quarta-feira, 7 de abril de 2010

PIC-NIC NO CASTELO

6º andar da Rua Augusta - Que beleza!!!

Em 1977 fui trabalhar para o Secretariado Operacional. O Director era o Dr. José da Silva Casanova, que depois saiu para Londres e por fim guindou-se a altos vôos, sendo nomeado presidente de uma seguradora. Encontrei-o já reformado. Tinha tido uma trombose mas estava a reagir bem. A última vez que o vi já tinha tido outra trombose e já não estava nada bom. Não sei o que será feito dele.
O Chefe de serviço era o Sr. Mósca. Tinha trabalhado como gerente na Régua e em 1967 foi substituido pelo Dr. Casanova e via-se que eram os dois unha com carne.
O Sr. Olimpio José Mósca Òvelha (OMO, como ele assinava) sei que foi finalista do liceu de Setúbal, em 1937 e que teve como colega de turma o famoso advogado Dr. Sidónio Pereira Rito, que eu ainda conheci. Uma sobrinha do Dr. Sidónio Rito, a Dr. Dulce Pereira Rito, foi contratada pela Drª Marta Cochat Osório, como advogada para o contencioso da CGD, que já integrava o BNU. É minha amiga e tratamo-nos por primos, tanto do lado do Rito como do lado do Pereira. Mas, por incrível que pareça, não temos nenhum vinculo familiar, nem mesmo longínquo, que nos ligue, pelo menos que tivéssemos descoberto.

O Secretariado Operacional fazia normas e instruções para os serviços e agências do BNU. Por essa razão depois passou a chamar-se Serviço de Normas, integrado no Secretariado Geral, já com o Dr. Herlander Machado, como Director Coordenador e com o Sr. Mósca colocado como sub-director no Departamento de Crédito do Sul e Ilhas.
Pois ainda com o Sr. Mósca como chefe de serviço, sucedeu que fomos remodelados e enviados provisoriamente para o 6º andar - Terraço - da Rua Augusta. O Provisório, como quase sempre acontece, lá se foi mantendo e nós até acabámos por gostar, de tal forma que quando, passados anos, fomos outra vez mudados, já nos custou a transição.

Com vistas para o arco da Rua Augusta

O Terraço era, de facto, uma maravilha. Pelos vistos, aquele 6º andar tinha sido feito, pelos antigos governadores para restaurante da administração.
Parece que agora o António Costa, Presidente da CML, dona do prédio, quer voltar a pôr ali um restaurante. Não tem mau gosto.
"É possível que daqui a dois anos já possamos jantar num restaurante no terraço da antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Baixa", disse ele ao jornal "Público", em 9.05.2009.
António Costa no nosso terraço


Mas nós estávamos ali para trabalhar e pouco nos apercebíamos das potencialidades restauracionais do espaço.
Mas o cheiro lá andava e um dia combinámos que todos traziamos o farnel de casa e íamos almoçar ao castelo de S. Jorge.
E lá fomos, com o chefe Mósca à frente.
Já não me lembro do que é que eu, solteiro e a viver sozinho, terei arranjado para levar. Ainda não havia pizzas nem hamburgers, talvez tenha levado alguns bolinhos de bacalhau comprados ad hoc.
Então vejam a maltosa.

A caminho... com o carrego...

Santos Silva, Luísa (Olá Luisinha, que é feito da menina?) e Sr. Mósca com o copo na mão...

Vamos comendo...


Da esquerda para a direita: Rito Pereira, Luísa, Dr. Daniel Costa, Odete, Nuno Bermudes, Miné (mulher do Bermudes; não trabalhava no nosso serviço mas ela é que fez o farnel do Bermudes...), Paixão, Oliveira Martins, Moreira, Sr. Elias, Oliveira e Sr. Mósca

O João Manuel Guerreiro Marçalo, terceiro da esquerda também lá estava. O Sr. Elias Rodrigues e Silva, primeiro à esquerda é o que está melhor na foto.
O sr. Elias morreu há vários anos, depois de ter ainda colaborado comigo no escritório, quando se reformou do BNU. Paz à sua alma. Era um homem às antigas, com cultura e saber estar. Quando fui ao enterro dele, conheci finalmente os seus filho e neto, que eram os seus motivos de vida.
O Nuno Bermudes também já faleceu, mas eu vou voltar, noutro dia, ao Bermudes, escritor e a outros colegas da foto.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

RECORDAÇÕES do BNU



Leonel de Pina Lobão, nasceu no Bairro de Gumirães, actualmente da freguesia de Santa Maria, em Viseu, no dia 28.07.1947 (signo Leão, mas benfiquista). Está à espera de ganhar tudo este ano, incluindo a taça europeia.
Entrou no BNU em Gouveia em Agosto de 1973, passou por Santiago do Cacém, Sines, Rua Augusta (Departamento de Estrangeiro - Emigração) e 5 de Outubro (Departamento Internacional - Financiamentos Externos). Reformou-se em 1 de Janeiro de 2003, já na Caixa Geral de Depósitos.
É um grande entusiasta do nosso banco. Tem recordações do BNU de todos os locais por onde passou e promete trazer-nos aqui muitas das suas lembranças.



