quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MACAU - 110 ANOS

Já aqui fizemos a história do Banco Nacional Ultramarino em Macau, com base no livro do Dr. Herlander Machado.
Por ocasião do 110º aniversário da inauguração da agência de Macau, reproduzimos algumas imagens tiradas do site do Gabinete do Património Histórico da CGD, num artigo feito pelo Dr. Miguel Costa, sobre a história desta agência.

Prédio da Rua da Praia Grande, nº 9, que pertencia a D. Anna Theresa Ferreira, antiga Condensa de Senna Fernandes e onde começou a funcionar a 1ª agênci do BNU em 20 de Setembro de 1902

Palácio do Governo de Macau.
Em Junho de 1906, o Ministério da Marinha enviou ordem ao Governo de Macau para entregar ao BNU
a Caixa do Estado e autorização para ceder ao Banco parte do edifício do Governo. Transferiu-se, em sequência,
a agência do BNU para o rés-do-chão deste edifício.

Em 1 de Março de 1926 foi inaugurada a nova sede da agência do BNU em Macau, onde se mantém até ao presente. 

1º livro de caixa do BNU Macau

1906 - BNU - Caixa do Tesouro


Primeira moedas metálicas portuguesas a circular em Macau
1952

Nota emitida pelo BNU em 1981


Pintura existente em coleção privada, reproduzindo a nota de dez patacas de 1981

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

MACAU

Dez patacas em pintura
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

BANCO DA BEIRA


A cidade da Beira, capital da província de Sofala, em Moçambique, celebra no dia 20 de agosto o seu aniversário de elevação ao estatuto de cidade. O seu desenvolvimento desde um pequeno posto militar até se tornar num dos principais portos marítimos da costa oriental africana no período colonial, deve-se muito à Companhia de Moçambique.
Joaquim Carlos Paiva de Andrada, oficial do exército português e adido militar em Paris, fundou, em conjunto com outras personalidades portuguesas, a Companhia Nacional de Moçambique, à qual, em 2 de Dezembro de 1888, foi concedido pelo estado português, o direito que se propunha a exploração colonial dos distritos de Sofala e da Zambézia (no litoral norte de Moçambique).
No entanto, os sucessos iniciais da Companhia entravam em conflito com os interesses britânicos na região e em particular com a empresa rival de Cecil Rhodes, a British South Africa Company (BSAC). Esta tinha pretensões em estender as suas terras no interior da África austral até ao litoral no canal de Moçambique. Tal desencadeou uma série de conflitos militares na região entre as duas empresas e conflitos diplomáticos entre os governos de Portugal e do Reino Unido. Como resultado final destas diligências, foi firmado entre os dois governos, a 11 de julho de 1891, um tratado que reconhecia as fronteiras coloniais de ambos os países. Outros termos do acordo determinavam que o governo português teria de facilitar as comunicações terrestres entre o litoral e as terras no interior sob jurisdição britânica.

Impossibilitado economicamente de avançar com tais obras, o Estado português delegou esses compromissos na reformulada Companhia de Moçambique, que passou a ser constituída por capitais portugueses, ingleses e franceses, e tinha funções de companhia majestática sobre os distritos de Manica e Sofala – área no centro de Moçambique, a sul do rio Zambeze e a norte do rio Save, sendo delimitada a oeste pelas terras da BSAC (atual Zimbabwe). Tinha sede em Lisboa e delegações em Londres e Paris. 


Locomotiva - 1925


Comboio de mercadorias - 1930
Em 1892, iniciou-se a construção da ligação ferroviária entre a Beira e a cidade fronteiriça, nas terras da BSAC, de Umtali (actual Mutare). Começou a funcionar em fevereiro de 1898 e um ano mais tarde foi continuada a sua ligação até à capital da colónia britânica, Salisbury (atual Harare). 
Ponte ferroviária sobre o Rio Zambeze
Esta foi de grande importância para as trocas comerciais entre as duas companhias majestáticas, servindo o porto da Beira como meio de escoar os produtos e matérias-primas produzidos no hinterland da colónia britânica. Outro componente da sua importância era o transporte de trabalhadores moçambicanos para as minas localizadas sob jurisdição da BSAC. Esta troca e comunicação entre as duas colónias foi uma realidade que se verificou durante todo o período de vigência do colonialismo na região.

Cidade da Beira - 1954
Os investimentos feitos pela Companhia, na produção mineira e agrícola,  atraíram muitas famílias de colonos portugueses para a região e a cidade da Beira evoluiu nas comunicações rodoviárias e elétricas.
A 20 de agosto de 1907, aquando da visita oficial do príncipe herdeiro, Luís Filipe, este trazia o decreto real que elevava Beira ao estatuto de cidade. Inclusive, foi através do cognome do príncipe (“Príncipe da Beira”) que a povoação foi renomeada – anteriormente denominava-se Chiveve.
Filial do BNU Beira - 1942 (antigas instalações da Companhia de Moçambique)
Dos privilégios concedidos à Companhia, esta teve o controlo dos correios locais e a publicação de selos, para além da emissão de notas. Para tal, e com vista a retirar de circulação as moedas depreciadas que então giravam nessa zona, começaram a tomar medidas no sentido de instituir uma sociedade bancária emissora no território. Uma vez que o Banco Nacional Ultramarino era a entidade que tinha o privilégio emissor para as colónias ultramarinas portuguesas, o Estado português e a Companhia de Moçambique tiveram de chegar a acordo com aquele de modo a poderem implementar uma agência no território. O BNU estabeleceu uma agência na cidade da Beira e que funcionou entre 1916 e 1919, altura em que, a 2 de junho desse ano, se fundou o BANCO DA BEIRA incorporando aquela agência como sede e com o BNU a contribuir com metade do capital inicial.

