quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O DIA A DIA NA SEDE DA ASSOCIAÇÃO


É caso para nos congratularmos com as instalações da Sede da Associação, pois têm sido frequentadas semanalmente por sócios e sócias que combinam para se encontrarem na sala de convívio. Nestes encontros predominam os sócios oriundos dos quadros do BNU Moçambique, sobretudo de Lourenço Marques, actual Maputo. Este grupo de sócios, por vezes são acompanhados por pessoas que com eles partilharam de horas de lazer em Moçambique. Recentemente, foi com satisfação que tivemos a visita de um conhecido atleta do futebol nacional, que representou o Sporting Club de Portugal e a Seleção Nacional, o defesa esquerdo HILÁRIO, o qual se encontra à esquerda sentado à mesa na foto tirada na sala de convívio. Foi com grande agrado que os colegas lhe mostraram todos os espaços das nossas instalações. Simpaticamente o mesmo Hilário manifestou a sua satisfação pela visita e cumprimentou-nos com satisfação.
Bem hajam todos e continuem a frequentar as nossas Instalações.
Outubro de 2011. Fernalcope

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DR. VIEIRA MACHADO



A personalidade do Dr. Vieira Machado é das mais importantes da história do BNU.
Filho do General Francisco José Machado e de Isabel Maria Vieira.
O Pai é de Ribeira de Palheiros, Lourinhã e a primeira escola pública que existiu na Lourinhã teve o seu nome – Escola Preparatória Francisco José Machado, que iniciou o seu funcionamento em Novembro de 1971. Em 1976, por iniciativa do Ministério da Educação que preferia que as escolas preparatórias tivessem o nome do respetivo concelho, passou a denominar-se Escola Preparatória da Lourinhã.
  • Uma pequena correcção, não é o pai que é da Ribeira de Palheiros, mas sim a mãe que embora não tenha nascido na Ribeira de Palheiros, são de lá os seus pais.
  • O pai do Dr Vieira Machado era de Lagos.
  • Fiz uma ligação do vosso blog, ao meu, "Terras Campelo", onde já tinha alguma informação sobre o Dr. Vieira Machado.
  • José Damas - comentário 6-03-2012
Entretanto outras escolas se desenvolveram no concelho e o ministério da Educação deu a possibilidade de atribuir às escolas o nome de um patrono, pelo que a escola, em 1989, passou a denominar-se Escola Preparatória Dr. João das Regras.
A João das Regras, grande defensor da legitimidade de D. João I ao trono de Portugal, contra os pretendentes de Castela, foi-lhe concedido por aquele rei o título de senhor da jurisdição da Lourinhã e por essa razão talvez os lourinhanenses, na altura de escolher entre este “Senhor de Jurisdição” e o general Francisco José Machado, escolheram aquele… E assim se perdeu a memória, nos alunos liceais da Lourinhã, do Pai do Dr. Vieira Machado.
Mas o nosso administrador, Xico Vieira Machado, como lhe chamavam os empregado do BNU, também teve várias escolas com o seu nome, em vários sítios do império colonial português.
O Boletim Trimestral do BNU – 2º Trimestre de 1968 – nº 74, pág. 14, sobre Timor, refere:
“O ensino liceal foi criado na Província em 1938, ano em que abriu o Colégio-Liceu Dr. Vieira Machado (ficou, pois, sendo seu Patrono o actual Governador do B. N. U.), com carácter semioficial . Em 1960, foi transformado em liceu nacional, com a designação de Liceu Dr. Francisco Machado”.

O Liceu de Dili conservou o seu nome durante a própria ocupação indonésia, de 1975 a 1999.
Em Angola o seu nome ficou ligado à Escola de Regentes Agrícolas Francisco Vieira Machado, no Tchivinguiro, Huíla, criada em 8 de Dezembro de 1938.


Em Macau há uma Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado.
Na Biblioteca do BNU, da CGD, estão registados 5000 títulos de obras de literatura, direito e política do fundo pertencente ao Governador Dr. Francisco Vieira Machado.
Informação sobre o Dr. Vieira Machado, retirada do site da Assembleia da Republica:

FRANCISCO JOSÉ VIEIRA MACHADO
Legislaturas: I, II, III.
Data de nascimento:1898-02-08. Localidade: Lisboa.
Data da morte:1972-09-01.
Habilitações literárias: Licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa (1919); Curso de Ciências Económicas em Paris.
Profissão: Banqueiro; Político.
Carreira profissional:
Breve período como Advogado.
Ingressa nos quadros do Banco Nacional Ultramarino (1926);
Vice-governador do Banco Nacional Ultramarino (1926-1929);
Administrador do Banco Nacional Ultramarino (1929-1934);
Director do Anglo Portuguese, Colonial and Overseas Bank, Ltd. e do Banque Franco-Portugais d’Outremer (1930-1965);
Recusa o convite para substituir Caeiro da Mata no Banco de Portugal (1932);
Vice-presidente da I Conferência Económica do Império Colonial (1933);
Presidente do Conselho Fiscal e Administrador da Companhia de Seguros “A Mundial” (1943-1968);
Governador do Banco Nacional Ultramarino (1951-1972);
Presidente da Direcção do Banco Ultramarino Brasileiro do Rio de Janeiro (1954-1961).
Perfil político-ideológico:
Foi o grande construtor do “Império Colonial Português”.
Carreira político-administrativa:
Subsecretário de Estado das Colónias (1934-01-20 a 1935-02-16);
Vogal do Conselho do Império Colonial Português (1932-1934);
Presidente do Conselho do Império Colonial Português (1934-1944);
Ministro as Colónias (1936-01-18 a 1944-09-06);
Vogal do Conselho Superior do Ultramar;
Vogal da Comissão Central da União Nacional (1956);
Procurador à Câmara Corporativa (IV a X Legislaturas).
Carreira parlamentar.
Legislaturas: I; II; III.
Intervenções parlamentares
I Legislatura (1935-1938):
1.ª Sessão Legislativa (1935), Discute a proposta de lei que cria e organiza o Conselho do Império; Discute o projecto de lei, do Sr. Álvaro de Freitas Morna, sobre a criação do Instituto de Hidrografia
2.ª Sessão Legislativa (1935-1936) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
II Legislatura (1938-1942) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
III Legislatura (1942-1945) - Mandato suspenso por integrar o Governo.
Segundo o professor Nuno Sotto Mayor Ferrão, Francisco Vieira Machado, “foi ministro no período crítico da história universal em que se iria desenrolar a Segunda Grande Guerra (1939-1945). Na sua concepção ideológica, o reforço das relações económicas no espaço imperial foi decisivo no concretizar daquilo a que ficou conhecido pelos historiadores como “Pacto Colonial”, isto é, a interdependência económica dos produtos metropolitanos e coloniais.
1939 - na viagem de Carmona a Moçambique

Pretendeu, no seu longo “consulado”, à frente da pasta das colónias que as matérias-primas das terras de "além-mar" fossem absorvidas pela metrópole e que os produtos manufacturados metropolitanos fossem consumidos nas colónias.
Em suma, procurar materializar o conceito de império na vertente económica da relação comercial entre a metrópole e as colónias. Deste modo, assume que as colónias estavam ao serviço dos interesses económicos metropolitanos. Foi neste sentido, que impôs limites ao crescimento industrial das colónias, que tornou obrigatórias algumas culturas agrícolas nas colónias, que reforçou o regime do trabalho forçado dos "indígenas", que procurou impulsionar a exploração dos produtos coloniais e garantir o mercado colonial como mercado privilegiado para o consumo dos produtos industriais metropolitanos através de um sistema aduaneiro filtrador do comércio externo.
Estas medidas técnicas tomadas por Francisco José Vieira Machado enquadram-se numa resposta à pressão sofrida por Portugal em Junho de 1937 na qual diversos autores estrangeiros contestam a nossa capacidade económica e legitimidade histórica de administrar as próprias colónias. Foi neste contexto histórico antecedente ao grande conflito mundial que a imprensa nacional e estrangeira invoca a possibilidade de algumas potências europeias pretenderem ceder territórios das colónias portuguesas à Alemanha e à Itália como forma de apaziguar os impulsos de expansionismo bélico de Adolfo Hitler e de Benito Mussolini.
A sua acção promotora da propaganda da ideologia colonial fomentou Congressos, Comemorações e Exposições Coloniais, das quais se destacou, nesta fase, a Exposição do Mundo Português de 1940, comemorativa do duplo centenário da nacionalidade (1140 e 1640) que permitiu a revalorização urbanística do sítio de Belém, à frente do Mosteiro dos Jerónimos, uma vez que essa zona estava ocupada por uma importante aglomeração industrial. Esta Exposição procurou patentear o mundo português, que se espraiava no tempo e no espaço, através dos diversos Pavilhões que rodeavam a Praça do Império, requalificando esteticamente essa área urbana de Lisboa.

