estrangeiras, o que lhe dava uma outra posição nos mercados internacionais e os bancos em Londres, Paris e Brasil estavam também numa situação favorável. Por isso decidiu reduzir o capital em 40 mil contos e, como se explicava no decreto-lei, "o Estado português, até ao presente, nada perdeu com o auxilio prestado ao BNU, e de esperar é que, agora, que o seu crédito está consideravelmente reduzido e o banco entrou numa fase de maior prosperidade, nada venha a perder". Mas só em 1951 o BNU regressou à normalidade estatutária e apenas em 1953 se assinou novo contrato de concessão entre o Estado e o BNU.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

MOÇAMBIQUE

Ainda as belas recordações do nosso ex-ultramar, que não resisto a pedir para todos partilharem.
António José Cotovio Correia


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

MOÇAMBIQUE

Ilha de Moçambique - foto de Manuel Araújo

Não nasci em Moçambique,mas por lá vivi durante vários anos na qualidade de funcionário do nosso BNU e como devem imaginar jamais podemos esquecer tudo o que lá vivemos,hoje ao ler o artigo de Margarida Rebelo Pinto não resisto a pedir que seja publicado no seu nosso espaço.Um abraço amigo
António José Cotovio Correia

Ilha de Moçambique - foto M. Araújo

MOÇAMBIQUE
TERRA DE BOA GENTE

MARGARIDA REBELO PINTO - "O SOL"

Os paraísos servem-nos para esquecer que o resto do mundo existe ou para nos lembrar que o mundo pode ser um lugar melhor? Depois de uma semana em Moçambique, onde visitei Maputo e as belas ilhas do Bazaruto e de Santa Carolina, regressei de África com a sensação de ter visitado uma outra face da terra.

Por mais filmes que se vejam, mais livros que se leiam, por mais documentários e notícias que nos passem debaixo dos olhos, África só pode ser absorvida, entendida e sentida in loco, com as suas cores e os seus cheiros, a sua beleza e a sua miséria, a sua música e a sua magia, a sua imensidão e as suas gentes. Foi preciso ir a África para finalmente perceber a nostalgia incurável, qual malária do coração, dos que lá nasceram, cresceram ou viveram, e que a descolonização
obrigou a uma partida forçada.
Ilha Moçambique - foto M. Araújo

O que mais me tocou em Moçambique foi o povo moçambicano: educado, afável, tranquilo, feliz. Apesar da miséria, apesar da fome, apesar das doenças, apesar de tudo. África é um continente sem filtro; tudo se vive à flor da pele e em carne viva. E tudo é brutal, seja o belo ou o horrendo. Mas os moçambicanos possuem uma doçura que deve ser só deles e que me conquistou para sempre. Viajei para lá contente e regressei feliz. Fui leve e voltei ainda mais leve.
Beira - foto: Manuel Monteiro

À parte do clássico episódio da intoxicação alimentar, tive uma viagem de sonho, não só pela beleza de tudo o que vi, pela forma como fui tratada. Os empregados do Pestana Lodge no Bazaruto já sabiam o meu nome desde o segundo dia e quando foi preciso tratar da maleita,fizeram-me canja, maçã cozida e não descansaram enquanto não me viram outra vez com cores na cara. Ora este tipo de atenção não está incluído naquilo a que chamamos serviço de luxo.
Beira - Foto: M. Monteiro

Um calor genuíno fez-me pensar como nos relacionamos com os outros, independentemente daquilo que eles nos possam dar em troca. Uma atitude generosa gera quase sempre generosidade do outro lado. A paz puxa a paz, a bonomia puxa a bonomia, a empatia gera empatia.
Ilha de Moçambique - sede do SCP - foto: M. Araújo

Não sei quando voltarei a África nem sequer se o que lá vivi perdurará na minha existência, mas tenho a certeza de que aprendi mais do que penso, de que vi mais do que acredito ter visto e de que guardei mais do que agora me lembro. O que eu sei é que me ficou na pele aquela forma de ser e de estar moçambicana, os sorrisos que dão a volta à cara toda, as músicas entoadas nas carrinhas de caixa aberta que atravessam a cidade ao fim-de-semana com dezenas de homens e mulheres a caminho de um casamento, a alegria natural e espontânea que nunca pode ser fingida nem fabricada. Há muito amor em Moçambique.
Ilha de Moçambique - foto M. Araújo

Muito amor e muito prazer, apesar da fome, apesar da miséria, apesar de tudo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

CENTENÁRIO do BNU em MOÇAMBIQUE

Olha que maravilha de documento nos proporciona o Cotovio!

clicar na foto para ampliar


Grupo de jovens bancários no Hotel Polana em Lourenço Marques nas
comemorações do centenário da instituição -BNU - em 1964.

