O mês de Maio é o mês das flores, o mês do dia do trabalhador, o mês (religioso) de Maria.
No 1º de Maio de 1974 eu ainda não estava no BNU mas lembro-me de ter ido à Av. Almirante Reis, acompanhar a manifestação (1ª e única) que se fez em unidade de todos, sem partidos nem centrais sindicais. Foi o primeiro 1º de Maio que foi feriado em Portugal, como já era pela Europa e por todo o mundo fora. A França foi o primeiro país a proclamar, em 23 de Abril de 1919, como dia feriado o dia 1 de Maio. Em 1920, a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. O mês de Maio está ligado ao nosso Banco porque este foi fundado em Maio de 1864. Em Maio de 1964, foi celebrado o centenário (1º e único) do BNU com a inauguração da nova sede com entrada pela Rua Augusta, após obras que decorreram vários anos e que transformaram por completo o edifício. A partir do dia 16 de Maio de 1964 - dia do centenário - passou a sede a ter entrada pela Rua Augusta, com a fachada completamente remodelada, com os dois medalhões em pedra, imbutidos na parede e que ali se mantêm.
O Medalhão da direita representa a caravela do BNU, com uma chaminé...
O medalhão da esquerda representa o escudo de Portugal ao centro e os escudos das sete províncias ultramarinas onde o BNU era emissor.
Fernando Luís de Oliveira Pessa nasceu a 15 de Abril de 1902, na freguesia de Vera Cruz, em Aveiro, e faleceu a 29 de Abril de 2002, em Lisboa. Faz hoje precisamente oito anos que faleceu o jornalista por nós todos conhecido como o ".. e esta, ein?" Pois talvez o que muitos colegas não sabiam é que o Pessa começou a sua vida profissional no Banco Nacional Ultramarino. O pai era médico militar do antigo Regimento Aveirense de Cavalaria n.o 8, tendo sido destacado para exercer funções em África. Fernando Pessa permaneceu em Portugal, com a mãe, passando a sua infância na casa do avô materno, em Penela, perto de Condeixa. Em 1913, deslocou-se para Coimbra, onde frequentou o liceu Dr. José Falcão. Entrou, posteriormente, para a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, com o objectivo de realizar os exames preparatórios para a admissão à Escola de Guerra, no entanto, por motivos de inaptidão física não foi admitido. Em 1920 foi admitido no Banco Nacional Ultramarino em Coimbra, transferindo-se depois para Lisboa. Já em Lisboa saiu do BNU e foi trabalhar para uma seguradora. Não esteve muito tempo nos seguros e o seu percurso como jornalista é conhecido de todos. Só queria aqui ressaltar que entrou para os quadros da RTP apenas a 1 de Janeiro de 1976, já com 74 anos. A célebre expressão “E esta, hein?” marcou a sua carreira como repórter televisivo. A expressão surgiu como substituto dos palavrões que tinha vontade de dizer quando denunciava situações menos agradáveis do quotidiano do país nos seus "bilhetes postais". Pelo seu trabalho como correspondente da Segunda Guerra Mundial, Fernando Pessa foi distinguido com a Ordem do Império Britânico. E, em Portugal, a 10 de Junho de 1981, o Presidente da República, Ramalho Eanes, atribui-lhe o título de Comendador. Reformou-se em 1995, com 93 anos de idade. faleceu no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, poucos dias depois de completar 100 anos.
Quando a sede do BNU se transferiu para a 5 de Outubro, a RTP tinha a sua sede mesmo ao nosso lado. O Pessa andava por ali com outros funcionários da RTP. Recordo-me de uma vez eu ir almoçar ao restaurante da Inácia, na Av. 5 de Outubro, 140, que tinha a uma cozinha caseira muito apreciada, com peixe fresco diáriamente e uns preços baixos.O meu amigo, com 50 anos, andava em dieta a comer peixe cozido sem sal e de beber, só água. Nada de café nem cheirinhos. Entra o Pessa, já com 90 anos, com mais uns colegas da RTP e começou logo por pedir uma imperial e umas pataniscas e perguntou se ainda havia mão de vaca com grão. No final da refeição, o Pessa amanda-se a dois cafés e dois balões de whisky. O meu amigo ficou doido e jurou que não ia acreditar mais na treta das dietas que lhe tinham receitado.
Uma das famosas reportagens do Pessa foi sobre o Leão de Rio Maior. Recordemos
Um site sobre Moçambique, refere que o Francisco de Oliveira Chamiço era maçónico e que era cunhado do também maçónico Joaquim José Machado.
Mas Joaquim José Machado foi casado com Mariana Cardoso de Melo e o Francisco Chamiço foi casado com Claudina Freitas Guimarães.
Pelos nomes das respectivas mulheres, não sei qual delas é irmã de qual deles. Mas isto dos nomes, às vezes não é o que parece.
Sanatório Santana da Parede
Seja como for, e a propósito de mulheres, a D. Claudina, mulher do Francisco Chamiço está ligada ao Sanatório de Sant'Ana, actualmente, Hospital de Sant'Ana na Parede.
