terça-feira, 15 de junho de 2010

BNU - ÍNDIA PORTUGUESA


Tenho aqui uma foto do edifício, onde o Banco Nacional Ultramarino instalou a primeira agência da Índia – Nova Goa, que data de 1868.
É essa a data que consta de abertura da primeira agência do nosso Banco nos territórios da Índia Portuguesa.
Posteriormente o BNU abriu dependências em Margão, Vasco da Gama, Mapuçá e Damão, mas não sei as datas.





Nessa data, a moeda da Índia Portuguesa era a rupia, equivalente à rupia indiana e emitida pelo Governo Geral do Estado da Índia.
O BNU, na sequência do contrato com o Estado Português de 1901, tornou-se o banco emissor exclusivo e em 1906 saíram as primeiras notas de rupias do BNU, para a índia Portuguesa, fabricadas em Londres.




Em 1918 o BNU emitiu notas de 4 e 8 tangas. 16 tangas valiam uma rupia.



verso



Em 1959, o BNU substitui a Rupia pelo Escudo. Seis escudos valiam uma rupia.
Em 18 de Dezembro de 1961 a União Indiana anexou os territórios Portugueses e o BNU cessou a sua actividade. E encerrou os seus escritórios na Índia a 13 de Janeiro de 1962, data em que fechou as suas contas e a entregou à autoridade monetária indiana.
O Sr. Jorge Anastácio foi o último gerente da Filial de Nova Goa. Segundo sei está de boa saúde e espero que um dia nos conte aqui algumas das suas vivências na Índia Portuguesa.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

MOEDA de TIMOR



O Banco Nacional Ultramarino abriu a agência em Dili em Abril de 1912 e colocou ali em circulação notas de patacas da filial de Macau com o carimbo “PAGAVEL EM TIMOR”






A emissão feita propositadamente para TIMOR, com data de 1 de Janeiro de 1910 e com valores de 1, 5, 10 e 20 Patacas, foi lançada em circulação a partir de Março de 1915.
Era equivalente à pataca de Macau e subdividida em 100 avos.



Mesmo depois da emisão própria para Timor, o BNU continuou a fazer circular no território, Patacas de Macau, com indicação de circulação em Timor.




Em 1958, O BNU substituiu a pataca pelo escudo à taxa de 5,6 escudos por 1 pataca, sendo equivalente ao escudo português.
Com a invasão do território pela Indonésia e sua consequente anexação, o escudo foi substituído pela rupia indonésia. A rupia acabou por dar lugar ao dólar americano, moeda adoptada pela administração da ONU que geriu transitoriamente o território e que se tornou também a moeda oficial da República Democrática de Timor-Leste após a restauração da independência em 2002.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

TIMOR



Caro Sr. Rito Pereira:

Complementando as fotos que colocou recentemente sobre o BNU de Timor no seu blog http://banconacionalultramarino.blogspot.com, tenho todo o gosto em lhe enviar uma foto daquele que foi possivelmente o edifício mais antigo do BNU nesta antiga província ultramarina portuguesa. A foto data de 1912 e encontrei-a na internet, possivelmente num sítio relacionado com a CGD, mas já não me lembro ao certo. Sei que para além deste edifício e dos dois que já figuram no seu blog, ainda houve pelo menos mais um, pois já vi a respetiva foto. Datava dos anos 30, salvo erro. Se a encontrar de novo, enviar-lhe-ei.
Com os meus cumprimentos
Henrique Correia

segunda-feira, 7 de junho de 2010

BNU BEIRA

Um amigo e conterrâneo que viveu durante largos anos na cidade da Beira, Moçambique, foi agora numa viagem de saudade, àquela cidade. Tirou fotos e deu-me esta do edifício da agência do BNU, que segundo ele me diz está actualmente completamente desocupado



Também me deu um postal da época em que o BNU estava a funcionar no edifício.