Uma que ele guarda com muita estima é uma garrafa de vinho do Porto de 1851 produzido por F. Chamisso Filho & Silva, que comprou no dia 8.06.95 na Garrafeira Mercearia Nacional na Rua de Santa Justa, nº 18 em Lisboa


Também faz parte das suas recordações a respectiva factura.


Naquele dia, o Lobão foi, com o colega Fernando Leyva, à mercearia e descobriu lá a garrafa. Chamou-lhe a atenção o rótulo, com o "Chamisso" que aludia ao fundador do BNU. O merceeiro informou de que era peça única. O Lobão não hesitou um segundo e comprou-a de imediato.
Descobriu um documento da Biblioteca Nacional que identifica a firma "F. Chamisso Filho & Silva" como agente do Banco Nacional Ultramarino no Porto e que refere que os sócios dessa firma são os Chamisso, ligados ao BNU e o Sr. Carlos Silva, negociante muito respeitável, e muito respeitado, no Porto. Refere ainda o documento que à data não era obrigatório o registo das sociedades para terem existência legal e que a firma "F. Chamisso Filho & Silva" foi constituida por escritura pública no Porto, não teve registo comercial mas tinha actividade legal. Pela garrafa sabemos que a firma produziu vinho do Porto, pelo menos em 1851, que sabemos ter sido um ano de vintage.
O BNU foi fundado em 1864 por um dos Chamiços (=Chamissos) e ficamos a saber que em 1880 constava como agentes do BNU no Porto, a tal sociedade F. Chamisso Filho & Silva


A garrafa de vinho do Porto , na posse do amigo Lobão, é uma rara preciosidade, das que aparecem de vez em quando em leilões internacionais.



Vem referida uma garrafa destas no encontro promovido pela Vinotheque Nobilis, da Suiça com a classificação de quatro estrelas num máximo de cinco e com a seguinte anotação:
PORTO F. CHAMISSO FILHO & SILVA
"VELHO PARTICULAR" 1851 (****)
Couleur or brun assez clair, un peu trouble.
Au nez: style étonnant de très vieux madeira à l'acidité volatile extrême.
Cette acidité intensifie tous les arômes et donne beaucoup de vigueur à la constitution massive de ce Porto "vieux".
Très très riche au niveau de l'alcool.
Le sucre équilibre fort heureusement l'ensemble des composantes.
Grand vin qui fait plus penser à du Madeira qu'à du Porto.

Encontro enológico na Vinotheque Nobilis, em Geneve promovido pelos coleccionadores, Jean-Luc Barré e Pierre Chevrier, que apresentaram a garrafa do Chamisso

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sr. AGOSTINHO DOS SANTOS


O Sr. Agostinho dos Santos foi um dos directores que marcou a vida da sede do BNU em Lisboa.
Esteve sempre ligado ao Departamento de Operações com o Estrangeiro ou Departamento Internacional.
Quando eu entrei no Banco, em 1974, no Serviço de câmbios, estavam nesse departamento, no rés-do-chão, o Paulino, o Freitas Alves, o Avó Martins, o Pincho, o Luis Cruz, o Pereira Nunes, o Leitão, o Tiago, o Catarino, o Azevedo, o João Rebotim, o Fernando Miguel e outros que ainda hei-de citar. Na direcção, o Sr. Mesquita da Cunha e o Sr. Agostinho dos Santos.
O Tiago era explorador de abelhas para o mel. Dizia ele que andava a estudar uma forma de fazer uma exploração mais intensiva das abelhas. Ninguém podia levar a mal pelo facto de ele ser contra a exploração do homem pelo homem e querer explorar as abelhas que não pertenciam à espécie humana. Então a ideia dele era cruzar abelhas com pirilampos para trabalharem de dia e de noite. Eu depois saí da repartição e nunca cheguei a saber que fim teve a experiência.
O Sr. Tiago já morreu. Sit ejus terra levis = que a terra lhe seja leve.

O Sr. Luis Cruz encontrei-o, há dias na Assembleia dos empregados do BNU. Está óptimo.
Olha só...