Nos fins do século XIX existiu na Europa um grande movimento de combate contra a tuberculose e em todos os países civilizados começaram a surgir “Sanatórios”.
O Dr. Sousa Martins foi um dos iniciadores da luta contra esse mal. A D. Claudina Chamiço deu-lhe todo o apoio para que se construísse o Sanatório de Sant’Anna, e ela própria o inaugurou no dia 31 de Julho de 1904 e o legou à Misericórdia.
Há uma Rua Claudina Chamiço em Caldas da Rainha.
O Joaquim José Machado tem um largo em Lisboa, na freguesia de S. Domingos de Benfica. General Joaquim José Machado
É considerado um dos nomes mais emblemáticos da presença portuguesa em Moçambique.
Foi governador da Índia e Governador-Geral de Moçambique por três vezes: 1889-1891, 1900, 1914-1915. Chegou a Moçambique em 7 de Março de 1877. Organizou e instalou os Serviços de Obras Públicas. Foi a Joaquim José Machado e aos serviços que chefiou que se ficaram a dever algumas das obras mais espectaculares que ainda hoje se observam em Moçambique. As primeiras das quais serão os Caminhos de Ferro e o traçado da cidade de Lourenço Marques. Foi Joaquim José Machado quem elaborou o projecto de ligação ferroviária entre Lourenço Marques e Pretória e quem dirigiu a sua construção.
O Joaquim José Machado é pai de Álvaro Cardoso de Melo Machado, fundador do escotismo em Portugal e chefe do governo de Moçambique, quando o seu pai era governador da província, entre Abril de 1914 e Maio de 1915.
O Álvaro Cardoso de Melo Machado foi governador interino de Macau (onde tem uma rua com o seu nome) entre 17 de Dezembro de 1910 (com apenas 27 anos) até 14 de Julho de 1912. Foi também administrador-delegado, por parte do Estado, do caminho de ferro de Benguela.
A Drª Anabela Conceição Ferreira trabalhou comigo no Contencioso do Banco Nacional Ultramarino. Foi uma mulher lutadora. Antes de entrar no Contencioso trabalhou na Biblioteca, na Rua 1º de Dezembro e nas Operações Gerais na Rua Augusta. Entrei no BNU, no serviço de Pessoal, na Rua Augusta, 73, em 15 de Junho de 1970. Morava na Av. dos Estados Unidos e saía no Metro dos Restauradores. Por incumbência do Dr. Herlander Machado, eu verificava o livro de ponto dos serviços da Rua 1º de Dezembro, nomeadamente Biblioteca e serviço de obras. A Anabela era uma das empregadas que via todos os dias na 1º de Dezembro. A seguir ao 25 de Abril a Biblioteca foi extinta e ela foi tranferida para as Operações Gerais, na Rua Augusta, onde trabalhou até se tranferir para o Contencioso, já licenciada em Direito, em 1989. No contencioso do BNU, na 5 de Outubro, foi sempre muito interessada em trabalhar na área do contencioso até que no dia 17 de Maio de 1996 me apareceu a chorar no Banco e a dizer que tinha acabado de receber a sentença de morte. Efectivamente em 14 de Setembro de 1996, morreu no Hospital dos SAMS. Aqui lhe deixo a minha homenagem pela coragem com que enfrentou a doença e pela vontade que sempre teve em progredir na vida.
Em 25 de Abril de 1974, eu já tinha feito a tropa e estava a estudar em Lisboa. Apresentei-me no Departamento de Pessoal do BNU, na Rua Augusta, 63, no dia 28 de Maio de 1974. Apresentou-se também naquele dia uma rapariga, bonita, que se chamava Laura. Eu fui colocado nos Câmbios; ela na agência de Algés. Nunca mais a vi. O dia 25 de Abril de 1974 e os dias subsequentes foram dias de festa e boa disposição. Toda a gente estava esperançada de que a vida ia melhorar. O Banco Nacional Ultramarino era um banco maioritariamente do Estado e acabou por ser nacionalizado em 13 de Setembro de 1974 (Dec.-Lei 451/74) pelo governo de Vasco Gonçalves, sendo Ministro das Finanças, José da Silva Lopes. Após o 25 de Abril todos virámos revolucionários. Na Repartição de Câmbios, os mais velhos eram do Partido Comunista, os mais novos éramos da UDP ou do MRPP. Vestir tinha que ser a condizer, ou seja, barbas e cabelo à Che Guevera. Olha o meu cartão do sindicato, feito em Novembro de 1974: Não pareço o Che? Os tempos passaram e lá fomos esquecendo a moda revolucionária. Em 1980, o Acácio fez-me este cartão do BNU, assinado pelo Dr. José Manuel Sampaio Cabral que era vogal do Conselho de Gestão do BNU. Na foto estou já sem barbas e com o cabelinho cortadinho e penteado. A verdadeira revolução económica, com as nacionalizações começou no dia 11 de Março de 1975 . Respirava-se revolução por todos os lados e quem não fosse pela revolução era apelidado de reaccionário. Cada um procurava manifestar posições mais revolucionárias que o outro. Tenho comigo um bilhete dos transportes de Lisboa, de 1975, que no verso dizia: A revolução portuguesa precisa de ti participa nela colaborando desenvolve-a trabalhando defende-a produzindo. 