quarta-feira, 31 de julho de 2024

SEDE - R. AUGUSTA

A D. Olga, da Associação dos Antigos BNUs, teve a atenção, sempre oportuna e bem-vinda, de nos enviar emails a lembrar que foi finalmente aberto o MUDE, na nossa antiga sede da Rua Augusta.

Então lá fomos, eu e o Fernando Miguel, em romagem de saudade, fazer uma inspeção.


Demos a volta aos pisos todos. Olha, aqui, uma vez, eu fiz isto e aquilo. Aqui havia uma casa de banho,  mantiveram o balcão completo no rés-do-chão. Repartição de Câmbios, onde os dois começámos quando entrámos no Banco. 

  Fomos subindo até ao 6º andar. A preocupação atual, bem visível, é de manter as memórias do BNU.
Penso que não é estranho à manutenção dessa memória o facto de nós, antigos funcionários do BNU, nos termos interessados pela história do edifício, visitando o local, falando com a Drª Bárbara, diretora do Museu, predispondo-nos a colaborar para manter essa memória.
Mostra de secretária e cadeiras que funcionaram no BNU


Gabinete do presidente

Não sei se estas recordações do BNU serão mantidas quando o Museu estiver completamente preenchido de design e de moda . É que, por enquanto, não há qualquer sinal de moda e/ou design. 
Todo o trabalho de recuperação feito nestes anos, no edifício está profusamente descrito e documentado com fotos no livro de 448 páginas que é vendido no rés-do-chão. O saco custa 3 euros, o livro 26.

 

As informações -  completas - e toda a recuperação - excelente - levada a cabo no edifício, nada nos diz sobre as pessoas que ali trabalhámos, os problemas, as desilusões, as tragédias, as alegrias, as conquistas, as amizades que naquelas paredes, naqueles balcões, naquelas escadarias se desenvolveram, oculta ou descaradamente.
Nada consta no livro sobre a história do saudoso e meu grande amigo Augusto, porteiro do banco, que tinha nos cofres da cave dólares americanos, francos franceses ou suíços e os vendia, inclusivamente aos elementos da administração do Banco, para as viagens ao estrangeiro.  
Nada consta dos romances que ali desenvolvemos, mas também nada de abusos, de assédios de toda a maneira e feitio que muit@s colegas sofreram.
O livro tem uma ótima referência sobre "a grande pintura sobre tábuas de Jaime Martins Barata, O Desenvolvimento Ultramarino e a Metrópole (1964)" mas não sabe da circunstância em que aquele painel foi ali colocado e que o Fernando Miguel sabia desde os anos em que trabalhou no serviço de câmbios, naquelas secretárias em frente do quadro e esteve a contar: os construtores da remodelação do edifício para as comemorações do centenário (1964) verificaram que, no rés-do-chão, não havia casas de banho para funcionários. Então foi construída uma casa de banho, precisamente no local que teve de ser tapado pelo quadro e com entrada junto aos elevadores da escada central.    


O 6º andar é apresentado como o local onde a administração do Banco tomava as suas refeições. Mas o livro não sabe que no final dos anos 1970, o Departamento de Normas e Instruções, tivemos obras no 4º andar e fomos, comandados pelo saudoso Sr. Olímpio Mòsca Òvelha (OMO), POR 15 DIAS, para o 6º andar e ali estivemos durante dois anos. Era um sítio agradável. Estávamos todos juntos, ao lado uns dos outros e todos ao lado do chefe OMO. De vez em quando, o genial escritor e saudoso amigo Nuno Bermudes lançava para o ambiente uma das suas e toda a gente se ria a bom rir, menos, às vezes, o visado. E ali veio um dia o saudoso, delicado (às senhoras não se bate nem com uma flor) , casanovelesco Oliveira Martins com uma saliente dentadura nova que lhe foi desenrascada pelo irmão dentista, depois de um violento murro de um marido, tropa dos comandos da Amadora, que inesperadamente veio a casa e rompeu pelo quarto onde ele estava no bem bom e, pelos visto, até em posição de ombro-arma! Afinal ele só tinha querido poupar 200$00 que tinha de pagar na pensão da baixa. Mas a senhora que arriscou levá-lo para sua casa para poupar dinheiro, telefonou passados dois dias a pedir desculpa, que já tinha posto o marido de castigo a dormir no sofá.
Seja como for é bom lembrar e reviver a nossa juventude a que as paredes, as escadas, o balcão completo, o chão, os tetos, os quadros nos conduzem, como uma espécie de POMPEIA desenterrada das cinzas que a taparam durante anos.

