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segunda-feira, 3 de maio de 2010

RUA AUGUSTA

No dia 16 de Maio de 1964, centenário da fundação do Banco Nacional Ultramarino, foi feita a solene inauguração da nova sede do BNU, na Rua Augusta.

A nova sede apresentava espaços únicos na Europa, como é o caso dos cofres, que já aqui referimos, o balcão a toda a volta do rés-do-chão, com várias entradas nas quatro ruas que ladeavam o edifício, A nova entrada, monumental da Rua Augusta.

Para a sala de reuniões da administração, o pintor Martins Barata Castelo de Vide 07.03.1899 - Lisboa 15.05.1970), pintou a obra "O Fomento Ultramarino e a Metrópole", dominada por um sol que erradia como símbolo da vida e uma figura de Mercúrio, deus do comércio e dos viajantes, que voa sobre a caravela, simbolizando a acção do BNU.


Para a nova fachada da Rua Augusta, o escultor Leopoldo de Almeida, fez duas obras de arte primorosas, em relevo, que ali se mantêm e que dificilmente serão dali removidas, penso eu.


O da direita não necessita comentários. É o logotipo do nosso banco.



O da esquerda, representa a expansão do BNU, com o escudo de Portugal ao centro e, à volta, os escudos de armas das províncias ultramarinas portuguesas, onde o BNU estava implantado e era emissor - todas menos Angola.
Os escudos destas províncias apresentam todos o escudo português do lado esquerdo, a ondulação marítima em baixo e as armas da província do lado direito.

escudo das armas de Timor Português

Escudo das armas de Macau Português

Escudos de São Tomé e Príncipe

Escudo das armas de Cabo Verde Português

Escudo das armas da Índia Portuguesa

Escudo das armas de Moçambique Português

Escudo das armas da Guiné Portuguesa

RUA AUGUSTA - Nova sede

Maio está ligado à fundação do BNU e está ligado intimamente à instituição da nova sede do Banco na Rua Augusta, 24.
É que aquilo que nos habituamos a ver como a sede da Rua Augusta, só em Maio de 1964 teve a sua concretização, embora logo em 1867, portanto 3 anos depois da fundação do BNU a sede se tivesse transferido para a Baixa Pombalina.

Em 23 de Novembro de 1866, o BNU comprou o primeiro edifício que viria a pertencer à futura sede da Rua Augusta.

Primeiro edifício do BNU na Baixa Pombalina, na Rua Nova d'El Rey (rua do Comércio) tornejando para a Rua Bella da Rainha (Rua da Prata)

Começava assim a escritura:

"Saibam quantos esta escriptura de venda, quitação e obrigação virem que no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos sessenta e seis aos vinte e três dias do mez de Novembro nesta cidade de Lisboa na Rua Augusta, nº 28 – 1º andar no meu escriptório, compareceram de uma parte o Ilust. José Carlos Mardel Louceira, casado, proprietário, na qualidade de procurador de Sr. Conde de Óbidos e de Sabugal… e de outra parte o Ill. Francisco d’Oliveira Chamiço, Negociante, na qualidade de governador do Banco Nacional Ultramarino… Disse que o seu constituinte é senhor e proprietário e possuidor de uma propriedade de casas composta de lojas, três andares e portadas, situadas na Rua Nova d’El Rei, nºs sessenta e seis a setenta e quatro, sendo o numero setenta sito na parte de arcada, com frente para a Rua Bella da Rainha, números vinte a trinta e seis e sequencia de S. Julião... Pela quantia de vinte e cinco contos e oitocentos mil reis



Depois da República, a Rua Nova d’El Rey passou a Rua do Comércio,


e a Rua Bella da Rainha passou a Rua da Prata.
A Rua de de S. Julião manteve o nome.



A Rua Nova d'El Rey tinha uma arcada… Talvez a actual porta nº 84

Sabemos que a sede do Loreto foi trespassada em 1867, portanto em 1867 já a sede do Banco Nacional Ultramarino estava na Rua do Comércio.

Pelos documentos existentes na Câmara Municipal de Lisboa, podemos seguir a evolução do prédio, até chegar ao que se consolidou como sede da Rua Augusta.