Com os cumprimentos de
Cotovio Correia

terça-feira, 21 de junho de 2011

RÁDIO CLUB DE MOÇAMBIQUE

O colega Cotovio enviou para publicação este texto e imagens.
Apreciem.



Manuela Arraiano locutora do Rádio Clube de Moçambique faleceu em 15 de Maio de 2011 em Bruxelas.
Lembram-se?
Terminava, todas as noites, a emissão do rádio clube de Moçambique com a mensagem de “Boa Noite!”
Muitos colegas do BNU em Moçambique ouviram a sua linda voz a transmitir a mensagem de "Boa Noite" com que se encerravam as emissões Rádio Clube de Moçambique.
Recordar é viver

quinta-feira, 5 de maio de 2011

MOÇAMBIQUE

A todos os meus amigos, conheçam ou não aquela linda terra … MOÇAMBIQUE !!!
Aqui vão mais umas imagens do outro lado do tempo. E que tempo esse !

Moçambique 1970: Uma série de vídeos que correm automaticamente e em sequência, até acabar num vídeo sobre a cidade de Quelimane. Um documento muito completo, que nos levará a apreciar muitos aspectos dos sítios por onde passámos (Nacala, Porto Amélia, hoje Pemba, Beira, Xai-Xai e praia Sepúlveda, Lourenço Marques, Tete e Cabora Bassa.

Não podemos jamais esquecer aquele país, aquelas gentes, aqueles cheiros da terra molhada e prenhe de acácias e bungavílias. Quão enebriantes eram aqueles aromas que só Mãe-Africa possui. Matem as saudades e percam uma horas na reminiscência do outro lado dos tempos. Relembrem o que de melhor tem a vossa memória e chorem as lágrimas que guardaram na alma durante este tempo de ausência. Alivia! podem crer...
KANIMAMBO!
António José S.C.Correia
Cordiais Saudações
Até Sempre


LM por malhanga


Lourenço Marques (parte 2) - no outro lado do... por malhanga


Beira - no outro lado do tempo por malhanga


Nacala - no outro lado do tempo por malhanga


Tete e Cabora Bassa - no outro lado do tempo por malhanga


Porto Amélia - no outro lado do tempo por malhanga


Joao Belo (Xai-Xai) - no outro lado do tempo por malhanga


Quelimane - no outro lado do tempo por malhanga

domingo, 2 de janeiro de 2011

BNU MOÇAMBIQUE

Caro colega,anexo mais uma das imensas fotos demontrativas da amizade que existe entre os bancários do BNU que também prestaram os seus serviços além mar
--
Comemorando mais um ano de amizade. Colegas de Moçambique da Tesouraria


António José S.C.Correia
Cordiais Saudações
Até Sempre

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

BNU - MOÇAMBIQUE

Ingressei no BNU, Vila Junqueiro (Gurúè), no 1º de Maio de 1971 - Dia do Trabalhador.
A partir do 25 de Abril passou a ser considerado Feriado Nacional, pelo que, segundo creio, não houve mais admissões nesse dia.
Achei interessante este texto, redigido pelo ex-Vice Governador do Banco de Moçambique Dr. Carlos Adrião Rodrigues.
Reporta-se a um período em que, tal como eu, muitos outros colegas permaneciam em Moçambique como "Cooperantes". Clicar para ler texto
Junto igualmente em anexo um relato sobre as principais ocorrências bancárias no período de 74 a 80, em que é referido o papel preponderante do BNU após a independência de Moçambique.

Saudações cordiais
Jaime Santos

1974
7 de Setembro


Assinatura dos Acordos de Lusaka entre a Frente de Libertação de Moçambique e o Governo português, sobre a Independência de Moçambique. Acordou-se que seria criado em Moçambique um Banco Central. - Acordos de Lusaka e Lei constitucional nº 8/74: alterações à Lei Constitucional relativas a transferência dos poderes do Estado Português sobre Moçambique, 1974:9

A fim de assegurar ao Governo de Transição meios de realizar uma política financeira independente será criado em Moçambique um Banco Central que terá também funções de Banco Emissor. Para a realização desse objectivo o Estado Português compromete-se a transferir para aquele Banco as atribuições, o activo e o passivo do departamento de Moçambique do Banco Nacional Ultramarino. Uma comissão mista entrará imediatamente em funções a fim de estudar as condições dessa transferência. - Acordos de Lusaka e Lei constitucional nº 8/74: alterações à Lei Constitucional relativas a transferência dos poderes do Estado Português sobre Moçambique,1974: 9.

