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sexta-feira, 28 de junho de 2013

OS PRESIDENTES DO BNU

Busto de Chamiço, que esteve na sede
Rua Augusta desde o centenário e está
agora no Centro de Documentação da
CGD - a Sapadores, Lisboa
Na página deste site, GOVERNADORES E PRESIDENTES, podemos verificar que o Banco Nacional Ultramarino, desde a sua fundação, 16 de Maio de 1864, até à sua completa extinção, 23 de Julho de 2001, teve 17 presidentes, que, conforme o estatuto que o BNU foi tendo, foram apelidados de Governadores, Presidentes do Conselho de Gestão ou Presidentes da Administração.
Vale a pena ler atentamente os dados da vida destes presidentes e, entre esses dados, escolhermos os que nos parecem terem sido mais determinantes para a sua nomeação para a presidência.
 
Pela vida do fundador, Francisco Chamiço, verificamos que, perdido o Brasil, a fundação dum banco dedicado ao desenvolvimento da presença portuguesa nas colónias africanas e asiáticas era uma necessidade premente para a sobrevivência do poder político e económico português. O facto desse banco, com regalias e ajudas do Estado, sem qualquer concurso público, ter caído nas mãos de Francisco Chamiço, deveu-se ao seu familiar, José da Silva Mendes Leal, ao tempo Ministro da Marinha e do Ultramar, que, em menos de mês e meio, expõe pessoalmente o projeto na Câmara dos Deputados, faz aprovar o decreto que aprova o Banco e faz assinar a Carta de Lei pelo Rei D. Luís que ratifica o decreto.
 
Até 1931, os Governadores do BNU são nomeados pelos acionistas, que são todos privados. Mas verificamos que os governadores eleitos estão todos, de alguma forma, ligados ao poder político e, especificamente, ao poder político colonial. Este facto leva-nos a concluir que os acionistas queriam estar bem com o Estado protetor, essencial para manter as regalias estatais do BNU, concedidas desde a sua fundação.
Alguns estão também ligados a famílias de banqueiros conhecidos e que atualmente continuam ligadas ao poder financeiro.
Não foi encontrada descendência de Francisco Chamiço.
 
Em 10 de Fevereiro de 1931, o BNU é intervencionado pelo Estado e fica, a partir de então, na prática, nas mãos do Estado, de que não mais se liberta.
Em 11 de Maio de 1951 o Estado dá por concluída a intervenção direta no BNU, entregando-o aos acionistas privados. Mas na realidade, os privados não têm poder económico para comprar os créditos do Estado, transformados em ações e o Governo continua a mandar nas administrações do BNU e a ter uma palavra decisiva na nomeação do presidente.

Em 1931, para presidente do Conselho Administrativo e Comissário do Governo, Salazar nomeia o militar António dos Santos Viegas, filho dum professor Universitário de Coimbra, ao gosto do ditador.

Em 1951, é eleito Francisco Vieira Machado muito ligado ao Estado Novo, onde exerceu funções de Ministro (influente) do Ultramar.

Depois de Vieira Machado o percurso que conduz a presidente do BNU começa invariavelmente com algum cargo no governo, sobretudo no Ministério das Finanças, como se ao chegar ao poder, o interessado visse que o melhor arrimo para a vida era mandar num Banco e o BNU fosse o que estivesse mais à mão.
  