1889 - a direcção do B.N.U. pretende fazer alterações o edifício do referido Banco, situado na R. de El'Rei nº 74;
1906 - a Direcção do B.N.U. apresenta projecto para alterações na propriedade situada na R. de El'Rei nº 74 a 78, tornejando para a R. Bella da Rainha;
1918-a Direcção deseja construir um edifício destinado à sede do mesmo Banco no seu prédio antigo e outros que adquiriu na R. do Comércio, nºs 74 a 86, R. da Prata, nºs 23 a 43 e S.Julião nºs 79 a 103.Construção subterrânea de casas fortes em todo o perímetro do novo edifício;
1920- demolição total das divisões internas e da reconstrução em cimento armado dos pavimentos e pilares, escadas e vigas.As fachadas foram mantidas no seu aspecto pombalino;
1923- é construído mais um andar em mansarda pombalina no edifício da sede na R. do Comércio, com frente também para a R. da Prata, de S.Julião e R. Augusta;
1928- com sede na R. do Comércio, nºs 66 a 102, pede averbamento dos prédios que foram anexados à sua sede da R. de S.Julião, R. da Prata, R.Augusta e R. do Comércio, formando uma só propriedade. R. da Prata,nºs 23 a 43.R. Augusta nºs 18 a 28. R. do Comércio nºs 66 a 102. e R. de S.Julião 79 a 103;
1930- Alterações ao projecto do edificio da sua sede na R. do Comércio:supressão da mansarda geral,tendo-se feito apenas uma parcela da mesma na parte central do quarteirão da R. Augusta e internamente a deslocação de portas,construção de marquises no pátio,sendo um de ligação no piso do 2º andar, uma torre para o monta-cargas,deslocação da cúpula envidraçada do hall do piso do 4º andar para o 2º,casa das caldeiras para o aquecimento;
1942- Modificações no 3º andar, na R. do Comércio nº 94;
1950- Lavrada a escritura de compra ( no livro B-97 a fls 1 do Notário de Silva Palhinha, Lisboa), pelo Banco Nacional Ultramarino dos prédios descritos sob os números 18, 19 e 60, respectivamente, a que correspondiam os números da R. Augusta 30 e 38 e da R. de S.Julião 105 a 115, à Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, ficando desta forma o BNU proprietário da superfície que abrange o actual quarteirão;
1952 - Luis Cristino da Silva apresenta um projecto de remodelação e ampliação do edifício da sede do Banco localizado na R.Augusta, R. da Prata, do Comércio e S.Julião e introduzir uma modificação na cercia.
1955- Um novo projecto é apresentado substituindo o anteriormente aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, com alterações na cave através da construção de três casas fortes, respectivo acesso independente e um caminho de ronda destinado ao seu isolamento e protecção. No rés-do-chão,localizar a entrada principal do público no lado da R.Augusta,criando-se um espaço vestíbulo onde se desenvolveriam as escadas privativas da Administração e de acesso às casas fortes de aluguer.No 1º,2º e 3º andar os serviços administrativos.No 4º andar a construção de um andar em mansarda e a construção de um último piso integrado na espessura da cobertura, sendo esta constituída por um telhado de tipo mansarda e por uma laje de betão armado;
1955- pedido de licença para a construção de mais um andar em mansarda e duma nova cobertura,parte em terraço sobre o edifício existente e da reconstrução do edifício adquirido pelo Banco do lado da R.Augusta e da parte do edifício existente sendo demolidos e reconstruídos totalmente desde as fundações, aproveitando-se apenas as paredes mestras abaixo do nível do rés-do-chão;
1957- Projecto final, que viria a ser executado nos anos seguintes;
1963 - Revisão do desenho do pórtico; estudo dos detalhes para os balcões do piso térreo;
1964- Daciano da Costa assina o projecto de arquitectura de interiores e mobiliário para a sala de jantar da administração, bem como assentos para zonas públicas.Jaime Martins Barata pinta " O fomento Ultramarino", mural da sala de reuniões da Administração. Novas instalações inauguradas em 16 de Maio, ano do 1º centenário do Banco. Na remodelação do edifício teve acção relevante o Dr. Luís Pereira Coutinho, administrador do Pelouro das Obras. Em sua homenagem o Conselho de Administração deu o seu nome a uma das salas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Rua Augusta - Cofres


A Câmara de Lisboa comprou por 21 milhões de euros o edifício da Rua Augusta, à Caixa Geral de Depósitos, onde já funciona o Museu da Moda e do Design (MUDE).
No edífício ainda funcionam alguns departamentos da CGD, nomedamente, os cofres, que agora terão de ser desactivados para serem ocupados pelo MUDE.



Em 1964, ano em que foram inauguradas as obras da sede, a Caixa Forte do BNU era considerada a melhor da Europa.