23 de Novembro
Através do Decreto Lei nº 23/74 é atribuida competência ao Ministro da Coordenação Económica para determinar a taxa de redesconto do 0Banco Central, os mecanismos destinados a garantir a selectividade do crédito, as taxas de juro das operações bancárias activas e passivas e os coeficientes de liquidez dos bancos comerciais.

26 de Novembro
A Portaria nº 35/74 fixa as taxas a praticar pelo Banco Nacional Ultramarino (instituição bancária à qual o Estado Português tinha atribuído competência de Banco Emissor na então colónia de Moçambique) no redesconto de letras, livranças e aceites bancários que lhe sejam apresentados pelos bancos comerciais.

- EXTRACTO DA PORTARIA Nº 35/74Considerando a necessidade de aumentar o volume de crédito concedido às actividades económicas; a necessidade de orientar o crédito preferencialmente para as actividades produtivas, nomeadamente agro-silvo-pecuárias e para exportação, o Ministro da Coordenação Económica manda:
1º O Banco Nacional Ultramarino, em Lourenço Marques redescontará as letras, livranças e aceites bancários que lhe sejam apresentados pelos bancos comerciais:
a) À taxa de 5% quando titulem:
1) Operações de crédito a produção e ao investimento agrícola, silvícola, pecuário e piscatório;
2) Operações de crédito à exportação de produtos industriais
b) À taxa de 5,75% quando titulem:
1) Operações de crédito à importação de bens essenciais ao consumo público;
2) Operações de crédito à importação de equipamentos industriais e agrícolas;
3) Operações de crédito à industria transformadora de matérias-primas locais;
4) Operações de crédito à exportação de produtos do Sector primário.
C) À taxa de 6,5% quando titulem outras operações.
2º Para os efeitos do presente diploma considera-se sempre:(...)
a) Crédito ao investimento agrícola, silvícola, pecuário e piscatória(...);
b) Crédito à importação de bens essenciais ao consumo públicos(...);
c) Crédito à produção agrícola, silvícola, pecuário e piscatória (...).

1975
10 de Janeiro


O Despacho do Governo de Transição de Moçambique define as normas gerais a que devem obedecer os meios de pagamento e vias que podem ser utilizados para obtenção de segurança nas operações cambiais e defesa dos interesses do Estado - Boletim da República nº5, I série, Suplemento -.

22 de Março
São designados Adrião Rodrigues e Alberto Cassimo para procederem à transferência do património do Departamento de Moçambique no Banco Nacional Ultramarino para o que viria a ser o Banco de Moçambique - Gabinete do Alto Comissário, confidencial nº 3/c L. Marques, 22 de Março 1975 -.

14 de MaioO Decreto Lei nº 53/75 defere ao Governo de Transição a competência para criar o Banco Central de Moçambique.

17 de Maio
O Decreto nº 2/75 cria o Banco de Moçambique.


Fachada frontal do Banco de Moçambique

EXTRACTOS DA PRIMEIRA LEI ORGÂNICA DO BANCO DE MOÇAMBIQUE
Capítulo I
Da natureza, objecto e fins
Artigo 1º
O Banco de Moçambique, neste diploma designado por Banco, é uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, com a natureza de empresa pública.
Artigo 2º
O Banco rege-se pelas disposições do presente diploma e dos regulamentos que venham a ser adoptados em sua execução bem como pelas normas aplicadas da legislação reguladora da actividade das instituições de crédito.
Artigo 3º
1. O Banco tem sua sede em Lourenço Marques e manterá ou criará filiais ou agências,
genericamente designadas por dependências, em território Nacional ou estrangeiro onde as necessidades do exercício das suas atribuições o justifiquem.
2. O Banco poderá promover a sua representação por outras instituições de crédito nacionais ou estrangeiras, bem como utilizar, para o mesmo efeito, mediante acordo aprovado pelo Governo, a colaboração de quaisquer serviços públicos
Artigo 4º
O Banco tem por objecto o exercício das funções de Banco Central de exclusivo emissor de notas e moedas, de Caixa do Tesouro e de Banco Comercial.
Artigo 5º
O Banco tem como principais fins, em conformidade com a política do governo, promover a realização da correcta política monetária, procurar através de critérios e controlos do crédito à economia, assegurar a estabilidade interna e externa do valor da moeda, gerir disponibilidades externas de forma a manter adequado volume de meios de pagamento necessários ao comércio internacional, fornecer recursos financeiros ao Estado, disciplinar a actividade bancária e orientar a política de crédito do país com vista ao seu desenvolvimento e à realização dos interesses do povo.

