quinta-feira, 12 de setembro de 2013

JOSÉ BRANCO - POSTO MÉDICO do BNU

                                    UMA HISTÓRIA DE AMIZADE
Rolam os anos, ano após ano e, às duas por três, damos connosco invadidos pelos cabelos brancos trazidos, exactamente, pelos muitos anos que, entretanto, já rolaram. É, então, chegada a hora para se rebuscar na memória e trazer à luz do dia episódios da nossa vida que nos marcaram vincadamente a existência.
O – a meu ver – extraordinário narrador que é o escritor chileno Luís Sepúlveda, escreveu num dos seus contos: “os amigos não morrem simplesmente: morrem-nos, uma força atroz mutila-nos da sua companhia e continuamos a viver com esse vazio entre os ossos”. Não querendo eu meter a minha romba foice numa seara que não é minha, apetece-me acrescentar que à medida que vamos sobrevivendo à força demoníaca da morte que, de um modo inesperado, nos vai levando amigos e parentes, esses vazios entre os ossos de que fala Luís Sepúlveda vão sendo preenchidos pelas boas recordações que de todos eles nos ficaram indelevelmente gravadas na memória. E foi para melhor definir o sobreviver dessas lembranças que – acho eu – foi inventada a palavra saudade.
Foi ao pensar em tudo isto que me ocorreu contar esta história de amizade.
Ao longo dos muitos anos ao serviço do B.N.U., foi-me dado, a dado passo, conhecer no posto médico o enfermeiro José Branco. Era por todos reconhecida a sua mais que evidente simpatia, o seu trato lhano o seu jeito extrovertido e brincalhão com que acolhia aquele ror de queixumes que por ali aportava todos os dias. Lembro-me até de um certo dia me ter calhado a vez de lhe ir parar às mãos, mercê de uma queda aparatosa sem graves consequências que não fossem as palmas das mãos todas esfoladas em consequência da aterragem que fui forçado a fazer. Parece-me ainda estar a vê-lo a esfregar-me denodadamente aquela carne viva, achava eu que sem dó nem piedade, indiferente aos meus queixumes piegas, com os quais ele brincava, explicando-me que as feridas tinham que ficar bem limpas e desinfectadas sem o que podia resultar dali uma infecção dos diabos.
Para além dessas visitas “forçadas” ao posto médico, eu costumava encontrar também o José Branco durante as férias na Praia de Santa Cruz quando, ocasionalmente, os nossos caminhos se cruzavam, mas para além dos cumprimentos usuais de cortesia as nossas conversas limitavam-se a palavra de circunstância.
Já depois de reformado, a certa altura, decidi comprar um apartamento naquela praia e, numa das minhas idas iniciais ao prédio, quando vou a entrar dou de caras, inesperadamente, com o Branco e a esposa que vinham a sair. Ficámos, assim, todos a saber que, a partir daquele momento, éramos ali vizinhos.
Foi o início de uma agradável convivência que, embora circunscrita aos períodos que por ali simultaneamente permanecíamos, me permitiu conhecer melhor o Branco, inteirando-me da sua personalidade e apercebendo-me de uma sua outra faceta que eu desconhecia, que era a sua enorme paixão pelos livros e pela cultura em geral.
Os anos foram correndo – não muito é certo – e por razões de saúde o casal passou a espaçar mais a sua permanência naquele seu apartamento e eu, por razões diversas, acabei por vender também o meu.
Num dos últimos dias que ali permaneci e tendo-nos, ocasionalmente, reencontrado, aproveitei o ensejo para lhe entregar um envelope que antecipadamente lhe destinara, envelope que continha um bilhete com palavras simples de agradecimento pela sua amizade e uma pequena aguarela, pintada por mim, reproduzindo a praia de Santa Cruz com o seu característico rochedo. Esclarecia ainda, que aquela oferta, não obstante a sua simplicidade era, porque de minha autoria, um testemunho que me parecia adequado para assinalar o nosso tão muito agradável convívio.   
Num dos últimos dias que ali permaneci e tendo-nos, ocasionalmente, reencontrado, aproveitei o ensejo para lhe entregar um envelope que antecipadamente lhe destinara, envelope que continha um bilhete com palavras simples de agradecimento pela sua amizade e uma pequena aguarela, pintada por mim, reproduzindo a praia de Santa Cruz com o seu característico rochedo. Esclarecia, ainda, que aquela oferta, não obstante a sua simplicidade era, porque de minha autoria, um testemunho que me parecia adequado para assinalar o nosso tão muito agradável convívio.Alguns meses passados, já nas vésperas do Natal que, entretanto, se aproximara, alturas em que, habitualmente e pelo telefone trocávamos os tradicionais cumprimentos natalícios, o Branco surpreendeu-me ao dizer que se queria encontrar comigo para me dar pessoalmente um abraço.
Expectante, lá compareci no local e à hora que fora combinada onde, a dado momento ele surge sobraçando um bonito embrulho em papel alusivo à época e que me entregou sorrindo. Porque não esperava por aquela inusitada situação, fiquei sem palavras e limitei-me a dizer um tanto encabulado que não vinha prevenido para lhe retribuir. Com aquele seu ar brincalhão que tanto o caracterizava, ele retorquiu dizendo-me que eu não tinha nada que retribuir, ele é que me vinha retribuir a minha amizade e a oferta daquela minha “borrada”. Além disso, como lera e analisara os meus escritos, aquele era o seu contributo para que escrevesse coisa de jeito.
Aberto o embrulho, dou, surpreso, com um enorme cartapácio numa nova edição de 1937 de uma obra editada em 1719, cuja primeira página aqui se reproduz.
O José Branco, tal como muitos amigos que ao longo da vida fui perdendo, ocupa, agora, um dos muitos vazios que já tenho entre os ossos, mas aquela prenda de Natal, com o seu faceto simbolismo, ficou indelevelmente vincada no meu espírito.
De facto, os amigos não morrem simplesmente. Encontramo-los a cada passo, em cada esquina, a cada momento, sempre e quando a nossa memória no-los trás de volta.