1971 com os astronautas americanos
James Lovell e Stuart Roosa
"O Senhor que aparece no meio dos dois astronautas
 é o dr. Castro Fernandes e não o dr. Vieira Machado".
(Esclarecimento do colega Francisco Ivo)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MAGUSTO 2011

Está então marcado o magusto deste ano.
DATA: 12 de Novembro - Sábado - início: 10/10,30h
LOCAL: Quinta do Paúl - Ortigosa - Estrada Leiria/Monte Real

clicar para ampliar


PREÇO: 22€ por pessoa (sócios e cônjuges); 32€ para outros acompanhantes.

TRANSPORTE: por autocarro (gratuito: paga a Associação)
Lisboa: 8,00h em frente à Culturgest - sede CGD
Porto: contatar José Manuel Roxo de Almeida: Tl. 226 101 264 Tlm 91 725 99 14
ou Ilda Marques: Tl. 225 360 804; Tlm 91 872 18 19
Covilhã: Rui Batista Trindade: Tl 275 334 207 - 91 955 78 08
Coimbra: João Paulo Picoa Pratas: tl. 231 422 816; 96 509 05 86
Portalegre: João António Cabrita Pargana Tl. 245 202 763; 91 847 62 48
Lagos: Manuel António Machado Simões: tle. 282 182 087; 96 576 29 82

A Associação agradece a inscrição até ao fim do presente mês de Outubro, enviando para a sede- Rua Marechal Saldanha, nº 5 - 3º - 1200-259 Lisboa, a identificação, o número de pessoas e o respetivo cheque e referindo se vai ou não de autocarro.

Por mim vou debaixo da asa do autocarro.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RUA AUGUSTA - visita

A Srª Drª Bárbara Coutinho, enviou a seguinte mensagem:

Caro Sr. A. Rito Pereira,
Informo que será com o maior prazer que faremos uma visita guiada aos antigos empregados do BNU na data de 16 de Maio de 2012.
Pedia-lhe, por favor, que entrassem em contacto connosco em data mais próxima, com a informação do número de participantes.
Com os melhores cumprimentos,
Bárbara Coutinho
Directora
Câmara Municipal de Lisboa
MUDE. Museu do Design e da Moda. Colecção Francisco Capelo
Rua Augusta, 24
1100-053
PORTUGAL

Fica então combinada a visita à Rua Augusta para o dia 16 de Maio, onde seremos recebidos pela Srª Diretora do Museu.







quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BNU - ANGOLA




“Ritas” contra “Chamiços”»

Os anos entre 1921 e 1926, em Angola, foram um período entre guerras de grandes dificuldades económicas e caos financeiro. Tal condicionou as alterações monetárias que levaram à perda da função emissora do Banco Nacional Ultramarino nesse território e à criação do Banco de Angola, como novo agente emissor e exclusivo para essa então colónia portuguesa.

O General José Norton de Mattos foi Alto Comissário de Angola entre 1921 e 1923. Durante o seu cargo, foi sua pretensão implementar moeda privativa para Angola e retirar o exclusivo da emissão de papel-moeda ao BNU. Para tal, recorreu a legislação outorgada pelo próprio, e publicada pelo Ministério das Colónias, que permitiu que, no primeiro ano do seu mandato, o Governo colonial pudesse emitir cédulas e determinou que as do BNU, que estavam em circulação, fossem retiradas até Dezembro de 1922.

Frente cédula "Rita" de 50 centavos do Alto Comissário de Angola 1923
Verso cédula "Rita" de 50 Centavos


As ‘Cédulas do Alto Comissário de 1921’, no valor facial de 50 Centavos, tiveram um montante elevado de emissão: 60.000 cédulas. Os seus lucros e prejuízos eram revertidos e suportados pelo Estado.
Frente cédula do 50 centavos do Alto Comissário de Angola 1921

Ao mesmo tempo, em 23 de Julho de 1922, o Alto Comissário renegociou o contrato celebrado com o BNU de modo a obrigar este último a substituir as notas em curso por uma nova emissão privativa para Angola.

Estas medidas foram tomadas porque, no entender do Governo colonial na altura, a carência de meios de troca sentida e que afectava o comércio local, devia-se ao insuficiente lançamento de papel-moeda por parte do BNU. No entanto, num relatório do Governador do BNU (João Henrique Ulrich), aos accionistas, em 1924, constata-se que o stock de notas tinha reservas, e por isso, não seria justificação para a escassez de numerário. Este dever-se-ía antes aos créditos, a que se recorria e que se concediam desregradamente. A problemática dos créditos, exercida pelo BNU no período 1922-24, decorria do facto de aqueles serem concedidos na forma de descontos e contas correntes para uma população e classe empresarial que, apesar de rica, ao nível das transacções comerciais, tinha falta de capitais próprios.