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

ANTÓNIO DE SOUSA

António José Fernandes de Sousa, filho de um funcionário do Banco Nacional Ultramarino, nasceu a 18 de Fevereiro de 1955 na Freguesia de São Jorge de Arroios, em Lisboa. Licenciou-se em Administração e Gestão de Empresas na Universidade Católica Portuguesa em 1977. Em 1983, doutorou-se em Gestão de Empresas (área de Planeamento Estratégico) na Wharton School da University of Pennsylvânia.
Foi professor na Universidade Católica de 1975 a 1991. Foi administrador do IPE (Instituto de Participações do Estado) em 1986 e 1987.
Foi Secretário de Estado da Indústria no governo de Cavaco Silva, entre 1987 e 1989, sendo Ministro da Indústria e da Energia, Luís Mira Amaral.
No terceiro governo de Cavaco Silva foi Secretário de Estado Adjunto e do Comércio Externo (1991-1993), sendo Ministro do Comércio e Turismo, Fernando Faria de Oliveira e Secretário de Estado Adjunto e das Finanças (1993-1994), sendo Ministro da Finanças, Eduardo Catroga.
Em 1994 deixou a secretaria de Estado das Finanças e foi nomeado pelo seu Ministro, Eduardo Catroga, governador do Banco de Portugal, cargo que manteve até 2000.
Em 2000 foi para presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos e, em consequência e concomitantemente, presidente do Conselho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino.
Sob a sua presidência, em 28.05.2001 foi deliberada a fusão do BNU com a Caixa Geral de Depósitos e em 23.07.2001, é concretizada a fusão por incorporação, mediante a transferência global do património da sociedade “Banco Nacional Ultramarino S.A." para a "Caixa Geral de Depósitos S.A."
O dia 23.07.2001 é, assim, o dia do funeral do já moribundo BNU, que deixou oficialmente de existir, embora os dísticos das dependências, nas contas, nos cheques, nos cartões, etc., só desapareçam na missa de aniversário, um ano depois, Julho de 2002.
Mantém-se o nome do BNU em Macau e Timor, mas na condição de subsidiário da Caixa Geral de Depósitos, detentor da totalidade do capital social.
O Dr. António de Sousa saiu da Caixa Geral de Depósitos em 2004, incompatibilizado com o seu antigo protetor e ministro, Luís Mira Amaral, que, como Presidente da Comissão Executiva da CGD, colocado pela Drª Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças de Durão Barroso, queria ter poderes que invadiam a esfera do Dr. António Sousa. Bagão Felix, ministro das Finanças de Santana Lopes, acabou com a guerra, pondo ambos fora da CGD, ao que parece com uma boa reforma.

assinaturas de A. de Sousa
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

JOÃO SALGUEIRO


João Maurício Fernandes Salgueiro, nasceu a 4 de Setembro de 1934 em São Paio de Merelim, no concelho de Braga. É licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (Universidade Técnica de Lisboa) e tem uma pós-graduação em Planeamento Económico e Contabilidade Pública pelo Instituto de Estudos Sociais de Haia, Holanda. Em 1959 começou a trabalhar como técnico economista no Banco de Fomento Nacional, cargo que manteve até 1963. Em 1961 foi nomeado assistente e regente das cadeiras de Teoria Económica e Desenvolvimento Económico no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, acumulando, a partir de 1965, as funções de diretor do Departamento Central de Planeamento e de secretário técnico da Presidência do Conselho, as quais manterá até 1969. Em Janeiro de 1972 passou a presidir à Junta de Investigação Científica e Tecnológica, onde se manteve até Setembro de 1974.
Em Agosto de 1974 tornou-se vice-governador do Banco de Portugal, deixando esse lugar em Março de 1975. Foi presidente do Instituto de Investimento Estrangeiro em 1981 e presidente do Banco de Fomento Exterior entre 1983 e 1992.
Foi professor convidado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Católica (1986-1986) e da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (lecionando aqui as cadeiras de Economia Portuguesa entre 1986 e 2003 e de Gestão Bancária entre 1992 e 1993) e do Instituto Superior de Gestão Bancária (onde foi responsável pela disciplina de Integração Europeia de 1992 a 1995).
Foi presidente da Juventude Universitária Católica e, no período da chamada primavera marcelista (1968 – 1970), participou na fundação da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social)
Em Março de 1969, Marcello Caetano nomeia-o subsecretário de Estado do Planeamento, cargo que ocupa até Agosto de 1971. No governo de Pinto Balsemão - VIII Governo Constitucional entre 1981 e 1983 - foi ministro de Estado e das Finanças e do Plano. Foi deputado à Assembleia da República pelo PSD, entre 1983 e 1985 e, nesse período, presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Finanças.
A 10 de Janeiro de 1996 foi nomeado Administrador-geral da CGD e, por acumulação, Presidente do Conselho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino, cargos que exerce até 22 de Fevereiro de 2000.
Foi também vice-governador do Banco de Portugal, presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento Nacional, vice-presidente do Conselho Económico e Social e presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Assinatura de João Salgueiro
como Presidente do BNU