21de Maio
São nomeados Alberto Cassimo e Adrião Rodrigues, Governador e Vice-Governador do Banco de Moçambique, respectivamente. - Datas e Documentos Históricos da Frelimo, 1975:592 -.

ALBERTO FRANCISCO CASSIMO nasceu em 28 de Agosto de 1944, em Quelimane, província de Zambézia.
Após estudos na Escola Primária e na Escola Industrial e Comercial de Quelimane, juntou-se à Frelimo em Setembro de 1964 e foi afecto ao programa da Rádio A Voz da Frelimo.
De 1965 a 1971 formou-se em Finanças na Universidade Estatal de Moscovo Lomonossov.
Em 1973 é nomeado membro do Comité Executivo da Frelimo e Secretário adjunto de Informação e Propaganda e no mesmo ano foi nomeado secretário do Departamento de Tesouraria e Finanças da Frelimo até 1977. Em Agosto de 1977 foi eleito Deputado da
Assembleia Popular. Foi eleito membro do Comité Central do Partido Frelimo no III Congresso da Frelimo. Entre 21 de Maio de 1975 e 22 de Abril de 1978 exerceu o cargo de Governador do Banco de Moçambique. De 1978 até a altura do seu falecimento em 1981
assumia as funções de Ministro do Trabalho - Principal legislação. 1981:511 -.


21 de Junho
O Decreto nº 13/75 determina que continue a ter curso legal em Moçambique e poder liberatório pleno as notas de emissão do Banco Nacional Ultramarino, bem como a moeda
divisionária em circulação, até que de outro modo seja decidido pelo Governo da República de Moçambique. Extingue também o Fundo Cambial, cujas atribuições passam para o Banco de Moçambique.

1977
4 -7 de Fevereiro
O III Congresso da Frelimo define o Banco de Moçambique como instrumento de controle da economia.- Directivas económicas e sociais do III Congresso da Frelimo, 1977: 89 -.


26 de Fevereiro
O escudo moçambicano mantém o seu valor e é definida uma nova base de fixação de câmbios, na sequência da desvalorização do escudo português. - Revista Tempo nº 336 de 13 de Março de 1977:7. IRD/EF/ nº45 -.


Segundo Alberto Cassimo:
(...)Uma desvalorização do escudo moçambicano teria efeitos negativos na nossa economia, exactamente porque, neste momento, de acordo com as Directivas Económicas e Sociais aprovadas pelo III Congresso da FRELIMO necessitamos de reactivar a nossa economia, o que implica o aumento de importações de equipamentos para os sectores prioritários e até de bens de consumo(...)- Revista Tempo -.
De acordo com o Aviso de 6 de Março de 1977 do Banco de Moçambique, que definiu uma nova base de fixação de câmbios resultante da decisão de não desvalorizar o Escudo de Moçambique, na sequência da desvalorização do escudo português anunciada em Lisboa, após a suspensão da tabela de câmbios praticada no país até 26 de Fevereiro de 1977, o Banco tomou para a sua taxa básica a quantidade de dólares americanos contida em uma unidade do escudo moçambicano. As taxas de câmbios foram determinadas com base num conjunto de moedas representativas das que são utilizadas nos pagamentos e recebimentos externos, e para o cálculo diário dos câmbios tomaram-se em consideração as cotações diárias internacionais das moedas cotadas pelo BM(...)
Assim, e dada a desvalorização do escudo português, desaparece o vínculo meramente de facto existente entre as duas moedas que estão ao serviço de economias diferentes e com processos distintos de desenvolvimento.
Até ao dia 25 de Fevereiro, o escudo de Moçambique era cotado ao par com o escudo português e, por razões técnicas, a tabela de câmbios que se publicava era feita de acordo com informações do Banco de Portugal. - IRD/EF/nº45, de 7 de Março de 1977-.

5 de Novembro
O Banco de Moçambique passa a controlar o comércio de câmbios e as operações com o
estrangeiro, devido à fuga de divisas e à necessidade de integrar o comércio de câmbios e o esquema de pagamentos ao exterior em condições de segurança e eficiência, no âmbito de uma equilibrada planificação e gestão de recursos. - Revista Tempo nº 371 de 13 de Setembro de 1977:9 -.