                    MAIA PEREIRA


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sr. AGOSTINHO DOS SANTOS

António Agostinho dos Santos, nasceu em Torres Vedras em 1930. Começou a trabalhar aos 11 anos como empregado de balcão e aos 14 anos entrou para o curso comercial na escola noturna.
Entrou no Banco Nacional Ultramarino no dia 10 de Outubro de 1952, no Serviço de Pessoal, onde era chefe o Sr. Gualberto, pai de dois colegas nossos "Gualbertos".
Passados dez meses foio colocado no Serviço de Câmbios e até ao fim da sua vida no BNU manteve-se no Departamento de Operações com o Estrangeiro.
Esteve uma temporada em Londres, onde aperfeiçoou os seus conhecimentos de inglês e de operações com o estrangeiro. A evolução do BNU, deu importância às línguas e sobretudo ao Inglês e o Sr. Agostinho dos Santos, acompanhando essa evolução com os seus conhecimentos profundos do inglês,  foi subindo na hierarquia do Departamento até chegar a diretor.
Reformou-se em 1988, como diretor do Departamento Estrangeiro, na Rua Augusta.
Quem passou pela Rua Augusta, nas décadas 60, 70 e 80 do século XX, não podia deixar de conhecer o Sr. Agostinho dos Santos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

DR. VICENTE

José da Silva Vicente, nasceu no dia 22 de Agosto de 1936 em Figueira de Castelo Rodrigo.
Viveu no Porto até aos 11 anos e, aos 12, instalou-se em Lisboa. Fez os estudos no Comercial e aos 13 anos foi trabalhar para um escritório, onde se manteve até ir para a tropa. Depois da tropa, entrou no Montepio e, em 7 de Julho de 1960, entrou no BNU.
Entrou nas Letras à Cobrança na Rua Augusta, sendo chefe o Sr. Hugo Pereira Coutinho. Depois mudou-se para o Centro Mecanográfico, sob a chefia do Dr. Pedro Cabral, Centro Eletrónico, sendo diretor o Dr. Aristides Pereira, Organização e Métodos, sob a direção do Dr. Rita, mais tarde dr. Acácio Monteiro e posteriormente Dr. Bagão. Acabou o curso no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), em 1973 quando estava no Centro Eletrónico, com as facilidades para estudo que o Diretor, Dr. Aristides Pereira, lhe concedeu. 
Nos 22 anos de colocação no Departamento de Organização e Métodos, ficou a conhecer profundamente o Banco e suas agências, onde frequentemente se deslocava para elaboração do respetivo estudo de organização.
Reformou-se no dia 1 de Outubro de 1993 sendo técnico, nível 14 da Organização e Métodos da sede da 5 de Outubro.
Tem 3 filhas e sete netos.  
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