segunda-feira, 3 de junho de 2013

CARLOS TAVARES

Carlos Manuel Tavares da Silva, natural de Estarreja, onde nasceu a 4 de abril de 1953. Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto.
Foi assistente nesta faculdade, onde lecionava também Miguel José Ribeiro Cadilhe.
Entrou como técnico para o gabinete de estudos macroeconómicos do Banco Português do Atlântico, sob a dependência de Miguel Cadilhe, o chamado coveiro do BNU. Cadilhe foi chamado pelo Prof. Cavaco Silva para ministro das Finanças, tomou posse em 6 de Novembro de 1985 e, na sequência de problemas com utilização de bens do estado, teve de sair do governo em 5 de Janeiro de 1990. Em 1989, Cadilhe convidou Carlos Tavares para secretário de Estado do Tesouro, atribuindo-lhe a responsabilidade pelo controle dos orçamentos e investimentos nas empresas do Estado. Quando Cadilhe abandonou o Governo, Carlos Tavares manteve-se na Secretaria de Estado, passando a integrar a equipa de Miguel Beleza. Em 1991, é formado o XII governo constitucional presidido igualmente pelo Prof. Cavaco Silva, tendo como Ministro das Finanças, Braga de Macedo. Carlos Tavares não ficou na equipe ministerial e passa a presidir ao Conselho de Administração da Unicre, desempenhando a função de administrador do SIBS, ambos no setor bancário. Em fevereiro de 1992, regressa ao Banco Português do Atlântico e, em novembro desse ano, sendo Ministro das Finanças, Jorge Braga de Macedo, é eleito presidente do Banco Nacional Ultramarino. Dada a entrada da Caixa Geral de Depósitos no capital do BNU, Carlos Tavares ficou também como vice-presidente da Caixa geral de Depósitos, cargos que exerce até 1996.
Desde a sua entrada no ministério das finanças, continuou sempre ligado ao setor bancário e, em 1996, quando sai do BNU – CGD, passa pelo Cisf (banco de investimentos do Banco Comercial Português) e pelos bancos Chemical, Totta, Pinto e Sottomayor e Crédito Predial Português, sempre em cargos de liderança.
Na campanha eleitoral que levou ao governo o Partido Social Democrata, sob presidência de Durão Barroso, defendeu o programa do partido, mostrando-se favorável ao choque fiscal, com uma baixa significativa de impostos como meio para dinamizar a economia.
Na sequência, foi ministro da economia do governo de Durão Barroso - XV Governo Constitucional - como ministro da Economia (6 de Abril de 2002 – 17 Julho de 2004).
Actualmente é o presidente do Conselho diretivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
A 6 de Fevereiro de 2003 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Rosa Branca da Finlândia, a 10 de Agosto de 2003 com a Grã-Cruz da Ordem de Honra da Grécia e a 16 de Setembro de 2003 com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil.
É um grande admirador e intérprete das músicas de Jorge Palma.

Assinatura de Carlos Tavares
como presidente do BNU
 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

DR. COSTA PINTO


Dr. João António Morais da Costa Pinto, natural de Vila Nova de Tazém, concelho de Gouveia, distrito da Guarda, nasceu em 09.12.1945. É presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Tázem. Estudou na Escola Comercial e Industrial de Viseu e licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia do Porto, em 1969. Foi professor convidado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e na Universidade Católica do Porto.
Em 1973 entrou para os quadros do Banco de Portugal onde exerceu os cargos de consultor da administração, diretor de departamento, administrador e vice-governador.
Foi secretário adjunto para a economia e finanças do governo de Macau de 19 de Junho de 1981 a 28 de Novembro de 1984, tendo sido condecorado, na sequência do exercício destas funções, como Grande Oficial da Ordem do Infante.
Foi Presidente  do Conselho de Administração do Banco de Comércio e Indústria (BCI).
Foi Vice-Presidente da Associação Empresarial de Portugal, Membro do Comité Monetário da Comunidade Europeia em Bruxelas (1993- 1996) e Membro do Comité de Alternates do Comité de Governadores dos Bancos Centrais Europeus (1993-1997).
Em 5 de Julho de 1988 é publicado o Decreto-Lei 232/88 de 5.7 que transforma o BNU de E.P. (Empresa Pública) em S.A. (Sociedade Anónima), de capitais exclusivamente do estado, "podendo no entanto a sua gestão ser cometida a uma entidade do setor público". O mesmo dec.-lei convoca a assembleia geral do BNU, com objetivo de eleger os cargos sociais e aprovar o respetivo estatudo remuneratório.
Dr. Costa Pinto no BNU
Na sequência, foi realizada a assembleia geral em 31 de Outubro de 1988, que elegeu o novo Conselho de Administração, presidido pelo Dr. Costa Pinto e com os vogais Dr. Carlos Prieto Traguelho e Dr. Vítor Carlos Carvalho Madureira, que transitaram do anterior Conselho de Gestão e ainda Dr. Rui Gomes do Amaral e Dr. Carlos Alberto Fernandes Alcobia.
Em finais de 1989 transfere-se a sede do BNU para o novo edifício da 5 de Outubro, começando a mudança dos serviços. O Contencioso de Banco, que funcionava na Rua do Comércio, edifício Caracol, transferiu-se no  fim de semana de 23-24 de Setembro de 1989, sendo o último dia no Caracol, no dia 22 de Setembro de 1989, 6ª feira e começando a funcionar na 5 de Outubro, na subsequente 2ª feira, dia 25 de Setembro.  
O Dr. Costa Pinto acabou o seu mandato como Presidente do BNU em 1992 e atualmente é Presidente do Conselho de Administração Executivo da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (CCCAM).
Assinatura do Dr. Costa Pinto
como Presidente do BNU