Alguém se lembra?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

BNU-Timor Leste

Caros Amigos,
Conforme prometido, vou partilhar uma experiência relacionada com o BNU/Timor que na minha opinião, é um bom exemplo de como a vontade colectiva é importantíssima para resolver situações difíceis, mesmo as que parecem impossíveis de ultrapassar.
A situação ocorreu durante o processo de independência de Timor Leste, que como devem estar lembrados, provocou uma onda de entusiasmo e de solidariedade por parte do Povo Português.
Nesse processo, o BNU teve um papel importante, designadamente por parte dos nossos colegas que enfrentando grandes dificuldades operacionais e logísticas, conseguiram reconstruir em tempo recorde as instalações destruídas, possibilitando assim o rápido reinício das actividade do Banco.
No final do dia 15 de Novembro de 1999, sendo na altura responsável pela Tesouraria Geral do BNU, fui contactado pelo colega Tubal Gonçalves, informando-me da necessidade de num espaço de 24 horas, enviar uma quantidade muito grande de notas e moedas.
Esta operação era de elevado interesse nacional, de modo a forçar a adopção do Escudo como moeda oficial de Timor durante o período de transição, em detrimento do dólar americano e do australiano.
A urgência do envio do dinheiro era justificada pela necessidade de serem pagos rapidamente os ordenados dos funcionários públicos que, sendo pagos em Escudos, facilitaria a entrada em circulação dessa moeda.
Em condições normais, a movimentação de tão elevado montante num tão curto espaço de tempo, seria impossível de concretizar, mas há medida que fui estabelecendo contactos com os responsáveis das várias entidades envolvidas: Banco de Portugal; Alfândega; Despachantes Oficiais e Securitas e, ao explicar os objectivos da operação, todos quiseram contribuir para o seu êxito.
Ao início da tarde do dia 16, o BP entregou à Securitas ( que já tinha fretado um camião para o transporte) as notas e moedas e os funcionários daquela Empresa disponibilizaram-se para trabalhar gratuitamente e fora do seu horário normal, para embalarem os milhares de notas e as 6 toneladas de moedas.
Cerca das 23,30 o camião saiu das instalações da Securitas em Linda-a-Velha e conseguiu chegar ao Aeroporto Militar de Figo Maduro a tempo do dinheiro ser embarcado num avião Antonov, fretado pelo Estado Português.
Após várias peripécias, todo o dinheiro chegou a Timor e no dia 30 o BNU reabriu as suas portas, iniciando os pagamentos aos funcionários públicos.
Entretanto, a realidade evoluiu noutro sentido, o Escudo não vingou como moeda oficial, e no início de 2002 as notas e moedas regressaram a Portugal quase na totalidade, o que implicou nova e complicada operação logística.
Será que algum colega que estava em Timor nesse período, pode dar o testemunho de como as coisas lá se passaram, nomeadamente das dificuldades em fazer chegar os caixotes com as 6 toneladas de moedas do cais até às instalações do BNU, bem como das razões porque as autoridades de Timor Leste decidiram não adoptar o Escudos como a sua moeda oficial?
Um grande abraço
Joaquim Matos

quinta-feira, 3 de junho de 2010

BNU - QUELIMANE

Quelimane foi considerada por Francisco Chamiço, em comunicação que fez na Sociedade de Geografia em 1878, como local prioritário, a par de Lourenço Marques, para estabelecer agências do Banco Nacional Ultramarino, com a finalidade de apoio à actividade comercial dos portugueses em Moçambique.

Quelimane teve a sua agência do BNU neste edifício, até à inauguração das novas instalações em 1973.

O edifício da nova agência é da autoria do arquitecto Francisco Castro. Embora o projecto seja de 1961, o caso é que as instalações só foram inauguradas em 1973. É um edifício que ainda hoje sobressai em Quelimane e está decorado com peças de João Ayres e de Francisco Relógio.
O edifício tem 7 pisos, parque de estacionamento, um andar com café e salão de jogos, sendo os últimos pisos com apartamentos de luxo para os quadros do Banco.

Nova agência em construção


Outra perspectiva da nova agência


Casas do BNU na praia de Zalala, Quelimane



Quem esteve em Quelimane? Levante-se e diga qualquer coisa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

SECRETARIADO GERAL

O Laia, nos seus oitentas, está impecável

E o Vicente também.


Quando eu fui para a Secretaria-Geral, em Novembro de 1972, era Chefe da Secretaria o Sr. João Jorge Rodrigues Jesuita, que actualmente está reformado e passa seis meses em Portugal e seis meses no Brasil.
Estavam lá o António Ribeiro Laia, a D. Branca Coimbra de Melo Soares (não sei o que é feito dela), o Mário Artur Fernandes Soromenho, O Fernando Martins Teles, o António Vicente Antunes da Silva, mais conhecido pelo Vicente da Câmara de Alcochete (ele tinha trabalhado naquela câmara), a Maria Graciete Madeira, a Maria do Carmo Faro, o Bernardo Cândido dos Reis Leite e o Fernando Silva.
O Laia desempenhava as funções de secretário do Conselho fiscal. Fazia as actas do conselho fiscal e às vezes do próprio conselho do Banco, pelos apontamentos do Jesuita.
O Teles (já falecido), que depois foi director coordenador e secretário geral do Banco era secretário do Vice – governador.
O Governador era o Dr. Nuno José Espinoza Gomes da Silva. Apanhei-o como professor de história do Direito Português, na faculdade de Direito de Lisboa.
No Secretariado Geral, havia um ambiente muito são e de boa camaradagem.
Tenho umas histórias muito interessantes desses tempos, que demonstram o bom ambiente que havia. Vou ver as fotos que consigo arranjar desse tempo e desses colegas e contar aqui algumas dessas histórias.

Augusto Trindade Rodrigues