Está também óptimo o Sr. Agostinho dos Santos.
A impressão que eu tenho do Sr. Agostinho dos Santos, enquanto director, é a de um homem com muito boa formação, sempre com uma palavra agradável.
Esteve a fazer-me um resumo da sua vida no BNU.

Lá vão as imagens.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sr. BARBOSA - BNU Cabo Verde

Escudo de Cabo Verde Português

Trabalhei num departamento do Banco Nacional Ultramarino, na sede, com o sr. João Gomes Barbosa Júnior, que tinha vindo do BNU - Cabo Verde.
Criámos uma relação muito boa e já depois de eu ter saído daquele departamento, conheci a sua mulher e a sua filha.
Em 1974, o BNU tinha a agência da Praia, que era a mais importante e antiga, que tinha sido aberta em 1865, a agência de S. Vicente aberta em 1894, e a Delegação do Sal, aberta em 1948, além de correspondências em todas as sedes dos concelhos.



O Sr. Barbosa, quando se deu a revolução do 25 de Abril, era o gerente da Praia e, segundo parece, tinha preponderância sobre os outros gerentes de Cabo Verde, sendo um "gerente geral" de toda a província. Não sei se isto estará correcto em termos de organigrama do Banco para Cabo Verde, àquela data.
Seja como for, o Sr. Barbosa veio para Portugal, com a família logo a seguir ao 25 de Abril. Ele foi um dos colegas das delegações ultramarinas que nunca obteve colocação consentânea com a sua capacidade e experiência, quando regressou a Portugal.
Nasceu em S. Vicente, em 30.7. 1922. Tirou o curso de Altos Estudos Ultramarinos no que é actualmente o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
Pertencia a uma família antiga de Cabo Verde, descendente de João Gomes Barbosa, nascido em 8.3.1802, que foi comandante do forte de D. Pedro na ilha do Fogo e que faleceu em 12.03.1864.
O Sr. Barbosa punha no fim do seu nome o "Junior" precisamente para não se confundir com este antepassado e com outros que tinham tido também o mesmo nome.
Era um homem bom. Faleceu em 3.04.2002. Como diziam os latinos "sit eius terra levis". "Requiescat in pace". = Que a terra lhe seja leve. Descanse em paz.

No dia 1 de Julho de 1976, já o sr. Barbosa não estava em Cabo Verde, com a transferência do activo e do passivo dos Departamentos do Banco Nacional Ultramarino e do Banco de Fomento Nacional em Cabo Verde, o Banco de Cabo Verde deu início às suas actividades sucedendo em linha directa a todas as funções que tinha em Cabo Verde o Banco Nacional Ultramarino.


Sr. Barbosa, com os Pais e as irmãs

Encontrei esta foto do Sr. Barbosa, rapaz novo. Não está muito boa, mas dá para perceber que é ele. Sei que deixou dois filhos, o Pedro, doutor em História e a Teresa, professora, e dois netos, o João Pedro nascido em 1979 e a Maria João nascida em 1983.

domingo, 28 de março de 2010

ASSEMBLEIA da ASSOCIAÇÃO



Então, lá estivemos na Assembleia da Associação dos Antigos Empregados do Banco Nacional Ultramarino.
A afluência foi boa. A sala estava cheia. Presidiu o Dr. Martins Borrego, que conduziu os trabalhos como só ele sabe fazer. Esteve ladeado pelo Sr. Agostinho dos Santos, o Sr. Dr. Isaias Gomes dos Santos e pelo Sr. Arrais.



O Presidente da Direcção, Sr. Ribeiro Gonçalves, fez uma breve introdução a que se seguiu a exposição do Conselho Fiscal sobre as contas e sobre o orçamento e programa para o presente ano.



Foram aprovadas as contas e o programa e orçamento para o presente ano e foi ainda aprovado um voto de louvor aos órgãos sociais da Associação.

O Sr. carvalho fez a proposta de louvor que foi aprovada por unanimidade e aclamação.


O Dr. Martins Borrega falou sobre este blog e falámos sobre a disponibilidade (que é total e que foi para isso que ele nasceu) deste blog para publicar artigos, histórias, fotos, vídeos que os colegas queiram fazer. Basta enviar para o e-mail que está identificado logo abaixo do título do blog.

Seguiu-se à assembleia um lanche e convívio, onde todos fomos devidamente fotografados. Só que eu fiz vídeos e então vou colocar aqui os vídeos. Tem a vantagem de vermos como são as pessoas a falar e a movimentar-se.
Então vejam.

Começamos com a apreciação final que o presidente fez desta assembleia



Continuamos com dois rivais da 2ª circular...