31 de Dezembro

Casa Bancária de Moçambique

A Lei nº 5/77 determina a integração da Banca, a cessação das actividades da Casa Bancária de Moçambique e dos departamentos em Moçambique do Banco de Crédito, Comercial e Industrial e do Banco Comercial de Angola, integrando-os no Banco de Moçambique. São extintos o Banco de Fomento Nacional e o Banco Pinto & Sotto Maior.


A Lei nº 6/77, cria o Banco Popular de Desenvolvimento(BPD), através da fusão do Instituto de Crédito de Moçambique e o Montepio de Moçambique.

1978
22 de Abril

São nomeados pelos decretos presidenciais nº 15/78 e 16/78, Sérgio Vieira e Prakash Ratilal Governador e Vice-Governador do Banco de Moçambique,respectivamente.


Sérgio Vieira na tomada de posse

SÉRGIO VIEIRA nasceu a 4 de Maio de 1941 em Tete. Concluíu o ensino Pré-universitário em 1959. De 1959 a 1961 frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo sido forçado a interromper os estudos e abandonar Portugal. Em 1962 é admitido na Faculdade de Direito da Universidade de Paris e no Instituto de Estudos Políticos em Paris, tendo de novo in-terrompido os estudos, por causa da necessidade da luta de libertação. Em 1967 Licenciou-se em ciências políticas pela Universidade de Argélia. De 1967-1969 foi Secretário da Presidência de Eduardo Mondlane e de 1970 a 1975 de Samora Machel. De 1975 a 1977 foi Director do Gabinete do Presidente Samora Machel, de 1978 a 1981 foi Governador do Banco de Moçambique. Depois do Banco, exerceu várias funções governamentais e académicas. Tem sido membro da Assembleia da República por sucessivos mandatos, fórum em que igualmente vem exercendo vários cargos de destaque em diversas Comissões de Trabalho. É membro fundador da Associação dos Escritores Moçambicanos

19 de Maio
A Ordem de Serviço nº 8/78 cria, no Banco de Moçambique, o Conselho Disciplinar
directamente dependente do Governo do Banco13.
O Governo da África do Sul deixa de pagar em ouro, os 60% dos salários dos
trabalhadores moçambicanos nas minas ao Banco de Moçambique.
13 A este órgão cabia analisar a violação da deontologia bancária e sugerir medidas para a eliminação de actos de indisciplina.

Trabalhadores moçambicanos regressando das minas do “rand.”

8 de Junho
A Portaria nº 129/78 determina que junto do Banco de Moçambique e suas agências, e sob a superintendência da Direcção Nacional dos Serviços de Finanças, passa a funcionar a Tesouraria Central do Estado.

1 de Setembro
A Ordem de Serviço nº 1/REC/78 atribui à sede do Banco de Moçambique a competência
exclusiva de executar operações com o exterior, ficando todas as dependências
vedadas a assinar para o estrangeiro.
Aspecto do Balcão das Operações Gerais do Banco de Moçambique em 1980

1979
Cria-se a Escola de Formação da Banca.

Vista frontal da Escola de Formação da Banca

12 de Março
Ao abrigo do Decreto nº 13/75, de 21 de Junho, entra em circulação na República
Popular de Moçambique uma nota de 500$00.


17 de Dezembro
Ao abrigo do Decreto nº 13/75 de 21 de Junho entra em circulação na República Popular de Moçambique uma nota de 100$00 com a aplicação de uma sobrecarga com a
designação Banco de Moçambique.


1980
4 de Fevereiro
Realiza-se a 1ª reunião nacional da banca em Maputo - Revista Tempo nº 487, 10 de Fevereiro de 1980:4-.
Neste encontro, constatou-se que apesar das dificuldades derivadas da falta de
quadros qualificados, tinham sido conseguidos conside-ráveis sucessos no campo
produtivo e organizacional. - Revista Tempo nº 482, 6 de Janeiro de 1980:7.

10 de Maio
Deixam de ter curso legal na República Popular de Moçambique as notas de mil escudos com a data de 16 de Maio de 1972. - Revista Tempo nº 501 de 18 de Maio de 1980:5-.



16 de Junho
A Lei 2/80 cria a unidade monetária nacional, Metical.
Através da Lei 3/80 deixam de possuir valor liberatório as notas de escudos emitidas para Moçambique pela administração Colonial (Banco Nacional Ultramarino), assim como as notas com a sobrecarga (Banco de Moçambique) que circulavam legalmente na República Popular de Moçambique, estabelecendo os termos em que se deve processar a troca de notas.