Por esse motivo, a concessão de créditos e o numerário circulante criaram a insegurança nos imensos gastos da população, assentes em créditos pouco sustentáveis. Por conseguinte, o BNU, à data do referido relatório, começou a refrear a autorização de créditos. No entanto, antes disso, durante a segunda metade de 1922, o BNU lançou a ‘Emissão Chamiço’, com o objectivo de aumentar a circulação fiduciária. Nesta emissão, que circulou também em outras ex-colónias africanas, a chapa de gravação estava desenhada de tal forma, que o campo relativo à filial, podia ser carimbado posteriormente à impressão com o nome da respectiva ex-colónia. Obteve o seu nome por ter nela representada a efígie de Francisco de Oliveira Chamiço, fundador e primeiro governador do BNU. Para além disso, apresentava pela primeira vez, o novo selo com o nome do banco e o lema “Colónias, Commercio, Agricultura” a envolver a imagem de um vapor. O desenho das notas era igual para todos os valores faciais (100, 50, 20, 10, 5, 2 Escudos e 50 Centavos e 1 Escudo), apenas com diferenças nas dimensões. Foram notas que tiveram uma boa aceitação por parte da população, sendo inclusive apelidadas de “chamiços”. O Alto Comissário de Angola, com base em relatórios de ausência de trocos em vários distritos, autorizou segunda emissão de cédulas de 50 Centavos no início de 1923 e simultânea recolha das que estavam em curso, por forma a custear o lançamento da nova emissão. Estas cédulas foram produzidas pela Waterlow & Sons Ltd.. Contrariamente, a ‘Emissão Chamiço’ foi gravada na concorrente inglesa da Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd. e na Thomas de la Rue & Co. Ltd. – esta última somente para os valores de 2 Escudos e 50 Centavos. A qualidade de impressão das ‘Cédulas do Alto Comissário de 1923’ e do seu desenho, apresentavam um resultado final mais definido, enquanto introduz no papel-moeda para Angola a temática do relacionamento inter-racial com a representação de autóctones (temática que foi mais tarde recuperada nas notas do Banco de Angola). Convencionou-se chamar “ritas” a estas cédulas uma vez que era voz corrente que a figura que representava a República, na Frente da cédula, era a filha do General Norton de Mattos, de seu nome precisamente Rita. Tal como na primeira emissão de cédulas, repetem-se aqui os motivos do Classicismo, com as colunas e a República sentada a segurar uma láurea, bem como as sugestões ao comércio marítimo através da representação de uma doca. O Verso apresenta uma pintura com o episódio da chegada de Diogo Cão a Angola, como referência à história da sua colonização. A entrada em circulação destas duas Emissões – “chamiços” e “ritas” – e o aumento dos seus volumes de circulação, inundaram o mercado de papel-moeda. Apesar disso, numa portaria de 1 de Agosto de 1923, os limites foram novamente aumentados.

Este cenário, em conjunto com o descontrolo ao nível dos créditos, conduziu ao aumento da inflação e, consequentemente, ao custo de vida em Angola, para condições insustentáveis nos finais de 1923. O volume de numerário em circulação era agravado com a predominância das cédulas “ritas”, o que implicava a morosidade nas trocas comerciais e aumentava os riscos de erros nas contagens. Para debilitar ainda mais a situação, os “chamiços” tornavam-se cada vez mais raros, sendo retidos pelos particulares, dando origem ao que, nessa altura, se apelidou de «uma luta entre notas» em que as “ritas”, em maior número, derrotaram os “chamiços” no «campo de batalha» (Pedro Muralha, in Terras de África: S. Tomé e Angola, 1924). Permaneciam assim, as primeiras, que eram consideradas por muitos habitantes e referidas nos jornais da época, como «uma praga de ritas». As cédulas “ritas” foram concebidas para facilitar os pequenos trocos, mas estavam a ser utilizadas para pagar a grande maioria das transacções. Foram inclusive, adaptadas num expediente pela população, que consistia em empilhá-las em blocos lacrados e rubricados com o seu valor total – chamavam a estes blocos de “tijolos”.

