António Carlos Freire do Amaral Cabral Metello Fezas Vital, nasceu em 1924, em Coimbra, onde o Pai, Domingos Fezas Vital (1888-1953) era professor catedrático de direito. O pai era natural de Caminha e a Mãe, Maria Teresa Freire do Amaral Cabral (1896-1986) era filha de António do Amaral Cabral Saraiva, de Celorico da Beira e de Maria da Conceição Freire Cortez Cabral Metello, da Guarda. O Dr. Fezas Vital casou com Maria Madalena Sá Paes do Amaral Macieira, foi vogal da direcção do Sport Lisboa e Benfica (1957-1961); vice-presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica (1961-1962) e Presidente do Sport Lisboa e Benfica (1962-1963) e director do Jornal BENFICA (1963). O Benfica ganhou a taça dos Campeões Europeus em 1961, em Berna contra o Barcelona e, nesse dia, o presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, teve um enfarte que acabou por afastá-lo da direcção, sendo então substituído pelo Dr. Fezas Vital. O Benfica foi novamente campeão europeu em 1962, com a presidência do Dr. Fezas Vital e pôs fim ao contrato que tinha com o treinador Bella Guttman. Foi director do Departamento de Pessoal do Banco Nacional Ultramarino desde meados dos anos sessenta do século passado e também administrador da CNUFA, tendo sido saneado depois do 25 de Abril. Morreu no dia 30 de Dezembro de 2003 Dr. Rostom conheceu-o e dá-nos, sobre ele, um pequeno depoimento
Ardechir Cae-Cobade Rostom, advogado, trabalhou no Banco Nacional Ultramarino desde 1 de Abril de 1974 até Abril de 1992, sempre nos Recursos Humanos. Actualmente é notário em Lisboa, está de boa saúde. Aqui nos deixa o seu depoimento
Manuel Sequeira Lopes Gallego é um dos mais famosos solicitadores de Lisboa. Filho do ilustre e também famoso solicitador Fermín Gallego, começou a trabalhar como solicitador no Banco Nacional Ultramarino, nos anos oitenta do século passado, sendo director do Contencioso o sr. Dr. Teófilo Duarte. Muitos de nós, trabalhadores do contencioso do BNU, lidámos com ele durante vários anos, travando as lutas do dia a dia, muitas vezes com falhas, que o muito trabalho provocava, mas lá fomos todos levando a água ao moínho do BNU, por quem todos dávamos o nosso melhor.
Há vários grupos de antigos empregado do BNU que fazem almoços regulares para não perder o contacto. O grupo das 1ª terças feiras do mês, tem o almoço marcado para o restaurante Rodízio Grill - ao Campo Pequeno, 79. Já me tinham avisado e desta vez fui ter com eles. Hoje não vieram muitos. O Saborida, que ainda trabalha na CGD - Marketing, o Miranda, o Caeiro e o José Nunes, todos reformados, não faltaram. O Rito e o Fernando Miguel fizeram-se convidados.
Na senda da vida do saudoso Nuno Bermudes, fui, com o Fernando Miguel, visitar o pintor José Pádua.
Grande amigo do Bermudes, Pádua foi o seu indefectível colaborador na edição dos seus livros, aparecendo sempre a ilustrar os textos ou as capas. "Capa e ilustrações de JOSÉ PÁDUA".
O Pádua é dos mais importantes pintores moçambicanos a residir em Portugal e continua a sua actividade, apesar de os problemas de saude já condicionarem um pouco o seu horário.
Quando o Nuno Bermudes, regressado de Moçambique, entrou na sede do BNU, na Rua Augusta, os colegas que privávamos com ele, tivemos a sorte de ficar amigos do José Pádua, que frequentemente aparecia no Banco e nos deixava muitos trabalhos feitos por ele.
Já aqui demos notícia de um deles, no NATAL 1977
O José Padua nasceu na cidade da Beira, Moçambique, em 1934 e veio para Lisboa em 1977. Foi eleito "Artista Plástico de 1966" pelo jornal A Tribuna de Moçambique, premiando o seu trabalho como pintor, decorador, ilustrador e gravador.
Entre 1974 e 1978 trabalhou exclusivamente para a galeria de Arte R. Rennie, Harare, Zimbabwe.
De 1979 a 1981 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, frequentando cursos de gravura em metal e de litografia.
Em 1980 e 1981 foi distinguido com os 2º e 1º prémios respectivamente, em exposições sobre temas de Lisboas. Em 2002 foi editado um seu trabalho de temática africana: "O Fascínio de Moçambique", com textos de António Sopa, Fernando Couto, Mia Couto, Malangatana, Álvaro Henriques, José Forjaz, Augusto Cabral e Naguib e reproduções de aguarelas do Pádua.
Com o título "pintar a poesia", diz Mia Couto: A pincelada breve, magra, sugerindo apenas a forma e indicando a cor. Isso eu busco nos quadros de Pádua. Como procuro na poesia que vive apenas de essência, depurada de excesso, sacudida de artifícios."
Apresentamos a capa e algumas das aguarelas do livro.
Tem também trabalhos na área da escultura e azulejaria, bem como murais em cimento em Joanesburgo no Bank of Lisbon & South Africa e em Moçambique nos areoportos de Mavalane e Beira; Banco Pinto & Sotto Mayor, Montepio de Moçambique, Banco de Crédito Comercial e Industrial, piscinas do Complexo Desportivo dos Caminhos de ferro da Beira, Banco de Moçambique e Cinema Novocine.
O Pádua quiz falar-nos da sua relação com o Bermudes.
A propósito, o nosso colega Fernando Miguel guardou um poema que o Bermudes fez por ocasião da instituição de Quadro de Ausentes, pelo Conselho de Gestão do BNU:
Mas que grande confusão
que a todos está a causar
a estranha deliberação
acabada de tomar
p'lo Conselho de gestão,
com o seu Quadro de Ausentes:
- o mesmo que um grito mudo,
sem cristal fabricar lentes,
com o Nada criar Tudo,
fazer um pente sem dentes!
Porque lá não há ninguém,
como o nome especifica
tão concretamente e bem
- pois quem se ausenta não fica
e um vazio nada tem!
Mas, enfim quem sabe lá,
com tanta gente a sonhar
e as voltas que o Mundo dá,
se não se pode criar
um Quadro que há mas não há!
Era assim o Bermudes.
O que muitos de nós não sabíamos era que o jovem Nuno Bermudes, sportinguista, entrou no filme realizado pelo seu Avô, o benfiquista Félix Bermudes, "O Leão da Estrela", ao lado do António Silva.
Podemos ver um extrato desse filme. O Bermudes é o jovem, de boina na cabeça, que está ao lado esquerdo do António Silva e que se farta de levar pisadas deste e também um beijo na cara.