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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

NOVO HOTEL

Em 1989 foi inaugurada a nova sede do Banco Nacional Ultramarino, na Av. 5 de Outubro, 175 em Lisboa. 
Era o culminar de uma fase de expansão dos bancos, em que alguns pensadores portugueses se queixavam de que se fechavam casa de pasto para abrir agências bancárias. 
A expansão bancária exigia a saída das sedes dos Bancos da Baixa Pombalina, demasiado apertada para o movimento que os Bancos tinham.
A nova sede do BNU foi projetada pelo arq. Taveira, num edifício com o esqueleto construído destinado a hotel.
Pois meus amigos, estamos em época de reversões. E agora, fecham bancos e abrem casas de pasto e hotéis.  
Vejam bem, visitem nos últimos dias, a antiga sede do BNU, a antiga Agência Central da 5 de Outubro, porque vai ser transformada em hotel.
O novo dono que a comprou só está à espera que a agência e alguns serviços da Caixa Geral de Depósitos que ali se encontram, se transfiram para novas instalações, para tomar conta do edifício e fazer as adaptações necessárias para abrir o hotel.
Visitem a Baixa Pombalina, desçam a Rua Augusta e vejam se encontram alguém nalgum banco que por ali esteja a funcionar. E vivam o fervilhar das lojas, de comidas e não só. Facilmente encontrarão novos hotéis, hostéis e outras formas de alojamento turístico. Bancos e agências bancárias? Se houver, é para fechar.
É assim a vida. E as reversões...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CONTENCIOSO NA 5 de OUTUBRO


Olá Geninha,
lembra-se desta cena?

segunda-feira, 15 de março de 2010

SEDE na 5 de OUTUBRO


No dia 16 de Julho de 1980, o Conselho de Ministros (Resolução nº 265/80), presidido por Sá Carneiro, resolveu, além doutras nomeações e exonerações para os bancos e seguradoras do estado (que eram todos os portugueses):
" - Nomear vice-presidente e vogais do conselho de gestão do Banco Nacional Ultramarino, respectivamente, os Drs. José de Oliveira e Costa, António Ribeiro Maçarico e Joaquim Ramos de Jesus.
- Exonerar de membros do conselho de gestão do mesmo Banco os Drs. Mário Martins Adegas e Manuel Filipe Pessoa dos Santos Loureiro, por nesta data serem nomeados para novas funções, e José Ribeiro Vitorino, por conveniência de serviço."

Na altura, o presidente do Conselho de Gestão do BNU era o Dr. Oliveira Marques, que embora fosse também "Oliveira", nada tinha com o Dr. Oliveira e Costa, nem de família física nem de família política. O Dr. Oliveira e Costa já tinha sido Secretário de Estado das Finanças pelo PPD (tinha sido afastado por o terem acusado de ter perdoado 200 mil contos de impostos a um amigo) e o Dr. Oliveira Marques, embora não se soubesse de qualquer ligação ao partido, tinha sido nomeado pelo Partido Socialista.
Dizia-se, na altura, que o Sá Carneiro não queria expressamente pôr fora o Dr. Oliveira Marques para colocar um seu "boy" na presidência do BNU e então inventou o cargo de vice-presidente (que até então não existia) para o seu homem controlar o presidente.

A guerra mais visível que se seguiu foi a da compra do edifício da 5 de Outubro.
O presidente foi acusado de estar a exigir do vendedor do edifício uma comissão choruda.
O vendedor foi contactado por pessoas que diziam serem os "homens do presidente" e que ele nunca apareceria mas enviava sinais. Por exemplo, diziam-lhe que se ele, vendedor, dissesse que dava a comissão, seria feita uma resolução pelo Conselho de gestão do BNU, neste sentido ou naquele.
O Vendedor, que precisava de vender como de pão para a boca, começou por se defender, gravando todas as conversas desses "homens do presidente". Procurou aliados dentro do BNU e sobretudo de homens chegados ao Vice-presidente, que atacou o presidente, mas este defendeu-se alegando que qualquer tentativa de uso do seu nome para sacar comissões era abusiva e propunha até que não se comprasse o edifício para evitar mais problemas.
Mas o caso é que o negócio, com avanços e recuos, com episódios de actas do conselho perdidas nos corredores do banco e encontradas "por acaso" por algum interessado, e outras peripécias, acabou por concretizar-se.