quarta-feira, 29 de maio de 2013

DRª MANUELA MORGADO


Foto consta de site da Ordem dos
Economistas, indicada pelo colega
Cotovio
Maria Manuela Matos Morgado Santiago Baptista foi secretária de Estado do Tesouro e Secretária de Estado das Finanças no 1º Governo Constitucional, presidido por Mário Soares e sendo Ministro das Finanças Henrique Medina Carreira, sendo presidente da República, António Ramalho Eanes, governo que findou com a tomada de posse do 2º governo Constitucional em 23.01.78, terminando também as funções de Secretária de Estado da Drª Manuela Morgado.
Foi administradora do Banco de Portugal e presidente da Associação Portuguesa dos Economistas (APEC) e após esta ter passado a ordem dos economistas, de 2005 a 2010 foi vogal do Conselho Geral, de 2005 a 2010. Também pertenceu ao conselho de administração da Cosec (Companhia de Seguros de Crédito).

Sucedeu ao Dr. Mário Adegas como presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino, em 1987, sendo Primeiro Ministro Aníbal Cavaco Silva e Ministro das Finanças, Miguel José Ribeiro Cadilhe.
O ministro Cadilhe prosseguiu com a sua ideia de integração do BNU na Caixa Geral de Depósitos e para isso transformou o Banco Nacional Ultramarino de empresa pública numa sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos.
Como refere a Drª Mónica Ferreirinha na sua História do BNU, em 26.10.1988, na cerimónia da tomada de posse do novo Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, presidida por Rui Vilar, o Ministro das Finanças Dr. Miguel Cadilhe referiu que cabia à Caixa Geral de Depósitos a responsabilidade de gerir o Banco Nacional Ultramarino.
Penso que, na altura, os trabalhadores não nos apercebemos daquilo que seria o caminho normal para a extinção do nosso Banco. Na conversa com o Sr. Dr. Assunção Fernandes, fiquei a saber que a administração do Dr. Mário Adegas, viu logo que o BNU não teria futuro e por isso se demitiu.  

Assinatura da Drª Manuela Morgado
como Presidente do BNU 

quarta-feira, 13 de março de 2013

MÁRIO MARTINS ADEGAS


Nasceu em 25 de Outubro de 1935, em Romariz, concelho de Santa Maria da Feira. Licenciou-se em economia pela Faculdade de Economia do Porto em 1959.
Em 1960 começou a trabalhar na Direção da Segurança Social e em 1961 na Direção dos Serviços de Finanças da TAP. De 1964 a 1975 esteve como diretor do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.
De 1976 a 1980 esteve como administrador do BNU
1980 a 1982 vice-presidente do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.
Foi secretário de estado do Tesouro do VII Governo Constitucional, vice-presidente do Concelho Nacional do Plano (1980), Deputado à Assembleia da República de 1980 a 1985 e presidente da Assembleia Municipal da Feira de 1982 a 1985.
De 1982 a 1987 presidente do Banco Nacional Ultramarino.
Concretizou a aquisição do edifício da Av. 5 de Outubro para sede do BNU, contratando com o arquiteto Tomás Taveira a sua adaptação a sede do Banco.
A seu pedido, é exonerado por despacho de 23 de Abril de 1987 e volta para administrador do BES onde se mantém até 2002.
A partir de 27 de Março de 2002 é administrador não executivo do BES e membro da Comissão de Auditoria.
O seu pedido de exoneração e dos membros da sua equipe de administradores do BNU, está relacionado com a falta de cumprimento por parte do Estado, do devido pagamento das indemnizações ao BNU pela entrega das agências e instalações do Banco às ex-colónias portuguesas.
Este propósito de não ressarcimento do BNU teria ficado claro em reunião do Conselho de Administração do BNU com o então Ministro da Finanças de Cavaco e Silva, Dr. Miguel Cadilhe.
Ficou claro que o BNU, assim, não teria futuro e aquela administração não quis passar à história como o seu coveiro.
O caminho, a partir dali, foi sendo o normal até ao desaparecimento do BNU passados poucos presidentes.
Assinatura de Mário Adegas,
como presidente do BNU