Em 1955, foi apresentado um projecto na Câmara Municipal de Lisboa, feito pelo Arq. Luis Cristino da Silva, com alterações na cave do edifício da Rua Augusta, para a construção de três casas fortes, respectivo acesso independente e um caminho de ronda destinado ao seu isolamento e protecção e, no rés-do-chão, fazer a entrada principal do público no lado da R.Augusta,criando-se um espaço vestíbulo onde se desenvolveriam as escadas privativas da Administração e de acesso às casas fortes de aluguer.

terça-feira, 9 de março de 2010

RUA de S. JULIÃO 111

A entrada dos empregados para a sede do Banco era pelo nº 111 da Rua de S. Julião. Pelo menos desde que eu entrei no Banco.- Maio 1974 -.


Recordo-me que no final dos anos 70, havia no passeio e encostada às paredes junto à porta e tapando as janelas que estão entre a porta e a Rua Augusta, uma banca de jornais e revistas. Não sei se os responsáveis do Banco deixavam ou se o PREC não admitia oposição do Banco a essa banca.

A entrada era às 9 e a saída era às 6 da tarde.
Eu descobri que uma colega, que me tinham apresentado uns dias antes, andava a estudar e tinha dispensa para sair às cinco da tarde. Eu, solteiro mas não militante, saía às 5 menos 5 da tarde, a tomar um café, e ficava ali a ler os títulos dos jornais.
E então... claro, lá me encontrava.
- Oh! por aqui?
- É... é a minha hora do cafezinho... (mentira que eu, já nessa altura, não bebia café).
Ao terceiro ou quarto "café" em frente dos jornais, combinamos encontrar-nos para jantar. A partir dali, não precisei mais do café das cinco.
Não é que eu gostava mesmo daquela miúda?!
Ainda hoje não sei porque é que não deu certo. Talvez por eu gostar mesmo dela e não ter conseguido mostrar-lho.
Só sei que um dia deixou de me atender o telefone e eu vi desmoronar-se um projecto de vida.
Vidas da Baixa pombalina... Recordações da saída de S. Julião...

Um colega do contencioso, contou-me que andava a tratar do divórcio duma colega, que tinha deixado de gostar do marido. Acontece ao mais pintado...
O marido continuou a lutar por ela e veio a saber que ela andava a sair com outro empregado do BNU.
Então, um dia, o marido traído, mas compreensivo e lutador, esperou o arranjinho da mulher à saída do 111 de S. Julião.
Apresentou-se e disse-lhe que sabia tudo e que lhe dava até ao Natal para deixar de andar com a sua mulher... (parece que ainda faltavam 3 meses para o Natal, de forma que não se pode chamar ao marido um intolerante insuportável).

Entrando pelo 111, tínhamos, logo em frente, um elevador que ia até ao 4º andar.
Conta-se que o empregado chamado Engenheiro (que faleceu muito novo, de acidente automóvel), um dia, estando nesse elevador com outros colegas, entrou o D. Luis Pereira Coutinho, governador do Banco, e o elevador acendeu a luz vermelha. O Engenheiro disse ao senhor que tinha que sair, porque, se não, o elevador não andava.
- O senhor sabe com quem está a falar?
- Não não sei, mas como foi o último a entrar, tem que ser o senhor a sair.
- Olhe que eu sou o D. Luis.
- É o D. Luis I ou o D. Luis II?
Também se conta que o Engenheiro, uma vez estava à porta do 111 e um director veio dizer-lhe que já passava das duas da tarde e que fizesse o favor de entrar.
O engenheiro terá dito que não sabia do que o senhor estava a falar porque ele não era trabalhador do BNU. O director pediu-lhe desculpa e o engenheiro continuou na sua descontração.
Conheci o Engenheiro e era realmente um monumento à descontração e boa disposição. Que a terra lhe seja leve!


Se eu agora fosse o Fernando Pessoa, que também andou por estas ruas no dia a dia da sua vida, fazia uma poesia ao 111 de S. Julião.
Tinha que referir os desgostos e as ilusões que por ali entraram e saíram, as correrias para chegar a tempo de apanhar o livro de ponto, as saídas apressadas para apanhar o combóio do Cais do Sodré e chegar a tempo de apanhar o filho na escola.
Mas também podia descrever, com ditos belos ou épicos, as escapadelas de amantes fogosos ou as desilusões de paixões não correspondidas.
E teria lugar a celebração do estudo, do trabalho árduo, da luta pela progressão individual e colectiva, que fizeram do BNU um grande banco que talvez tenha acabado pelos desmandos que vários governos, após a revolução de Abril, praticaram, aproveitando-se dos seus activos para tapar políticas incompetentes que ainda agora todos estamos a pagar.