INHAMBANE - Terra de boa gente?

Era assim o vetusto edifício da agência
Sou ainda “caloiro” nesta arte da escrita electrónica, mas passeando por este “lugar”, perguntei a mim mesmo porque não entrar em vez de ficar só a olhar para a montra? Acontece, ainda, que tendo sido colaborador desde o primeiro número do boletim da A.A.E.B.N.U., há uns anos atrás – e ainda hoje não sei porquê - despediram-me. Como qualquer desempregado que procura recompor a vida conclui ser esta uma soberana oportunidade para esclarecer: - ainda escrevo, logo ainda existo! É que, há tempos, nos SAMS (na Fialho de Almeida) logo à entrada, levanta-se de um dos bancos um colega que eu já não via há muito tempo para, muito efusivamente me abraçar dizendo: - Eh pá, julgava que já tinhas morrido, pois há muito não vejo nada escrito por ti no Boletim. Tenho pena que o jornal da minha terra - O Novo Almourol – tenha uma circulação tão circunscrita pois, não fora assim e toda a gente saberia que ainda mexo, embora agora com contornos mais “provincianos”.
Este foi o intróito para justificar o meu aparecimento neste mundo de comunicação onde os ratos, porque comandam as operações, dão-me cabo da cabeça. Ao que chegámos: até os ratos põem e dispõem. Mas, vamos lá, porque bem pior são as ratazanas.
Seja lá como for a realidade é que vou aqui poder invocar uma terra à beira do Índico plantada, à qual me considero ligado por velhos laços de afeição, cidade que não vejo citada nesta página: INHAMBANE (terra da boa gente?). A interrogação é minha, já que não sei se aquela designação, que era a sua divisa no tempo colonial, ainda subsiste. Também, se já não for, não advém daí ao Mundo qualquer mal, já que, historicamente, há alguns estudiosos do assunto que opinam que Vasco da Gama nunca esteve ali.
Cruzei-me com a cidade de Inhambane ia eu ainda nos meus 21 anos. Como o tempo voa. Entrava, por essa altura, como aspirante para a Administração Civil e, pouco depois e pelo mesmo preço, passava a exercer funções de secretário em Homoíne e em Panda e de chefe de posto em Ressano Garcia.
E o pessoal, de fato, menos "usado"...
 Em 1956 volto a Inhambane, agora e para sempre ao serviço do Banco Nacional Ultramarino. A Agência, tal como acontecia com a cidade, já tinha uma provecta idade. Como a imagem sugere o edifício não destoaria num cenário de um filme de caws-boys, só faltando para tal os cavalos dos ditos, amarrados às grades da varanda. Como fotograficamente também se demonstra, o pessoal é que não era assim tão vetusto mas, mesmo assim, daquele conjunto já muito poucos restam. Não obstante a nítida diferença de idade e a idiossincrasia do guarda- livros, era um grupo mais ou menos coeso, mormente nas suas almoçaradas comemorativas a que o dito guarda-livros aderia sempre condicionalmente ao seu imutável preferido menu: pescada cozida com batatas e hortaliça. Chefe é chefe e pescada do Cabo, por aquele tempo, também não era petisco que se recusasse.
Nunca entendi aquela obsessiva preferência por aquele gadídeo, uma vez que a cidade de Inhambane era rica em peixe e mariscos de toda a qualidade e feitio. Adviera-lhe até fama pelos seus inigualáveis carapaus e pelas suas grandes e saborosas tangerinas.
Á parte esse aspecto gastronómico de Inhambane, há que dar particular relevância à grandiosidade e à beleza da sua baía. Ficou para sempre gravado na memória a visão dos “dhow”, com as suas grandes velas triangulares vogando pela imensidão daqueles azuis e verdes esmeralda que, quando o Sol baixava no horizonte cambiavam em matizes deslumbrantes. Também impossível esquecer a magnificência das praias ao seu redor, então ainda em pleno estado selvagem... Agora vejo-as na Internet povoadas por inúmeros e luxuosos resorts. O mundo deu e dará muitas voltas mas, para mim foi esse “primitivismo” da Mãe África, o fetiche que me amarrou aquele lugar, que eu sinto agora longínquo, mas sempre sedutor e inesquecível
 