segunda-feira, 11 de março de 2013

JOSÉ DE OLIVEIRA MARQUES

Nasceu em Moçambique no dia 1.12.1931.
Casou com a Drª Honorina de Sousa Abreu Marques, nascida em 2.05.1932 e falecida em 22.11.2011, que foi médica dos serviços médico-sociais do BNU, e que muitos colegas conheceram e apreciaram pela sua competência e disponibilidade.
O Dr. Oliveira Marques licenciou-se em ciências económico-financeiras e entrou no Banco Nacional Ultramarino, como Diretor, em Lourenço Marques, em 1967, tendo em 1968 passado a Diretor para o Ultramar. Nesse mesmo ano, foi nomeado pelo governo de Salazar Secretário de Economia da Província de Moçambique, cargo que exerceu até 1970.
Em 15 de Abril de 1970 volta ao BNU, para diretor para o Ultramar, vindo para a sede da Rua Augusta em Lisboa.
Em 5 de Abril de 1973 é nomeado administrador do Banco, sendo-lhe atribuída como secretária, em 16.04.73, Maria da Graça de Jesus Oliveira Palmeiro Antunes.
Chamou para o assessorar o Dr. João Higino do Rosário Silva, licenciado em economia e direito, de Cabo Verde, que posteriormente chega a diretor do B.N.U. e, após se reformar do BNU, ocupa cargos importantes, como embaixador de Cabo Verde em Portugal, Presidente do Banco de Cabo Verde, presidente dos TACV – Transportes Aéreos de Cabo Verde.
Em 5 de Junho de 1974, com a nomeação do Dr. Espinosa para Governador, o Dr. Oliveira Marques é nomeado Vice-Governador do BNU.
Após o golpe do 11 de Março de 1975, o Conselho da Revolução exonerou o Dr. Oliveira Marques das suas funções no BNU.
Entretanto, sendo Primeiro Ministro do 1º Governo Constitucional Mário Soares, é nomeado para o Conselho de Gestão do Banco Borges e Irmão, donde sai em 31 de Agosto de 1977.
Em Janeiro de 1979, regressa ao BNU, como presidente do Conselho de Gestão, nomeado pelo Ministro das Finanças, Manuel Jacinto Nunes, do Governo de Carlos Mota Pinto.
Refira-se que, pelo dec.-lei 294/75 de 22.12, as administrações dos bancos nacionalizados, incluindo o BNU, passaram a denominar-se Conselho de Gestão, “composto por não mais de sete membros, um dos quais será presidente”. Deixou de haver Governadores e vice.  
Como novidade na presidência do Dr. Oliveira Marques, lembramos a remodelação das direções do Banco, instituindo o Secretariado Operacional, que depois se tornou o Departamento de Normas e Instruções, sob a Direção do seu amigo Dr. José da Silva Casanova, e que veio a integrar e aproveitar muitos trabalhadores que tinham vindo do BNU de Moçambique.
Reintegrou também nos quadros do BNU, o Sr. Dr. Herlander Machado, que havia sido despedido, na sequência de processo disciplinar, por despacho do Conselho de Gestão de 27 de Novembro de 1974. O Dr. Herlander conseguiu em tribunal a sua reintegração no BNU e o Dr. Oliveira Marques  nomeou-o Diretor Geral do Banco, um cargo que antes não existia.
Em 16 de Julho de 1980, os trabalhadores do BNU, são surpreendidos com a nomeação, por resolução do Conselho de Ministros do Governo da AD, presidido por Sá Carneiro, de três novos membros do Conselho de Gestão do BNU, Drs. José de Oliveira e Costa, António Ribeiro Maçarico e Joaquim Ramos de Jesus, em substituição de Drs. Mário Martins Adegas e Manuel Filipe Pessoa dos Santos Loureiro e José Ribeiro Vitorino, que eram exonerados.