A Belmira estava nos Câmbios quando eu entrei para o BNU



O Dr. Armindo fala da sua experiência internacional



O Sr. Carvalho diz que gostou



O Sr. Luis Fernandes marcou presença



O Sr. Agostinho dos Santos comeu o seu bolinho e cavaqueou



A D. Carolina lá esteve



O Sr. Dr. Gomes dos Santos explica o seu parecer à colega dos Açores



E continuamos



E falamos



E mais conversa

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sr. DENGUCHO - ÚLTIMO GRANDE DIRECTOR DE MACAU



Abílio do Nascimento Martins Dengucho, nasceu em 17 de Maio de 1939 em Torre de Moncorvo, onde tem residência e é especialmente estimado como um dos filhos ilustres da terra.
Entrou no BNU em Lourenço Marques em Janeiro de 1957.
Foi para Macau em Abril de 1977.
O governador português do território pretendia criar um banco central em Macau, encerrando o Departamento local do BNU.
A ida do Sr. Dengucho para Macau destinou-se a defender as posições e interesses do BNU nesse projecto.

Com o Governador Português de Macau, Carlos Ascensão

O projecto acabou por não se concretizar, mas foi reconhecida a necessidade de alterar o sistema de emissão monetária, pondo em prática a autonomia financeira que o Estatuto de Macau tinha definido no ano anterior.
Estas alterações criariam no BNU a necessidade de se reorganizar a adaptar-se ao novo perfil das funções que veio a assumir em conjunto com o Banco da China.

Na Assembleia Nacional Popular em Pequim

O Sr. Dengucho, que já tinha tido um papel essencial e tinha demonstrado capacidade extraordinária na defesa dos interesses do BNU, na transferência dos diversos departamentos ultramarinos para os novos países nascidos da revolução de Abril, tinha a sua permanência em Macau prevista para 9 meses, acabou por ficar 18 anos.
Foi ele que dirigiu o BNU de Macau desde 1977 até praticamente 1995, data da sua aposentação.


Inauguração de agência do BNU em Zuhai, China

A este grande director se deve a actual permanência e papel preponderante que ainda conserva o BNU em Macau. À sua acção e dinamismo se deve igualmente a expansão do BNU naquela zona chinesa, abrindo novas agências tanto no território macaense como já dentro da China.

Inauguração de agência do BNU em Macau

Recordo-me que, durante a sua direcção do BNU Macau, acompanhou a Portugal uma delegação chinesa e pelo menos um grande jornal português que noticiou o acontecimento, dizia que a parte portuguesa era representada pelo sr. Deng Hucho. Fazia sentido. Quem não o conhecesse pensava que era mais um chinês.
Olá Sr. Dengucho, lá por trás dos montes, como é que tem passado?

Nota de Macau assinada pelo Sr. Dengucho, como Director Geral do BNU

terça-feira, 23 de março de 2010

BNU - Moçambique

Sede do BNU em Lourenço Marques em 1974

O Banco Nacional Ultramarino atingiu a sua máxima força em Moçambique, permanecendo como banco emissor e primeiro banco comercial daquele vasto território desde 1868 até 1975, data em que a parte moçambicana foi transformada em Banco de Moçambique.
Actualmente sede do Banco de Moçambique

Quando foram feitos os acordos de transferência dos activos do BNU para o Banco de Moçambique ficou assente que viriam para Portugal, onde seriam integrados nos quadros do BNU, 980 trabalhadores do BNU Moçambique, em tranches de 200 por ano.
Afinal só vieram 580 porque 400 desses trabalhadores optaram por ficar em Moçambique.
Em 1978 ficou completa a integração dos trabalhadores de Moçambique no BNU europeu.
Eram colegas com preparação bancária e que tiveram de se sujeitar a lugares muitas vezes pouco consentâneos com a sua competência.
Mas o que sobretudo se fez imediatamente notar foi o afluxo de raparigas e mulheres bonitas ao BNU.
Em Portugal (europeu) o BNU (como em geral, os outros bancos)era um banco antigo e tradicionalista, em que as mulheres ainda não tinham papel preponderante. Mas isso mudou com a vinda do pessoal de Moçambique.
Rapidamente o BNU passou a ser o Banco com mais bonitas mulheres da baixa pombalina.

A Irene veio de Moçambique. Olá Irene!



A Anita Vera Cruz veio de Moçambique. Está no filme, de há vinte anos, com a Drª Lemos Viana, o Alexandre Dias e o Moura de Figueiredo.
Telefonou-me há dias e estava toda orgulhosa das suas três filhas. A do meio está casada com o Carvalho da Silva, presidente da CGTP.