 


 



 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

ALMOÇOS DE NATAL


O Departamento de Administração de Bens do BNU continua os almoços às 5ªs-feiras no restaurante Ti Alice, na Óscar Monteiro Torres. Ontem, 5ª-feira, 14, foi motivo para festejar a quadra natalícia.
O Sr. Araújo, que foi chefe do Departamento, continua a promover e dinamizar estes encontros. Convidou os dirigentes da nossa Associação de Antigos Empregados do BNU, Sr. Ribeiro Gonçalves e D. Olga.
Foi motivo para nos lembrar que a Associação já se mudou para uma sala na sede da Caixa Geral de Depósitos e que é muito importante que os colegas visitem as instalações da Associação para mostrar o interesse na mesma.
Falámos de tudo e mais alguma coisa; muito do passado, sinal de que vamos passando. Como diria o outro: qual é a pressa? Por mim acho melhor falar do futuro por o passado conduzir sempre aos achaques do presente.



 



 



 








 








 






 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

NOVO HOTEL

Em 1989 foi inaugurada a nova sede do Banco Nacional Ultramarino, na Av. 5 de Outubro, 175 em Lisboa. 
Era o culminar de uma fase de expansão dos bancos, em que alguns pensadores portugueses se queixavam de que se fechavam casa de pasto para abrir agências bancárias. 
A expansão bancária exigia a saída das sedes dos Bancos da Baixa Pombalina, demasiado apertada para o movimento que os Bancos tinham.
A nova sede do BNU foi projetada pelo arq. Taveira, num edifício com o esqueleto construído destinado a hotel.
Pois meus amigos, estamos em época de reversões. E agora, fecham bancos e abrem casas de pasto e hotéis.  
Vejam bem, visitem nos últimos dias, a antiga sede do BNU, a antiga Agência Central da 5 de Outubro, porque vai ser transformada em hotel.
O novo dono que a comprou só está à espera que a agência e alguns serviços da Caixa Geral de Depósitos que ali se encontram, se transfiram para novas instalações, para tomar conta do edifício e fazer as adaptações necessárias para abrir o hotel.
Visitem a Baixa Pombalina, desçam a Rua Augusta e vejam se encontram alguém nalgum banco que por ali esteja a funcionar. E vivam o fervilhar das lojas, de comidas e não só. Facilmente encontrarão novos hotéis, hostéis e outras formas de alojamento turístico. Bancos e agências bancárias? Se houver, é para fechar.
É assim a vida. E as reversões...

domingo, 10 de julho de 2016

DR. MÁRIO QUINA

Sr. Prof. Dr. Mário Gentil Quina, nasceu no dia 1 de Janeiro de 1930, no Estoril.
Em 1952 formou-se em Medicina. Em 1970, foi admitido como assistente de Medicina Interna na faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa e em 1974 professor catedrático de Medicina, na mesma faculdade. A partir de 1977, professor de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, responsável pela cadeira de Medicina Interna e Gastroenterologia.
Nos jogos Olímpicos de Roma de 1960, ganhou, com o irmão, José Manuel, a medalha de Prata de Vela, classe Star.
Trabalhou como médico no Centro de Saúde do Banco Nacional Ultramarino, na Rua dos Correeiros.
Qual o empregado do BNU que não se lembra do Sr. Dr. Mário Quina, da sua competência, do seu interesse, da sua extraordinária educação a atender-nos? Lembro-me perfeitamente de ter recorrido a ele naquele centro, cheio de febre e de ter ido para casa sem esperar pela consulta. Quando cheguei a casa, meti-me na cama e ele telefonou-me logo a perguntar o que que se passava e deu-me as orientações que devia seguir. Já não sei como evoluiu a coisa, mas já lá vão mais de 40 anos e cá continuamos.
Quando a minha Mãe teve problemas de vesícula, levei-a ao consultório do Dr. Mário Quina. Foi do melhor.
Vi-o agora na televisão a falar da sua medalha olímpica. 86 anos e continua com sua imagem de homem sempre impecavelmente apresentado.