O edifício estava destinado a hotel e o BNU teve de fazer grandes alterações ao projecto. Para isso contratou o arquitecto Taveira, que disse posteriormente que este foi o melhor projecto da sua vida.
Ainda agora o Arq. Taveira tem e defende os seus direitos de autor sobre o edifício e, segundo sei, ele não permitiu que fosse alterado o balcão da agência da 5 de Outubro, como recentemente pretendia a Caixa Geral de Depósitos.
O anterior dono do edifício, pegou no produto da venda e fez o Hotel Continental, contíguo ao BNU.

Recordo-me de que quando, já nos finais dos anos 80 (era presidente do BNU o Dr. Costa Pinto), ficou pronta a nova sede, já muita gente estava saturada da baixa pombalina, pela sua falta de condições modernas de mobilidade. Não havia estacionamentos para o movimento cada vez maior de carros e os transportes públicos acabavam no Rossio.
Desde a Praça da Figueira: "Meu Castelo de S. Jorge"

Eu saía no metro do Rossio, na Praça da Figueira e invariavelmente olhava para o Castelo de S. Jorge à procura de inspiração poética, mas não cheguei a fazer nenhuma poesia...
Rua Augusta

Descia a Rua da Prata ou a Rua Augusta, que na altura tinha trânsito automóvel e lá iamos e vínhamos sempre a correr e aos encontrões com outros trabalhadores ou outras pessoas que andavam às compras, a passear ou a ver montras na baixa.
Tempos... que já lá vão.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Contencioso - na 5 de Outubro



Legendas possíveis para esta foto:

1 - Dois ilustres advogados (Dr. Domingos Barradas e Dr. Augusto Trindade) aproveitando as férias judiciais (6 de Agosto de 1991) para pôr a escrita em dia, no 12º andar da sede do BNU, na Av. 5 de Outubro.

2 - Dois advogados (um alentejano e outro transmontano), ambos com a mão esquerda à cintura, discutindo acaloradamente, a melhor forma de encostar à parede um devedor relapso do BNU.

3 - O que é que estarão a ventilar estes dois mânfios?



E a legenda para esta foto?
escolho esta:
Deve ter sido este que tirou a foto aos outros e vice-versa.

A foto do Dr. Trindade e do Dr. Barradas em que este não tira os olhos do processo, enquanto fala, faz-me lembrar um episódio com a Drª Lemos Viana, que Deus tenha.
A Drª não quis reformar-se antes dos 65 anos porque queria, como ela dizia, ver o fundo ao tacho. A direcção porém, na expectativa da reforma, já não lhe atribuía processos novos e ela aproveitava o tempo mais livre para praticar o seu gosto pelas exposições jurídicas e outras com os colegas.
Dizia ela que o seu Pai (ilustre advogado de Castelo Branco) lhe dizia: a menina quando tiver razão refile, mas quando não tiver, refile também.
Nesse aspecto, acho que a Drª nunca deixou ficar mal o seu Pai.
A Drª tinha um carinho especial pelo Dr. Barradas, a quem tratava de Paizinho (porque ele na conversa, usava uma bengala da linguagem, interpondo na conversa, a palavra "filha" - "Ó filha, está bem!") e vinha muitas vezes ao nosso (meu e do Dr. Barradas) gabinete a pôr a escrita em dia.
O Dr. barradas, sempre com uma paciência e compreensão infinita, ía acenando com a cabeça e dizendo que sim que sim, e ia vendo o processo e escrevendo. Até que a Drª lhe diz: Ó paizinho, não esteja para aí a dizer que sim, olhe pra mim, olhe pra mim.
Lá se foi o rendimento do dia do Dr. Barradas.