MAIA PEREIRA

quarta-feira, 3 de julho de 2013

JOSÉ A. SOUSA


José Augusto de Sousa, nasceu no dia 4 de Julho de 1937, na freguesia de Crespos, concelho de Braga.
Foi professor primário durante 7 anos. Estudou direito em Coimbra e Lisboa, acabando o curso de Direito em Lisboa em Fevereiro de 1971.

Entrou para o BNU no dia 1 de Setembro de 1964 na Rua Augusta, para o Serviço de Pessoal e ao fim de dois meses foi colocado no Arquivo / Economato, onde esteve até 1972.
Em 1972, após terminado o curso de direito, foi falar com o Dr. Fezas Vital, Diretor do Pessoal e disse-lhe que queria enveredar pelo ramo de direito de trabalho e então foi colocado no Gabinete de Estudos Jurídicos do Serviço de Pessoal.
Em 1974, após o 25 de Abril, foi nomeado acessor do diretor de Pessoal, Sr. Santos Silva.

Em 1975, foi colocado no Contencioso, onde era diretor o Dr. Vaz Monteiro.
Em Fevereiro de 1988, foi fazer uma cooperação ao Ministro da Cooperação de Moçambique, Major General Jacinto Veloso, onde passou dois anos maravilhosos com hotel, carro e motorista às ordens.

Em Abril de 1990 voltou para o BNU, Dep de Pessoal.
Reformou-se Julho 1992, na sede Rua Augusta, onde, à data, funcionava o Departamento de Pessoal do BNU.

Voltou ao ensino como professor primário na escola de Buraca 3, Cova da Moura, onde esteve até 1998, reformando-se totalmente.
Vive atualmente em Braga.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

OS PRESIDENTES DO BNU

Busto de Chamiço, que esteve na sede
Rua Augusta desde o centenário e está
agora no Centro de Documentação da
CGD - a Sapadores, Lisboa
Na página deste site, GOVERNADORES E PRESIDENTES, podemos verificar que o Banco Nacional Ultramarino, desde a sua fundação, 16 de Maio de 1864, até à sua completa extinção, 23 de Julho de 2001, teve 17 presidentes, que, conforme o estatuto que o BNU foi tendo, foram apelidados de Governadores, Presidentes do Conselho de Gestão ou Presidentes da Administração.
Vale a pena ler atentamente os dados da vida destes presidentes e, entre esses dados, escolhermos os que nos parecem terem sido mais determinantes para a sua nomeação para a presidência.
 
Pela vida do fundador, Francisco Chamiço, verificamos que, perdido o Brasil, a fundação dum banco dedicado ao desenvolvimento da presença portuguesa nas colónias africanas e asiáticas era uma necessidade premente para a sobrevivência do poder político e económico português. O facto desse banco, com regalias e ajudas do Estado, sem qualquer concurso público, ter caído nas mãos de Francisco Chamiço, deveu-se ao seu familiar, José da Silva Mendes Leal, ao tempo Ministro da Marinha e do Ultramar, que, em menos de mês e meio, expõe pessoalmente o projeto na Câmara dos Deputados, faz aprovar o decreto que aprova o Banco e faz assinar a Carta de Lei pelo Rei D. Luís que ratifica o decreto.
 