1975 foi também o ano das ocupações de empresas e propriedades agrícolas e urbanas (casas). A sede dos SAMS, na Marquês da Fronteira foi ocupada pelos sócios do nosso sindicato, durante vários dias, até se tornar efectiva, contra a vontade dos proprietários. Eu fui um dos que fui dispensado do serviço no Banco para ir fazer umas horas no palacete. O palacete acabou por ser comprado pelo Sindicato ao proprietário por 30 mil contos, após avaliação determinada pelo tribunal de Lisboa. Ali se instalaram por vários anos os serviços dos SAMS e actualmente está à venda por 25 milhões de euros. O edificio da Marquês de Fronteira, conhecido como "Palacete Leitão" é da autoria do arq. Nicola Bigaglia e foi construído em 1908. Este arquitecto está ligado a belas obras de Portugal, dos fins do séc. XIX e princípio do sec. XX como o palácio do Bussaco, o Palacete Lima Mayer e o do Lamberthini, ambos na Av.Liberdade e a casa da Condessa de Edla na Parede. A casa da Parede foi abaixo e actualmente está lá um condomínio A Condessa de Edla foi a 2ª mulher do Rei D. Fernando, marido da rainha D. Maria II e pai do Rei D. Luis, que está ligado à fundação do Banco Nacional Ultramarino. O mundo é pequeno. Não é que um sobrinho dum amigo meu e nosso colega do BES vai casar com uma bisneta da Condessa de Edla? Que sejam felizes para sempre.
O fundador do Banco Nacional Ultramrino, Francisco de Oliveira Chamiço, era um dos sócios da firma F. Chamisso Filho e Silva Lda, que produziu o vinho do Porto em 1851 e à qual já aqui nos referimos. Segundo consta em documento da Biblioteca Nacional, O Sr. Franscisco Chamiço foi gerente das minas de estanho da Mostardeira e de Trás-os-Montes. Sabemos que a mina de estanho da Mostardeira deu início à exploração de cobre em 1863, ou seja, no ano anterior à fundação do BNU. A mina tinha dois poços, um para extracção e outro para esgoto de água subterrânea, até uma profundidade de cerca de 100 metros e o campo de lavra estava dividido em seis pisos.
Mina da Mostardeira, no Alentejo
A mina laborou durante cerca de 20 anos. Até 1894 foram exportadas cerca de 2.000 toneladas de cobre.
Ora o documento da Biblioteca Nacional diz que em 1875 o Sr. Chamisso era gerente da mina da Mostardeira e da mina de estanho de Trás-os-Montes, tendo contraido dívida de 25.332$036 réis no BNU para a mina da Mostardeira. Ao que parece a mina da Mostardeira terá encerrado nos anos 80 do século XIX. Não sei se a mina deu para pagar as dívidas ou se teve o Sr. Chamisso que arcar com elas. Isso é que não encontrei em nenhum documento.
O AMIGO ARAUJO LEÃO DEU A IDEIA E VAMOS AVANÇAR PARA O RESTAURANTE PALMEIRA, NA RUA DO CRUCIFIXO, ÀS 12 HORAS. Este almoço é completamente informal. Outros podemos fazer e sempre abertos a todos os amigos do BNU. Pensámos que os colegas que trabalham poderão dar lá um salto e despachar-se sem problemas no serviço. Por isso marcámos para as 12 horas. está marcado para vinte, mas esperamos mais 4 ou 5. Se houver mais interessados, então subimos as marcações para o número que tivermos até ao dia 25.
O meu amigo Joaquim Matos, depois do comentário do amigo Araújo Leão, levantou a ideia de um almoço.
Vamos embora! Tudo o que seja para manter a chama, cá estamos. Eu vou! Então propunha que se aceitassem sujestões. Por exemplo, definir o local, a "nossa" Baixa? o Campo Pequeno? Fora de Lisboa? Definir o dia: Dia de semana? Fazer inscrições para podermos marcar o restaurante: podia ser feita a inscrição, aqui no blog, através de comentário, ou quem não soubesse ou não conseguisse introduzir o comentário, através de mail para o a.ritopereira@gmail.com
ARAUJO DIZ: Pronunciando-me sobre o possível encontro-convivio-repasto, acho uma ideia genial. Ai de mim querer antecipar-me aos demais pois todas as opiniões serão bem vindas! Lembrei-me da carismática e histórica “Palmeira” na Rua do Crucifixo, bem ao lado do Metro Baixa-Chiado. Era neste Restaurante Cervejaria que, no fim de um dia de trabalho, a malta se recolhia e discutia calorosamente os amores e desamores políticos e clubistas. Ali se formava, inconscientemente, uma espécie de tertúlia onde cabiam empregados do tribunal, empregados bancários, operários, pessoal dos seguros e notários. Enfim, uma casa que nos acalmava antes de rumarmos à nossa própria casa e nos temperava a alma e o “fígado”, isto depois de umas frescas “lourinhas” empurradas gulosamente com tremoços. Um abraço Araujo