As emissões do Banco da Beira eram expressas em libras para as notas de ouro e foram colocadas a circular em 1919. 

Em 1924, foram lançadas em circulação cédulas de prata expressas em escudos.



 O recurso à libra esteve relacionado precisamente com as obrigações assumidas pela Companhia para com as possessões inglesas e ao volume de trocas comerciais com as mesmas. Inicialmente, o Banco da Beira adotou o ‘estalão esterlino’ inglês. Posteriormente, passou para o ‘estalão ouro’.
Todas as notas e cédulas foram produzidas pela Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd. e eram assinadas por dois administradores e pelo gerente da agência.
Entre 1925 e 1926, a concessão de créditos ilimitados associados à emissão de papel-moeda, cujo volume não estava em concordância com as reservas disponíveis, resultou na desvalorização das emissões do Banco da Beira em cerca de 70%. Considerando esta situação ruinosa, a assembleia geral de acionistas da Companhia de Moçambique, celebrada em 22 de outubro de 1929, deliberou a liquidação do Banco. Tal teve como consequência a transmissão do privilégio de emissão de papel-moeda para a própria Companhia de Moçambique.



Para prosseguir com as funções de emissor, a Companhia de Moçambique criou a Caixa de Emissão da Companhia (CECM) a 26 de maio de 1930.
Esta teve de cumprir o prazo de 6 meses para retomar a circulação fiduciária, determinado pelo decreto-lei que extinguiu o Banco da Beira. Para tal, teve de reaproveitar notas e cédulas emitidas pelo Banco, aplicando-lhes sobrecargas para legitimar que estas pudessem continuar a girar.
As primeiras emissões da Companhia de Moçambique, exclusivas e com o seu letreiro gravado, começaram em novembro de 1930. Estas abandonaram o ‘estalão ouro’ e passaram a ser convertidas em ‘soberanos ingleses’ (moeda em ouro). Em termos do seu desenho, o papel-moeda era em tudo idêntico ao do Banco da Beira, sendo a única diferença no letreiro que identificava a entidade emissora.
Todas as notas e cédulas estão assinadas pelo gerente da CECM e de um administrador.
Em setembro de 1931, o Reino Unido abandonou o ‘estalão ouro’ da moeda que circulava no seu país e nas suas colónias de então. Tal medida fez com que o padrão-ouro, a sul do Equador, passasse a existir somente no território da Companhia de Moçambique, o que poderia originar a fuga do comércio e do tráfego marítimo do porto da Beira. De modo a evitar esta situação, o governo publicou por decreto de março de 1933, o abandono do padrão-ouro da moeda corrente no território. Assim, as emissões posteriores têm uma alteração na chapa de gravação onde não consta mais a indicação «Ouro». A convertibilidade da moeda passou a fazer-se na base de 110 escudos por cada libra.
A 18 de julho de 1942, prescreveram os poderes majestáticos da Companhia de Moçambique sobre os distritos de Manica e Sofala, sendo estes incorporado na administração do Estado português. Terminaram também nessa data os privilégios emissores da Companhia e, por via do contrato em vigor e celebrado entre o Estado e o BNU, passaram para este último, que passou a ter a função emissora doravante para todo o território moçambicano. As notas e cédulas da Companhia de Moçambique perderam a sua convertibilidade junto do Estado português a 30 de abril de 1943.
O BNU começou a operar na cidade da Beira a partir das antigas instalações da CECM e as suas emissões passaram também a ter curso legal em Manica e Sofala. 

Nova filial do BNU - Beira - 1954

atual

A 9 de setembro de 1954, foi inaugurado um novo edifício para a filial da Beira, contribuindo ainda mais para a modernização arquitetónica da cidade e tornando-se num novo foco económico.
A Companhia de Moçambique continuou a existir como empresa agroindustrial e comercial, desenvolvendo um grupo de empresa que, na década de 1960, se constituiu na Entreposto Comercial – Veículos e Máquinas, S.A..