foto cedida por Graça Palmeiro Antunes
Novo Conselho de Gestão do BNU, de 1980 a 1982, da esquerda:
Dr. António Maçarico, Dr. Oliveira e Costa (vice-presidente),
Dr. Oliveira Marques (Presidente), Dr. Fortes da Gama, Dr. Luis Moreno
e Dr. Joaquim Ramos de Jesus
A surpresa vinha do facto de o Sr. Dr. José de Oliveira e Costa ser nomeado Vice-Presidente, um cargo que havia desparecido em 22.12.1975.
Desde logo se falou nos mentideros do Banco que esta nomeação era uma forma de tirar poder ao Dr. José Oliveira Marques, mais ou menos conotado com o PS e dar força ao PSD no BNU.
Nessa data, estava em plena negociação a compra do edifício da Av. 5 de Outubro, pertencente a Construções Continental e que tinha já a estrutura construída, ocupando o quarteirão que antes era composto por vários edifícios menores.
Foi então visível a guerra que havia entre presidente e vice-presidente do BNU.
Foi tornado público que o vendedor do edifício da 5 de Outubro tinha gravações de conversações que tinha tido com uns apelidados “homens do presidente” que se apresentavam como representantes do Dr. Oliveira Marques e que queriam comissões para que o Banco comprasse o edifício.
O dono do prédio queria garantias de que estava a lidar com representantes do presidente mas “os homens do presidente” só podiam dar-lhe sinais de que estavam mandatados e nunca poderia aparecer o presidente diretamente ou em qualquer ato que comprometesse  a sua seriedade.
Diziam-lhe por exemplo que na próxima reunião do Conselho de Gestão seria tomada esta resolução ou aquela. Depois traziam cópia da ata para comprovar.
Aparecem então cópias de atas do conselho, supostamente deixadas cair nos corredores do BNU.
A guerra entre presidente e vice-presidente seria então no sentido de o vice se opor à compra do edifício se o negócio fosse tratado pelo presidente.
A compra não se concretizou na presidência do Dr. Oliveira Marques e a guerra entre os Oliveiras (Costa e Marques) terminou com a exoração de ambos no final do triénio (1982).
O Dr. Oliveira e Costa continuou o seu percurso, chegando a Secretário de Estado das Finanças do Governo de Cavaco Silva, presidente da comissão concelhia de Aveiro e deputado do PSD, presidente de um Banco (BPN) e presidiário.
O Dr. José Oliveira Marques, depois da presidência do BNU, esteve na administração de várias empresas e, em 20.02.1993, sendo presidente da ANA – Aeroportos e Navegação Aérea, acabado de regressar a sua casa de Lisboa, onde vivia com a Drª Honorina, vindo de uma Assembleia da ANA, realizada no Algarve, faleceu de ataque cardíaco.
Assinatura do Dr. Oliveira Marques como presidente do BNU