Até 1931, os Governadores do BNU são nomeados pelos acionistas, que são todos privados. Mas verificamos que os governadores eleitos estão todos, de alguma forma, ligados ao poder político e, especificamente, ao poder político colonial. Este facto leva-nos a concluir que os acionistas queriam estar bem com o Estado protetor, essencial para manter as regalias estatais do BNU, concedidas desde a sua fundação.
Alguns estão também ligados a famílias de banqueiros conhecidos e que atualmente continuam ligadas ao poder financeiro.
Não foi encontrada descendência de Francisco Chamiço.
 
Em 10 de Fevereiro de 1931, o BNU é intervencionado pelo Estado e fica, a partir de então, na prática, nas mãos do Estado, de que não mais se liberta.
Em 11 de Maio de 1951 o Estado dá por concluída a intervenção direta no BNU, entregando-o aos acionistas privados. Mas na realidade, os privados não têm poder económico para comprar os créditos do Estado, transformados em ações e o Governo continua a mandar nas administrações do BNU e a ter uma palavra decisiva na nomeação do presidente.

Em 1931, para presidente do Conselho Administrativo e Comissário do Governo, Salazar nomeia o militar António dos Santos Viegas, filho dum professor Universitário de Coimbra, ao gosto do ditador.

Em 1951, é eleito Francisco Vieira Machado muito ligado ao Estado Novo, onde exerceu funções de Ministro (influente) do Ultramar.

Depois de Vieira Machado o percurso que conduz a presidente do BNU começa invariavelmente com algum cargo no governo, sobretudo no Ministério das Finanças, como se ao chegar ao poder, o interessado visse que o melhor arrimo para a vida era mandar num Banco e o BNU fosse o que estivesse mais à mão.
  
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

JORGE ARRAIS

Jorge Ascenção Mendonça Arrais, nasceu em 5 de Maio de 1932 em Luz de Tavira.
Fez o curso comercial e entrou aos 19 anos na CGD na Rua do Ouro. Em 1954 fez um concurso para entrar no Banco Nacional Ultramarino, à data um banco privado que pagava mais do que o Estado, a que pertencia a CGD. Ficou classificado no concurso em 18º e foi chamado ao departamento de Pessoal do BNU, onde lhe propuseram três hipóteses para entrar no BNU: Régua, Évora ou Mirandela. No mesmo dia chamaram também o classificado em 19º, o Bernardo Leite, que ele já conhecia do Benfica, onde era conhecido como o mãozinhas de ouro do Basquete. Ambos escolheram Évora. Em Évora, o Jorge Arrais e o Bernardo Leite marcaram a sua passagem pela introdução no BNU da utilização da camisa sem gravata que lhes foi permitida pelo gerente, Sr. Lourenço.
Passados três meses, os dirigentes do Grupo Desportivo do Banco, conseguiram que eles viessem para Lisboa para facilitar a sua participação nos campeonatos interbancários. O Jorge Arrais era já um consagrado praticante de atletismo do Benfica, para onde entrou com 19 anos e saiu com 29. 
No final de 1954 foi colocado no Departamento de Inspeção do BNU e pouco tempo depois passou para o Departamento Comercial, onde permaneceu até ao final da sua vida de BNU.
A sua participação nos campeonatos interbancários, ele no atletismo e o Bernardo Leite no Basquete, marcaram um período de domínio completo do BNU naquelas modalidades. Passados 4 anos da sua participação nesses campeonatos, foi proibida a participação nos mesmos de atletas federados e ambos deixaram de participar.
Reformou-se do BNU no dia em que fez o 65 anos, 5 de Maio de 1997, como diretor do Departamento Operacional do Sul e Ilhas, na sede da 5 de Outubro.
Como dirigente desportivo é sobejamente conhecido de todos os benfiquistas, onde tem lugar cativo desde 1972, data em foi eleito para os corpos diretivos no 2º mandato do presidente Dr. Borges Coutinho. Atualmente é 1º secretário da mesa da assembleia geral do Sport Lisboa e Benfica Club e é secretário de outras empresas do grupo Benfica, como Benfica Estádio e Benfica Multimédia.