Textotirado (resumido) do site de
Gabinete do Património Histórico da Caixa Geral de Depósitos
Nuno Fernandes Carvalho
Setembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

GALERIAS ROMANAS

Os colegas que trabalharam na Rua Augusta lembram-se bem das "termas" romanas da Rua da Conceição.
pois eu estive ali mais de 20 anos e nunca fui ver as tais termas que afinal não são termas, mas galerias que os romanos construíram no século I, para servirem de fundações à construção de casas e outras estruturas ao nível do solo. 
É interessante e vale a pena a visita. Aproveitar para matar saudades da Baixa Pombalina, agora sempre cheia de turistas. 
Os técnicos da Câmara de Lisboa que orientam a visita são impecáveis e bem competentes.
O que orientou o nosso grupo foi o sr. Carlos Dydlie (penso que está bem escrito) de origem francesa. Do melhor, na explicação da construção e história destas galerias.


domingo, 16 de setembro de 2012

CENTRO ELETRÓNICO


O Manuel Araújo tem esta foto dos antigos operadores do Centro Eletrónico do Banco Nacional Ultramarino, em convívio na antiga Cooperativa Militar ( anos 1980)


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ANTÓNIO DOS SANTOS VIEGAS


Nasceu em Coimbra no dia 5 de Maio de 1870 e morreu em Lisboa no dia 1 de Março de 1949.
Era filho de Maria Francisca de Vasconcelos Carreira e do grande covilhanense António dos Santos Viegas, catedrático da faculdade de filosofia de Coimbra, reitor da Universidade de Coimbra, par do reino, deputado às cortes pela Covilhã, ministro das finanças de Sidónio Pais e representante de Portugal no Tratado de Versalhes.
O nosso António dos Santos Viegas licenciou-se em filosofia e matemática pela Universidade de Coimbra e em engenharia civil pela escola do exército.
Começou a carreira profissional como docente no Instituto Comercial de Lisboa e no instituto Superior Técnico de Lisboa.
Em 1888 alista-se no exército, sendo promovido a Alferes em 1894, tenente em 1896, capitão em 1904, major graduado em 1915, tenente coronel graduado em 1918, coronel graduado em 1920, passando à situação de reserva por limite de idade em 1929 e à reforma em 1940.
Em 1895-1896 participa na expedição militar a Moçambique, participando na operação que levou ao aprisionamento de Gungunhana.
De 1900 a 1904 exerce as funções de Secretário da Comissão Militar dos Caminhos de ferro e em 1907 entra nos quadros do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, com as funções de inspetor superior das obras públicas e vogal do Conselho Superior de Obras Públicas.
Em 1914 é nomeado chefe da III brigada dos Caminhos de Ferro e chefe da Divisão de Exploração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, onde depois foi subdiretor até 1919.
Na sequência da crise de 1930, em fins de Janeiro de 1931, o governador do BNU, João Ulrich e os restantes administradores colocam o lugar à disposição do Ministério das Finanças, o que leva à sua intervenção imediata no Banco, nomeando em 11 de Fevereiro de 1931 um Conselho Administrativo, presidido pelo Comissário do Governo, António dos Santos Viegas e tendo como membros, Quirino Avelino de Jesus, Jaime da Fonseca Monteiro, Júlio Schmit, Artur Meneses de Correia e Sá, Francisco José Correia Machado, João Batista de Araujo, Carlos Soares Branco e José Gabriel Pinto Coelho.
António dos Santos Viegas manteve-se como presidente do Conselho Administrativo até à sua morte.

Assinatura de António dos Santos Viegas
enquanto presidente do C. A. do BNU

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JOÃO HENRIQUE ULRICH


Ulrich, Governador do BNU, com 38 anos 
Nasceu na freguesia de São José, em Lisboa no dia 2 de Março de 1880 e faleceu na freguesia de Santos o Velho, em Lisboa no dia 13 de Julho de 1956.
Era filho de João Henrique Ulrich Jr. e de Maria Cristina d’Orta Ennes. Casou no dia 15.10.1902 com Maria da Conceição do Patrocínio do Casal-Ribeiro, de quem teve cinco filhos.
É descendente de Hans Heinrich Ulrich, de Hamburgo, Alemanha, que, no século XVIII, se fixou em Lisboa, aqui exercendo actividades ligadas à banca. Dele foi sucessor João Henrique Ulrich, que lhe continuou a profissão e que teve um filho que transmitiu o seu apelido à descendência, usando sempre os membros da linha primogénita varonil os nomes próprios acoplados João Henrique. Tiveram o foro de fidalgos-cavaleiros da Casa Real e, nos derradeiros anos da monarquia, o de moços-fidalgos com exercício no Paço.
É tio do banqueiro Fernando Ulrich, atual presidente do BPI.
Ulrich no fim do mandato,
51 anos
Licenciado em direito e advogado, entrou ainda jovem para a direção do BNU e, após a morte do governador Luís Diogo da Silva, foi, na Assembleia Geral de 15.02.1918, escolhido para Governador do Banco.
Em 1930 teve de enfrentar a mais grave crise do BNU, sendo acusado de má gestão por empréstimos vultuosos concedidos a empresas com dificuldades com relações pessoais com gestores do Banco.
João Ulrich bem como o vice-governador, José da Cunha Rola Pereira e Francisco Pinto Fernandes, administrador, acabam por colocar os seus lugares à disposição e o ministro das Finanças, A. Oliveira Salazar, intervém e, por decreto nº 19.335 de 10.02.1931, torna o governo acionista do Banco e entrega a sua administração a pessoas de sua inteira confiança,  com a presidência do Eng. António dos Santos Viegas.

  
Assinatura de João H. Ulrich como governador do BNU