(...) Em 1975 não dominavamos a economia nacional. Nessa altura criar uma moeda teria
muito pouco significado. Neste momento existe crescimento económico e o desenvolvimento é a base da estabilidade da moeda. A moeda deve corresponder ao
equilíbrio entre a produção e o consumo.- RATILAL, Prakash in: Revista Tempo nº 508 6 de Julho de 1980 -.

31 de Dezembro
A Resolução nº 11/80 do Conselho de Ministro determina que o crédito seja instrumento para a realização dos objectivos da política económica do Estado e a sua concessão deva fundamentar-se nas prioridades do Plano Económico Nacional.
EXTRACTOS DA RESOLUÇÃO Nº11/80
É necessário proceder a uma revisão profunda das políticas de crédito e de juros praticadas pela banca, condição para a realização das tarefas que cabem à banca socialista.
Sendo a banca um instrumento para a realização da política financeira do Estado, a sua actividade no sector do crédito deve harmonizar-se com aquela para que, na prática, se materializem os seus objectivos.
Conceder crédito à economia nacional é função importante do sistema bancário socialista.
Porém, concentrar na banca os meios monetários temporariamente livres de todas as unidades económicas e a poupança da população não é tarefa menos importante, na medida em que são esses recursos, em conjunto com os do orçamento do Estado, que constituem o fundo de crédito tão necessário à materialização de empreendimentos e projectos produtivos, pilares do desenvolvimento duma economia nacional independente avançada e forte.
A vantangem de os depositantes guardarem o seu dinheiro nos bancos reside na segurança total de que passam a beneficiar os valores que lhes são confiados, tanto mais que o Estado garante aos depositantes o reembolso integral dos depósitos efectuados, e ainda em regra, no recebimento de juros. É, assim, do interesse de todo o cidadão depositar nos bancos o produto da sua poupança, assim como é dever das unidades económicas depositar as receitas resultantes do exercício da sua actividade.
As medidas legislativas que, nesta área, foram adoptadas pelo Decreto-Lei nº 23/74, de 23 de Novembro, e Portarias nº 35 e 36/74 de 26 de Novembro, encon-tram-se grandemente ultrapassa-das, pelo que se torna indispen-sável a definição de uma nova política de crédito e de juros.
A presente resolução estabelece medidas que serão complementadas pelas entidades a quem se defere competência em matéria de crédito e juros.
Os princípios que agora se definem exigem a gestão efectiva das empresas segundo os princípios do cálculo económico. O processo de saneamento económico e financeiro e a organização da contabilidade das empresas são condições importantes para a materialização dos objectivos referidos(...)

terça-feira, 23 de março de 2010

BNU - Moçambique

Sede do BNU em Lourenço Marques em 1974

O Banco Nacional Ultramarino atingiu a sua máxima força em Moçambique, permanecendo como banco emissor e primeiro banco comercial daquele vasto território desde 1868 até 1975, data em que a parte moçambicana foi transformada em Banco de Moçambique.
Actualmente sede do Banco de Moçambique

Quando foram feitos os acordos de transferência dos activos do BNU para o Banco de Moçambique ficou assente que viriam para Portugal, onde seriam integrados nos quadros do BNU, 980 trabalhadores do BNU Moçambique, em tranches de 200 por ano.
Afinal só vieram 580 porque 400 desses trabalhadores optaram por ficar em Moçambique.
Em 1978 ficou completa a integração dos trabalhadores de Moçambique no BNU europeu.
Eram colegas com preparação bancária e que tiveram de se sujeitar a lugares muitas vezes pouco consentâneos com a sua competência.
Mas o que sobretudo se fez imediatamente notar foi o afluxo de raparigas e mulheres bonitas ao BNU.
Em Portugal (europeu) o BNU (como em geral, os outros bancos)era um banco antigo e tradicionalista, em que as mulheres ainda não tinham papel preponderante. Mas isso mudou com a vinda do pessoal de Moçambique.
Rapidamente o BNU passou a ser o Banco com mais bonitas mulheres da baixa pombalina.

A Irene veio de Moçambique. Olá Irene!



A Anita Vera Cruz veio de Moçambique. Está no filme, de há vinte anos, com a Drª Lemos Viana, o Alexandre Dias e o Moura de Figueiredo.
Telefonou-me há dias e estava toda orgulhosa das suas três filhas. A do meio está casada com o Carvalho da Silva, presidente da CGTP.