quarta-feira, 30 de março de 2016

HOTEL MONTE PALACE

Há tempos, fui procurado por um jornalista, que queria escrever um livro sobre o Dr. José Oliveira e Costa.
Estava no auge toda e qualquer informação sobre o homem considerado o maior malfeitor de Portugal que obrigou o país inteiro a resgatar (=ter de pagar) a maior aldrabice bancária do último século: O Banco Português de Negócios (BPN).
Atualmente, o assunto está morto e enterrado e o Dr. Oliveira e Costa, esquecido da curiosidade das televisões, gozará a sua reforma nalgum recanto do seu lar. Conhecendo os trâmites das operações bancárias e a generalidade da ignorância destas operações pelos agentes judiciários que povoam os nossos tribunais, não me admira que ele e todos os outros que enterraram o nosso sistema bancário, saiam deste imbróglio financeiro, absolvidos ou com uma pena que entretanto já foi cumprida. O que havia a pagar, pago está (por todos nós).
Voltando ao jornalista. Queria alguma informação sobre a atividade do Dr. Oliveira e Costa no BNU, com base no que leu neste blog, no post sobre a presidência do Dr. Oliveira Marques. Dei alguns elementos sobre o BNU ao jornalista, que ficou de me informar do dia da apresentação do seu livro, mas, até agora, nada recebi.
No dia a seguir ao encontro com o jornalista, cruzei-me na rua com um antigo diretor do BNU e contei-lhe o caso. Ele disse-me, então, que o primeiro grande (no prejuízo) negócio do Dr. Oliveira Costa,  foi a contratação da entrada do BNU no financiamento dos hotéis da I.A.T.H. (Indústria Açoreana Turístico Hoteleira) S. A.
O Dr. Oliveira e Costa foi nomeado por Sá Carneiro para vice-presidente do BNU em 16 de Julho de 1980 e saiu no final de 1982.
A I.A.T.H. foi fundada em 1977, promovendo a construção de dois hotéis de luxo na Ilha de S. Miguel, Açores, um à beira mar (Hotel Bahia Palace, atualmente em funcionamento como hotel de 4 estrelas) e outro no miradouro da lagoa das sete cidades (Hotel Monte Palace, antigo 5 estrelas, atualmente entregue aos ratos).
vista da lagoa das sete cidades desde o hotel Monte Palace

Para a construção dos hotéis foram contraídos empréstimos de milhões de contos na Banca Internacional que foram avalizados pelo BNU, por resolução do vice-presidente Dr. Oliveira e Costa. Dada a incapacidade da empresa, o BNU teve de ir pagando os encargos da dívida.
O Dr. Mário Adegas, presidente do BNU desde 1983 a 1987, passou o seu mandato a queixar-se das consequências daquele negócio e a tentar salvar o Banco da situação em que estava metido e que agravava os prejuízos todos os semestres.
O Hotel Monte Palace foi um projeto megalómano, que já foi objeto de várias reportagens, que ressaltam a insensatez do projeto que avançou com o apoio do BNU, que teve de arcar com os prejuízos.
Tinha uma suite presidencial, 4 grandes suites de luxo, 4 quartos duplos com saleta, 27 quartos duplos, 52 suites juniores, 2 restaurantes, um bar americano, uma discoteca, salas de jogos, 3 salas de conferência, um banco, cabeleireiro, tabacaria, boutiques e lojas.
Funcionou de Abril de 1989 até finais de 1990. Ficou fechado e guardado até 2011 e, por falta de pagamento aos guardas, foi então abandonado e atualmente está como documentam as fotos que tirei neste fim da ano.






O Sr. Jorge Anastácio foi encarregado pelo Dr. Mário Adegas de representar o Banco na IATH e todos nos lembramos (eu lembro) de ele andar com o dossier da I.A.T.H. nos corredores do Banco.
Na ata da reunião do Conselho de Gestão do BNU de 28.09.1988, a presidente Drª Manuela Morgado "deu conhecimento ao Conselho de uma informação elaborada pelo representante do BNU junto da IATH, Sr. Jorge Anastácio, datada de 28.9.88, sobre o encerramento das contas dos exercícios de  1984 a 1987 inclusive." O conselho deu acordo a que o Sr. Jorge Anastácio aprovasse as contas nas reuniões a realizar no subsequente fim de semana, com o prejuízo de 6 300 mil contos (31 500 mil euros). Atualizando os valores, esta quantia corresponde a vários milhões de pregos para o caixão que levou o BNU à sepultura.
Reunião da IATH, com o Sr. Jorge Anástacio

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ALMOÇOS DE NATAL

Os almoços das 5ªs-feiras, promovidas pelo Sr. Araújo dos antigos colegas da Administração de Bens.
No Natal, o almoço é mais certo. E então, lá estivemos, falando de tudo e sobretudo do BNU. Nunca acabará enquanto quisermos. 
 
 







RECORDANDO AMIGOS

Saudade do nosso amigo Joaquim Almeida e Silva