Esta descrição antropomórfica que Pedro Muralha faz dos dois meios de troca em Angola era paradigmática de uma posição do Governo colonial que, tentando resolver as dificuldades financeiras da ex-colónia, pretendia também retirar o valor das emissões do BNU, para substituir o seu privilégio por um banco emissor privativo em Angola. Com o agudizar das dificuldades económicas e monetárias, em 1926, o Alto Comissário tomou a decisão de aplicar a reforma monetária em Angola, criando a Junta da Moeda e o novo banco emissor independente, o Banco de Angola. Marcou-se com esta reforma o fim da presença do BNU em Angola, onde este emitiu papel-moeda, pela primeira vez, em 1865.

Nuno Fernandes Carvalho
Agosto 2011
Texto publicado no site da CGD - Património

terça-feira, 13 de setembro de 2011

MAGUSTO 2011

No próximo dia 12 de Novembro, a nossa ASSOCIAÇÃO vai realizar mais um magusto, na Quinta do Paúl - Ortigosa - Leiria.
Vai ser ocasião para celebrar também o 21º aniversário da Associação.
A festa começará pelas 10/10,30 da manhã e terminará pelas 19/19,30 h.
Os residentes na zona de Lisboa poderão ir de autocarro, sendo o custo suportado pela Associação.
Os residentes fora da zona de Lisboa, poderão também organizar viagem de autocarro a suportar pela Associação, previamente combinado com o presidente, Sr. José Ribeiro Gonçalves (telm 962524947).



2009




2010

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DR. EDMUNDO ROCHA


Foi-me solicitado que desse testemunho da minha vivência no BNU Macau.
Não sei quem foi a pessoa que se lembrou da minha passagem por Macau, mas aqui lhe agradeço o pedido, que atendo com muito gosto, porque penso que efectivamente a história das Instituições, tal como a dos países, se faz com o somatório de testemunhos de quem participou ou viveu os acontecimentos.
Neste caso trata-se de memórias que ainda interessam a muita gente, como se comprova pelo interesse e o entusiasmo da participação que o referido blog tem e da saudade que o Banco Nacional Ultramarino desperta em todos aqueles que o serviram e ajudaram a cumprir a sua Missão.
Também eu tenho saudades e confesso que nunca pensei ver o Banco desaparecer.
Fui para Macau em 1980 e de lá regressei em 1988.
Macau era nessa época um território de 15 km2 e 500 mil habitantes, onde as comunidades chinesa, luso-chinesa e portuguesa conviviam em ambiente fraterno. A autoridade portuguesa era simbólica e pouco mais fazia do que gerir os interesses da pouca presença portuguesa, com base num orçamento alimentado quase que exclusivamente por receitas do jogo. Havia um hospital e um liceu para os portugueses e pouco mais. A comunidade chinesa vivia um curioso sistema de autogestão orientado pelos seus líderes (Ho Hin, Maman Kei, Stanley Ho e outros) que detinham as grandes fortunas e os grandes negócios e, em contrapartida, davam satisfação às necessidades básicas da população, designadamente em matéria de saúde e ensino.
O BNU tinha uma actividade reduzida, comparativamente à dos bancos chineses e a pataca não exercia qualquer influência na economia do território, onde circulava principalmente o renminb e o dólar de Hong Kong.
Neste cenário foi curioso assistir ao aparecimento do chamado Instituto Emissor de Macau, primeiro passo para a criação do Banco Emissor de Macau, que retiraria essa e outras funções ao BNU, que ficaria limitado à sua pequena quota de acção comercial. Tratava-se de um projecto nascido em Lisboa, do desejo do Governo de Macau, mas que não podia agradar nem ao BNU nem a Pequim. Durante os anos em que tive a responsabilidade da direcção do Banco em Macau, o meu papel, bem como o dos meus colegas de direcção e de outros colaboradores próximos, foi o de resistir como pudemos a esse projecto, com o apoio da Administração em Lisboa, enquanto a ela presidiu o Dr. Mário Adegas. Tivemos também a compreensão tácita da influência chinesa.
Refira-se que felizmente o projecto, certamente por falta de mérito, não se concretizou e que o BNU, por decisão da Republica Popular da China, manteve todas as suas funções até 2049, quando terminará o período de 50 anos estabelecido por Pequim para a actual autonomia (à semelhança do que aconteceu em relação a Hong Kong).
Portugal baixou a sua bandeira em 19 de Dezembro de l999 mas o BNU continua em Macau sem ter perdido nenhuma das suas atribuições.
Lisboa, 6 de Agosto de 2011
Edmundo Rocha