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ANTÓNIO DOS SANTOS VIEGAS


Nasceu em Coimbra no dia 5 de Maio de 1870 e morreu em Lisboa no dia 1 de Março de 1949.
Era filho de Maria Francisca de Vasconcelos Carreira e do grande covilhanense António dos Santos Viegas, catedrático da faculdade de filosofia de Coimbra, reitor da Universidade de Coimbra, par do reino, deputado às cortes pela Covilhã, ministro das finanças de Sidónio Pais e representante de Portugal no Tratado de Versalhes.
O nosso António dos Santos Viegas licenciou-se em filosofia e matemática pela Universidade de Coimbra e em engenharia civil pela escola do exército.
Começou a carreira profissional como docente no Instituto Comercial de Lisboa e no instituto Superior Técnico de Lisboa.
Em 1888 alista-se no exército, sendo promovido a Alferes em 1894, tenente em 1896, capitão em 1904, major graduado em 1915, tenente coronel graduado em 1918, coronel graduado em 1920, passando à situação de reserva por limite de idade em 1929 e à reforma em 1940.
Em 1895-1896 participa na expedição militar a Moçambique, participando na operação que levou ao aprisionamento de Gungunhana.
De 1900 a 1904 exerce as funções de Secretário da Comissão Militar dos Caminhos de ferro e em 1907 entra nos quadros do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, com as funções de inspetor superior das obras públicas e vogal do Conselho Superior de Obras Públicas.
Em 1914 é nomeado chefe da III brigada dos Caminhos de Ferro e chefe da Divisão de Exploração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, onde depois foi subdiretor até 1919.
Na sequência da crise de 1930, em fins de Janeiro de 1931, o governador do BNU, João Ulrich e os restantes administradores colocam o lugar à disposição do Ministério das Finanças, o que leva à sua intervenção imediata no Banco, nomeando em 11 de Fevereiro de 1931 um Conselho Administrativo, presidido pelo Comissário do Governo, António dos Santos Viegas e tendo como membros, Quirino Avelino de Jesus, Jaime da Fonseca Monteiro, Júlio Schmit, Artur Meneses de Correia e Sá, Francisco José Correia Machado, João Batista de Araujo, Carlos Soares Branco e José Gabriel Pinto Coelho.
António dos Santos Viegas manteve-se como presidente do Conselho Administrativo até à sua morte.

Assinatura de António dos Santos Viegas
enquanto presidente do C. A. do BNU

segunda-feira, 4 de junho de 2012

ALBERTO ALVES DE OLIVEIRA PINTO

Nasceu em 1932 em Paços de Brandão, Concelho da Feira, é licenciado em Ciências económicas e Financeiras (1951/1956).
Foi Presidente do Concelho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino desde Fevereiro de 1976 a Janeiro de 1979, nomeado pela resolução de 27 de Janeiro de 1976, do Conselho de Ministros, presidido por José Batista Pinheiro de Azevedo, que nomeou também os seguintes administradores para o BNU:
Dr. António Carlos Palmeiro Ribeiro.
Dr. José Andrade Soares.
Dr. José Manuel Sampaio Cabral.
Dr. Mário Martins Adegas.
Dr. Rui Fortes da Gama.
Dr. José Augusto Gaspar.
Atualmente é Presidente do Conselho de Administração do BES desde Março de 2008.
Foi administrador não executivo do Banco Espirito Santo desde Fevereiro de 2006 e administrador não executivo da Galp Energia, desde Setembro de 2006.
Em Junho de 1957 ingressou nos quadros do Conselho de Câmbios de Angola – mais tarde Inspeção de Crédito e Seguros.
A partir de Setembro de 1958, passou a integrar os quadros superiores do Banco de Angola, sendo, em Agosto de 1962, nomeado diretor–geral.
Exerceu estas funções até Outubro de 1968, altura em regressou a Lisboa para assumir o cargo de secretário-geral desse banco.
Entre Janeiro de 1974 e Fevereiro de 1976 exerceu funções de administrador fora do sector bancário, nomeadamente de administrado da Sociedade central de Cervejas, SARL, da Companhia de Cervejas Coimbra, SARL, e de presidente do Conselho de Administração da COMPAVE, SARL, sociedade então pertencente ao Banco Português do Atlântico.
Exerceu o cargo de Vice-Governador do Banco de Portugal de Janeiro de 1979 a Julho de 1980.
Nesta mesma data – Julho de 1980 - é nomeado administrador geral e presidente da caixa Geral de Depósitos, cargo em que se manteve até Julho de 1989.
Presidiu ao Conselho de Administração da Locapor – Companhia Portuguesa de Locação Financeira mobiliária, de Maio de 1982 a Julho de 1989.
Presidiu ao Conselho de Administração da Imoleasing – Sociedade de Locação Financeira Imobiliária, de Junho de 1984 a Novembro de 1985.
Em Junho de 1986 foi agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito.
Em Julho de 1987 foi-lhe conferida a Medalha de Mérito D. João VI (Rio de Janeiro).
Foi Vice-presidente do “Grupo das Caixas Económicas da Comunidade Económica Europeia” de Dezembro de 1987 a Julho de 1989.
Em Julho de 19789 regressa aos quadros do Banco de Portugal na categoria de consultor económico.
A partir de Julho de 1991, empenha-se na criação de um novo banco – Banco Nacional de Crédito Imobiliário - , exercendo as funções de presidente do respetivo conselho de administração desse banco até Abril de 2005.
Assinatura do Dr. Oliveira Pinto